Cidades

audiência

Perícia aponta que Bernal deu tiro "à queima roupa" em fiscal tributário

Ex-prefeito diz que curta distância é porque a vítima teria ido em sua direção enquanto ele se aproximava e sustenta que atirou em legítima defesa

Continue lendo...

Durante audiência do caso em que o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, é acusado de matar a tiros o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, foram apresentados laudos periciais que apontam que o segundo disparo foi efetuado a "queima-roupa", em curta distância, entre 20 e 60 centímetros. O ex-prefeito nega execução e afirma que a distância seria justificada pelo fato da vítima ter se movimentado em sua direção.

Em depoimento, Bernal sustentou que agiu em legítima defesa, alegando que pensou que a vítima e o chaveiro estavam armados e que atirou porque eles teriam ido para cima dele. Laudos da perícia e imagens de câmeras de segurança, no entanto, não corroboram a versão.

As imagens mostram o ex-prefeito chegando no imóvel e efetuando o primeiro disparo, enquanto o segundo ocorreu em ponto cego e não aparece na gravação.

Laudo pericial aponta apenas que foi efetuado a curta distância, mas é inconclusivo para definir se a vítima ainda estava em pé ou já caída quando levou o segundo tiro. Bernal assegura que ele estaria em pé.

No depoimento, ele afirma que foi até o local após ser informado pela empresa de segurança, New Line, que havia pessoas tentando entrar no imóvel. Ele sustenta que desceu da caminhonente armado, mas com o revólver apontado para baixo e que só atirou em reação após ver os homens portando o que ele pensou se tratar de armas.

"Eu gritei: 'o que vocês estão fazendo na minha casa', o senhor [Mazzini] resmungou alguma coisa e virou na minha direção, o outro [chaveiro] fez a mesma coisa, foi questão de segundos. Quando eu gritei, essas pessoas se voltam e vêm na minha direção, se eles tivessem ficado quietos eu não teria disparado", disse.

Bernal acrescentou que ao efetuar o primeiro disparo, o chaveiro jogou o que tinha em mãos, levantou os braços e correu. Já Mazzini, na versão do acusado, teria caído e ele se aproximou apenas para ver se ele estaria vivo, reafirmando que essa queda ocorreu após o segundo disparo.

"Os dois disparos foram um atrás do outro, eu nunca atirei em um bicho caído, vou atirar em um ser humano?", disse.

Sobre a curta distância, questionado pelo juiz, que afirma que é "muito próximo", ele diz não se lembrar exatamente pois estava com as "emoções a flor da pele", mas alega que não foi a queima-roupa.

"O laudo diz categoricamente que dei o disparo a curta distância, mas tudo foi a curta distância. A distância que havia foi reduzida pelo fato dele estar vindo e eu estar indo, pelo que eu vi ele pode ter sido atingido e quando se voltou recebeu o segundo, foi depois disso que ele caiu", afirmou.

O ex-prefeito também afirmou que não era a primeira vez que a casa era invadida e que pensou se tratar de bandidos tentando arrombar o imóvel. 

Ele sustentou que nunca havia visto Mazzini antes do dia do crime, mas que depois o reconheceu como sendo a pessoa que tentou invadir a casa em data posterior. "Se eu soubesse que era ele, teria entrado com ação para proteger minha posse", disse.

"Me arrependo muito da tragédia que acabei me envolvendo", afirmou ainda o ex-prefeito, acrescentando que não foi ao local com intenção de matar outra pessoa. "Eu fui defender a minha casa e defender minha família", concluiu.

O depoimento de Bernal encerrou a fase de audiência de instrução e julgamento. Na terça-feira (26) foram ouvidas testemunhas de acusação, enquanto nesta quarta-feira foi a vez das testemunhas de defesa e do réu.

Com o fim dos depoimentos, o processo passa para o Ministério Público, para alegações finais, e volta para o juiz, que irá decidir se Alcides Bernal vai a júri popular.

Relembre o caso

O crime ocorreu no dia 24 de março. Alcides Bernal matou o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini após se recusar a entregar seu imóvel, que havia sido leiloado.

A disputa pelo imóvel começou em 2023, quando em um primeiro pregão, o imóvel foi ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou.

Depois, o valor caiu para R$ 2,4 milhões e o fiscal tributário acabou comprando a mansão. Contudo, mesmo após ter sido arrematado por Roberto Mazzini, Bernal se recusava a entregar a casa, levando a imbróglios judiciais.

No dia 24, Bernal flagrou por meio do monitoramento de segurança a vítima entrando na propriedade com a ajuda de um chaveiro.

Ao chegar no local, o ex-prefeito se desentendeu com o fiscal e efetuou dois disparos na direção do rival judicial, sendo que um dos tiros atravessou a região da costela.

Imagens de câmera de segurança da casa mostraram que o chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, chegou de picape ao local, por volta das 13h, enquanto Roberto o esperava dentro de sua caminhonete na frente do imóvel.

Logo após a chegada do chaveiro, o fiscal passou a instrução para Maurílio tentar abrir a porta principal da casa. As imagens mostraram que, enquanto o chaveiro realizava o trabalho, o fiscal apenas observava e esperava a conclusão da abertura.

Exatos 35 minutos depois de começar os trabalhos, Maurílio conseguiu abrir o portão e avisou Roberto, que imediatamente acessou a região interna da casa. Durante os próximos cinco minutos, ambos ficaram dentro do imóvel.

Às 13h44min20s daquele dia o vídeo mostra que o ex-prefeito chegou à frente da casa, após ser avisado pela equipe de monitoramento da empresa New Line de que teriam invadido a residência.

