Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Gaeco e PF quebram esquema de 'advogado do crime' em MS

Medidas envolvem bloqueio de bens que aproximam da casa dos R$18milhões, em organização criminosa que supostamente conta com envolvimento até mesmo de servidores públicos

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Agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e da Polícia Federal cumpriram, nesta quinta-feira (16), mandados de prisão preventiva e busca e apreensão na Capital e em quatro municípios do interior do Estado, com o intuito de desarticular um esquema criminoso ligado a um indivíduo que carrega a alcunha de "advogado do crime".

Parte da Operação Audácia 2, os mandados foram cumpridos nas seguintes localidades em Mato Grosso do Sul: 

  • Campo Grande, 
  • Caarapó, 
  • Dourados e
  • Fátima do Sul

Conforme a PF, as medidas envolvem inclusive o bloqueio de bens que se aproximam da casa dos R$18milhões, em uma organização criminosa que supostamente conta com envolvimento de servidores públicos. 

Toda essa investigação teve início após Rubens Dariu Saldivar Cabral ser flagrado transportando R$100 mil em espécie em 2023, com esse profissional sendo preso posteriormente até mesmo por tráfico de cocaína. 

Na primeira ocasião que foi "estopim" da investigação, o acusado foi flagrado transportando valores em espécie entre os municípios de Dourados e Ponta Porã, apreensão que aconteceu em 29 de janeiro de 2023. 

Advogado do crime

A primeira fase da Operação Audácia foi deflagrada em julho do ano passado, a partir da qual foram obtidas as informações apontando a existência de tráfico de drogas e, até mesmo, supostamente com envolvimento de servidores públicos.

Entre 2023 e 2025, segundo a PF, o avanço dos trabalhos detectou a existência de várias pessoas em uma rede de contatos que possuíam "movimentações financeiras incompatíveis", que possivelmente são descritas como ligadas ao investigado.

Em 2023 Salazar foi preso, no âmbito da Operação Akã II, acusado de obstruir investigação, sendo absolvido deste caso pela ausência de elementos que comprovem a caracterização desse ato. 

Já em 1° de outubro de 2025, como bem acompanhou o Correio do Estado, Rubens Dariu Saldivar Cabral,  foi condenado a sete anos e seis meses de prisão por tráfico de drogas e associação criminosa, após ser preso em janeiro do ano passado transportando  21,6 quilos de pasta base de cocaína e continuará em regime fechado. 

Conforme a sentença, Saldivar sabia da droga escondida em um Audi A3 e “adotou todas as medidas para acompanhar pessoalmente a recuperação do automóvel com a carga ilícita”. Por ser advogado, permaneceu no Presídio Militar de Campo Grande, mas transferido para a PED.

Como consta no inquérito, o Audi A3 carregado com cocaína havia sido abandonado em trecho da BR-267 após o condutor desobedecer ordem da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Dias depois, Rubens Saldivar retirou o veículo do pátio da PRF em Nova Alvorada do Sul, munido de ordem judicial. Na sequência, levou o carro até um posto de combustível e repassou-o a Lucinei, enquanto seguia em um Honda HR-V junto de Marlon, atuando como “batedor” até Dourados.

Antes de chegar ao destino, o grupo passou por uma oficina em Nova Alvorada do Sul para verificar se havia rastreamento no veículo. Pouco depois, foram interceptados na BR-163, próximo ao Trevo do Alegrete, quando Lucinei Ribeiro de Oliveira, condenado na mesma ocasião a oito anos e nove meses, delatou os comparsas e confessou ter recebido mil reais do advogado para transportar a droga.

 

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ENCONTRO

Oposição cobra afastamento de Gonet após foto com Vorcaro em Londres

O advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro

19/09/2026 18h00

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro Divulgação: Polícia Federal

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Lideranças da oposição cobraram neste sábado, 19, o afastamento do cargo do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto em que ele aparece ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em uma degustação de charutos em Londres.

O registro foi enviado no dia 19 de junho de 2025. "PG mandou agora", disse o advogado Ciro Soares, que intermediava as conversas entre Gonet e o banqueiro, em mensagem logo em seguida A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.

Ao O Globo, a assessoria de Gonet confirmou o encontro, mas lembrou que o ministro André Medonça, do Supremo Tribunal Federal, atestou durante sessão da Corte que não encontrou ilícito envolvendo o procurador-geral. Na sessão da terça-feira, 15, Mendonça fez menção a encontros sociais apenas vinculados ao nome de Gonet.

Em nota via assessoria de imprensa, o advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro. "Não há qualquer irregularidade na foto", afirma.

