Cidades

CAMPO GRANDE

MP abre inquérito para apurar construção de ponte sobre o Córrego Segredo

Processo investiga legalidade de uma possível transposição viária que seria executada por empreendimentos imobiliários que buscam abrir avenida no meio da mata do Segredo

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Foi divulgada na edição desta quinta-feira (03) do Diário Oficial do Ministério Público do Mato Grosso do Sul (DOMPMS) a instauração de inquérito civil para apurar a legalidade de uma transposição viária ou construção de ponte na Área de Preservação Permanente (APP) do Córrego do Segredo atravessando o parque linear. 

Ainda em 15 de janeiro, no auditório da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), houve apresentação do projeto que prevê intervenções urbanísticas que podem afetar o Parque Linear do Segredo, em Campo Grande

Essa instauração de inquérito vêm em resposta à denúncia protocolada pelo gestor ambiental Marcos Eduardo Bergoli Kirst, que é o CEO responsável pelo Projeto Ecoplantar, que atualmente é quem possui o termo de autorização de uso vigente firmado com o município de Campo Grande, que trata não somente da utilização de um terreno público. 

Ou seja, essa área possui finalidade voltada à educação ambiental, arborização urbana, recuperação da mata ciliar do Córrego Segredo e proteção das funções ambientais das áreas de preservação permanente do Parque Linear do Segredo. Fica também atribuída à autorizada as responsabilidades quanto à conservação, guarda e segurança da área. 

Há cerca de 14 anos a área vêm sendo objeto de processo contínuo de restauração ecológica pela Ecoplantar, com soluções para recomposição da vegetação nativa; recuperação de mata ciliar; regeneração natural assistida; controle de espécies invasoras e proteção do ecossistema associado a Bacia do Córrego Segredo, trabalho esse fruto de parceria público-privada com a Capital do Mato Grosso do Sul. 

Porém, há indícios de que a emissão de Guias de Diretrizes Urbanísticas (GDUs) possam permitir abertura de via ou implantação de infraestrutura que pode fragmentar o Parque Linear do Segredo. 

Entenda

Com essa área localizada no vale do Córrego Segredo, ela pode ser enquadrada como APP. É importante explicar que há o temor de que tal intervenção possa comprometer o processo de restauração ambiental, gerando impactos como:

  1. Ruptura de corredores ecológicos;
  2. Perda de habitat para fauna silvestre;
  3. Desaparecimento de espécies sensíveis;
  4. Aumento de processos erosivos 
  5. Assoreamento do curso d'água 
  6. Aumento do risco de enchentes 

"Considerando tratar-se de área de fundo de vale associada a curso d'água, qualquer intervenção urbanística deveria ser precedida de estudos técnicos", cita a denúncia.

Parques lineares no geral são reconhecidos como elementos fundamentais da infraestrutura verde urbana, com esse hoje sendo inclusive referência no controle da espécie invasora Leucena (Leucaena leucocephala), servindo como tema de defesa de tese de mestrado na Universidade Federal do MS e demais estudos. 

Informações levantadas apontam indícios de que tal abertura de via ou intervenção urbanística na área do Parque Linear do Segredo possa estar associada à necessidade de interligação viária entre empreendimentos imobiliários implantados ou em implantação na região. 

Isso teria ficado claro na própria apresentação do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) apresentado para Planurb em audiência pública em 15 de janeiro de 2026, quando é afirmado que a fragmentação do parque é "apenas uma bobeirazinha". 

Entre os empreendimentos existentes ou previstos na área destacam-se projetos imobiliários de grande porte desenvolvidos pela MRV Engenharia, situados nas proximidades do parque e do vale do Córrego Segredo. 

Essa eventual interligação viária pode gerar interesse urbanístico privado na abertura de novas vias na região, o que inclui possibilidade de atravessamento ou fragmentação da área do parque linear. 

Há ainda a suspeita sobre a emissão fracionada ou direcionada das chamadas GDUs pelo órgão municipal responsável pelo planejamento urbano, Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), "com potencial objetivo de viabilizar ou favorecer determinados empreendimentos imobiliários privados". 

