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PANDEMIA

Estado desobriga uso de máscara e Capital mantém restrição

No que se refere a decisões de combate ao coronavírus, estados e municípios são independentes; no entanto, sempre prevalecerá a recomendação mais restritiva

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O governo de Mato Grosso do Sul retirou a obrigatoriedade do uso da máscara para ambientes fechados, a partir desta quinta-feira (10). 

Após a decisão, tomada pelo comitê gestor do Programa de Saúde e Segurança na Economia (Prosseguir), outro decreto será publicado ainda hoje no Diário Oficial do Estado (DOE) com as novas recomendações.  

Para ambientes externos, o uso da máscara não é obrigatório desde 3 de novembro de 2021 no Estado. Em contrapartida, a Prefeitura de Campo Grande decidiu manter a exigência em ambientes fechados.  

De acordo com o prefeito Marcos Trad (PSD), a desobrigação no município acontecerá de forma gradativa, para que a curva de contágio da Covid-19 não sofra novos picos.  

“As decisões não podem ser unilaterais, e ouvindo diferentes segmentos da sociedade chegamos à conclusão de que é necessário ter um período de transição, não é simplesmente você liberar o uso da máscara da noite para o dia. Como é que a partir de quinta-feira ninguém mais precisa usar a máscara?”, salientou Trad.  

Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), no que concerne às orientações sobre os cuidados contra a disseminação do coronavírus, estados e municípios são independentes, mas prevalecerá sempre a recomendação mais restritiva.  

Ou seja, apesar de o governo estadual liberar o uso da máscara em ambientes fechados, para quem mora em Campo Grande o item de proteção contra o contágio da Covid-19 continua obrigatório, haja vista que a medida municipal é mais restritiva do que a do Estado.  

Conforme o prefeito, o decreto com as recomendações para este período de transição para o desuso da máscara será publicado na segunda-feira (14).  

Trad adiantou que, por ora, a máscara permanece obrigatória no transporte coletivo, nas escolas públicas e privadas, nos restaurantes e nas redes de saúde pública. Sobre a liberação do governo estadual, o prefeito acredita que esta não é a maneira mais adequada de combater a pandemia neste momento.  

“Todos queremos tirar a máscara, mas não devemos apostar no escuro com o risco de termos uma nova onda de contágio que poderá desencadear medidas restritivas por falta de cautela neste momento”, disse o prefeito.  

Promotora de Justiça da Saúde de Campo Grande, Filomena Aparecida Depólito Fluminhan afirmou que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) endossa a liberação escalonada. “Em relação às máscaras, no momento, é necessário uma transição progressiva, de modo que nas repartições públicas com acesso ao público continue obrigatório o uso de máscara para prevenção ao agravamento da Covid-19”.  

JUSTIFICATIVA

O secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, justificou a desobrigação do uso da máscara para ambientes fechados baseando-se na queda exponencial de novos casos, internações e mortes por Covid-19 nas últimas semanas.  

Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) apontam que, em um intervalo de um mês, o número de novos casos de coronavírus registrados em MS caiu 60,5%, de 3.283 registrados em 9 de fevereiro para 1.296 registrados ontem.  

A queda de mortes foi de 69,2%, de 26 óbitos registrados há 30 dias para 8 confirmados no boletim desta quarta-feira.

Em relação à taxa de ocupação global de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) destinados ao tratamento da doença no Sistema Único de Saúde (SUS), a redução das internações foi de 43% em um intervalo de 30 dias.  

Desde o início da pandemia, 510.376 sul-mato-grossenses tiveram a doença e 10.415 morreram por complicações dela.

Conforme o boletim da SES, o Estado conta com 6.904 casos ativos de pessoas que estão em isolamento domiciliar e outras 159 estão internadas com a doença, sendo 72 em leitos clínicos e 87 em leitos de UTI.  

Ao Correio do Estado, a infectologista e presidente da Sociedade de Infectologia de Mato Grosso do Sul, Andyane Tetila, defendeu que, mesmo com a liberação do uso da máscara pelo governo estadual, as populações mais suscetíveis à doença devem continuar usando o equipamento de proteção, mesmo estando vacinadas contra o coronavírus.  

“É importante que as autoridades estejam antenadas às variações da curva epidemiológica e à ocorrência de surtos, e que essas medidas de flexibilização sejam feitas ou revistas dependendo da curva de incidência de casos novos”, reiterou a infectologista. 

migração ilegal

Criminosos que atravessavam haitianos ilegalmente de Corumbá para a Bolívia são condenados

Os chamados coiotes cobravam valores abusivos para levar migrantes de forma ilegal ao país vizinho através de travessia clandestina

05/06/2026 17h30

Criminosos articulavam um esquema de travessia de haitianos pelo local conhecido como

Criminosos articulavam um esquema de travessia de haitianos pelo local conhecido como "Trilha do Gaúcho" Foto: Divulgação / PF

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A 1ª Vara Federal de Corumbá condenou oito pessoas por participação em um esquema criminoso que promovia a migração ilegal, através da travessia de estrangeiros, principalmente haitianos, na fronteira do Brasil com a Bolívia. As penas variam de três a 11 anos de prisão.

Conforme a Justiça Federal, o grupo criminoso atuou entre outubro e dezembro de 2021, transportando os estrangeiros de forma clandestino para o país vizinho de Mato Grosso do Sul, visando lucro, em ações coordenadas e repetidas, caracterizando crime continuado.