Candidato do Novo ao Senado pelo Rio Grande do Sul, o deputado federal Marcel van Hattem acusa Gonet de ter mentido na sessão do Supremo Tribunal Federal realizada na última terça-feira, 15. Na ocasião, a corte analisou uma petição que trata da possibilidade de que seja aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

"(A foto) Mostra mais uma vez que eles acham que estão acima de qualquer crítica, inclusive mentindo deslavadamente na sessão do Supremo Tribunal Federal", disse Van Hattem. "Se não tinha proximidade, talvez seja só porque ele apareceu na foto do outro lado da mesa, o que obviamente é um escárnio, uma ironia. Ele precisa ser investigado também e sair da procuradoria-geral da República", afirmou.

Na sessão, Gonet afirmou que não teve proximidade com o dono do Banco Master e disse que esteve com o empresário em ocasião com outras autoridades no mês de abril de 2024.

O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, também acusou Gonet de ter mentido. "Disse que não tinha proximidade, que Vorcaro era desconhecido, que o encontro foi breve, banal, no meio de muita gente", escreveu em uma rede social. "Há 17 dias eu protocolizei no STF o pedido de afastamento de Paulo Gonet do caso Master. Ele continua no cargo e o Senado continua em silêncio", continuou.

Ex-secretário da Pesca no governo de Jair Bolsonaro (PL), o senador Jorge Seif (PL-SC) defendeu que o procurador-geral da República renuncie ao cargo. "O PGR de Lula, Gonet, também está enrolado com Master/Vorcaro. Mentiroso. Por isso na última semana protocolei o impeachment desse sujeito", disse, em postagem em uma rede social. "Não tem a menor condição de seguir à frente da PGR. Se tivesse vergonha na cara, renunciaria. Mas o que esperar dessa gente? Caras de pau", concluiu.

Para o deputado federal Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, a foto "reforça a percepção de que, no Brasil, dinheiro e influência abrem portas que permanecem fechadas ao cidadão comum".

"Enquanto milhões de brasileiros esperam anos por uma decisão judicial, personagens poderosos circulam com desenvoltura entre ministros, magistrados e as autoridades que deveriam fiscalizá-los", disse.

Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) argumentou que quem ocupa cargos públicos precisa respeitar distanciamento. "As relações são institucionais", disse. Para ele, o procurador-geral escolheu "se aproximar de investigados e dos clientes". "Como disse em sua sabatina no Senado: 'Gonet, você fracassou'", escreveu.

CAMPO GRANDE

Projeto que suspende descontos do Master na folha dos servidores é aprovado

Câmara Municipal de Campo Grande aprovou a medida que alcança servidores ativos, aposentados e pensionistas

19/09/2026 17h00

Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) aplicou dinheiro no Banco Master

Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) aplicou dinheiro no Banco Master Gerson Oliveira

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Nesta semana, a Câmara Municipal de Campo Grande aprovou o Projeto de Lei que determina a suspensão dos descontos em folha de pagamento relacionados ao Banco Master, ao CredCesta e às instituições e empresas vinculadas às operações. A medida alcança servidores municipais ativos, aposentados e pensionistas.

O projeto de lei é de autoria da vereadora Luiza Ribeiro (PT) e do vereador Jean Ferreira (PT). Com a aprovação da Casa de Leis, o projeto segue agora para sanção da Prefeitura de Campo Grande. 

A proposta foi aprovada em única discussão e votação e estabelece a suspensão do processamento dos descontos referentes a empréstimos consignados, cartões de crédito consignados, cartões de benefício consignado e outras modalidades de crédito vinculadas às instituições.

O texto também prevê a suspensão de novas averbações em folha e determina que o Município adote medidas para verificar a regularidade dos contratos e das operações. Entre as providências previstas estão: a disponibilização aos servidores de cópia integral dos contratos; demonstrativo atualizado do saldo devedor; e memória discriminada do cálculo da dívida. 

No projeto apresentado em setembro, Luiza Ribeiro voltou a questionar a regularidade das consignações e do credenciamento das instituições no sistema municipal. A justificativa cita, entre outros pontos, requisitos previstos no Decreto Municipal nº 13.870/2019 e sustenta que a utilização da folha de pagamento deve observar as regras estabelecidas pelo próprio Município.

A suspensão dos descontos não significa perdão ou extinção de eventuais dívidas. A medida interrompe o desconto automático em folha enquanto são realizadas as apurações necessárias sobre a regularidade das consignações e dos contratos.

A proposta aprovada estabelece, portanto, uma proteção imediata à folha de pagamento dos servidores municipais e cria mecanismos para que as operações vinculadas ao Banco Master e ao CredCesta sejam analisadas antes da continuidade dos descontos.

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