Familiares, amigos e autoridades se reuniram para homenagear o ex-governador, cuja trajetória acompanhou os momentos decisivos da formação de Mato Grosso do Sul
O silêncio respeitoso que tomou conta da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul nesta quarta-feira (24) refletiu a dimensão da perda de uma das figuras mais emblemáticas da política sul-mato-grossense.
Entre flores, abraços e homenagens, familiares, amigos, autoridades e admiradores se reuniram para se despedir de Marcelo Miranda, ex-governador, ex-senador e ex-prefeito de Campo Grande, que morreu aos 87 anos após complicações decorrentes de uma pneumonia.
O velório, realizado no saguão Nelly Martins, transformou-se em um momento de memória coletiva sobre a formação de Mato Grosso do Sul.
Ao longo do dia, centenas de pessoas passaram pelo local para prestar as últimas homenagens a um homem que participou diretamente da estruturação administrativa e do desenvolvimento do Estado desde seus primeiros anos.
Em reconhecimento à sua relevância histórica, a Assembleia Legislativa decretou luto oficial de três dias. As bandeiras permaneceram hasteadas a meio-mastro, enquanto lideranças de diferentes correntes políticas se reuniam em torno de uma mesma lembrança: a de um gestor que marcou gerações e ajudou a consolidar as bases institucionais do então jovem Estado sul-mato-grossense.
A cerimônia de despedida foi marcada por momentos de emoção e fé. Uma missa celebrada pelo padre Reginaldo reuniu familiares e amigos próximos, reforçando o caráter de reverência à trajetória pública e pessoal de Marcelo Miranda.
O sepultamento ocorreu durante a tarde no Cemitério Jardim das Palmeiras, em Campo Grande.
Além do legado político, os familiares fizeram questão de destacar a figura humana que existia longe dos palanques e das funções públicas. Neto do ex-governador, o deputado estadual João Henrique relembrou um homem simples, persistente e dotado de um humor característico que o acompanhou ao longo da vida.
Segundo ele, a história de Marcelo Miranda ultrapassa os cargos ocupados e se conecta diretamente ao processo de construção de Mato Grosso do Sul.
"Ele participou ativamente da formação do Estado e ajudou a criar as condições para que Mato Grosso do Sul se desenvolvesse. Mas, para a família, sempre será lembrado também pelo exemplo de trabalho, honestidade e dedicação", afirmou.

Deputado Estadual João Henrique, neto de Marcelo Miranda.
Os filhos também ressaltaram o legado deixado pelo ex-governador. Paulo Eduardo destacou os valores cultivados dentro de casa, lembrando a dedicação à família, o respeito às pessoas e a disposição permanente para o trabalho.
“Gostaria que as pessoas conhecessem também a faceta privada de Marcelo Miranda: um mineiro extremamente bem-humorado e persistente. Ele foi um homem de origem humilde que, com muito trabalho, venceu na vida”, afirmou.

Paulo Eduardo, filho de Marcelo Miranda.
Já Paulo Henrique recordou décadas de convivência ao lado do pai durante viagens e agendas políticas que percorreram praticamente todos os municípios do Estado.
Para ele, Marcelo Miranda esteve entre os protagonistas de um período decisivo da história regional.
"Os desafios eram enormes. O Estado estava sendo estruturado e havia muito a ser feito. Ele acreditava no desenvolvimento de Mato Grosso do Sul e trabalhou por isso durante toda a vida pública", relembrou.

Paulo Henrique, filho de Marcelo Miranda.
Marcelo Miranda deixa os filhos Ana Cristina, Ana Cecília, Paulo Eduardo e Paulo Henrique, além de dez netos e sete bisnetos.
As homenagens também vieram de antigos companheiros de trajetória. Amigo pessoal e colaborador de longa data, o ex-deputado federal João Leite Schimidt destacou a capacidade de diálogo e a simplicidade que marcaram a atuação política do ex-governador.
Segundo ele, essas características ajudaram a construir uma liderança respeitada em diferentes momentos da vida pública.
“Ele tinha uma simpatia singular, marcada pela humildade. Talvez daí viesse a sua força política”, lembrou.

João Leite Schimidt, ex-deputado federal e amigo e amigo de Marcelo Miranda.
Schimidt também recordou a eleição de Marcelo Miranda para a prefeitura de Campo Grande e sua ascensão aos cargos de governador e senador da República.
“Foi prefeito, governador por duas vezes, senador e amigo durante toda a vida”.
Autoridades presentes lembraram ainda que marcas da administração de Marcelo Miranda permanecem visíveis em diversas regiões do Estado.
Obras de infraestrutura, investimentos em educação, expansão administrativa e projetos voltados ao desenvolvimento regional foram apontados como parte de um legado que atravessou décadas.
Já o deputado estadual Junior Mochi (MDB) destacou obras executadas durante as gestões de Marcelo Miranda em diversas regiões do Estado.
“Em praticamente todas as cidades é possível encontrar uma obra, uma escola ou uma ação que carrega a marca do seu governo. É um legado que permanece visível até hoje”.

Deputado Estadual Junior Mochi (MDB).
Engenheiro civil de formação, Marcelo Miranda chegou à região antes mesmo da criação de Mato Grosso do Sul.
Participou de importantes projetos de infraestrutura, trabalhou na construção da Usina Hidrelétrica de Jupiá em Três Lagoas e atuou no Departamento de Estradas de Rodagem, contribuindo para a implantação de milhares de quilômetros de estradas.
Sua trajetória política acompanhou os momentos mais importantes da história estadual. Foi prefeito de Campo Grande entre 1977 e 1979, governador por nomeação logo após a criação do Estado, senador da República e, posteriormente, tornou-se o primeiro governador eleito pelo voto direto após a redemocratização do país.
Ao final da cerimônia, o sentimento predominante era o de reconhecimento. Mais do que se despedir de um ex-governador, Mato Grosso do Sul prestou homenagem a um personagem cuja história se entrelaça com a própria formação do Estado.
Entre lembranças familiares, relatos de amigos e manifestações de autoridades, permaneceu a imagem de um homem que dedicou grande parte da vida à construção de um projeto coletivo que ajudou a moldar o presente sul-mato-grossense.