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Meio Ambiente

Estudo vê riscos a bioma com 5 mil pedidos de exploração de minérios

Relatório de mais de 200 páginas alerta sobre situações que podem afetar a biodiversidade do Pantanal, a principal delas é a extração de ferro da região

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Um conjunto de instituições públicas fiscalizadoras, órgãos executivos de instâncias federal, estaduais e municipais, tanto no Brasil como fora do País vão receber um documento analítico com mais de 200 páginas para alertar sobre os riscos iminentes que podem alterar drasticamente o equilíbrio no Pantanal, a biodiversidade e afetar comunidades. Um dos pontos de mais graves apontados no relatório são os cerca de 5 mil requerimentos em aberto para haver pesquisa para exploração de ferro dentro do território pantaneiro.

Um dos principais focos para haver essa exploração mineral está concentrado em Mato Grosso do Sul, no Maçico do Urucum, localizado no município de Corumbá. Atualmente, são cinco mineradoras que já estão com autorização para explorar até 10 milhões de toneladas de ferro por ano.

“Os impactos podem chegar à planície pela erosão e assoreamento dos tributários, pela deposição de poeira de ferro e manganês e pelo risco associado às barragens de rejeitos”, detalhou as organizações Mulheres e Lideranças pelas Áreas Úmidas (Mupan) e Wetlands International Brasil. 

O relatório, que deve ser concluído no próximo mês, ainda foi produzido pela Irigaray & Associados.

A elaboração desse estudo envolveu considerar as interconexões que existem no Pantanal, principalmente por conta da interconectividade hidrológica. O alerta que vai ser emitido às autoridades busca considerar que medidas preventivas devem ser consideradas para garantir que alterações não se tornem irreversíveis. 

“Planalto, áreas de transição e planície inundável integram um mesmo sistema, no qual alterações no volume, no tempo ou no caminho da água podem produzir efeitos em diferentes partes da Bacia do Alto Paraguai. A cheia atravessa lentamente a planície, levando de três a quatro meses para percorrê-la. A planície também é um mosaico de 74 macrohabitats, que respondem rapidamente às mudanças ambientais. Avaliações realizadas em escalas excessivamente amplas podem não identificar alterações antes que se tornem irreversíveis”, pontuou a prévia do estudo Salvaguardas Socioambientais para a Conservação do Pantanal e da Bacia do Alto Paraguai.

Entre os requerimentos de pesquisa na modalidade oferta pública para Corumbá, por exemplo, que estão já com autorização para ocorrer, concedidas pela Agência Nacional de Mineração (ANM), estão projetos que envolvem análise para explorar mármore, argila e areia. A potencial destinação deles envolve uso para revestimentos, fabricação de cimento e construção civil. 

Na modalidade de requerimento de pesquisa em leilão, existem outros pedidos em fases diferentes de tramitação dentro da ANM que envolvem exploração de minério de ferro, areia, minério de manganês e calcário dolomítico. 

Os usos indicados para tais explorações destinam-se à indústria, construção civil, revestimento, brita, fabricação de cimento, corretivo de solo e metalurgia.

Há também estudos solicitados para o município de Bodoquena que envolvem a exploração de calcário e calcário calcítio, que podem ser utilizados para corretivo de solo e fabricação de cimento. Em Anastácio e Aquidauana, a solicitação envolve retirar areia diamante para a construção civil e uso industrial. 

Somente para Aquidauana, requerimentos demandados à ANM envolvem estudos para explorar minério de ferro, quartzo e areia, todos voltados para o uso industrial.

Para Rio Verde de Mato Grosso, as demandas geradas de requerimento de pesquisa leilão são voltadas para exploração de argila, tanto para o uso de cerâmica vermelha, como para meios industriais.

