Cidades

Morreu atropelado

Filhote "vela" corpo de irmão atropelado e emociona quem passa por avenida

Cena foi registrada na manhã desta terça-feira, na avenida Ernesto Geisel

ALINY MARY DIAS

02/02/2016 - 13h00
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Se você acredita que os animais não têm sentimentos, essa história pode te deixar em dúvida. A morte de um filhote de cachorro, na manhã desta terça-feira (2), fez com que o irmão demonstrasse sofrimento e “velasse” o corpo do cãozinho atropelado. Tudo isso aconteceu na Avenida Ernesto Geisel, na Capital, e foi flagrado pela equipe do Correio do Estado.

Via de fluxo intenso de carros, principalmente antes das 7 horas, a Ernesto Geisel, que em alguns trechos é Thirson de Almeida e Norte e Sul, é também palco da morte de animais atropelados. De cachorro a capivara, muitos são encontrados sem vida na pista.

Quando saiu de casa com destino ao trabalho, o motorista e morador do bairro Aero Rancho, Mirvaldo Brito, de 47 anos, nem imaginava que iria se deparar com mais um atropelamento, mas dessa vez, emocionante.

Na Avenida, em frente do Parque Anhanduí, ele viu um filhote de cachorro ao lado do corpo de outro atropelado. Mirvaldo até diminuiu a velocidade do carro e acompanhou alguns minutos da angústia do cãozinho. Mas teve que seguir para o trabalho.

Mesmo depois de algumas horas, o motorista, que trabalha no Correio do Estado, não tirou a cena da cabeça e resolveu voltar para o mesmo local, que era caminho de uma pauta. A mesma situação foi flagrada por ele e pelo fotógrafo Álvaro Rezende.

“Ele uivava, corria inquieto e queria ficar perto do corpo do outro cachorro. O sentimento dele passou para mim, eu senti a dor dele e resolvi pegar e levar para casa antes que também fosse atropelado”, relatou.

Mirvaldo, que já tem um cachorro, diz que procura o dono do cão e também oferece o animal para adoção. Quem tiver interesse, é só enviar um whats para o número 9971-4437.

Confira abaixo a sequência da cena flagrada nesta manhã:

EDUCAÇÃO BÁSICA

Secretário acha "ridícula" comparação de notas do Ideb entre Estados

Hélio Daher diz que Mato Grosso do Sul realizou a prova do Saeb em todas as escolas, enquanto outras federações aplicaram a avaliação em apenas uma parte do todo para elevarem a nota

06/08/2026 12h00

Secretário Estadual de Educação, Hélio Daher, apresenta os dados de MS no Ideb

Secretário Estadual de Educação, Hélio Daher, apresenta os dados de MS no Ideb Foto: Marcelo Vitor / Correio do Estado

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Em coletiva de imprensa, realizada na manhã desta quinta-feira (6), o secretário de Educação de Mato Grosso do Sul, Hélio Daher, avaliou de forma positiva o avanço das notas do Estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), e diz estar tranquilo com o fato de MS estar abaixo da média nacional, mas que é importante alcançar as metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação (PNE).

O titular da pasta explica que, ao invés de avaliar menos de 30% dos alunos (geralmente os melhores), como muitos estados fazem, Mato Grosso do Sul expandiu a participação da Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), prova que serve para verificar o nível das escolas privadas e públicas das unidades federativas, para 90% dos estudantes. Segundo o secretário, todas as escolas, incluindo as indígenas, fizeram a prova, e isso impacta o resultado, mas oferece um diagnóstico mais real da rede de ensino.

Os gestores que adotam este método alternativo, de avaliar apenas uma parte do todo, podem ludibriar a sociedade e mostrar que está tudo bem, quando na verdade a realidade é outra. O secretário de Educação diz que há "colegas", os quais ocupam o mesmo cargo, que se preocupam muito com o ranking, porém a "meritocracia" só seria justa se todos partissem do mesmo ponto de partida.

"Então eu acho meio ridículo ficar se comparando (com outros estados) quando você sabe que tem outros dados ali a serem considerados (como o número de alunos participantes). Há uma confusão, e às vezes até no interesse de publicamente dizer que está muito bem, mas se eu não avaliar todo mundo, se eu não for sincero com a minha rede, eu posso estar te entregando um dado que é legal, mas estou deixando alguma criança para trás e é o que o Mato Grosso do Sul não vai fazer", disse Hélio Daher.

O secretário destacou que todas as escolas no Estado passaram pelo Saeb e que alcançar a meta do Plano Nacional de Educação é um objetivo a ser cumprido em MS.

