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Gigante da celulose banca reforma da sala do chefe da fiscalização ambiental

A chilena Arauco está desembolsando R$ 966 mil para aquisição de equipamentos e reformas no prédio do Imasul, órgão responsável pela fiscalização da indústria

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Publicações do diário oficial do Governo do Estado desta quinta-feira (3) revelam que a chilena Arauco Celulose fez doações de R$ 966 mil ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e bancou até mesmo a reforma do gabinete no qual trabalha o presidente do órgão ambiental responsável pela fiscalização ambiental no Estado.

As doações da gigante da celulose vem a público uma semana depois que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul entrou na Justiça exigindo que a Pantanal Energética, empresa responsável pelo lago de 1,5 mil hectares da hidrelétrica do Mimoso, seja punida em R$ 10 milhões e recolha as plantas aquáticas que estão tomando conta do lago e de todo o Rio Pardo abaixo da barragem desta usina.

As plantas aquáticas viraram problema ambiental desde o começo de 2025, pouco mais de meio ano depois da ativação da fábrica de celulose de Ribas do Rio Pardo. E, um relatório do Imasul divulgado no começo de agosto deste ano revela que o responsável pelo crescimento desenfreado das macrófitas é o esgoto da fábrica de celulose, rico em material orgânico que serve de alimento para as plantas.

A ação judicial foi protocolada dia 27 de agosto pela promotoria de Bataguassu porque a Pantanal Energética fez vertimentos extras de água e despachou rio abaixo o excesso de plantas, que agora se acumulam e seguem crescendo no lago da hidrelétrica Porto Primavera, próximo a Bataguassu.

Na ação, a promotoria exige punição da hidrelétrica, mas não faz menção à causadora da poluição, que é, principalmente, a indústria de celulose da Suzano.

Doações

As publicações do diário oficial desta quinta-feira não informam se as doações da Arauco ao Imasul são relativas às compensações ambientas que a empresa é obrigada a pagar por conta do investimento da ordem de R$ 25 bilhões que está fazendo na instalação de uma fábrica de celulose em Inocência. A previsão é de que esta fábrica, a maior do mundo, produz 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano.

A legislação estadual prevê que, no caso de indústrias de celulose, elas devem destinar o equivalente a 0,8% do valor do investimento a título de compensações ambientais, o que no caso da Arauco significa cerca de R$ 200 milhões.

Esta mesma legislação prevê que, preferencialmente, os investimentos devem ser destinados a alguma Unidade de Conservação de Proteção Integral, de preferência no município onde está sendo construído o empreendimento potencialmente poluidor.

Sendo ou não resultado destas compensações, o fato é que o instituto de fiscalização ambiental conseguiu a doação de R$ 32 mil da Arauco para “serviço de adequação estrutural dos ambientes no Gabinete da Presidência e UNIGEO do IMASUL”.

As publicações do diário oficial mostram também “serviço de marcenaria para adequação do setor de cozinha Jurídico/Presidência do IMASUL”. Estes serviços de marcenaria que atenderam à presidência do Instituto custaram R$ 39,9 mil. O órgão de fiscalização obteve, ainda, R$ 16,3 mil para “serviço de readequação da porta de vidro do setor Auditório e pintura dos ambientes IMASUL”.
 
O pacote de doações, que inclui desde pneus a uma série de equipamentos de laboratório não especificados, também aponta para a possibilidade de a fiscalização dos rejeitos despejados pelas indústrias de celulose sofram fiscalização mais rigorosa.

Isso porque a Arauco gastou R$ 99,6 mil para “equipamento de uso laboratorial para atender o Programa de Monitoramento da qualidade das Águas Superficiais do Estado do Mato Grosso do Sul”.

Além disso, a Arauco pagou os R$ 244,1 mil necessário para aa aquisição de uma sonda multiparâmetro, um equipamento  usado para medir, ao mesmo tempo e diretamente no local de estudo, diversas propriedades físico-químicas e biológicas da água. Em tese, então, os fiscais ambientais saberão de imediato se o esgoto das fábricas de celulose estão ou nã poluindo os rios. 

Os acordos de doação de equipamentos e reformas foram todos assinados pela cúpula o Imasul, André Borges, e pelo comando nacional da Arauco, Carlos Altimiras e Theofilo Militão Pereira.

