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Estrutura precária do Conselho Tutelar dificulta atendimento

Na semana passada, mãe e padrasto foram presos por suspeita de estupro e homicídio de criança de dois anos; pai da menina já havia solicitado, sem sucesso, a guarda da filha

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A grande demanda de atendimentos ligada à estrutura insuficiente dificulta ações do Conselho Tutelar no combate aos maus-tratos de crianças e adolescentes em Campo Grande.

Segundo o presidente da Associação dos Conselhos Tutelares de Campo Grande, Adriano Vargas, há um grande volume de ocorrências na Capital e só com uma rede de atendimento à criança envolvendo segurança pública, sistema de saúde e conselho tutelar é possível atender esta demanda.

“O conselho atendeu nestes últimos três anos mais de 40 mil ocorrências. Quase 20 mil delas foram na região sul do município, que é a mais pobre, populosa e vulnerável de Campo Grande”, disse Vargas.

Tendo atualmente cinco conselhos tutelares na cidade, para atender uma população de quase 950 mil pessoas, Adriano Vargas declara que a sociedade deve estar atenta às mudanças de comportamento das crianças.

“A sociedade deve perceber qualquer movimento de mudança de comportamento da criança, algo atípico, e notificar isso ao Conselho tutelar. Eles devem acionar a polícia, para que seja feito o atendimento inicial e a gente possa acompanhar a família de forma sistemática”, destacou o conselheiro.

Questionado sobre as formas possíveis de perceber as mudanças no comportamento da criança que pode estar sofrendo algum tipo de violência doméstica, Adriano relata que atitudes mais retraídas e introspectivas são comuns em casos de agressões.

 “Às vezes, a criança tem uma mudança abrupta de comportamento, em que ela se torna introspectiva, retraída e procura não manter contato com outras pessoas. É possível também encontrar sinais de lesões, hematomas. A maior parte destas violências é feita justamente de pessoas próximas ao convivo”, salientou Vargas.

CASO MAIS RECENTE

Stephanie de Jesus Dada Silva, 24 anos, e Christian Campocano Leitheim, 25 anos, mãe e padrasto de uma menina de dois anos, foram presos por suspeita de estupro e homicídio da criança, na noite de quinta-feira (26), em Campo Grande.

De acordo com a titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Anne Karine Trevisan, a polícia foi acionada após a criança dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Coronel Antonino com vários ferimentos pelo corpo e já sem vida.

As agressões eram rotineiras, segundo indica prontuário médico da menina, com mais de 30 procedimentos feitos no hospital. Em uma das ocasiões, a criança deu entrada na unidade de saúde em decorrência de uma fratura na tíbia.

Além disso, o pai da menina já havia registrado vários boletins de ocorrência por maus-tratos, ao notar hematomas na filha quando ela ia para a casa dele. “Essa criança tinha vários sinais de agressão física e suspeita de ter sido abusada sexualmente”, disse a delegada.

“Ela estava com a barriga bastante inchada e tinha muitas lesões nas costas, no corpo também, pode ter sido hemorragia interna, só o exame necroscópico vai apontar a causa da morte”, acrescentou.

O corpo da menina foi encaminhado para o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), onde passou por perícia que apontará se ela foi vítima de estupro.

O homem já tinha passagens pela polícia por violência doméstica contra a ex-mulher. Já a mãe tem duas passagens por maus-tratos.

Eles foram presos em flagrante por homicídio qualificado por motivo fútil e estupro de vulnerável.

Questionado pela reportagem se este caso pode ser considerado uma negligência por parte do sistema de saúde ou pelo próprio conselho, Adriano Vargas disse que pelo volume de ocorrências é complicado o

Conselho deter todas as informações de todos os atendimentos.

“O sistema de saúde atua por sistema de plantão, quem atende hoje pode não ser o mesmo que atende amanhã. É importante que o sistema converse sempre que envolver crianças e adolescente, a saúde já tem o hábito de informar o conselho em alguns casos”, afirmou Vargas.

Na tarde de sexta-feira (27), os dois suspeitos tiveram a prisão convertida em preventiva. 

SINAIS DE VIOLÊNCIA

Ao Correio do Estado, o médico pediatra Alberto Costa destacou que a quantidade de vezes que a criança foi levada aos hospitais em um período de dois anos é, no mínimo, “fora do normal”, principalmente pelo fato de a menina não apresentar nenhum tipo de doença grave que exigisse acompanhamento médico constante.

