Cidades

única na América Latina

Fábrica de MS exporta tecnologia que pode revolucionar o tratamento do câncer no Brasil

Sediada em Campo Grande, a Safe Life simplifica a oncologia com equipamentos de radioterapia superficial que podem aumentar em 30% a capacidade de atendimento nos hospitais e reduzir filas no SUS

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Em um cenário onde a oncologia brasileira enfrenta desafios monumentais, que vão de filas quilométricas a custos proibitivos de infraestrutura, uma empresa sediada em Campo Grande surge como protagonista de uma revolução tecnológica silenciosa, mas de escala continental.

A Safe Life é, atualmente, a única fábrica de equipamentos de radioterapia superficial de toda a América Latina e a sexta no mundo a dominar essa tecnologia específica.

Sob a liderança do dr. Leonardo Alves, médico rádio-oncologista e diretor-geral, e de Themis de Oliveira, diretor de Relações Institucionais, a empresa exporta inovação a partir do coração de Mato Grosso do Sul para todo o mercado sul-americano, provando que a simplificação de processos complexos é a chave para democratizar o acesso à saúde.

Hierarquia da Tecnologia

O grande diferencial da Safe Life reside na aplicação do que Leonardo Alves chama de hierarquia da tecnologia. No Brasil, a prática comum é encaminhar quase todos os casos de câncer para os aceleradores lineares, equipamentos de alta energia que custam cerca de US$ 1,5 milhão e exigem a construção de bunkers de concreto maciço avaliados em até R$ 4 milhões.

“O Brasil não faz na radioterapia uma coisa que se faz na Europa e nos Estados Unidos, que é a hierarquia da tecnologia”, explica Leonardo Alves.

Ele compara a situação a um exame cardiológico: “Se você sente dor no peito, faz primeiro um eletro, que é rápido e barato. Se precisar de algo mais, vai para o ecocardio, depois para a tomografia. Na radioterapia, hoje, colocamos o caso mais simples no equipamento mais caro”.

A proposta da Safe Life simplifica essa jornada, ao focar a radioterapia de ortovoltagem. Enquanto um acelerador linear trabalha na casa dos milhões de Volts para atingir tumores profundos, as máquinas da linha WCR da Safe Life operam na casa dos 1.000 Volts, tratando especificamente a superfície. Isso permite que um tratamento para câncer de pele, o mais comum em seres humanos, seja feito de forma ambulatorial, sem necessidade de anestesia ou salas cirúrgicas complexas.

A precisão dos equipamentos é monitorada por protocolos rigorosos de controle de qualidade. Todos os dias, antes do início dos tratamentos, as máquinas passam pelo matchek, um teste de aferição com equipamentos externos que simula a entrega da dose de radiação em sensores dispostos como em um tabuleiro. Se houver qualquer desvio milimétrico na periferia do feixe ou na intensidade da radiação, o sistema é recalibrado.

Esse nível de segurança é o que permite à Safe Life atender tanto o Sistema Único de Saúde (SUS) quanto grandes referências da oncologia privada, como o Hospital Sírio-Libanês e o A. C. Camargo.

Ganho de Escala e Eficiência no SUS

A ênfase no ganho de escala é o ponto central para gestores de saúde. Estima-se que 15% dos cânceres hoje tratados em aceleradores lineares sobrecarregados poderiam ser migrados para os equipamentos de radioterapia superficial.

“Se eu tirar esses 15% de pacientes e colocá-los em uma máquina nossa, eu abro mais 15 vagas no acelerador para casos agressivos de pulmão ou mama. O ganho de escala permite aumentar a capacidade de atendimento oncológico em até 30%”, destaca Leonardo Alves.

Essa eficiência é vital para o cumprimento da lei que estabelece o prazo máximo de 60 dias entre o diagnóstico e o início do tratamento oncológico, meta que hoje o Brasil atinge em apenas 32% dos casos.

Além disso, o custo total de implementação da Safe Life é drasticamente menor: enquanto o conjunto máquina e bunker convencional ultrapassa os R$ 10 milhões, a solução da Safe Life gira em torno de R$ 2,1 milhões (R$ 2 milhões do equipamento e R$ 100 mil da sala blindada simplificada).

Inovação MADE IN MS

A Safe Life não apenas fabrica, mas desenvolve soluções exclusivas. Um dos maiores orgulhos da empresa é o Lumina SRT, um cone aplicador desenvolvido em Campo Grande para o tratamento de câncer de reto. A técnica, baseada no trabalho do dr. Jean Papillon, permite a radioterapia intrarretal, tratando o tumor por dentro de forma superficial.