MUITA ÁGUA

A fábrica da Arauco está sendo instalada às margens do Rio Sucuriú e a previsão é de que consuma diariamente 250 milhões de litros de água, o que equivale praticamente a todo o consumo da população de Campo Grande, da ordem de 280 milhões de litros. E, conforme os estudos de impacto ambiental, em torno de 90 do volume volta ao rio. 

Quer dizer, a Arauco vai despejar todos os dias em torno de 225 milhões de litros de esgoto no Rio Sucuriú. Isso equivale ao volume de 9 mil caminhões auto-fossa que transportam 25 mil litros cada. E a responsabilidade pela fiscalização destes rejeitos cabe ao Imasul. 

A Suzano, que está sendo apontada como responsável pela poluição do Rio Pardo, garante que trata seus efluentes seguindo todas as normas ambientais. Mesmo assim, as plantas aquáticas seguem crescendo e se transformaram em problema ambiental crônico entre o local do despejo do esgoto e a foz do rio, no Rio Paraná.


 

Operação Suppressio

Helicóptero é usado em operação que prendeu cinco em Paranaíba

Ação cumpriu 16 ordens judiciais e investiga homicídios registrados no município

03/09/2026 13h45

Reprodução/PC

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Cinco pessoas foram capturadas na manhã desta quinta-feira (3), em Paranaíba, durante a terceira fase da Operação Suppressio, que investiga homicídios ocorridos no município. A ação contou com equipes das polícias Civil e Militar de quatro cidades, além do uso de um helicóptero, e cumpriu 16 ordens judiciais.

A operação começou por volta das 6h e mobilizou policiais de Paranaíba, Aparecida do Taboado, Três Lagoas e Campo Grande. Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, três de prisão e um de apreensão de adolescente, em diferentes pontos da cidade.

Entre os alvos presos estão duas mulheres, de 22 e 19 anos, e um homem, de 18. Um adolescente de 17 anos também foi apreendido por determinação judicial.

Outro adolescente, também de 17 anos, estava entre os alvos da operação, mas havia sido apreendido na quarta-feira (2), após ser apontado como suspeito de envolvimento em um homicídio ocorrido na noite de terça-feira (1º), no bairro Santo Antônio.

Por isso, ao considerar as prisões e apreensões realizadas nos dois dias, cinco pessoas foram capturadas no contexto da operação.

Investigação

A terceira fase da Suppressio busca reunir informações para esclarecer homicídios registrados em Paranaíba e verificar se há relação entre os casos ou com outros crimes ocorridos na região.

A ação reuniu 30 policiais civis e 20 militares. Também foram empregadas nove viaturas da Polícia Civil, seis da Polícia Militar e uma aeronave.

Os mandados cumpridos nesta quinta-feira fazem parte do avanço das investigações e da busca por elementos que possam esclarecer a participação dos alvos nos crimes.

CAMPO GRANDE

MP abre inquérito para apurar construção de ponte sobre o Córrego Segredo

Processo investiga legalidade de uma possível transposição viária que seria executada por empreendimentos imobiliários que buscam abrir avenida no meio da mata do Segredo

03/09/2026 13h33

Há indícios de que intervenção possa estar associada à necessidade de interligação entre empreendimentos imobiliários implantados ou em implantação na região. 

Há indícios de que intervenção possa estar associada à necessidade de interligação entre empreendimentos imobiliários implantados ou em implantação na região.  Ilustração/Correio do Estado

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Foi divulgada na edição desta quinta-feira (03) do Diário Oficial do Ministério Público do Mato Grosso do Sul (DOMPMS) a instauração de inquérito civil para apurar a legalidade de uma transposição viária ou construção de ponte na Área de Preservação Permanente (APP) do Córrego do Segredo atravessando o parque linear. 

Ainda em 15 de janeiro, no auditório da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), houve apresentação do projeto que prevê intervenções urbanísticas que podem afetar o Parque Linear do Segredo, em Campo Grande

Essa instauração de inquérito vêm em resposta à denúncia protocolada pelo gestor ambiental Marcos Eduardo Bergoli Kirst, que é o CEO responsável pelo Projeto Ecoplantar, que atualmente é quem possui o termo de autorização de uso vigente firmado com o município de Campo Grande, que trata não somente da utilização de um terreno público. 

