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de olho nas urnas

Estado lança série de pavimentações que acabam "no meio do nada"

Pacote de licitações prevê asfalto em diferentes rodovias, mas a maior parte contempla apenas pequenos trechos destas estradas

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Faltando um ano para início oficial da campanha eleitoral, o Governo do Estado prevê o início de obras de pavimentação diferentes regiões do Estado. A semelhança entre quase todas elas é que serão bancadas com dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e são projetos que levam asfalto a somente uma parte das rodovias contempladas. 

Uma edição extra do diário oficial publicada nesta segunda-feira (30) prevê investimentos de R$ 532 milhões na pavimentação de trechos de quatro rodovias em diferentes regiões do Estado e o acesso à futura fábrica de celulose da Arauco, em Inocência. 

Ao todo, são 131 quilômetros de asfalto novo que será bancado com recursos do  BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que em setembro do ano passado oficializou a liberação de R$ 2,3 bilhões ao Estado para investimento em 818 km de rodovias.

A edição normal do diário oficial desta segunda-feira (30) já havia divulgado a abertura de uma licitação para pavimentar 38 quilômetros, com investimento de até R$ 146 milhões, do lote três da MS-316, entre Inocência e Chapadão do Sul.

Os outros dois lotes desta rodovia de 110 quilômetros ainda estão em fase de elaboração de projeto e a licitação está prevista somente para o próximo ano, segundo a Agesul.. 

Somando as publicações das duas edições do diário oficial, as licitações anunciadas no mesmo dia ultrapassam os R$ 678 milhões, sendo que mais de R$ 650 milhões serão provenientes do financiamento concedido pelo banco federal. 

O fato de haver publicação de uma edição extra do diário oficial com um pacote de licitações e de várias destas rodovias preverem obras que acabam "no meio do nada" evidencia que o Governo do Estado corre contra o tempo para dar início às obras antes da chegada do período eleitoral, em agosto do próximo ano.

Dentre os cinco projetos anunciados na edição extra está o asfaltamento de 54 quilômetros da MS-355, ligando a cidade de Terenos a Dois Irmãos do Buriti, com investimento de até R$ 232.584.815,03. Este é o único dos cinco projetos que prevê asfalto para a rodovia inteira.

Depois de concluída, a rodovia reduz em 28 quilômetros a distância entre Campo Grande e Dois Irmãos do Buriti. Hoje, por rodovia asfaltada, a distância entre a Capital e Dois Irmãos é de 115 quilômetros. Depois, será de 87 km.

O novo asfalto também ajudará a encurtar a distância de Campo Grande a cidades omo Nioaque, Jardim e Bonito, uma vez que a MS-347, entre Dois Irmãos e Nioaque, também está sendo asfaltada. 

A empresa que vencer a licitação ainda terá de fazer o projeto básico e executivo, apesar de o governo ter lançado, em maio do ano passado, licitação para a elaboração destes projetos. A previsão é de que as propostas sejam abertas no dia 29 de setembro, um ano depois da liberação do dinheiro do BNDES. 

Outra licitação de grande porte prevê investimento de até R$ 101,9 milhões na pavimentação de 23 quilômetros da MS-134, uma rodovia que liga a MS-040 à BR-267, próximo ao distrito de Casa Verde. 

A rodovia será fundamental para atender aos interesses da fábrica de celulose que a Bracell promete construir em Bataguassu. As propostas das empreiteiras também serão abertas no dia 29 de setembro, conforme a previsão.

E, assim como no caso da MS-316, esta licitação também prevê o asfaltamento de menos de um terço da rodovia, que tem em torno de 82 quilômetros. As obras para o restante, de cerca de 50 quilômetros, ainda não têm data definida. 

Uma terceira licitação divulga na edição extra do diário oficial destina até R$ 91.470.493,63, para a construção 31 quilômetros na MS-245, ligando a BR-163 à MS-338, nos municípios de Bandeirantes e Ribas do Rio Pardo. A MS-338, que também está em obras, liga as cidades de Camapuã a Ribas do Rio Pardo. No caso da MS-245, a licitação será aberta no dia 18 de julho.

