Cidades

TI Buriti | São Sebastião

Fazenda ocupada em Sidrolândia divide narrativas entre esquerda e direita em MS

Com políticos como o "Gordinho do Bolsonaro" culpando indígenas por "atos terroristas", membros do PT apontam para "ato isolado" de grupo liderado por direitistas

Continue lendo...

Com a Fazenda São Sebastião, que fica localizada aproximadamente 92,5 quilômetros da Capital do Mato Grosso do Sul no município de Sidrolândia, , ocupada durante o final de semana, a desocupação realizada ontem (14) segue com desdobramentos nesta segunda-feira (15) dividindo inclusive narrativas entre a direita e esquerda local.

Ainda ontem (14) a própria Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) divulgou uma nota de repúdio em que culpa os povos originários sul-mato-grossenses pelo o que chamou de "graves atos de violência" na Fazenda São Sebastião. 

"A invasão da propriedade, acompanhada de depredação, incêndio, furto de bens, destruição de estruturas produtivas e intimidação de trabalhadores, configura uma série de crimes que devem ser rigorosamente apurados pelas autoridades competentes, com a devida responsabilização dos envolvidos", afirma a Acrissul.

Neste caso, alguns políticos do espectro da direita engrossam tal versão, como no caso do deputado federal do Partido Liberal, Rodolfo "Gordinho do Bolsonaro" Nogueira (PL), que publicou que os "indígenas invadiram, tocaram o terror e fizeram vários reféns". 

O deputado federal por Mato Grosso do Sul usou as próprias redes sociais chamando os responsáveis de "terroristas", alegando que uma mãe teve que implorar para retirar um bebê de dois anos do quarto antes que o local fosse incendiado. 

"Esses terroristas merecem apodrecer na cadeia", disse Rodolfo Nogueira, estendendo solidariedade aos produtores.

Por outro lado, políticos voltados ao campo da esquerda indicam que a ação teria tratado-se de " episódio isolado", causando inclusive estranhamento do também deputado federal, do Partido dos Trabalhadores, Vander Loubet (PT). 

"Conversei com caciques e lideranças indígenas da região e todos informaram desconhecer as motivações da ocupação e qualquer articulação em torno do ocorrido. Isso desperta grande estranheza, pois as ocupações, quando são feitas, são organizadas e articuladas pelo conjunto dos caciques e lideranças indígenas e têm suas razões amplamente divulgadas, inclusive para a imprensa", cita Vander em nota. 

Entenda

Esta área em disputa é reivindicada pelos povos originários do território Buriti há tempos, com avanço na demarcação sendo cobrada desde 2013 quando foi registrada paralisação no processo. 

A dita ocupação teria começado por volta das 17h do último sábado, em busca dos 17,2 mil hectares da Terra Indígena Buriti que teriam sido sobrepostos pela chegada da Fazenda São Sebastião. 

A própria Câmara Municipal de Sidrolândia convocou, para o início da tarde de hoje (15), uma reunião com caciques e lideranças da região da Terra Indígena (TI) Buriti.

Conforme repassado pela Câmara de Sidrolândia, nenhuma outra liderança da região tinha conhecimento dessa iniciativa, com esse movimento de invasão sendo liderado pelo indígena Rodrigues Alcântara. 

Alcântara seria secretário de Assuntos Indígenas da Prefeitura de Dois Irmãos do Buriti, com filiação no Movimento Democrático Brasileiro (MDB). 

De acordo com o deputado estadual Zeca do PT, até onde sabe-se, esse indivíduo conhecido como Rodrigues Alcântara lideraria um movimento de direita na região composto por outros demais Indígenas. 

"Um movimento de direita na região com apoio às pré-candidaturas de Reinaldo Azambuja, Viviane Luiza (ex-secretária estadual de Cidadania da gestão do governador Eduardo Riedel) e Odilon Ribeiro (ex-prefeito de Aquidauana), todos apoiadores de Eduardo Riedel e do projeto bolsonarista", diz o deputado estadual em nota.

O próprio Vander complementa dizendo que apurações iniciais não indicam qualquer participação de lideranças do PT envolvidas, uma vez que o partido estaria adotando uma posição firme contra ocupações, com postura que privilegie o diálogo e a construção de consensos.

"E, se forem identificados, vamos defender punição. Aliás, é uma curiosa coincidência que esse episódio ocorra às vésperas da visita do Lula ao nosso estado. Isso merece uma investigação. Queremos esclarecer informações relacionadas aos envolvidos no episódio e suas possíveis motivações, bem como discutir as possibilidades de resolução pacífica do problema", concluiu sobre a reunião a ser realizada hoje. 