Ou seja, essa área possui finalidade voltada à educação ambiental, arborização urbana, recuperação da mata ciliar do Córrego Segredo e proteção das funções ambientais das áreas de preservação permanente do Parque Linear do Segredo. Fica também atribuída à autorizada as responsabilidades quanto à conservação, guarda e segurança da área. 

Há cerca de 14 anos a área vêm sendo objeto de processo contínuo de restauração ecológica pela Ecoplantar, com soluções para recomposição da vegetação nativa; recuperação de mata ciliar; regeneração natural assistida; controle de espécies invasoras e proteção do ecossistema associado a Bacia do Córrego Segredo, trabalho esse fruto de parceria público-privada com a Capital do Mato Grosso do Sul. 

Porém, há indícios de que a emissão de Guias de Diretrizes Urbanísticas (GDUs) possam permitir abertura de via ou implantação de infraestrutura que pode fragmentar o Parque Linear do Segredo. 

Entenda

Com essa área localizada no vale do Córrego Segredo, ela pode ser enquadrada como APP. É importante explicar que há o temor de que tal intervenção possa comprometer o processo de restauração ambiental, gerando impactos como:

  1. Ruptura de corredores ecológicos;
  2. Perda de habitat para fauna silvestre;
  3. Desaparecimento de espécies sensíveis;
  4. Aumento de processos erosivos 
  5. Assoreamento do curso d'água 
  6. Aumento do risco de enchentes 

"Considerando tratar-se de área de fundo de vale associada a curso d'água, qualquer intervenção urbanística deveria ser precedida de estudos técnicos", cita a denúncia.

Parques lineares no geral são reconhecidos como elementos fundamentais da infraestrutura verde urbana, com esse hoje sendo inclusive referência no controle da espécie invasora Leucena (Leucaena leucocephala), servindo como tema de defesa de tese de mestrado na Universidade Federal do MS e demais estudos. 

Informações levantadas apontam indícios de que tal abertura de via ou intervenção urbanística na área do Parque Linear do Segredo possa estar associada à necessidade de interligação viária entre empreendimentos imobiliários implantados ou em implantação na região. 

Isso teria ficado claro na própria apresentação do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) apresentado para Planurb em audiência pública em 15 de janeiro de 2026, quando é afirmado que a fragmentação do parque é "apenas uma bobeirazinha". 

Entre os empreendimentos existentes ou previstos na área destacam-se projetos imobiliários de grande porte desenvolvidos pela MRV Engenharia, situados nas proximidades do parque e do vale do Córrego Segredo. 

Essa eventual interligação viária pode gerar interesse urbanístico privado na abertura de novas vias na região, o que inclui possibilidade de atravessamento ou fragmentação da área do parque linear. 

Há ainda a suspeita sobre a emissão fracionada ou direcionada das chamadas GDUs pelo órgão municipal responsável pelo planejamento urbano, Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), "com potencial objetivo de viabilizar ou favorecer determinados empreendimentos imobiliários privados". 

Os indícios apontam para emissão separadamente de GDUs para trechos de vias ou intervenções urbanísticas interligadas, quando essas deveriam ser analisadas de forma integrada. Esse fracionamento ocorreria da seguinte forma: 

  • Há emissão de GDU para abertura de trecho inicial de via lateral ao empreendimento 
  • Outra GDU emitida posteriormente complementa trecho subsequente (ponte que atravessa o parque linear) 

É dito que essa fragmentação pode justamente ocultar impactos urbanísticos e ambientais que, na ponta do lápis, são cumulativos já que separadas as GDUs apresentam baixo impacto, porém, feita análise em conjunto cria-se então uma infraestrutura pública que beneficia diretamente empreendimentos privados específicos.

Se confirmado que as DUs estariam sendo utilizadas para direcionar vias públicas diretamente em benefício de empreendimentos específicos, isso pode representar desvio de finalidade do planejamento urbano. 

Conforme o documento, isso teria ficado evidenciado na audiência pública feita em 15 de janeiro deste ano, onde são apresentadas duas GDUs para a mesma via, fragmentação que permite uma aprovação acelerada de projetos e transfere custos públicos para o benefício privado. 

"Caso se verifique que a abertura de via ou intervenção urbanística esteja sendo motivada principalmente pela necessidade de interligação entre empreendimentos imobiliários privados, torna-se necessário analisar se tal decisão atende ao interesse público ou pode representar potencial comprometimento de área ambiental estratégica para o município", complementa a denúncia.
 

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