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Operação Gutenberg

Esquema de corrupção criado em MS pode ter alcançado mais quatro estados

Modelo de fraudes em contratos de livros paradidáticos em MS pode ter sido levado para Bahia, Mato Grosso, Pará e Pernambuco

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O que começou como uma investigação sobre fraudes em contratos de livros paradidáticos em municípios do interior de Mato Grosso do Sul revelou-se um esquema de corrupção com tentáculos que podem se estender por boa parte do território brasileiro.

A investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) indica que o modus operandi utilizado pela Editora Avante (Souza & Fanaia) para abocanhar milhões dos cofres públicos sul-mato-grossenses pode ter sido replicado em prefeituras da Bahia, de Mato Grosso, do Pará e de Pernambuco.

O esquema de venda de contratos para compras de livros – alguns com conteúdo disponível gratuitamente – movimentou, somente nas prefeituras de Mato Grosso do Sul, R$ 27,5 milhões.
Dentro do Estado, os operadores do esquema condicionavam a liberação de vagas e verbas para cirurgias e procedimentos médicos à compra, sem licitação, dos livros da Editora Avante pelas prefeituras. O Gaeco identificou contratos com pelo menos 18 prefeituras de Mato Grosso do Sul no esquema.

Também foi encontrada, durante a quebra do sigilo telemático de Felipe Paroschi Jafar, apontado como um dos líderes ocultos da organização, uma planilha estratégica intitulada “AVANTE - PLANILHA.xlsx”.

O documento funciona como um mapa da expansão do grupo, listando cidades onde a editora já teria “servicinhos” ou negociações em andamento. Aparecem na lista os municípios de Barreiras (BA), Coribe (BA), Juazeiro (BA), Feira de Santana (BA), Lauro de Freitas (BA), Salvador (BA), São Félix do Coribe (BA), Camaçari (BA), Capanema (PA), Capitão Poço (PA) e Salinópolis (PA). Em Pernambuco, a quadrilha ainda tinha como alvo um contrato no plano estadual, possivelmente com o governo estadual. Também havia cidades do vizinho Mato Grosso listadas na planilha.

Conexão MT

A investigação aponta que o estado vizinho Mato Grosso era uma peça-chave na estratégia de interiorização do esquema. Capturas de tela do WhatsApp mostram tratativas envolvendo a cidade de Várzea Grande (MT) e menções diretas a Sílvio Fidelis, secretário de Educação de Nobres (MT) e figura de destaque nacional como vice-presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

Repetindo a receita?

O documento indica que, nesses outros estados, a organização aplicava a mesma receita de sucesso utilizada em Mato Grosso do Sul para firmar contratos fraudulentos.
O esquema tinha três pilares: a falsa exclusividade, empresas de fachada e distribuição de “agrados” e presentes para estimular servidores a contratar a empresa, sempre sem licitação. 

A operação

A Operação Gutenberg, nome atribuído pelo Gaeco à investigação, desencadeada no dia 7, desarticulou uma sofisticada organização criminosa estruturada para desviar recursos públicos por meio de contratos fraudulentos de livros paradidáticos.

O esquema era centralizado na Editora Avante (Souza & Fanaia) e utilizava empresas de fachada para ocultar os verdadeiros beneficiários: a família Jafar, que já havia sido alvo da Operação Lama Asfáltica por práticas semelhantes envolvendo a Gráfica Alvorada.

O modus operandi consistia na obtenção de contratos milionários com prefeituras por meio da inexigibilidade de licitação, alegando falsamente a exclusividade de obras como “O Mundo Azul de Theo”, que, na realidade, eram produzidas por outras editoras e vendidas livremente no mercado.
A estrutura do grupo era bem definida, conforme consta no procedimento investigatório criminal (PIC) instaurado pelo Gaeco. 

