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CAMPO GRANDE

Valor gasto com tapa-buraco em 4 anos daria para recapear 200 km

Somados, os sete contratos que englobam o serviço nas sete regiões da Capital correspondem a R$ 197 milhões desde 2022

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O serviço paliativo do tapa-buraco já custou aos cofres públicos de Campo Grande cerca de R$ 197 milhões nos últimos quatro anos, montante que poderia ter sido usado para fazer o recapeamento de 200 quilômetros a 300 quilômetros de vias durante esse período, que, provavelmente, teriam maior durabilidade, avalia especialista consultada pela reportagem.

De acordo com o portal de Transparência da Prefeitura de Campo Grande, existem sete contratos ativos que realizam o tapa-buraco, cada um responsável por uma região da cidade (Anhanduizinho, Bandeira, Centro, Imbirussu, Lagoa, Prosa e Segredo).

A grande maioria dos contratos foi assinada entre julho e agosto de 2022, com exceção dos contratos das regiões Bandeira e Lagoa, que foram celebrados no mês passado.

Todos têm duração de um ano, com possibilidade de prorrogação por mais cinco anos, e estão sob responsabilidade de duas empresas: Construtora Rial e RR Barros Serviços e Construções.

Durante esses quatros anos, os contratos já consumiram, pelo menos, R$ 197.340.972,61, contando o valor original e os aditivos. Contudo, para muitos campo-grandenses, o serviço não resolve o real problema das vias da cidade, já que tem caráter paliativo e emergencial, não sendo uma solução no longo prazo.

Ao Correio do Estado, a engenheira civil Rocheli Carnaval explica que o recapeamento asfáltico pode ser uma solução melhor que o tapa-buraco, mas a escolha depende de outros fatores e, geralmente, as chuvas influenciam muito nessa decisão – inclusive, este fevereiro já é o mais chuvoso da década.

“As fortes precipitações aceleram a deterioração do pavimento asfáltico, principalmente quando a água se infiltra em camadas superiores, reduzindo a coesão dos materiais e intensificando a formação de buracos, deformações e trincas”, explica Rocheli.

“O que não quer dizer que as chuvas são as causadoras dos danos nos pavimentos, elas apenas deixam à mostra o estado precário de uso e conservação deles. Nesse contexto, é fundamental que a escolha entre serviços de tapa-buracos e recapeamento asfáltico seja rigorosamente orientada por critérios técnicos e pelo princípio de eficiência no uso dos recursos públicos”, completa a especialista.

A engenheira reforça que há trechos da Capital que precisam de outra solução além do tapa-buraco, visto que o serviço “não corrige as causas profundas do problema, gerando necessidade de frequentes intervenções e, sob a ótica do custo ao longo do tempo, pode resultar em dispêndios superiores aos de uma reabilitação estruturada”.

Ela também cita que, em média, o montante de quase R$ 200 milhões poderia render entre 200 km e 300 km de recapeamento.

“Pode ser que isso não seja suficiente para resolver todos os problemas, porém, é um investimento que faz com que você tenha uma vida útil muito maior”, pontua.

Levando em consideração essa estimativa e a extensão de avenidas importantes da cidade, esse valor daria para recapear as Avenidas Afonso Pena, Ernesto Geisel, Manoel da Costa Lima, Mascarenhas de Moraes, Coronel Antonino/Cônsul Assaf Trad (todas essas nas duas mãos) e Calógeras.

Ao todo, essas vias totalizam cerca de 67 km, o que significa que outros 133 km ainda poderiam ser recapeados.

Para Rocheli Carnaval, em Campo Grande, a melhor opção no momento seria o recapeamento asfáltico.

“A meu ver, para Campo Grande, a melhor prática de reabilitação viária seria o recapeamento asfáltico na maioria das regiões, com o incremento de novas tendências de estruturas urbanas como as chamadas soluções baseadas na natureza [SBN], porém, [isso] deve exigir um diagnóstico técnico detalhado dos órgãos competentes que leve em conta o impacto das chuvas intensas, a extensão dos danos, que estão cada vez maiores, o custo-benefício dos serviços e a segurança dos condutores de veículos e transeuntes”, avalia a engenheira.