“Este número de atendimentos médicos que essa criança recebeu está anormal, principalmente para quem não tinha nenhuma doença grave”, disse Costa, que deixou claro que nos casos em que o médico desconfia ou até mesmo constata, por meio de aspectos físicos, que a criança está sofrendo maus-tratos a atitude mais acertada é acionar a Justiça para que providências sejam tomadas.

PEDIDOS DE GUARDA

Informação do Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande mostra que o pai da menina de dois anos, morta por maus-tratos na quinta-feira (26), buscou a guarda da filha. Um boletim de ocorrência foi feito há um ano e apresentado ao Conselho Tutelar.

De acordo com o Conselho Tutelar, na busca pela guarda da filha, o pai da criança tentou ficar responsável por ela.

Ele foi encaminhado à Defensoria Pública e ao Conselho Tutelar, que realizou visita técnica, mas, na ocasião, a criança não tinha nenhum indício de maus-tratos. Nesta visita, foi constatada que a criança não tinha marcas e nem hematomas e, por ser muito pequena, não falava.

O Conselho Tutelar informou, ainda, que a mãe foi devidamente orientada quanto aos cuidados e a proteção.

No dia 8 de maio do ano passado, o pai procurou o Conselho Tutelar e, mais uma vez, alegou que precisava de documentos de atendimento para apresentar à Defensoria. Outra vez, o pai disse que tinha visto hematomas na filha.

Diante da insistência do pai, o Conselho Tutelar e a equipe técnica realizaram uma tentativa visita à criança nos dias 7 e 8 de maio, porém, sem sucesso.

Uma notificação de comparecimento foi deixada no dia 9 de maio, que, segundo o Conselho Tutelar, foi cumprida pela mãe da criança. Ela apresentou todos os documentos da criança, como a carteira de vacina em dia.

DISQUE 100

Mato Grosso do Sul registrou 1.862 denúncias realizadas no Disque 100 no ano passado. Do número total, situações envolvendo crianças e adolescentes somaram 918 contatos, liderando os casos denunciados dentro do Estado – são 49% das denúncias.

O Disque 100 é um canal da política dos direitos humanos e atende graves situações de violações que acabaram de ocorrer ou que ainda estão em curso, acionando os órgãos competentes e possibilitando o flagrante.

O serviço também recebe denúncias pelo aplicativo WhatsApp, no número (61) 99656-5008. (Colaboraram Leo Ribeiro, Ana Clara Santos e Elias Luz)

Saiba: O governo federal sancionou uma nova lei em 24 de maio de 2022, intitulada Henry Borel, que cria mecanismos para a prevenção e o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente, nos termos do § 8º do art. 226 e do § 4º do art. 227.

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Sobreaviso

Com mais de mil denúncias Conselho Tutelar Norte suspende atendimento

Responsável por região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes fechou as portas ao público para tentar reduzir demanda acumulada por falta de servidores

24/08/2026 17h40

Conselho Tutelar região Norte

Conselho Tutelar região Norte Foto: Paulo Ribas

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Uma região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes, cinco conselheiros tutelares e, atualmente, apenas uma servidora administrativa trabalhando seis horas por dia. O resultado dessa conta é uma fila de 1.581 denúncias e relatórios ainda sem atendimento no Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande.

Diante do acúmulo, os conselheiros decidiram suspender temporariamente o atendimento ao público para concentrar esforços na demanda represada. A medida, segundo as conselheiras, foi tomada após quase dois meses de quadro administrativo incompleto e semanas de espera pela reposição de funcionários.

“Hoje nós fizemos um levantamento e vimos que temos, em média, 1.581 denúncias e relatórios que ainda não receberam atendimento por conta da falta da equipe administrativa”, afirmou a conselheira Suellen Gomes, em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A situação é considerada crítica porque as demandas recebidas pelo Conselho Tutelar passam primeiro pela equipe administrativa. São os servidores que fazem a triagem, registram as denúncias, verificam documentos e localizam os históricos das famílias antes de os casos chegarem aos conselheiros.

Sem essa estrutura, o atendimento praticamente trava.“Tudo que chega dentro do Conselho Tutelar primeiro passa pela equipe administrativa. Quando chega à mesa do conselheiro, já deveria estar tudo certo para a gente notificar a família, fazer o atendimento e aplicar as medidas de proteção”, explicou Suellen.

O número, inclusive, não para de crescer. Poucos minutos depois de concluído o levantamento das 1.581 denúncias e relatórios pendentes, uma escola chegou ao Conselho com mais 60 fichas escolares, ampliando imediatamente a demanda.

