Cidades

Educação

Estado deve instalar lousas digitais em 75 escolas em 2024

Com cerca de R$ 10 milhões em emendas parlamentares, o equipamento digital pode ser realidade para todas as escolas estaduais de Campo Grande

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A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul (SED-MS) tem previsão de instalar lousas digitais e outras tecnologias em todas as 75 escolas estaduais de Campo Grande. De acordo com a SED-MS, a lousa está em fase de implantação nas escolas e já há cerca de R$ 10 milhões em emendas parlamentares para a aquisição dos equipamentos necessários. 

Com as emendas já existentes, é possível iniciar o processo licitatório para as lousas, no entanto, ainda não há previsão para a aquisição do material para todo o Estado, em virtude do valor e da complexidade para instalar os aparelhos digitais.

“É um processo complexo de aquisição, dado o valor unitário de cada aparelho, e que deve avançar nos próximos meses”.

O secretário de Estado de Educação, Hélio Daher, afirma que a tecnologia se tornará um elemento imprescindível nas escolas, e a lousa digital é um instrumento para a inovação. 

“Ela faz do ambiente de sala de aula um espaço de interação, em que o estudante pode trabalhar com várias mídias, porque a lousa oferece não só a questão do contato de uma tela, de se envolver com a produção escrita, mas toda a interação com as mídias digitais, que contribui muito para a aprendizagem”, disse Daher ao Correio do Estado.

Atualmente, apenas uma escola de Campo Grande possui as tecnologias em funcionamento, tanto pelos alunos quanto pelos professores. A Escola Estadual Maria Constança de Barros Machado é a primeira unidade do Estado a implementar a tecnologia na sala de aula. 

“Vale a pena o investimento. Temos já uma primeira escola como piloto, implantamos justamente para entender qual seria esse processo dentro da escola, e tudo o que nós recebemos da escola foi muito positivo e muito favorável”, diz Daher.

De acordo com o governo do Estado, foram instaladas lousas digitais conectadas à internet no lugar dos quadros de giz. Ao lado, um quadro branco de preenchimento com canetão auxilia o professor, assim como outro quadro, de vidro, fica no fundo.

Aluno do 1°C da Escola Estadual Maria Constança, Vitor Alexandre tem 16 anos e chegou este ano à unidade escolar, oriundo da Rede Municipal de Ensino (Reme). 

“Esse ensino diferente que peguei aqui certamente vai me ajudar bastante. Tenho dificuldade na área de exatas, então não posso reclamar. Essa tecnologia atrai mais os alunos”, conclui o jovem, enquanto faz cálculos de densidade na lousa digital.

Vitor destaca que as tecnologias auxiliam em aulas práticas. “Em Matemática, que eu tenho mais dificuldade, isso ajuda bastante a fazer as contas sem tanta dificuldade. Na aula de Física, a gente consegue contar com mais facilidade, algo que no quadro normal é mais difícil”, comenta o estudante.

O secretário da SED-MS ainda destaca o uso da nova tecnologia pelos professores em sala de aula e as possibilidades de um estudo alternativo.

“Para o professor, passa a ser uma ferramenta que amplia e muito o seu horizonte de trabalho. Eu posso dar como exemplo o trabalho de um professor de Geografia, que utiliza ferramentas de mapas interativos com muito mais riqueza, em uma tela maior, e o estudante pode participar desse processo, pode evoluir o seu espaço de interação”, relata o secretário de Estado de Educação.

INFOVIA DIGITAL

Para Hélio Daher, outro investimento do Estado que vai impactar o uso da tecnologia na educação é a Infovia Digital, que promete interligar os 79 municípios de Mato Grosso do Sul com mais de 7 mil km de fibra óptica. 

“Vai se tornar ainda mais potente com a chegada da fibra óptica às escolas, vai somar com a lousa digital, fazer com que as nossas escolas tenham, de fato, uma interação com o mundo da internet com muito mais eficiência”.

O Centro de Operações de Rede (COR), central que coordenará e monitorará as atividades da Infovia Digital, foi inaugurado na segunda-feira, no Parque dos Poderes.

Em operação em quase 100% de Campo Grande, as fibras de internet também já estão em funcionamento em Sidrolândia, Maracaju, Dourados e Rio Brilhante. 

Até o fim de 2024, a meta de Mato Grosso do Sul é ter os 1.634 prédios públicos estaduais existentes conectados à internet por meio da Infovia Digital. 
O contrato será gerido por 30 anos pela empresa Sonda Brasil, vencedora do leilão para implantação da Infovia Digital no Estado. 

SAIBA

Governo do Estado investe mais de R$ 2,7 bilhões por ano em escolas de MS. O objetivo é que a tecnologia atenda os cerca de 190 mil estudantes das 348 unidades escolares da Rede Estadual de Ensino.

Mobilidade

Transporte público terá operação especial no aniversário de Campo Grande

Medida busca adequar a oferta de ônibus à movimentação do feriado

25/08/2026 18h15

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) preparou um plano operacional especial para o transporte público nesta quarta-feira (26), feriado em comemoração aos 127 anos de Campo Grande.

De acordo com o planejamento, as linhas do transporte coletivo irão operar conforme o Plano Funcional de Domingos e Feriados, medida que busca adequar a oferta de ônibus à movimentação esperada na Capital durante a programação especial. 

As linhas 080, 081, 515 e 522, no entanto, funcionarão com o Plano Operacional de Sábado. Já a linha 234 seguirá a programação rotineira. 

