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Governo do Estado cumpriu 80% do plano decenal de educação

Firmado em 2014, plano de ensino prevê porcentual de escolas integrais no Estado; modalidade de ensino está abaixo da média nacional em MS

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Firmado em 2014, o Governo do Estado cumpriu 80% do plano decenal de educação. O projeto é parte do Plano Estadual de Educação de Mato Grosso do Sul (PEE-MS).

Com diversas medidas, o plano de ensino prevê porcentual de escolas integrais no Estado até 2024, ano último do programa, entretanto, segundo o Governo Federal, a modalidade de ensino integral está abaixo da média nacional em Mato Grosso do Sul. 

Conforme o executivo, a modalidade de ensino contempla apenas 17,4% dos alunos matriculados no ensino médio e 8,1% dos alunos do ensino fundamental de MS, ao passo que a média nacional da educação em tempo integral é de 20,4% no ensino médio e 14,4% no ensino fundamental.

Segundo o Ministério da Educação, o nordeste lidera ambos os rankings. Ceará (41%), Piauí (38,8%) e Maranhão (38%) estão à frente na educação fundamental, enquanto os estados do Pernambuco (62,5%), Paraíba (57,8%) e Ceará (42,1%) lideram o país no ensino médio. 

Em dezembro de 2019, a Secretaria Estadual destacou que até 2024, ao menos 30 instituições de aprendizagem regular da Rede Estadual de Ensino (REE) se transformariam em escolas de tempo integral, por ano.

Na ocasião, o plano previa que, em dez anos de programa, 65% das instituições de ensino de Mato Grosso do Sul ofereçam educação em tempo integral.

"Implantar e implementar gradativamente educação em tempo integral em, no mínimo, 65% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% dos (as) estudantes da educação básica", diz trecho do documento.

No último dia 12, o secretário de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul e representante das demais unidades federativas, Hélio Queiroz Daher, falou sobre o número de escolas que oferecem ensino em tempo integral no Estado.

"Nós temos 170 escolas que oferecem ensino em tempo integral. A nossa meta é universalizar a oferta. Todos os municípios de Mato Grosso do Sul têm de ter pelo menos uma escola oferecendo tempo integral. Faltam oito municípios apenas para a gente conquistar isso", disse. Na ocasião, Daher disse que a meta para o próximo ano é atingir a marca de 60%, diferente do destaque atribuído pela SED em 2019.

Diante dos números, para atingir a meta de 65%, outras 57 escolas em modalidade integral devem ser instituídas até o próximo ano, entretanto, caso o porcentual se estabeleça em 60%, como destacado pelo secretário, o número é de 40 novas escolas integrais. 

Números

Como destacado pelo Correio do Estado, o governo de MS vai aderir ao programa Escola em Tempo Integral, anunciado no dia 12 de maio e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último dia 31 de julho.

A proposta federal prevê R$ 4 bilhões em investimentos para ampliar em 1 milhão o número de matrículas de estudantes em tempo integral nas escolas da Educação Básica neste ano.

Nas escolas estaduais, a União pode ajudar a transformar mais 40 unidades educacionais em período integral ainda neste ano, objetivo já traçado no planejamento da Secretaria de Estado de Educação (SED), o que corresponde a quase 8 mil estudantes a mais nessa modalidade.

A meta nacional do programa é de alcançar até 2026 quase 3,2 milhões de matrículas nesse modelo de carga horária ampliada.A adesão ao programa pelas secretarias estaduais é opcional.

Na ocasião, a Secretaria de Estado de Educação (SED), disse ao Correio do Estado, que Mato Grosso do Sul fará a adesão ao Escola em Tempo Integral, a fim de  para receber investimentos federais na ampliação das matrículas de ensino integral. Os recursos serão transferidos levando-se em conta as matrículas pactuadas, o valor do fomento e os critérios de equidade.

No início de julho último, a Câmara dos Deputados aprovou um, projeto nacional que fomenta novas vagas a estudantes de tempo integral, que  podem ajudar a abrir mais 134 escolas com essa carga horária em Mato Grosso do Sul.

Em execução, os planejamentos da Secretaria de Estado de Educação (SED) e da Secretaria Municipal de Educação (Semed) são de expandir o número de escolas de tempo integral da rede de ensino de MS, para que pelo menos metade das unidades escolares funcionem nessa metodologia nos próximos dois anos.
Na rede estadual, 170 escolas já funcionam em tempo integral, em 72 municípios do Estado. Desse quantitativo, 44 estão localizadas em Campo Grande.