"A meta (do PNE) é importante porque ela nos dá uma baliza de onde a gente tem que chegar. Eu fico muito tranquilo em dizer para vocês que o Mato Grosso do Sul é justo e real com o seu dado. E é óbvio que a gente entende que nós temos que continuar melhorando, mas a gente de forma alguma vai propor um crescimento muito agudo pra tentar atender a expectativa e não ser real com o estudante", disse o secretário de Educação

Para ele, o importante é a criança estar na sala de aula e ter a aprendizagem com qualidade. "Então esse dado para nós é importantíssimo, a gente tem ali a meta a alcançar, mas primeiro, a gente não olha para o lado. Eu tenho que olhar para mim, olhar o quanto estava e o quanto estou caminhando, que é o que a gente faz aqui".

O secretário também destaca que Mato Grosso do Sul obteve o melhor resultado histórico no IDEB, superando os índices pré-pandemia de 2019.

Notas de MS

Mato Grosso do Sul apresentou avanços na educação escolar, tanto na rede pública quanto privada, mas ainda continua abaixo das metas e da média nacional, segundo dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados nesta quarta-feira (5).

Os dados do Ideb e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) referentes a 2025, revelam o desempenho da educação básica brasileira, calculados pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Divulgada a cada dois anos, a avaliação do Ideb é dividida em três níveis de escolaridade, sendo ensino fundamental anos iniciais, ensino fundamental anos finais e ensino médio.

Mato Grosso do Sul avançou em todos os níveis, apresentando uma crescente nos últimos anos.

De 2023 a 2025, em uma escala de 0 a 10, o Ideb do ensino fundamental anos iniciais do Estado passou de 5,4 para 5,7. A média nacional é de 6,3, enquanto a meta é de 6.

No ensino fundamental anos finais, o índice de Mato Grosso do Sul passou de 4,6 para 4,9. O País fechou com Ideb de 5,3 e a meta de 5,5.

Já o Ensino Médio foi o que teve o maior salto, passando de 3,8 para 4,2, o que ficou próximo da média nacional, de 4,5, mas ainda longe da meta de 5,2.

 

POLÍCIA

Recusa em matar o próprio gato foi 'estopim' da morte de Lívia em MS

Adolescente de 13 anos foi vítima de homicídio manipulado pela internet

06/08/2026 11h11

"Ela tinha que matar o gato dela e não cumpriu o que deveria ter cumprido. É como se eles estivessem jogando um videogame... tem que passar de fase", explica a delegada. Marcelo Victor/Correio do Estado

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Desdobramentos sobre o caso Lívia, divulgados hoje (06) pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) do Mato Grosso do Sul, mostram que a recusa em matar o próprio gato teria sido o "estopim" da morte da adolescente de 13 anos que teve o homicídio manipulado por grupos de ódio através da internet. 

Conforme repassado pela titular, Anne Karine Sanches Trevizan Duarte, durante coletiva de imprensa na sede da Depca na manhã desta quinta-feira (06), a morte de Lívia havia sido inicialmente reportada como suicídio, revelou-se após investigação com a colaboração do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) que se tratava de fato de um homicídio resultante de manipulação feita por organização criminosa no ambiente online. 

Entre os acusados das práticas contra Lívia, cinco adolescentes e um adulto foram identificados como autores, atuando em diversas localidades do país, como: 

  • Rio de Janeiro,
  • Fortaleza, 
  • Minas Gerais,
  • Pará e 
  • Mato Grosso do Sul

Várias são as terminologias usadas internamente entre os envolvidos, que reúnem-se nas chamadas "panelas" para prática dos crimes virtuais. Antes disso, porém, os adolescentes acusados revelaram após apreensão que há toda uma "engenharia social" para cooptar as vítimas para exploração nas redes sociais.

Uma vez sob controle dos criminosos, segundo a delegada, a recusa em matar o próprio gato teria sido o ponto final para que a morte da adolescente fosse decretada pelos indivíduos, prática  essa identificada na Operação Lívia e em outras investigações como vínculo entre vítimas e os autores responsáveis: a violência praticada também contra animais. 

"A Lívía antes de se matar ela tinha que fazer o que eles chamam de 'Luz', que é a agressão. Ela tinha que matar o gato dela e não cumpriu o que deveria ter cumprido. É como se eles estivessem jogando um videogame... tem que passar de fase", explica a delegada.

Entenda

Encontrada sem vida na manhã de 22 de julho, em Naviraí, aos 13 anos Lívia foi incitada ao autoextermínio por grupos extremistas, caso esse registrado distante aproximadamente 365 quilômetros da Capital do Mato Grosso do Sul.

Nesta última terça-feira (04) a Operação Livia foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, através da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), em conjunto com o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp/MJSP). 