Os indícios apontam para emissão separadamente de GDUs para trechos de vias ou intervenções urbanísticas interligadas, quando essas deveriam ser analisadas de forma integrada. Esse fracionamento ocorreria da seguinte forma: 

  • Há emissão de GDU para abertura de trecho inicial de via lateral ao empreendimento 
  • Outra GDU emitida posteriormente complementa trecho subsequente (ponte que atravessa o parque linear) 

É dito que essa fragmentação pode justamente ocultar impactos urbanísticos e ambientais que, na ponta do lápis, são cumulativos já que separadas as GDUs apresentam baixo impacto, porém, feita análise em conjunto cria-se então uma infraestrutura pública que beneficia diretamente empreendimentos privados específicos.

Se confirmado que as DUs estariam sendo utilizadas para direcionar vias públicas diretamente em benefício de empreendimentos específicos, isso pode representar desvio de finalidade do planejamento urbano. 

Conforme o documento, isso teria ficado evidenciado na audiência pública feita em 15 de janeiro deste ano, onde são apresentadas duas GDUs para a mesma via, fragmentação que permite uma aprovação acelerada de projetos e transfere custos públicos para o benefício privado. 

"Caso se verifique que a abertura de via ou intervenção urbanística esteja sendo motivada principalmente pela necessidade de interligação entre empreendimentos imobiliários privados, torna-se necessário analisar se tal decisão atende ao interesse público ou pode representar potencial comprometimento de área ambiental estratégica para o município", complementa a denúncia.
 

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SAÚDE PÚBLICA

Sem Centro de Zoonoses, Ivinhema entra na mira do MP

Ministério Público deu prazo de seis meses para que município implemente política de controle de zoonoses e cobra mutirões de castração pelo menos duas vezes ao ano

06/09/2026 08h30

Sem estrutura própria para controle de zoonoses, Ivinhema terá de apresentar ao Ministério Público as providências que pretende adotar para atendimento e controle da população de cães e gatos

Sem estrutura própria para controle de zoonoses, Ivinhema terá de apresentar ao Ministério Público as providências que pretende adotar para atendimento e controle da população de cães e gatos Ivinotícias

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Sem Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) ou estrutura equivalente, Ivinhema entrou na mira do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que cobrou da prefeitura a adoção de medidas para controlar a população de cães e gatos e ampliar o atendimento aos animais em situação de rua.

Publicada na edição do Diário Oficial do MPMS, a recomendação foi expedida pela 2ª Promotoria de Justiça de Ivinhema, e é direcionada ao município, administrado pelo prefeito Juliano Ferro Barros Donato.

Conforme apurado pelo Ministério Público, além de não possuir um CCZ, Ivinhema também não mantém estrutura equivalente e não conta com serviço terceirizado para executar esse tipo de atendimento.

Para a Promotoria, a deficiência deixa o município sem uma política adequada para diagnóstico, tratamento e controle de doenças que atingem os animais e podem representar risco à saúde pública.

Entre as enfermidades citadas pelo MPMS estão leishmaniose, cinomose e esporotricose.A falta de estrutura não foi o único problema identificado durante a apuração.

O Ministério Público também analisou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de Ivinhema, publicada em julho deste ano, e apontou deficiência na previsão de programas, ações, metas e prioridades destinadas à causa animal.

Segundo a Promotoria, as medidas previstas pelo município estão restritas à vacinação antirrábica e à notificação de casos. Diante do cenário, o MPMS recomendou que a prefeitura passe a oferecer continuamente ações para controle populacional de cães e gatos.

Uma das principais cobranças é a realização de campanhas ou mutirões de castração pelo menos duas vezes por ano, com prioridade para animais de rua e comunitários, além daqueles mantidos por protetores independentes, organizações de proteção animal e famílias de baixa renda.