O número pretendido deve ser atingido até o fim do ano, período no qual a SED deve anunciar novas mudanças de unidades de ensino já existentes para o período integral.

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GUTENBERG

Dona de editora que movimentou milhões não conhecia seu banco

Conversas de Rhayane Souza Fanaia, que aparece como proprietária da Editora Avante, mostram que ela não sabia onde ficava a agência que atendia sua empresa

17/07/2026 08h00

Paulo Ribas/Arquivo

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Dona de uma das empresas investigadas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por esquema de fraude em contratos para compra de materiais paradidáticos, Rhayane Souza Fanaia fechou contratos que somavam quase R$ 3 milhões com quatro municípios do Estado no ano seguinte à criação de sua empresa.

Entretanto, mensagens enviadas por ela evidenciam que ela não sabia nem mesmo a agência bancária em que sua empresa tinha conta.

Durante a investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) foi conseguida a quebra de sigilo telefônico e bancário de Rhayane, que demonstrou que a empresária não tinha nenhum controle sobre os milhões que recebeu, mas sempre buscava orientação do que fazer com Rossana Paroschi Jafar e Francisco Anizio dos Santos sobre transações bancárias.

Segundo documento que embasou a deflagração da Operação Gutenberg no dia 7, a empresa de Rhayane foi aberta no mesmo ano da morte de Mirched Jafar, em 2021, dono da Gráfica Alvorada, que também foi investigada pela prática de venda fraudulenta de materiais paradidáticos para prefeituras de Mato Grosso do Sul.

Com a gráfica da família Jafar fora de atividade, a Editora Avante começou a ganhar contratos milionários para fornecimento desse tipo de material, mesmo com um capital social de apenas R$ 40 mil.

Porém, o Gaeco aponta que o vínculo entre Rhayane e a família Jafar, já que ela mantém relacionamento amoroso com Giovanni Paroschi Jafar, filho de Rossana e Mirched, pode indicar que a jovem poderia estar atuando apenas como laranja da família.

Nas conversas descobertas pelo Gaeco, Rhayane parece tratar Rossana como chefe e faz com frequência transações de valores altos para a sogra por meio da empresa criada por ela, que tem sede em São Bernardo do Campo (SP), apesar de só ter contratos com municípios de MS.

Sede da Gráfica Alvorada está abandonada em Campo Grande - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Em uma das conversas com Rossana, Rhayane diz que precisa aumentar o limite de suas transações bancárias, mas não sabe nem a agência nem quem é seu gerente.

“Eu preciso de mais limite no Sicredi pra fazer transferência. Mas o Anizio que sabe qual agência e gerente é meu. Falo com ele para falar com o gerente ou pego o contato do gerente?”, questiona, ao que Rossana responde para mandar ligar para Anizio, “ou manda whats para ele, pra ele te ligar quando puder”.

Em outro trecho, Rhayane diz que Anízio mandou ela ir ao banco “acho que para sacar”.

“Vc passou os 50 hoje?”, pergunta Rossana. Ao que a nora responde que sim, ela indica que o valor em caixa seria “tudo dele”. Segundo o Gaeco, esses 50 seriam R$ 50 mil, repassados por Rhayne para uma conta do Nubank da editora.

O valor seria referente a R$ 1.044.355,00 repassados pela prefeitura de Miranda por contrato fechado com a Avante em agosto de 2022.

Em outro ponto, os investigadores apontam uma conversa entre Rhayane e Rossana em que ela informa o valor que tem na conta bancária da Editora Avante e pede informações de como proceder. Rossana pede para aguardar, que a orientaria no dia seguinte.

“Tem 336 lá, entrou. Qual o proceder?”, pergunta à sogra. Segundo o Gaeco, “no dia seguinte, Rhayane informa que o saldo no Banco Sicredi atualizou e envia comprovante de transferência no valor de R$ 61.752,74 para Giovanni Paroschi Jafar”.

Apesar de ter uma empresa que movimenta milhões, em um dos trechos, Rhayane pede R$ 500 para a sogra, para pagar contas.

“Oiee, Ro [Rossana] amanhã, se vc receber, me manda 500tao do meu salário, só pra eu pagar umas continhas”, pede a suposta empresária.