Rossana Paroschi Jafar atuava como a líder de fato, coordenando a gestão e o destino do dinheiro. Rhayane Souza Fanaia figurava como proprietária laranja, sem qualquer autonomia financeira, servindo apenas para assinar documentos e realizar saques vultosos em espécie – que chegaram a 
R$ 9,2 milhões – para dificultar o rastreamento do dinheiro. Operadores estratégicos, como Heyder Bartz e Francisco Anízio dos Santos, gerenciavam a logística e os pagamentos, enquanto o advogado Gabriel Taquino atuava como o “vendedor” responsável por negociar as propinas com agentes públicos.

A farra das propinas

A investigação detalha um verdadeiro balcão de negócios, no qual as “comissões” eram discutidas abertamente. Em diálogos interceptados, Gabriel Taquino e o servidor público Ed Carlo Britto Burgatt ajustavam repasses que geralmente giravam em torno de 5% do valor total dos contratos. 

Em um contrato de R$ 1,04 milhão com a Prefeitura Municipal de Miranda, por exemplo, a propina acertada foi de R$ 52 mil. Já para um possível contrato de R$ 1,5 milhão, a promessa era de R$ 75 mil para Ed Carlo.

Os valores eram frequentemente pulverizados entre familiares para ocultar a origem ilícita. A filha de Ed Carlo, Jessyca Burgatt, recebeu mais de R$ 100 mil da Editora Avante sem qualquer justificativa de prestação de serviço, repassando parte dos valores via Pix para o pai. 

Outro personagem central nas negociações de propina era “Júnior” (Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior), agente de polícia cedido à Assembleia Legislativa, que recebia fatias iguais às de Ed Carlo para facilitar a entrada do grupo em prefeituras como Rio Negro e Rochedo.

O grupo também se gabava de possuir trânsito livre entre figurões da política estadual. Nomes como os dos deputados Jamilson Name (PSDB), Paulo Corrêa (PL), Mara Caseiro (PL) e do ex-deputado Herculano Borges, além do vice-governador Barbosinha e do conselheiro do Tribunal de

Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) Sérgio de Paula, aparecem em mensagens nas quais os investigados os vinculam a possíveis intermediações entre o grupo e os municípios.

O caso agora tramita no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) em razão do envolvimento de autoridades com foro por prerrogativa de função.

Extorsão

O aspecto mais cruel do esquema envolvia a extorsão direta contra prefeitos, utilizando a estrutura da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Ed Carlo Britto Burgatt, valendo-se de seu cargo de coordenador estadual de Regulação, condicionava o atendimento de pacientes à assinatura de contratos com a Editora Avante.

Em diálogos chocantes, Ed Carlo disse que se o “acerto” não ocorresse, ele afimava “trancar tudo” na regulação, deixando o município com “saúde zero”.

Gabriel Taquino endossava a pressão, sugerindo frases como “só opera se fechar [o contrato]” e alertando que, sem o contrato de livros, “vai morrer todo mundo”.

Quando o município de Nova Alvorada do Sul resistiu à contratação, a orientação foi drástica: “deixa o povo sem leito lá” e “suspende as cirurgias”.

Por outro lado, para os prefeitos que cediam, Ed Carlo, coordenador da Central Estadual de Regulação à época, prometia “resolver a vida” na saúde, garantindo vagas imediatas no sistema e cotas de centenas de milhares de reais em exames.

sem explicação

Revendas ampliam boicote ao consumidor e elevam preço da gasolina

No dia 10 de outubro foi anunciada redução de 26 centavos nos impostos federais, mas o preço da gasolina no Estado subiu desde então

21/10/2026 11h10

Pesquisa da ANP divulgada nesta terça-feira revela que gasolina em Campo Grande varia entre R$ 6,09 e R$ 6,49

Pesquisa da ANP divulgada nesta terça-feira revela que gasolina em Campo Grande varia entre R$ 6,09 e R$ 6,49 Marcelo Victor

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No dia 9 de outubro o Governo Federal anunciou a ampliação da desoneração de tributos federais sobre a gasolina e previu redução da ordem de 26 centavos no preço ao consumidor. Em Mato Grosso do Sul, porém, o preço médio aumentou em um centavo e em Campo Grande, a redução foi de apenas um centavo, conforme mostra pesquisa publicada pela Angência Nacional do Petróleo (ANP) nesta terça-feira (20).