A prefeitura também deverá dar publicidade às campanhas nos canais oficiais com antecedência mínima de 30 dias.Outra medida prevista é a identificação dos cães e gatos durante as ações de castração.

A intenção é criar uma base de dados que permita ao município conhecer melhor a população animal existente em Ivinhema e, futuramente, estabelecer um censo. O cadastro também deverá servir como ferramenta para identificar responsáveis pelos animais e auxiliar na apuração de eventuais casos de abandono.

Prazo de seis meses

A recomendação vai além das campanhas de esterilização. O Ministério Público estabeleceu prazo máximo de seis meses para que a prefeitura dê início à implementação de uma política pública efetiva de controle de zoonoses.

Entre os serviços que deverão integrar essa estrutura estão atendimento médico-veterinário de urgência, fornecimento de alimentação e água e acolhimento dos animais em situação de rua em ambiente adequado. Antes disso, porém, o município terá de informar se pretende acatar as medidas.

A prefeitura tem prazo de dez dias, a partir do recebimento da recomendação, para comunicar à 2ª Promotoria de Justiça se cumprirá as providências propostas e apresentar documentos que demonstrem as ações adotadas.

O Ministério Público advertiu que a falta de providências poderá levar à adoção de medidas judiciais e extrajudiciais contra os responsáveis.


 

STF

Gilmar Mendes propõe vetar delegados da PF como assessores de ministros

Para decano, presença dos policiais representa um risco para as investigações

05/09/2026 19h00

Ministro Gilmar Mendes

Ministro Gilmar Mendes Andressa Anholete/STF

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Neste sábado (5) o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou uma proposta para proibir que militares, delegados ou policiais sejam cedidos para atuar como assessores nos gabinetes da Corte.

A proposta de alteração no Regimento Interno do STF já havia sido adiantada durante a semana ao presidente do Supremo, Edson Fachin, e foi agora formalizada por Mendes para que seja apreciada pelos demais ministros.

A ideia surge em meio à escalada da crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Cada um, por exemplo, possui dois delegados da Polícia Federal os assessorando em seus gabinetes.

Para Mendes, a presença desses policiais nos gabinetes representa o risco de que decisões sobre a condução de investigações, que seria de exclusividade da autoridade policial, estejam sendo transferidas para o Supremo.

O texto apresentado pelo decano prevê que servidores das carreiras militares e policiais possam atuar em atividade de segurança dos gabinetes, mas que seja “vedada a participação na instrução de inquéritos ou processos e em atividades de assessoramento jurídico”.

Outro trecho diz que “caberá ao Presidente do Supremo Tribunal Federal providenciar o imediato retorno aos órgãos de origem dos servidores atualmente em exercício no Tribunal em desacordo com a regra ora acrescida ao art. 357 do Regimento Interno”.  

A proposta surge ainda após o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ter tentado articular a volta para a corporação dos delegados cedidos ao gabinete de Mendonça, que é relator dos escândalos de fraude financeira e corrupção no Banco Master e do desvio em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Cabe agora a Fachin incluir a proposta em pauta para que seja apreciada e votada por todos os ministros do Supremo.

Relatórios
A proposta do decano vem à tona após Mendonça ter retirado o sigilo, nesta semana, de um relatório da PF em que constam dezenas mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Master, a Moraes, segundo afirmam os investigadores.

Nas conversas, Vorcaro menciona um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com o Master. Foram expostas também mensagens em que o ex-banqueiro demonstra ter obtido informações sobre uma possível operação da PF para prendê-lo.

Logo em seguida à divulgação do material, Moraes pediu à presidência do Supremo a abertura de uma investigação contra Mendonça pelo que disse ser “fortes indícios” de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso Master.

Para embasar suas acusações, Moraes apresentou um relatório de inteligência da PF segundo o qual Mendonça atuaria de forma a direcionar as investigações contra desafetos políticos.

O documento, contudo, não é assinado e traz a advertência de se tratarem de uma análise prospectiva interna, sobre possíveis caminhos de investigação, e “sem valor probatório”.

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