Em sua resposta, Rossana brinca que é ela quem deve pagar a sogra primeiro. “Vc que vai me pagar kkkk. Daí eu mando”. Para o Gaeco, isso mostra que Rhayne, na verdade, trabalha na clínica de estética da sogra, na qual foi flagrada entrando.

Além de Rossana Jafar e os filhos, Giovanni Paroschi Jafar, Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar receberam dinheiro da empresa de Rhayne. Além da família, o empresário Heyder Bartz, por meio da empresa Superconteúdo, e Francisco Anizio também eram beneficiados. Porém, eles não eram os únicos.

OUTRA PONTA

Se de um lado do esquema de fraude estão os materiais paradidáticos, do outro está o que as prefeituras recebiam em troca da contratação do esquema: as vagas em hospitais e exames.

Para isso, conforme investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), havia a corrupção de funcionários públicos, que davam ou tiravam vagas para internações ou exames por meio do Complexo Regulador Estadual (Core).

Quem comandava esta ponta era Ed Carlo Britto Burgatt, que era coordenador de Regulação. Ele foi exonerado após a operação.

“É gostoso ganhar 50 assim”. “Quem falar que não gosta tem que ser crucificado”. A primeira afirmação é do advogado Gabriel Taquino de Paula, que atuava como vendedor da editora, e a resposta é de Ed Carlos.

Trecho da investigação mostra ambos comemorando o recebimento de propina.

*SAIBA

A Operação Gutenberg cumpriu 15 dos 16 mandados de prisão preventiva expedidos e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO). O único foragido é Heyder Bartz.

resolução

Anvisa suspende venda de lotes da Mamba Water com a mesma bactéria de produtos Crystal e Ypê

O próprio fabricante encontrou a presença da bactéria no produto nos lotes 13 e 14

16/07/2026 22h00

Foto: Divulgação

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Dois lotes da água mineral Mamba Water tiveram a venda suspensa nesta quinta-feira, 16, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após ser detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa, a mesma encontrada em produtos Ypê, em abril, e Crystal, em junho. A resolução da Anvisa foi publicada no Diário Oficial da União.

Trata-se da água mineral sem gás de 350 ml em lata - que não deve ser consumida. O próprio fabricante encontrou a presença da bactéria no produto.

A fabricante da Mamba Water, a empresa HNK BR Indústria de Bebidas, informou ter feito o recolhimento voluntário dos produtos dos lotes 13 e 14, que foram suspensos.

De acordo com a Anvisa, os lotes foram fabricados nos dias 3 e 4 de abril de 2026, com prazos de validade de um ano. Os produtos dos dois lotes não podem ser vendidos, distribuídos ou utilizados.

Em nota, a fabricante da Mamba Water afirmou que a bactéria foi encontrada durante análises de rotina e tratou a situação como pontual. "Não há registro de reclamações ou de qualquer impacto à saúde de consumidores nos canais de atendimento, nem de impacto em outros produtos da marca", disse.

Segundo a empresa, embora não haja registros de eventos adversos à saúde associados a esses lotes, "em casos específicos, seu consumo pode eventualmente representar risco à saúde. Em pessoas saudáveis, o risco é baixo, sem maiores complicações à saúde."

A fabricante explicou que o produto é envasado por outra empresa, devidamente autorizada. "As medidas corretivas aplicáveis já foram adotadas junto à fornecedora do produto", afirmou. "Até o momento, aproximadamente 82% do volume dos lotes envolvidos já foi preventivamente bloqueado, permanecendo fora de circulação comercial", afirmou.

Para consumidores que desejam o reembolso pelo produto comprado, a marca orientou a procurar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone 0800 888 1090, de segunda a sábado, das 9h às 21h.

Como age a bactéria?

A Pseudomonas aeruginosa vive na água, no solo e em superfícies úmidas. Segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, a bactéria é considerada pouco agressiva para a maioria das pessoas.

Em coluna recente no Pulsa, o médico Luís Fernando Correia explicou que o microrganismo ameaça populações específicas, como pacientes com fibrose cística, queimados, oncológicos, transplantados, imunossuprimidos, recém-nascidos, idosos frágeis, pessoas com cateter e indivíduos que estão em ventilação mecânica. "Trata-se de uma bactéria oportunista, com resistência natural a vários antibióticos", comentou.

Nos grupos vulneráveis, Luís Fernando Correia explica que a Pseudomonas aeruginosa pode causar pneumonia hospitalar grave, infecção de corrente sanguínea, sepse e até infecção ocular.

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