“O diagnóstico nos permite dimensionar melhor a complexidade e a escala das pressões que incidem sobre a Bacia do Alto Paraguai. Quando analisamos essas atividades de forma isolada, alguns impactos podem parecer pontuais, mas, considerando a conectividade entre o planalto, os rios e a planície, pequenas alterações podem produzir efeitos muito mais amplos”, disse a diretora-geral da Mupan e coordenadora de políticas da Wetlands Brasil, Áurea da Silva Garcia. 

“Por isso, as salvaguardas precisam chegar aos diferentes órgãos e instâncias responsáveis por decisões de planejamento, licenciamento, financiamento e gestão”, defendeu.

O documento que aborda especificamente sobre as pressões que a mineração deve causar vão ser endereçadas à ANM, órgão do governo federal que gerencia, regula e fiscaliza o setor de mineração no Brasil; ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); além do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). 

Como política pública, o documento pode ser considerado dentro das considerações e recomendações que são feitas para autorização ou não dessas atividades.

OURO NO PANTANAL

A busca por ouro em áreas que estão dentro do Pantanal aparecem no documento a ser concluído no próximo mês. O maior problema identificado pelo estudo está na bacia do Rio Bento Gomes, que fica no município de Poconé (MT). 

Existem cerca de 60 garimpos que o estudo apontou que há uso de mercúrio no processo de amalgamação. Já houve multa no valor de R$ 3,2 milhões aplicadas pelo Ibama, pois foram identificadas explorações sem licença.

Essa área, por exemplo, vai levar ao Parque Estadual Encontro das Águas, que fica na divisa entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e fica distante cerca de 270 km da primeira comunidade tradicional localizada em MS, na região da Barra do São Lourenço.

OUTROS ALERTAS

O estudo também considerou os efeitos que a privatização da hidrovia podem ocasionar diante da demanda de dragagem. Conforme o documento, o rebaixamento de 25 centímetros no nível do rio pode gerar impacto direto entre 4 mil e 6 mil km² de áreas úmidas. 

“Estudos indicam que a retificação do leito e a remoção de afloramentos rochosos poderiam reduzir a área alagável em cerca de 30%. Como o leito é arenoso, a manutenção do calado exigiria dragagem permanente”, especificou a prévia do documento.

Conforme a diretora-geral da Mupan, o detalhamento sobre a análise e impactos de obras para viabilizar a hidrovia vai ser encaminhado ao Ministério de Portos e Aeroportos; Tribunal de Contas da União (TCU), órgão responsável por deliberar a autorização da concessão; Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e o Ibama. 

* Saiba 

A pesquisa ainda indica os riscos para o atropelamento da biodiversidade com o fluxo de caminhões e outros veículos com a Rota Bioceânica e os corredores rodoviários; instalação de hidrelétricas no Pantanal.

ALAGAMENTOS

Após chuvas, Rio Ivinhema atinge 4 metros de altura e alaga casas de verão

Nas duas semanas de outubro, Ivinhema registrou 232,2 mm de chuva

16/10/2026 12h15

Cheia no Rio Ivinhema acende alerta à população ribeirinha

Cheia no Rio Ivinhema acende alerta à população ribeirinha Foto: Prefeitura de Ivinhema / Defesa Civil Municipal

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Imagens aéreas feitas com drones mostram a elevação do Rio Ivinhema, na região entre os municípios de Ivinhema e Nova Andradina.  De acordo com o coordenador da Defesa Civil municipal, Divaldir Fialho, até quinta-feira (15), os marcadores indicavam uma alta de quase 4 metros no rio. 

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Ivinhema já acumulou 422,4 milímetros de chuva desde o dia 1º de setembro até a última quarta-feira (14). Somente nos primeiros 14 dias de outubro, foram registrados 232,2 mm.

A Defesa Civil reforça à população sobre a importância do cadastro nos canais oficiais do órgão para recebimento de alertas. Moradores e frequentadores dos ranchos devem redobrar a atenção, evitar áreas alagadas e não tentar atravessar estradas cobertas pela água.