Os resultados são transformadores para a qualidade de vida do paciente. “Hoje já temos estudos mostrando de 80% a 90% de preservação do reto e do ânus e 80% menos utilização de colostomias definitivas”, afirma Leonardo Alves.

Isso evita que o paciente dependa de bolsas de colostomia para o resto da vida, reduzindo complicações como disfunções anorretais e eréteis decorrentes de cirurgias invasivas.

Futuro da indústria

A produção em Campo Grande é fruto de um acordo de transferência de tecnologia com uma fábrica inglesa, mas que já conta com 54% de componentes nacionais. A fábrica opera por demanda e está em fase de expansão para uma nova sede de 1,5 mil m², viabilizada pelo programa Prodes da prefeitura local.

“A ideia inicial foi reunir sócios de bom caráter e ‘nerds’ nas suas áreas: rádio-terapeuta, cirurgião, físico de radiação, engenheiro clínico e, agora, o Themis nas relações institucionais”, brinca Leonardo Alves, sobre a composição da equipe.

A fábrica gera empregos qualificados e já projeta novos equipamentos, como tomógrafos e ressonâncias, para o futuro.

Com capacidade para produzir entre 10 e 12 máquinas por ano e potencial para chegar a 18 em regimes intensificados, a Safe Life já negocia com países vizinhos como o Chile.

“Nossa expectativa no Brasil é de vender entre 150 e 200 máquinas”, projeta o diretor-geral. Para ele, o sucesso da iniciativa é uma questão de inteligência logística: tratar o paciente certo, no equipamento certo, com o menor custo possível, liberando a alta tecnologia para quem realmente precisa de profundidade.

Diferentemente de indústrias de manufatura comum, a operação em Campo Grande demanda um capital humano altamente qualificado. O quadro de funcionários e sócios é composto por uma equipe multidisciplinar descrita por Leonardo Alves como um grupo de “nerds” em suas respectivas áreas, incluindo físicos de radiação, engenheiros clínicos, cirurgiões oncológicos e especialistas em Direito Regulatório.

Essa concentração de conhecimento permitiu que a empresa não apenas executasse acordos de transferência de tecnologia com indústrias inglesas, mas também desenvolvesse inovações próprias e patenteadas em solo sul-mato-grossense.

HOMICÍDIO

Investigação confirma que garagista foi morto por engano

Vitor Orsini, de 19 anos, foi confundido com o verdadeiro alvo de uma emboscada; autor só descobriu após o crime que havia matado a pessoa errada

26/08/2026 12h30

Vitor Orsini, de 19 anos, foi assassinado dentro da garagem de veículos da família, em Dourados

Vitor Orsini, de 19 anos, foi assassinado dentro da garagem de veículos da família, em Dourados Osvaldo Duarte/Dourados News

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A Polícia Civil confirmou que Vitor Orsini, de 19 anos, foi morto por engano na tarde de 7 de agosto, dentro da garagem de veículos da família, em Dourados. O jovem não era o alvo da execução planejada pelo grupo e teria sido confundido pelos criminosos com outro homem, que era esperado no estabelecimento naquele horário. 

Novos detalhes da investigação foram apresentados nesta quarta-feira (26) pelo delegado Lucas Albé, do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Dourados. Segundo informações divulgadas pelo portal Dourados News, o próprio autor dos disparos, Denis Barbosa de Melo, de 25 anos, descobriu somente após retornar a Ponta Porã que havia executado a pessoa errada.

A conclusão reforça a linha de investigação revelada anteriormente, de acordo com as informações já apresentadas, uma negociação envolvendo uma Toyota SW4 teria sido utilizada para preparar a emboscada. O verdadeiro alvo deveria comparecer à garagem por volta das 14h, mesmo horário programado para a chegada dos executores.

O homem no entanto, não apareceu. Quando os criminosos chegaram ao estabelecimento, encontraram Vitor próximo aos veículos e efetuaram os disparos contra ele. 

Até o momento, não foram encontrados elementos que indiquem qualquer participação do jovem na disputa que teria motivado o plano de execução.

A Polícia Civil também descartou a versão de que Denis teria saído de Brasília (DF) especificamente para cometer o assassinato. Conforme Albé, o suspeito já estava na região de fronteira havia aproximadamente três ou quatro meses antes do homicídio.