Os acusados foram presos em dezembro de 2021, durante a Operação Fom'Ale II, deflagrada pela Polícia Federal. Na ocasião foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão.

Conforme reportagem do Correio do Estado, a investigação que levou a prisão do grupo detectou que os criminosos articulavam um esquema de travessia de haitianos pelo local conhecido como “Trilha do Gaúcho”, na divisa do Brasil com a Bolívia.

Nos períodos da manhã e noite, os criminosos, que atuavam como coiotes, buscavam meios de atravessar ilegalmente os migrantes, entre eles diversas crianças e mulheres grávidas, sempre exigindo dinheiro para tal fim.

Já dentro da trilha, os estrangeiros eram auxiliados por “carregadores” bolivianos, que tinham a função de mostrar o percurso até a Bolívia, além de prestar apoio no transporte das malas dos haitianos, mediante o pagamento de valores abusivos.

O esquema tinha divisão de tarefas: alguns integrantes captavam migrantes na rodoviária, outros faziam o transporte até casas de passagem e a fronteira, enquanto havia responsáveis por hospedagem e articulação com atravessadores bolivianos. 

As investigações indicaram que os migrantes pagavam valores que chegavam a 150 dólares por pessoa para a travessia ilegal.

Em ocasiões em que os “coiotes” foram acompanhados pelos policiais, foi possível observar que, ao menos uma vez, cidadãos haitianos foram abandonados no meio da rua, após os criminosos perceberem a aproximação da polícia.

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia contra oito investigados, imputando-lhes os crimes de promoção de migração ilegal e organização criminosa.

Sentença

O juiz federal substituto, Rubens Petrucci Junior, ao julgar o processo, enfatizou que a prática envolvia “exploração econômica sistemática de migrantes em situação de máxima vulnerabilidade”, além de riscos impostos durante travessias clandestinas. 

“A atividade cruzava sistematicamente a fronteira Brasil-Bolívia, com acordos e pagamentos envolvendo bolivianos e operações até o Chile”, registrou o magistrado na sentença. 

O conjunto de provas, que incluem depoimentos, monitoramentos e dados de celulares, demonstrou, segundo o juiz federal, a atuação coordenada do grupo, resultando na condenação dos investigados pelos crimes de promoção de migração ilegal e integração em organização criminosa, nos termos da denúncia.

Investigação

Cemitério de MS entra na mira do MP por superlotação e armazenamento de ossos irregular

Denúncia de moradores afirma que o Cemitério chegou a realizar a exumação dos ossos de um familiar e não sabiam o paradeiro da ossada

05/06/2026 17h15

No local, foram encontradas ossadas humanas sem registro eficaz

No local, foram encontradas ossadas humanas sem registro eficaz Divulgação/MPMS

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu uma investigação contra o Cemitério Público Municipal de Naviraí para apurar irregularidades no funcionamento. 

Entre as denúncias, a investigação foca em falhas na realização de exumações, controle administrativo ineficaz ou inexistente e possíveis violações à dignidade humana. 

A motivação do inquérito foi o relato de moradores do município, localizado a aproximadamente 350 quilômetros de Campo Grande, que afirmaram que encontraram túmulos abertos quando foram ao local sepultar familiares. 

Em um dos casos, teria acontecido a exumação dos restos mortais de um dos mortos sem a comunicação prévia à família e sem informação precisa a respeito do local exato do armazenamento dos ossos. Na tumba do familiar morto, estaria sepultada outra pessoa, que não teria relação alguma com a família.

Durante a visita do MP ao local, foram constatados vários problemas, como a ausência de registros confiáveis, a inexistência de um sistema eficiente de controle, além do armazenamento inadequado de ossadas, inclusive sem identificação. 

Foram encontrados, ainda, ossos humanos mantidos de forma irregular no ossuário, contrariando normal legais e princípios básicos de respeito à dignidade da pessoa humana. 

A investigação também identificou uma possíbel superlotação no cemitério, com indícios da utilização irregular de áreas de circulação comum para novos sepultamentos. 

O desenterramento de restos mortais deve seguir critérios estabelecidos pela legislação municipal, além da realização do registro detalhado de todas as movimentações do corpo. 

Segundo o MPMS, isso não vinha sendo cumprido no estabelecimento público. 

Diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público instaurou inquérito civil e requisitou a abertura de investigação policial para apurar possíveis crimes de violação de sepultura e ocultação de cadáver. 

Em resposta, o município de Naviraí apresentou ao MP informações sobre medidos para reorganização do serviço, como a implantação de um sistema informatizado para controle e revisão de processos internos. 

No entanto, de acordo com o MP, o próprio levantamento reconhece falhas em gestões anteriores e lacunas nos registros de exumações.

"Mais do que uma questão administrativa, o funcionamento adequado de um cemitério envolve direitos fundamentais, como o respeito à memória dos falecidos e o direito das famílias de saber o destino de seus entes queridos. Ao conduzir a investigação, o MPMS reforça seu papel na defesa da cidadania, da dignidade humana e do interesse coletivo", afirmou o Ministério Público em nota. 

No local, foram encontradas ossadas humanas sem registro eficazFonte: Reprodução MPMS

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