O coordenador conta que três famílias residem às margens do rio, porém elas não foram retiradas do local neste momento, pois estão na parte de cima do rio, onde a água ainda não chegou. Já na parte de baixo, ficam as casas de veraneios, onde os moradores visitam nos finais de semana ou passam férias, como relata Divaldir.

Ele contra que os proprietários dessas casas já estão acostumados com as enchentes e costumam remover móveis e barcos quando a água sobe. Então, diante da situação, a Defesa Civil alerta essas pessoas sobre o risco de permanecer na área alagada e também informa que a estrada usada já está tomada pela água, sem condições para transitar.

Apesar da Defesa Civil não ter retirado as três famílias que residem nesta área, o coordenador informa que talvez até novembro pode ser que aconteça, já que rio está subindo cada vez mais. Essa expectativa é por causa dos efeitos do fenômeno El Niño e às fortes chuvas nas cabeceiras.

Níveis dos rios em MS

O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul ), por meio da Sala de Situação, divulgou nesta sexta-feira (16) o boletim com informações sobre os níveis dos rios monitorados no Estado, os volumes de chuva registrados e a previsão meteorológica.

No Rio Miranda, a estação de Miranda registrou 6,83 metros, com elevação em relação aos 6,82 metros do dia anterior. O valor está acima da cota de alerta, fixada em 6 metros, e abaixo da cota de emergência, de 7 metros.

Já o Rio Taquari, em Coxim atingiu 4,24 metros às 7h desta sexta-feira. O nível ultrapassou a cota de alerta, estabelecida em 4 metros, e apresentou aumento expressivo em relação ao dia anterior, quando estava em 3,84 metros. A cota de emergência para o local é de 5 metros.

No Rio Dourados, a estação de Dourados chegou a 3,25 metros, acima da cota de alerta de 3,10 metros. O nível também subiu em relação à medição anterior, quando registrava 3,24 metros.

No Rio Pardo, na estação Fazenda Buriti, o nível chegou a 5,10 metros, aproximando-se da cota de alerta de 5,30 metros. Já no Rio Paraguai, a estação de Ladário registrou 1,29 metro, enquanto Porto Esperança marcou 69 centímetros e Porto Murtinho, 2,93 metros. Em todos esses pontos, os níveis permanecem abaixo das respectivas cotas de alerta.

Já o Rio Piquiri, a estação São José do Piquiri registrou 2,41 metros, enquanto a estação Pousada Taiamã também marcou 2,41 metros. Na estação São Francisco, no Rio Paraguai, o nível permaneceu em 4,39 metros, sem alteração em relação ao dia anterior.

Chuva acumulada

O boletim do Imasul também mostra os volumes significativos de chuva nos últimos dias em algumas regiões. Na estação São Francisco, foram acumulados 75,6 milímetros em sete dias. Em Ladário, o volume chegou a 80 milímetros no mesmo período, enquanto Palmeiras registrou 72,8 milímetros.

Em Coxim, no Rio Taquari, foram registrados 24,8 milímetros nas últimas 24 horas e 56,8 milímetros em sete dias. Na estação Fazenda Buriti, no Rio Pardo, o acumulado foi de 10,6 milímetros em 24 horas e 49 milímetros em sete dias.

A previsão elaborada pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), indica que esta sexta-feira será de bastante nebulosidade e condições favoráveis à ocorrência de chuvas em Mato Grosso do Sul, devido à atuação de uma frente fria associada à formação de um ciclone extratropical sobre o Oceano Atlântico.

As maiores chances de chuva estão previstas para as regiões norte, nordeste e leste do Estado, onde podem ocorrer precipitações mais intensas, acumulados significativos e tempestades acompanhadas de raios e rajadas pontuais de vento. Nas regiões sul e sudoeste, são esperadas chuvas de fraca intensidade, sem descartar a ocorrência de neblina e nevoeiros em alguns pontos.