Buracos na Rua Bernardo Franco Baís desafiam motoristas que transitam pela Vila CarvalhoBuracos na Rua Bernardo Franco Baís desafiam motoristas que transitam pela Vila Carvalho - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

PERCEPÇÃO

Além do debate entre recapeamento e tapa-buraco, alguns moradores de longa data de Campo Grande citam que os buracos da cidade eram resolvidos de forma mais ágil há 15 anos, em comparação com agora, mesmo com o avanço da tecnologia dos equipamentos.

Para o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Marcelo Miglioli, essa impressão é equivocada, já que naquele tempo a malha viária da Capital não era tão envelhecida quanto agora, o que deixa o debate difícil.

“O asfalto vai ficando velho, você vai restaurando ele e você tem novos pavimentos que vão ficando velhos, é um ciclo de vida do pavimento. Agora, você passa 30 [anos], 40 anos sem fazer, você vai tendo um acúmulo de pavimento com problema. Hoje, pelo menos 70% da malha está comprometida, o que dificulta muito”, diz o secretário.

Vale destacar que este já é um dos meses de fevereiro mais chuvosos da história recente de Campo Grande, com 250 mm acumulados.

Segundo gráfico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que pega como referência os dados de 1991 a 2020, as precipitações em fevereiro na Capital costumam ficar entre 180 mm e 220 mm, ou seja, geralmente é um dos meses mais chuvosos do ano na cidade.

RELATOS

Dono de uma padaria próximo ao Centro, que tem dois buracos grandes em frente, Guilherme Preto, de 36 anos, relata que ambos surgiram em outubro do ano passado e têm prejudicado moradores que passam com veículos na rua. Além disso, ele diz que já avistou cinco acidentes na região por causa das “crateras”.

Tentando solucionar o problema, há duas semanas ele contatou a prefeitura por meio do número 156 (Central de Atendimento ao Cidadão/Ouvidoria) e preencheu o formulário para que o buraco fosse tapado. No entanto, até o momento, nenhuma equipe compareceu para dar fim ao defeito.

“Faz uns 15 dias que eu fiquei sabendo desse número da prefeitura, mas até agora nada. A moça da prefeitura falou: ‘Mas é só na frente do teu comércio que você quer que mexa?’ Falei: ‘Não, a rua é inteira, mais para a frente tem buraco também’. Minha preferência é aqui, mas se já puder arrumar, é melhor ainda”, afirma o comerciante.

Thiago Silva, de 22 anos, é funcionário de uma oficina no Bairro Guanandi, onde também foram avistados inúmeros buracos pela reportagem. Para ele, esse problema na cidade sempre existiu, porém, nos últimos meses, tem se intensificado.

“Sempre teve buracos, só que ultimamente está mais frequente, mais recorrente, sim. Não sei quem é responsável por essa parte, mas ultimamente deu para perceber que está aumentando bastante a quantidade. Começou a aumentar de uns seis meses para cá”, opina.

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Aos 96 anos

Morre Tarsila Barros de Souza, artista que participou da criação dos símbolos de MS

Artista plástica e professora dedicou mais de três décadas ao ensino e teve obras marcantes na história cultural do Estado

13/04/2026 19h15

Foto: Arquivo Pessoal

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Figura importante na construção do Estado, morreu nesta segunda-feira (13), aos 96 anos, a artista plástica Tarsila Barros de Souza, única mulher entre as mentes que pensaram a criação dos símbolos oficiais de Mato Grosso do Sul.

Com Alzheimer há 16 anos, ela estava há seis meses no Hospital São Julião, na Capital e morreu em razão de uma infecção generalizada. Ela deixa um legado na formação de artistas e na produção cultural do Estado.

Tarsila integrou o processo de escolha dos símbolos oficiais (brasão, bandeira e hino) sul-mato-grossense durante a divisão do Estado, oficializada pela Lei Complementar nº 31/1977, separação oficializada em 1º de janeiro de 1979.

Natural de Campo Grande, a artista (também conhecida como Sila Passarelli), iniciou seu interesse pela pintura aos 15 anos. Com o apoio da mãe, teve aulas com Elga Barone e, posteriormente, com Ignês Corrêa da Costa. Um dos marcos de sua carreira foi a pintura de uma criança de mãos juntas, exibida na loja Casa Moderna, em 1950.