Cerca de 17 segundos depois, Bernal entrou no imóvel e, depois de cinco passos, efetuou o primeiro disparo contra Roberto.

No momento em que Bernal vai em direção ao corpo da vítima, ele entra no ponto cego da câmera, momento em que teria dado o segundo tiro no auditor fiscal, de acordo com o laudo pericial. Após isso, é possível ver o chaveiro escapando e saindo da casa, às 13h45min10s.

O ex-prefeito voltou a aparecer na filmagem, quando guarda a arma na cintura e se dirige para fora da casa, momento em que aproveitou para chamar a equipe da New Line, que tem sua sede exatamente na frente do local do assassinato.

Depois de mexer no celular, Bernal foi embora da cena do crime. Após isso, Bernal fugiu do local do crime e se apresentou à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Centro).

Ele está preso desde o dia do crime.

Nesta semana, o ex-prefeito, que é advogado, teve o registro profissional suspenso preventivamente pela Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso do Sul (OAB/MS). 

De acordo com publicação ni Diário Oficial da OAB, a decisão da suspensão preventiva foi proferida pelo Tribunal de Ética e Disciplina e é válida pelo prazo de 90 dias, de 18 de maio a 15 de agosto.

Durante o período do cumprimento da sanção disciplinar, Bernal não poderá praticar qualquer ato provativo no exercício da advocacia. Ele foi notificado a apresentar o cartão e carteira de advogado na OAB/MS.

Assine o Correio do Estado

Justiça

Fachin dá 24h para Mendonça levantar sigilo de todo caso Master

Ele atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República

11/09/2026 19h00

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

Continue Lendo...

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 24 horas para que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos relacionados à Operação Compliance Zero, que apura corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias ligadas ao antigo Banco Master. 

Fachin atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), para quem a divulgação de apenas parte do material passa uma "ideia equivocada” de que a transparência do caso pode estar comprometida. 

A divulgação de todo o material já havia sido requerida na noite de quinta-feira (9) por Fachin. Mendonça atendeu ao pedido horas depois, divulgando 15 procedimentos de investigação derivados da Compliance Zero. 

Relator do caso no Supremo, Mendonça manteve, contudo, o sigilo sobre algumas linhas de investigação, o que motivou a PGR a pedir acesso à integralidade dos documentos. 

Pela decisão de Fachin desta sexta-feira (11), todos os documentos devem ser disponibilizados, “ressalvadas exclusivamente as diligências em andamento ou a serem realizadas, para os quais se pudesse antever possíveis prejuízos à sua efetividade”, escreveu o presidente do Supremo. 

A ordem de Fachin para a retirada do sigilo sobre a investigação ocorre na esteira de uma crise institucional sem precedentes no Supremo, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos de investigação mútuos protagonizados pelos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. 

Fachin determinou a remessa de todo o material para os gabinetes dos demais ministros, para que possam analisar os documentos e provas antes de julgar, na próxima terça-feira (15), outro pedido da PGR, dessa vez para que um relatório da PF ligando Vorcaro a Moraes seja anulado. 

Neste relatório, cujo sigilo foi levantado por Mendonça, constam dezenas de mensagens que a PF diz terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes. Nelas, o ex-banqueiro demonstra ter relação de proximidade com o ministro. 

Mendonça pediu ao plenário que decida sobre investigar ou não Moraes. A PGR, contudo, alega que o ministro já avançou irregularmente nas investigações, sem a autorização do plenário, o que tornaria nulo o material. 

Sigilo

Entre as apurações mantidas sob sigilo por Mendonça está a que diz respeito ao suposto repasse de R$ 61 milhões para financiar a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a PF, há suspeita de que o dinheiro tenha sido entregue por Daniel Vorcaro, dono do Master, a pedido do senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

Outra investigação mantida sob segredo de Justiça envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o advogado Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master. 

Cultura & Lazer

Grupo de 14 bailarinas de Campo Grande participa de festival de flamenco em SP

Programação inclui aulas e apresentação em São José dos Campos

11/09/2026 18h15

Continue Lendo...

Quatorze bailarinas do Grupo Embrujos de España, de Campo Grande, embarcam nesta sexta-feira (11) para São José dos Campos (SP), onde participam do 21º Festival Internacional de Flamenco. O evento reúne bailarinos, professores e grupos de diferentes regiões do país entre os dias 11 e 13 de setembro.

A programação inclui a participação das bailarinas campo-grandenses nos Workshops Nacionais, voltados à formação e ao aprimoramento na dança flamenca. O grupo também estará no palco da Mostra Aberta Nacional de Dança Flamenca, marcada para sábado (12), no Teatro Municipal de São José dos Campos.

Além das bailarinas, a delegação de Mato Grosso do Sul terá a participação da coreógrafa e professora Maria Helena Pettengill, que integra a programação dos workshops. Ela ministrará uma aula sobre Tango, um dos palos do flamenco, caracterizado por ritmo e formas de expressão próprias.

Segundo Maria Helena, a participação no festival permite que as bailarinas tenham contato com profissionais e grupos de outras regiões e também apresentem o trabalho desenvolvido em Campo Grande.

“Participar de um festival dessa dimensão é uma oportunidade muito importante para nossas bailarinas. Elas estarão ali para aprender, trocar experiências e também mostrar que em Campo Grande existe um trabalho sério e apaixonado de formação e divulgação do flamenco”, afirmou.

Na Mostra Aberta, o Embrujos de España apresentará o trabalho desenvolvido pelo grupo na Capital. A participação coloca as bailarinas sul-mato-grossenses em contato com artistas de diferentes localidades e amplia a presença do grupo em eventos nacionais da modalidade.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).