Mas, assim como em outros dois casos, a licitação também é relativa a apenas um dos quatro lotes da MS-245. A primeira parte, de 15 quilômetros, já foi executada, mas ainda faltam outros dois trechos, que somam em torno de 35 quilômetros para que a rodovia fique pronta. 

Situação semelhante vai acontecer com a MS-244, que também será licitada somente num trecho inicial, de 23 quilômetros. O Governo do Estado está disposto a pagar até R$ 79.526.464,69 pela obra, que tem a abertura dos envelopes prevista para 18 de julho. 

A rodovia que será licitada agora liga a MS-080, no município de Corguinho, ao distrito de Taboco, uma distância de 46 quilômetros. A licitação anunciada agora é relativa ao primeiro lote. Mas, para concluir a rodovia será necessário pavimentar outros 23 quilômetros, que por enquanto não tem previsão para realização do certame. 

Uma quinta licitação anunciada pela administração estadual na edição extra do diário oficial, esta sem recursos do BNDES, prevê investimento de até R$ 26,9 milhões para implantar dois acessos à fábrica de celulose que a Arauco está construindo em Inocência, às margens do Rio Sucuriú. 

MAIS ADIANTADAS

Pelo menos duas outras obras na região de Inocência e que serão bancadas pelo BNDE já estão com as licitações em andamento. No final de março foi lançada a licitação para pavimentar 63 quilômetros da MS-320, interligando a MS-377 e a BR-158, encurtando o caminho entre Inocência e a região de Três Lagoas. 

A previsão é de que sejam investidos até R$ 276.169.461,16. As propostas serão abertas no dia 10 de julho e a empresa que oferecer o menor valor terá de elaborar ainda o projeto básico e executivo da obra. Neste caso, o novo asfalto não acabará no "meio do nada".

Também no final de março a Agesul divulgou a abertura de  licitação para asfaltar um trecho de 17 quilômetros da MS-444, nas proximidades de Selvíria. A previsão é gastar R$ 39,9 milhões no lote três desta rodovia, que tem mais 30 quilômetros para que o asfalto não acabe no "meio do nada". 

SUL DE MS

O dinheiro do DNBES também será destinado à pavimentação de rodovias no extremo sul do Estado. Um total de R$ 106,1 milhões está previsto para o asfaltamento de 32 quilômetros da MS-289, no município de Amambai. Isso representa a metade daquilo que seria necessário para que houvesse interligação asfáltica com a MS-180

Outras duas licitações estão em andamento para o asfaltamento de pouco mais de 36 quilômetros da MS-380, uma rodovia na área rural de Ponta Porã, ligando a área urbana à BR-436. A obra foi licitada em dois lotes.

Desenrola Fies

Mais de 22 mil estudantes de MS podem renegociar dívida do FIES

Em todo o Estado, as dívidas com possibilidade de negociação chegam a R$ 1,6 bilhão

13/05/2026 17h00

O Fies é um programa do governo federal para financiamento de graduação de estudantes em cursos superiores

O Fies é um programa do governo federal para financiamento de graduação de estudantes em cursos superiores FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Em Mato Grosso do Sul, mais de 22,4 mil estudantes com contratos em atraso podem negociar suas dívidas por meio do Desenrola Fies a partir de hoje (13). Ao todo, são 22.421 contratos passíveis de negociação.

O programa desenvolvido pelo Governo Federal oferece condições para a quitação de dívidas vinculadas a instituições de ensino, com descontos que podem chegar a até 99% do valor total. Em todo o Estado, as dívidas com possibilidade de renegociação chegam a R$ 1,6 bilhão.

A expectativa do programa é que mais de 1 milhão de estudantes sejam beneficiados com o refinanciamento de dívidas estudantis em todo o Brasil, com saldo devedor que ultrapassa R$ 83,14 bilhões.

Podem participar quem teve contrato firmado até 2017 e que estava em fase de pagamento até o dia 4 de maio de 2026. O prazo para as negociações se encerram no dia 31 de dezembro deste ano. 