A prefeitura disponibilizará dois veículos na reserva com tripulação nos terminais Guaicurus, Morenão, Bandeirantes, Aero Rancho, Júlio de Castilho, General Osório, Nova Bahia e Hércules Maymone. A estrutura estará disponível das 5h às 19h para atender eventuais necessidades durante a operação.

Serão mantidos cinco veículos reserva, com tripulação, na Praça do Rádio Clube, das 11h às 13h, período de maior movimentação previsto no local.

O Consórcio Guaicurus deverá acompanhar a operação das linhas e, quando necessário ou mediante determinação da fiscalização da Agetran, realizar ajustes após os horários de pico. Os períodos considerados são das 5h30 às 8h30, das 10h30 às 13h30 e das 16h às 18h30. As adequações ficarão limitadas ao aumento da oferta de veículos para atender à demanda.

A Agetran também fará o acompanhamento da operação em tempo real, com possibilidade de ajustes ao longo do dia. A medida tem como objetivo garantir maior agilidade e eficiência no transporte coletivo durante o feriado e os eventos que integram a programação dos 127 anos de Campo Grande.

Erro Médico

Mulher trata HIV por oito anos sem ter o vírus em Campo Grande

TJMS manteve condenação da Prefeitura de Campo Grande ao pagamento de R$ 50 mil; documentos médicos indicaram que a paciente nunca foi portadora do vírus

25/08/2026 18h01

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV.

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV. Foto: Divulgação TJMS.

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Uma mulher submetida durante aproximadamente oito anos a tratamento contínuo contra o HIV descobriu que jamais esteve infectada pelo vírus. O caso, iniciado com um diagnóstico positivo realizado em 2016 na rede pública de saúde de Campo Grande, terminou com a manutenção de uma indenização de R$ 50 mil por danos morais.

A decisão foi proferida pela 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que rejeitou por unanimidade o recurso apresentado pelo município. O colegiado confirmou a sentença da 2ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos da Capital.

De acordo com o processo, a paciente recebeu o diagnóstico de HIV em 2016 e, desde então, passou a seguir o tratamento indicado pelos profissionais da rede municipal.

Durante os anos seguintes, fez uso contínuo de medicamentos antirretrovirais, acreditando ser portadora de uma infecção crônica e ainda cercada por forte estigma social.

A situação começou a ser esclarecida somente em 2024, quando um novo exame apresentou resultado não reagente.

A própria equipe de saúde passou a registrar a possibilidade de falso positivo no diagnóstico inicial. Posteriormente, um documento médico atestou que a mulher nunca havia sido infectada pelo HIV.

Oito anos convivendo com um diagnóstico equivocado

Ao analisar o caso, o Tribunal considerou que o dano não se limitou à informação incorreta recebida em 2016. Para os desembargadores, a falha também esteve na manutenção do diagnóstico e do tratamento durante cerca de oito anos, sem que a condição da paciente fosse devidamente confirmada.

Nesse período, a mulher permaneceu exposta a medicamentos considerados potencialmente tóxicos e às consequências emocionais de acreditar que possuía uma doença incurável.

O acórdão destacou ainda o impacto psicológico e social associado ao HIV, condição que, apesar dos avanços da medicina, continua sendo alvo de preconceito e desinformação.

No recurso, a Prefeitura de Campo Grande sustentou que não houve falha na prestação do serviço público.

O município argumentou que os exames poderiam apresentar limitações científicas e que a responsabilização dependeria da comprovação de culpa dos profissionais envolvidos. Também pediu, alternativamente, a redução do valor da indenização.

As alegações não foram acolhidas. Segundo o relator, desembargador Alexandre Raslan, o município não apresentou prova técnica capaz de demonstrar que o resultado não reagente, ou seja, negativo para a presença do HIV, obtido em 2024 seria compatível com uma infecção verdadeira diagnosticada oito anos antes.

Também não comprovou que o erro teria decorrido de uma limitação científica inevitável.

Ainda que o primeiro resultado positivo pudesse ser atribuído a uma eventual falha do método de testagem, o Tribunal entendeu que essa possibilidade não explicaria a continuidade do diagnóstico equivocado e da medicação por um período tão prolongado.

Responsabilidade do poder público

O julgamento reconheceu a responsabilidade objetiva do município porque o diagnóstico, a prescrição e o fornecimento dos medicamentos decorreram de ações praticadas por agentes públicos.

Nesses casos, conforme prevê a Constituição Federal, não é necessário demonstrar individualmente a culpa de cada profissional, desde que estejam comprovados o dano e a relação entre a atuação estatal e o prejuízo sofrido.

Para os magistrados, não houve culpa da paciente nem qualquer acontecimento externo capaz de afastar a responsabilidade da administração municipal. A mulher apenas seguiu as orientações médicas que recebeu e cumpriu durante anos o tratamento estabelecido pela própria rede pública.

O valor de R$ 50 mil foi mantido por ser considerado proporcional à gravidade do dano, ao sofrimento provocado e aos cerca de oito anos de tratamento desnecessário, além de cumprir a função pedagógica de evitar falhas semelhantes na rede pública de saúde.

A decisão foi publicada no Diário da Justiça de Mato Grosso do Sul desta terça-feira (25). Embora a condenação tenha sido mantida pelo TJMS, ainda podem ser apresentados recursos às instâncias superiores, dentro dos prazos previstos em lei.

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