A dita reunião está marcada para acontecer no endereço localizado na Rua da Aviação, número 28, no bairro São Bento em Sidrolândia, espaço do antigo "Jatobá Premium Bar".

 

Assine o Correio do Estado

Tempo

Campo Grande deve ter novo fim de semana de chuva e temporais

Instabilidade deve aumentar entre a noite deste sábado e o domingo, com possibilidade de chuva forte, ventos e trovoadas em quase todo o Estado

12/09/2026 18h30

Continue Lendo...

Campo Grande ainda contabiliza os estragos provocados pelo temporal de quinta-feira (10), mas o tempo instável deve continuar neste fim de semana. A previsão indica aumento das condições para chuva e tempestades entre a noite deste sábado (12) e o domingo (13), com possibilidade de trovoadas, rajadas de vento e chuva forte em pontos de Mato Grosso do Sul.

Para este sábado, o cenário permanece instável. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta a atuação de um sistema associado a um ciclone extratropical que mantém condições favoráveis à ocorrência de chuva e tempestades em partes do Centro-Oeste. O instituto também chama atenção para a possibilidade de granizo em áreas de MS.

Na Capital, a previsão indica muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas. O alerta da Defesa Civil reforça o risco justamente durante a noite, período em que podem ocorrer novas ocorrências relacionadas a vento, chuva intensa e descargas elétricas.

Domingo

Para domingo (13), o Inmet prevê em Campo Grande mínima de 18°C e máxima de 34°C, com muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas isoladas. A combinação de calor e umidade mantém a possibilidade de instabilidade ao longo do dia.

No interior, a instabilidade também deve atingir diferentes regiões do Estado, mas com variação nas temperaturas. Dourados, Ponta Porã, Três Lagoas, Corumbá e Aquidauana estão entre as cidades que devem ter mudança nas condições ao longo do domingo, com possibilidade de chuva associada à atuação da frente fria e das áreas de instabilidade.

Em Dourados, a estação meteorológica da Embrapa Agropecuária Oeste registrou 25 milímetros de chuva entre sexta-feira (11) e sábado, elevando o acumulado de setembro para mais de 72 milímetros.

 

 

Rescaldo

Quase 48 horas após temporal, Prefeitura ainda remove árvores das ruas de Campo Grande

Equipes estão mobilizadas nas sete regiões da Capital para desobstruir vias, retirar destroços e reparar pontos afetados pela tempestade

12/09/2026 18h00

Paulo Ribas

Continue Lendo...

Quase 48 horas após o temporal que atingiu Campo Grande na quinta-feira (10), árvores e galhos derrubados pelo vento ainda ocupam trechos de algumas vias da Capital. Neste sábado (12), a Prefeitura mantém equipes mobilizadas nas sete regiões da cidade para retirar as estruturas, liberar ruas e atender outros pontos afetados pela tempestade.

Em levantamento realizado pelo Correio do Estado neste sábado, uma árvore ainda ocupava aproximadamente metade da pista da Avenida Euler de Azevedo, perto da Rua 13 de Maio. Na Rua Filinto Müller, galhos de grande porte permaneciam sobre parte da via. Na região central, galhos já cortados também continuavam acumulados em um trecho da Rua 13 de Maio.

Segundo a Prefeitura, as equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) atuam principalmente na retirada de árvores e galhos, limpeza, remoção de destroços e manutenção da iluminação pública, incluindo a substituição de luminárias.

Mais de 100 ocorrências

O temporal provocou mais de 100 registros de árvores caídas, além de quedas de postes, vias interditadas, danos em estruturas e interrupções no fornecimento de energia. A dimensão dos estragos levou a Prefeitura a decretar situação de emergência por 180 dias. O Decreto nº 16.735, publicado em edição extra do Diogrande neste sábado, prevê a mobilização dos órgãos municipais para ações de resposta e recuperação dos pontos atingidos.

O decreto também determina um levantamento detalhado dos danos provocados pela tempestade, incluindo impactos na infraestrutura urbana, arborização, iluminação pública, vias, unidades municipais e prejuízos decorrentes da falta de energia.

A força-tarefa municipal começou ainda na noite de quinta-feira e chegou a contar com 20 equipes concentradas principalmente na liberação de vias bloqueadas por árvores e galhos. Além da Sisep, participam das ações órgãos como Defesa Civil, Agetran, Guarda Civil Metropolitana e SAS, com apoio de Corpo de Bombeiros, Energisa e Solurb.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).