Com condenações que ultrapassam 126 anos de prisão, megatraficante ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), Gerson Palermo desembargou em Campo Grande sob escolta da Polícia Federal no fim da tarde desta quarta-feira (27).
Ele estava refugiado desde 2020 e vivia como um "próspero empresário do ramo agrícola" na Bolívia, onde foi capturado nesta terça-feira. Na época, a fuga foi possível após o desembargador Divoncir Schreiner Maran deferir um pedido para soltura do traficante, até então preso no presídio federal de Campo Grande. Após receber o benefício de prisão domiciliar com uso de tornozeleira, quebrou o equipamento e fugiu.
A prisão de Gerson Palermo é resultado de investigação iniciada pela Polícia Civil de Campo Grande, após o megatraficante com ligações com o PCC mandar sequestrar a própria filha, motivado por disputa envolvendo dinheiro relacionado ao tráfico de drogas.
Gerson foi localizado na cidade Cotoca, cidade localizada na província de Andrés Ibáñez, cerca de 20 km de Santa Cruz de La Sierra, em operação conjunta entre forças policiais brasileiras e bolivianas.
Conforme as autoridades bolivianas, a captura ocorreu por meio de um "link" compartilhado entre ambos os países, mecanismo que no "delatou" a localização aproximada do megatraficante conhecido como "Gilero".
Na noite de ontem (26), o vice-ministro da Defesa Social e Substâncias Controladas da Bolívia, Ernesto Justiniano, afirmou que Palermo já estaria realizando as medidas necessárias para ser "buscado" por agentes policiais federais brasileiros.
"Sendo brasileiro, certamente, com uma posição ilegal em nosso país, corresponde imediatamente à expulsão, não à extradição, que é um processo diferente", esclareceu o vice-ministro de Defesa Social da Bolívia, Ernesto Justiniano. Palermo deve voltar ao Presídio Federal de Campo Grande.
Palermo: o pivô
Piloto de aeronaves, Gerson Palermo é apontado pela atuação no tráfico de drogas e sua última prisão havia sido registrada em 2017, figurando em noticiários policiais muito antes disso.
Após a virada do milênio, em agosto de 2000, Gerson colaborou no sequestro de um Boeing que transportava R$5 milhões pertencentes ao Banco do Brasil.
Enquanto cumpria regime semiaberto na Colônia Penal Agrícola de Campo Grande, foi preso pela Polícia Federal, em setembro de 2007, acusado de liderar quadrilha que estava com 1,5 tonelada de maconha.
Sendo mais um entre os homens da quadrilha de Marcelo Borelli, homem condenado a 177 anos de cadeia e morreu no presídio ainda em 2011, além do envolvimento neste caso, Palermo foi condenado principalmente por envolvimento com o narcotráfico, atuando principalmente como piloto de avião.
Depois de uma série de prisões e fugas, cumpriu pelo menos 8 anos de prisão de um total de 59 anos das ações das quais não cabem mais recursos. Porém, ele tem mais 67 anos de pena a pagar, que ainda não aparecem na lista de sua execução penal, porque ainda cabe algum tipo de recurso.
Pivô do afastamento do desembargador Divoncir Schreiner Maran de suas funções do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Gerson Palermo é conhecido para além de sua pena superior a um século de prisão, sendo acusado do sequestrou avião e até de comandar a considerada "maior rebelião em presídios da história do Estado", que acabou com sete mortes no presídio de Campo Grande.
Durante o dia das mães de 2005, o presídio de Segurança Máxima da Capital viveu um motim, que levou sete presos à morte, além da destruição de diversas alas do complexo.