Por meio da coordenação nacional da Depca,  foram cumpridas de forma simultânea, seis medidas de busca e apreensão contra adolescentes e um mandado de prisão contra um adulto.

Ainda conforme divulgado hoje (06) pela delegada Anne Karine Trevisan, a investigação identificou que essa organização criminosa que opera em ambiente virtual é coordenada principalmente por adolescentes, sendo que o próprio único adulto preso nesta operação teria 18 anos e, portanto, praticava os crimes antes da maioridade penal.  

Operando de forma anônima, esses acusados sequer saberiam as identidades ou localizações reais uns dos outros, criando inclusive perfis falsos com fotos de pessoas de outro sexo para conseguir atrair as vítimas. 

"Então eles começam a procurar pela família; onde estuda, e diante de todas aquelas informações, se passa por outra pessoa. E importante frisar que nenhuma rede social dessas pessoas condizia com a foto delas. Era sempre outro tipo de pessoa, de sexo, realmente para conseguir trazer a vítima".

Como confirmado pela Depca, adolescentes e também crianças foram cooptados para serem vítimas dessa rede criminosa.  

"Existem crianças vítimas também, nós constatamos isso. Nessa noite que teve esse 'evento', porque é assim que eles chamam dentro dos grupos nomeados por eles de 'panelas', ocorreu uma automutilação. Logo na sequência que é divulgado esse suicídio, porque não houve moderação, houve falha na plataforma Discord que não foram derrubados, teve essa automutilação em outro Estado", comenta a titular da Depca.

Segundo explicação dada pela delegada, é como se os administradores de cada "panela" se tornassem os donos de cada uma dessas vítimas. 

"E ela começa a sofrer muitas ameaças. Acredita que vai acontecer alguma coisa com ela, então passa a se automutilar, até cometer o suicídio". 

Ainda, Anne Karine Trevisan afirma que os indivíduos relacionados com a morte da Lívia já foram todos identificados, e que inclusive um dos "chefes" da organização teria apenas 14 anos, apreendido na Baixada Fluminense (RJ), mas que diligências ainda seguem em curso para identificação de demais "panelas". 

A delegada esclarece que esse não teria sido o caso de Lívia, mas há vítimas que se cortavam e tinham que escrever o nome do administrador "dono" com o próprio sangue. 

"Para mostrar: 'eu sou de fulana de tal', porque elas eram obrigadas a fazer isso, porque elas estavam acreditando que vai acontecer algo", comenta. 

Como bem esclarece a respeito da "engenharia social" dos criminosos, muitas vítimas era alvos do chamado "doxxing", que seria a busca e exposição de dados particulares de uma pessoa na internet sem a devida permissão dela. 

Nessa prática criminosa, o objetivo costuma ser a busca por aterrorizar, envergonhar ou ameaçar a vítima com a exposição de dados que podem incluir nome real, endereço, CPF, telefone, etc. 

"A Lívia mesmo, antes de tomar a decisão de realmente se matar, ela tinha sido 'doxada' por esses adolescentes, e isso exercia muita ameaça, porque estavam envolvidas ali a família, então ela não sabe o que vai acontecer, se 'é só comigo', 'é pra minha família também', então ela acabou tirando a vida após essa pressão", afirma. 
 

Símbolos supremacistas e neonazistas

Além de toda sorte de equipamentos eletrônicos que ainda devem passar por perícia técnica especializada, como celulares, computadores, etc., os agentes localizaram também durante a Operação Livia diversos itens que têm ligação com grupos extremistas e discursos de ódio na casa de um dos adolescentes.   

Imagens divulgadas pela Polícia Civil do Mato Grosso do Sul mostram que, entre as localidades alvo dos mandados, um dos adolescentes suspeito pelo envolvimento no crime ostentava toda uma indumentária aparentemente neonazista. 

Entre as apreensões, foi encontrada uma versão da conhecida Bandeira Confederada, facas táticas e até uma arma de fogo. 

"Eles têm um ódio em si, não é só dessa apreensão não (comenta a delegada sobre os itens neonazistas apreendidos). Têm dentro deles isso, ódio pela mulher, raça", diz.

Além dos indivíduos que competiam entre as "penelas" por "hype", hierarquia de popularidade essa medida através de atos de violência cada vez maiores, que davam status para os integrantes que inclusive repassavam o passo a passo para as vítimas "do que" e "como" fazer, alguns dos alvos vitimados recebiam bonificações conforme avançavam no "jogo" ao cumprirem os atos de "luz". 

"É um desconsiderar da vida humana assim, de forma absurda. Eles têm satisfação com esse resultado, é uma frieza com várias pessoas assistindo e incentivando que praticasse a automutilação e, em outros casos, a morte mesmo em si", conclui. 

 

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