Condições

Para os débitos vencidos há mais de 90 dias, o estudante pode optar pelo pagamento à vista com desconto nas multas e redução de até 12% do valor principal. Se preferir, pode escolher o parcelamento da dívida em até 150 parcelas mensais, com redução de 100% dos juros e multas. 

No caso de estudantes inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) em situação de vulnerabilidade social, débitos vencidos há mais de 360 dias podem ser quitados de forma integral com desconto de até 99% do valor. 

Para os débitos vencidos acima deste prazo podem ser liquidados com desconto de até 77% do valor. 

Já para os estudantes em dia com os pagamentos ou com atrasos de até 360 dias, o programa oferece a opção de pagamento integral, com 12% de desconto sobre o saldo devedor. Segundo o Governo, essa medida "visa facilitar o encerramento antecipado do contrato, garatindo uma redução direta no montante devedor". 

Como renegociar

Para renegociar as dívidas, é preciso seguir o seguinte passo a passo:

  1. Acessar o canal digital pelo aplicativo ou portal - entre os dias 13 de maio e 31 de dezembro de 2026, acesse o aplicativo do banco onde o contrato foi firmado (Caixa ou Banco do Brasil). 
  2. Solicitar a adesão - no aplicativo ou portal, selecione a opção de renegociação do Fies e veja qual modalidade está disponível para o seu perfil de dívida.
  3. Validação dos termos - leia e aceite o termo aditivo de forma eletrônica. Se for necessário a assinatura de fiadores, o sistema irá mostrar como proceder.
  4. Efetuar o pagamento - com as etapas finalizadas, gere o boleto para pagamento ou autorize o débito da parcela de entrada diretamente pelo aplicativo ou portal. 
  5. Acompanhar a regularização - após a confirmação do pagamento, é feita a retirada do nome do estudante e dos fiadores dos cadastros de inadimplência de forma automática de acordo com o cronograma de pagamento. 

Escândalo Pré-Eleitoral

"Dark Horse" domina buscas no Brasil na tarde desta quarta-feira

Interesse pelo filme sobre Bolsonaro disparou de zero a 100 em menos de três horas após revelação do Intercept sobre negociação milionária entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro preso Daniel Vorcaro

13/05/2026 16h38

Gerado com IA por Correio do Estado

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O termo "dark horse" saiu do absoluto silêncio digital para ocupar o topo das buscas no Brasil na tarde desta quarta-feira, 13 de maio. Os dados de volume de buscas mostram que o interesse era nulo até as 14h (horário de Brasília) e atingiu o pico máximo por volta das 16h24, num crescimento que levou menos de três horas para ir de zero a cem.

Fonte: Google Trends

O pico coincide com a proximidade do lançamento do longa-metragem americano de mesmo nome. Dark Horse é um filme biográfico norte-americano dirigido por Cyrus Nowrasteh e escrito por Mário Frias, com previsão de estreia para 11 de setembro de 2026. O longa retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018, com foco no atentado a faca sofrido pelo então candidato. 

Jim Caviezel, conhecido mundialmente por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo, estrela o filme no papel de Bolsonaro. A escalação do ator americano foi um dos elementos que mais alimentaram a repercussão do projeto nas redes sociais e na imprensa desde o fim de 2025.

A produção não é isenta de polêmicas. Segundo o Intercept Brasil, pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações financeiras ligadas ao projeto, com recursos que teriam sido solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As investigações sobre a origem do financiamento seguem em aberto.

As controvérsias também se estenderam às condições de trabalho no set. Pelo menos 14 figurantes recorreram à Justiça alegando condições "humilhantes", incluindo denúncias de agressões, atrasos em pagamentos, fornecimento de alimentos estragados e restrições abusivas ao uso de banheiros.

Mesmo antes do lançamento, a produção já acumulou um embate jurídico inusitado. Após a divulgação do teaser, a equipe da cantora Beyoncé entrou com ação judicial pedindo a retirada da música "Survivor", do Destiny's Child, utilizada sem autorização. 