A presença dele na região estaria relacionada ao tráfico de drogas. Segundo a investigação, Denis atuava no transporte de entorpecentes para grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, realizando fretes para diferentes grupos criminosos.

Apesar desse histórico, a Polícia Civil afirma que ele não era um pistoleiro profissional e que sua participação no plano para matar o verdadeiro alvo teria sido acertada quando ele já estava na região de Ponta Porã.

Ainda conforme o portal Dourados News, a investigação aponta que Denis possuía uma dívida com pessoas da fronteira e teria recebido outro valor para participar da execução. 

Após o assassinato, ele retornou para Ponta Porã. Foi nesse momento, conforme relatado pelo próprio investigado durante interrogatório, que os responsáveis pela contratação comunicaram que o grupo havia matado a pessoa errada.

Denis acabou preso quatro dias depois do crime, na região de Ponta Porã. 

Emboscada

A investigação identificou conversas mantidas na manhã do homicídio relacionadas à venda de uma Toyota SW4 que estava na garagem da família de Vitor.

Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, empresário e proprietário de uma academia em Ponta Porã, teria demonstrado interesse no veículo e informado que um homem iria até o estabelecimento por volta das 14h para avaliar a caminhonete.

Para a Polícia Civil, a negociação teria sido utilizada como meio de fazer com que o verdadeiro alvo estivesse na garagem justamente no momento da chegada dos executores.

Esse homem teria relação anterior com Cláudio e os dois já haviam sido presos por tráfico de drogas anos atrás.

Cláudio foi preso preventivamente no dia 21 de agosto, durante uma operação que também cumpriu cinco mandados de busca e apreensão na região de fronteira. A extensão da participação dele na preparação e execução do crime ainda é apurada.

As diligências apontam que a execução contou com uma estrutura organizada entre Ponta Porã e Dourados, envolvendo pessoas responsáveis pela contratação, deslocamento, transporte e apoio aos executores.

Jeferson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antônio Olmedo Vera, de 23, são apontados como suspeitos de participar da contratação dos executores e de levá-los de Ponta Porã para Dourados em uma BMW. Os dois permanecem foragidos.

Em Dourados, um adolescente de 17 anos teria fornecido uma motocicleta furtada e auxiliado os envolvidos a chegar até a garagem.

Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, preso no dia 17 de agosto, é apontado como responsável por pilotar a motocicleta utilizada para transportar o autor dos disparos e auxiliar na fuga após o homicídio.

Denis havia sido localizado no dia 11 de agosto, quatro dias após a morte de Vitor, escondido na região de Ponta Porã. O adolescente também foi apreendido por suspeita de participação.

Embora alguns dos investigados tenham histórico ligado a atividades criminosas, a Polícia Civil afirma que, até o momento, não há elementos que demonstrem que uma facção criminosa tenha ordenado ou organizado a execução.

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Em MS

Traficante foge de abordagem da PRF, bate em árvore e morre

Carro furtado e com placas clonadas era usado para transportar mais de 445 quilos de maconha pela BR-158

26/08/2026 12h10

Foto: Divulgação/CBMMS

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abordagem da Polícia Rodoviária Federal. Durante a fuga o condutor acabou perdendo o controle e colidindo contra uma árvore. 

Na abordagem a PRF apreendeu cerca de 445,2 quilos de maconha. A ação aconteceu no quilômetro 332 da BR-158, em Brasilândia, à 364 km de Campo Grande. 

De acordo com a PRF, a equipe realizava a fiscalização da rodovia, quando deu ordem de parada a um veículo identificado como um Honda/Fit prata, o condutor ameaçou que encontraria, mas fugiu em alta velocidade por uma estrada de terra. 

A perseguição policial aconteceu por 5 quilômetros, até que o motorista perdeu o controle da direção, rompeu uma cerca de uma propriedade rural, tombou e colidiu fortemente contra uma árvore. Com o impacto, inúmeros tabletes de maconha se espalharam ao redor do automóvel.

A colisão contra a árvore foi tão forte que o condutor ficou preso entre as ferragens, foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros ainda com vida e encaminhado ao Hospital Auxiliadora, em Três Lagoas (MS), onde passou a noite em observação e veio a falecer na manhã desta quarta-feira, dia 26. 

A Polícia Civil realizou uma inspeção e perícia no veículo e foi constatado que o carro estava com placas clonadas e possuía registro de furto na cidade de São Paulo (SP), ocorrido em 08/08/2026. 

O veículo, a droga e os materiais apreendidos foram entregues na Delegacia de Polícia Civil de Brasilândia (MS).

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