Ainda de acordo com o Cemtec, os elevados acumulados de chuva registrados nos últimos dias mantêm o risco de alagamentos, principalmente em áreas mais vulneráveis. Os ventos devem predominar do quadrante sul, com velocidades entre 30 e 50 km/h, podendo ocorrer rajadas superiores a 50 km/h em pontos isolados.

Trânsito

Festividades e obras fecham vias da Capital neste final de semana

Bloqueios por festas do Dia das Crianças, evento religioso e obras afetam diferentes regiões da Capital

16/10/2026 12h15

Foto: Reprodução

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Neste sábado, dia 17, diversas ruas de Campo Grande estarão fechadas em decorrência de diversos eventos. Os bloqueios acontecerão por causa de festividades dos dias das crianças, eventos religiosos e obras, espalhadas por diferentes áreas da Capital. 

A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) recomenda se orientar sobre quais vias serão fechadas e faz indicações sobre rotas alternativas, para evitar ruas que vão estar interditadas temporáriamente. 

Em decorrência das comemorações do dia das crianças, na região do Segredo, a Rua Coxim, entre as ruas Araçá, Dona Teresa Cristina, Cotinga e Cotoxo, será fechada das 7h às 20h. Como rota alternativa, é recomendado utilizar a Rua Araçá e a Avenida Coronel Antonino. 

Ainda por causa das festividades infantis, a região do Prosa, na Rua Marquês de Leão, no número 652, entre as ruas Ipitanga e Arapiranga, será interditada das 13h às 18h. Para desviar do bloqueio, os motoristas poderão seguir pelas ruas Ipitanga e Arapiranga.

No Anhanduizinho, três interdições estão programadas para sábado, todas ligadas a comemorações do Dia das Crianças.

A Rua Manoel Marcelino Rodrigues, entre as ruas Anselmo Selingardi e Leopoldina de Queiroz Maia, ficará bloqueada das 15h às 23h para a realização de uma festa.

Já a Rua Dona Carlota, entre as ruas Anhanguera e 9 de Julho, terá interdição das 15h às 18h, também para uma comemoração.

Por fim, a Rua José Zurutuza, nº 100, entre as ruas Reginaldo Moura e Leopoldina de Queiroz Maia, ficará interditada das 14h às 18h pelo mesmo motivo.

No Imbirussu, a Avenida Amélio Carvalho Baís, nº 1776, entre as ruas Lico Barcelos e José Garcia Veloso, será interditada das 6h às 23h59 por causa de um evento religioso. Como alternativa, os motoristas poderão utilizar as ruas Lico Barcelos e José Garcia Veloso.

Na região do Bandeira, a Rua Júlia Pereira de Souza, entre as ruas Madre Estanislau Pannatier e Elvira Pacheco Sampaio, será interditada das 10h às 20h para a realização de um evento esportivo. Para evitar o bloqueio, os motoristas poderão seguir pelas ruas Madre Estanislau Pannatier e Elvira Pacheco Sampaio.

No Centro, a Avenida Afonso Pena, em frente à Vila Morena, terá sinalização de contrafluxo das 16h às 19h por causa de uma corrida. O acesso local continuará livre.

Também na região do Bandeira, a Avenida Primeiro de Maio, entre a Rua Aluízio de Azevedo e a Avenida Eduardo Elias Zahran, terá interdição das 7h30 às 17h por causa de obras de esgotamento sanitário. O serviço começou na quinta-feira (15) e será concluído no sábado (17).

Para desviar do trecho bloqueado, os motoristas poderão utilizar as ruas Clóvis Beviláqua e Júlio Dantas.

A Agetran reforça que os motoristas devem planejar o trajeto com antecedência e, sempre que possível, evitar os trechos interditados. Também é importante respeitar a sinalização e as orientações dos agentes de trânsito nos locais dos eventos.
 

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