O diretor Nowrasteh descreveu o projeto como "um thriller político tenso sobre poder, mídia e fé sob ataque", com ambições que vão além do mercado brasileiro.

Os produtores esperam repetir o desempenho de Som da Liberdade (2023), também estrelado por Caviezel, que arrecadou US$ 184 milhões nos Estados Unidos  com o Brasil figurando entre seus maiores mercados internacionais. Deadline

Com estreia marcada para setembro, o filme promete manter o debate aquecido nos próximos meses dentro e fora das telas.

O escândalo

O que transformou o filme numa bomba política foi a reportagem publicada pelo Intercept Brasil na tarde desta quarta-feira. Mensagens obtidas pelo veículo indicam conexão direta entre o senador Flávio Bolsonaro e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro que está preso. Documentos indicam que R$ 61 milhões teriam sido enviados aos Estados Unidos por meio de um fundo ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro. 

O valor total negociado é ainda maior. Segundo a investigação, Vorcaro teria prometido repassar US$ 24 milhões  cerca de R$ 134 milhões na cotação da época  para viabilizar o longa. Documentos, mensagens e comprovantes analisados pelo Intercept indicam que ao menos US$ 10,6 milhões já haviam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações ligadas ao projeto. 

As mensagens reveladas são diretas e comprometedoras. Em 16 de novembro de 2025, Flávio escreveu a Vorcaro pelo WhatsApp: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!" mensagem enviada apenas um dia antes da prisão do banqueiro, que tentava deixar o país acusado de operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito. 

A intimidade entre os dois ia além da formalidade financeira. Em 7 de novembro, após Flávio enviar a Vorcaro um vídeo de visualização única, o senador escreveu: "Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc". Vorcaro respondeu: "Que demais. Ficou perfeito." 

Há também registros de Flávio cobrando diretamente os repasses atrasados. Em áudio de setembro de 2025, o senador demonstra desconforto: "Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme." 

Em outra gravação, a preocupação era com a reputação internacional do projeto. Flávio alerta Vorcaro: "Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim." 

A teia financeira

O esquema de repasse envolve intermediários com histórico investigativo. Os empresários Thiago Miranda e Fabiano Zettel este último identificado pela Polícia Federal como principal operador de Vorcaro participaram como intermediários nas negociações. 

A produtora do filme no Brasil também está no centro das investigações. Em dezembro de 2025, o Intercept revelou que Karina Ferreira da Gama, produtora executiva do filme no Brasil, havia recebido pelo menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para operar um contrato de Wi-Fi público sem concluir as entregas previstas. Desde março, o Ministério Público está investigando o contrato. 

As consequências políticas

A repercussão foi imediata em Brasília. Órgãos públicos já iniciaram procedimentos para apurar se o financiamento do longa-metragem configurou crime de lavagem de dinheiro ou caixa dois, dada a origem dos recursos provenientes de um banqueiro sob investigação e o trâmite internacional das verbas. Revista Fórum

O impacto sobre a candidatura de Flávio à Presidência é considerado devastador por articuladores políticos. O consenso entre eles é que a proximidade afetuosa com Vorcaro cria uma "mancha inapagável" na imagem de "renovação" e "honestidade" que a extrema direita insistia em projetar para 2026. Revista Fórum

Questionado pela imprensa, o senador recuou e negou tudo. Ao ser abordado por jornalistas do Intercept nas proximidades do Supremo Tribunal Federal, Flávio reagiu em tom de deboche: "É mentira, pelo amor de Deus, de onde você tirou isso? É dinheiro privado, dinheiro privado, dinheiro privado", afirmou antes de deixar o local. 

Às 16h24 desta quarta-feira, enquanto a curva de buscas por "dark horse" atingia seu pico no Brasil, o que estava em jogo não era mais um filme era uma candidatura presidencial, uma investigação criminal e a pergunta que o país tentava responder em tempo real: quem, afinal, financia o azarão?

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