A área atendida pelo Conselho Norte é uma das maiores de Campo Grande e se estende do fim da região do Nova Lima até o José Abrão. Segundo levantamento citado pelas conselheiras, realizado pela Planurb em 2023 para a divisão das áreas dos conselhos tutelares, a região concentra cerca de 58 mil crianças e adolescentes.

Portões fechados 

A suspensão do atendimento ao público, segundo as conselheiras, não significa a interrupção completa do serviço. Casos emergenciais continuam sendo atendidos, assim como as ocorrências acionadas pelo plantão, que permanece disponível 24 horas.Conselho Tutelar região Norte

A decisão, porém, expõe um problema mais profundo: para tentar dar conta das denúncias já acumuladas, o Conselho precisou fechar temporariamente as portas para novas demandas presenciais.

Administrativamente, a unidade é vinculada à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). De acordo com o relato das conselheiras, houve solicitação para reposição dos servidores e a situação também foi levada ao Ministério Público, responsável pela fiscalização dos Conselhos Tutelares.

A expectativa era de que funcionários fossem encaminhados para a unidade, o que não ocorreu até o momento. Conforme informado durante a entrevista, a prefeitura teria indicado a possibilidade de envio de servidores, mas, até a decisão pela suspensão do atendimento, a equipe não havia sido recomposta.

Para a conselheira Eliane Diniz, a medida é extrema, mas foi considerada necessária diante da dimensão da demanda e da natureza dos casos atendidos pela unidade.

“Isso é muito ruim, tanto para nós quanto para a população. A gente atende pessoas em situação de vulnerabilidade, que às vezes não têm nem dinheiro para uma passagem de ônibus e chegam aqui com o portão fechado. Isso, para a gente, é frustrante. Não é o que queremos”, afirmou.

Ela ressalta que o acúmulo não representa apenas números ou procedimentos burocráticos, mas casos envolvendo crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. “A gente trabalha com vidas. Às vezes é preciso tomar medidas drásticas para as pessoas acordarem. Do jeito que está, precisamos de socorro”, declarou Eliane.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para questionar a falta de servidores, a previsão de reposição e quais medidas serão adotadas diante das mais de 1,5 mil denúncias e relatórios pendentes. O espaço permanece aberto para manifestação.

Acidente Fatal

Estudante de medicina de Campo Grande morre após acidente no Paraguai

Jovem de 26 anos sofreu fratura na perna e trauma no tórax e aguardava transferência para Campo Grande ou Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

24/08/2026 17h25

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero.

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero. Foto: Reprodução.

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O estudante de medicina Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu na noite deste domingo (23), após permanecer internado em estado grave em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido no sábado (22), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O jovem era de Campo Grande.

Segundo informações policiais, Lucas conduzia uma motocicleta Kenton Blitz, de cor preta, quando se envolveu em uma colisão com uma caminhonete Toyota Hilux. As circunstâncias que provocaram o acidente ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias.

Com o impacto, o estudante sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido. Ele foi encaminhado inicialmente ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde a equipe médica constatou fratura na perna direita, diversas escoriações nos membros inferiores e trauma no tórax.

Diante da gravidade do quadro clínico, Lucas foi posteriormente transferido para o Hospital Regional de Ponta Porã, já em território brasileiro. Ele permaneceu internado na unidade enquanto era articulada uma nova transferência para um centro com maior estrutura hospitalar.

Transferência não pôde ser realizada

A previsão era de que o estudante fosse levado para Campo Grande ou Dourados por meio de uma “vaga zero”, mecanismo utilizado em situações de urgência e emergência para garantir atendimento mesmo quando não há leito previamente disponível na unidade de referência.

No entanto, o estado de saúde de Lucas se agravou antes que a remoção pudesse ser realizada. Sem condições clínicas para enfrentar o deslocamento, ele permaneceu em Ponta Porã e morreu na noite de domingo.

O motorista da Toyota Hilux foi identificado como Lucas Ariel Agüero Soria, de 25 anos. Ele também precisou receber atendimento hospitalar em razão do acidente, mas teve alta médica ainda na tarde de sábado.

A motocicleta e a caminhonete envolvidas na colisão foram apreendidas. Equipes do Departamento de Criminalística realizaram levantamentos no local do acidente para reunir elementos que possam esclarecer a dinâmica da batida e as circunstâncias que levaram à colisão.

Após a confirmação da morte, o corpo de Lucas foi levado para Campo Grande. O sepultamento estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira (24).

A investigação deverá apontar, a partir das perícias e demais elementos reunidos, como ocorreu o acidente e se houve responsabilidade de algum dos envolvidos.

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