Ao longo de 35 anos, a artista se dedicou ao ensino de artes plásticas. Durante esse período, incentivou a formação de novos talentos e fazia questão de incluir obras de suas alunas em exposições, como destacou ao Correio do Estado sua filha Deborah Passarelli.

"Minha mãe foi uma figura muito importante na construção do Estado, se tem uma coisa que eu sou grata é sobre a maneira como Mato Grosso do Sul reconhece e homenageia o trabalho dos meus familiares", disse Déborah, filha do poeta e escritor Germano de Barros Souza, membro fundador da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.

As obras de Tarsila foram exibidas em diversos espaços da Capital, além de cidades como Cuiabá, São Paulo, Rio de Janeiro e Ponta Porã. Um de seus trabalhos integra o acervo do Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul (Marco).

Além da pintura em tela, ela também se destacou na pintura em porcelana. Foi responsável por pintar os ladrilhos da Igreja São João Bosco.

Integra, entre tantos nomes, o livro “Mato Grosso do Sul – Criação e Instalação 30 anos”, publicado em 2010, documento histórico sobre a história do Estado com base no acervo fotográfico do jornalista Roberto Higa.

Saiba*

O velório da artista plástica acontece das 8h às 14h no cemitério Jardim das Palmeiras, em Campo Grande.

 

tempo

Temporal causa alagamentos e previsão indica mais chuvas durante a semana

Chuvas rápidas e fortes devem ocorrer pelo menos até quinta-feira em Mato Grosso do Sul

13/04/2026 18h30

Água invadiu a calçada em vários pontos da região central

Água invadiu a calçada em vários pontos da região central Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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As chuvas que caíram em Campo Grande na tarde desta segunda-feira (13) causaram alagamentos em alguns pontos da cidade. Durante o temporal, os ventos chegaram a quase 50 km/h e mais de 650 raios caíram sobre a Capital.

De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, o maior acumulado de chuva foi na região central, com 47,3 mm, seguido pelas regiões do Shopping Campo Grande e Carandá, onde choveu 47,3 mm.

Ainda segundo o meteorologista, choveu 5,8 mm na região sul da cidade, e 3,8 mm na região do Jardim Panamá.

Na Avenida Fernando Correa da Costa, esquina com a Avenida Calógeras, a água tomou conta da rua e também invadiu a calçada em alguns pontos. 

A mesma situação ocorreu em outros pontos do centro, onde ruas viraram rios, com água da chuva quase entrando em comércios.

Conforme vídeos publicados nas redes sociais, houve alagamento em trechos da Rua Rui Barbosa e da Avenida Salgado Filho. Na região sul, há relatos de transtornos do tipo na Rua da Divisão.

As chuvas fortes já estavam previstas para esta segunda-feira, conforme alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que segue vigente também para a terça-feira (14) e quarta-feira (15).

Mais chuva

O alerta vigente do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de perigo potencial de tempestades para diversos municípios, incluindo Campo Grande.

Conforme o alerta, a previsão é de chuva entre 20 e 30 mm/h ou 50 mm/dia, ventos intensos entre 40 e 60 km/h, e queda de granizo. Devido à estas condições, há risco de queda de galhos de árvores e alagamentos.

Previsão do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), na terça-feira (14) deve haver sol e variação de nebulosidade em todo o Estado.

As temperaturas seguem em elevação, com máximas previstas entre 32°C e 35°C.

Entre quarta (15) e quinta-feira (16), há possibilidade de aumento de nuvens, com ocorrência de chuva e tempestades que podem ser acompanhadas de raios e rajadas de vento.

Essa condição meteorológica é favorecida pela atuação de um centro de baixa pressão atmosférica que terá origem no nordeste da Argentina. Além disso, o intenso transporte de calor e umidade, aliado ao deslocamento de cavados, contribui para a formação de instabilidades em Mato Grosso do Sul.

Para o período, são previstos acumulados significativos de chuva, acima de 30 mm/24h, especialmente nas regiões oeste, sudoeste, sul e sudeste do estado.

Por outro lado, na região nordeste do estado o tempo deverá ficar mais firme, com
temperaturas que podem atingir os 36°C.

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