A medida anunciada pela União no começo do mês têm validade por 30 dias e a previsão é de que seja renovada. A redução tributária sobre a gasolina passou de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, zerando as alíquotas de PIS/Pasep, Cofins e Cide-Combustíveis.

Naquela dada, o porta-voz dos proprietários de postos de combustíveis de Campo Grande, Edson Lazaroto, previu que os preços começariam a cair logo em seguida. “Deve ocorrer a partir da semana que vem. Haverá queda somente no preço da gasolina. Etanol e diesel permanecem normal”, afirmou ele em mensagem enviada ao Correio do Estado no dia 10.

Até agora, porém, as distribuidoras e proprietários de postos não repassaram esta diferença e estão literalmente embolsando esta diferença. Conforme a pesquisa da ANP feita em 60 postos, no dia 10 de outubro o preço médio da gasolina em Mato Grosso do Sul era de R$ 6,42. Na pesquisa divulgada nesta terça-feira (20), o valor médio havia subido para R$ 6,43.

Fazendo o recorte somente nos 23 postos de Campo Grande onde foi feito o levantamento, a situação é parecida. No começo do mês o preço estava em R$ 6,28. Agora, recuou um centavo, para R$ 6,27.

Levando em consideração que em Mato Grosso do Sul são vendidos uma média de dois milhões de litros de gasolina por dia, o setor de distribuição e revenda está embolsando algo em torno de R$ 520 mil todos os dias, já que não está repassando ao consumidor a isenção fiscal concedida para aliviar o bolso daqueles que abastecem seus veículos.

E este boicote aos consumidores, que não ocorre somente em Mato Grosso do Sul, está longe de ser um fato isolado. No começo de setembro a Petrobras anunciou redução de 19 centavos no litro da gasolina. Na época, o sindicato dos proprietários de postos de Campo Grande previu redução de 12 centavos nas bombas. 

Em vez disso, porém, o preço subiu. Naquela data, segundo a mesma pesquisa da ANP, o preço médio nas bombas de Campo Grande era de R$ 6,25. Na prática, porém, está dois centavos acima disso, apesar das duas reduções anunciadas pela Petrobras e pelo Governo Federal, que juntas somam 38 centavos.

E no restante do Estado a situação é idêntica, evidenciando que existe movimento coordenado e sincronizado para impedir a redução do preço nas bombas. No começo de setembro o preço médio em Mato Grosso do Sul era de R$ 6,40. Agora, apesar da redução de 38 centavos, está em R$ 6,43.

Levando em consideração que o setor não repassou a redução de 38 centavos e e ainda elevou os preços em três, a diferença a maior na margem de lucro é de 41 centavos por litro. Multiplicando este valor pelo volume vendido diariamente em Mato Grosso do Sul, as distribuidoras e donos de postos elevaram seus lucros em R$ 820 mil por dia somente em Mato Grosso do Sul. 

GUERRA NO IRÃ

A disparada no preço mundial do petróleo ocorreu depois dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, no dia 28 de fevereiro. Naquela dada, conforme a ANP, o preço médio da gasolina em Campo Grande estava em R$ 5,89.

E, apesar de o preço do petróleo ter disparado no mercado internacional, ultrapassando os 100 dólares o barril, a Petrobras elevou em apenas 4 centavos o valor nas refinarias. Aumento de 48 centavos chegou a ser praticado, mas o Governo ofereceu subsídio de 40 centavos evitar que o reajuste chegasse aos consumidores. 

Mesmo assim, as distribuidoras e donos de postos elevaram os preços sob a alegação de que o preço do petróleo havia aumentado. Depois disso, os preços internacionais recuaram, mas o preço da gasolina ao consumidor segue bem acima daquele patamar. 

Até o final de feveriro, Campo Grande tinha o menor preço médio da gasolina comum entre todas as capitais. Agora, está em terceiro lugar, ficando atrás de cidades como Vitória e Porto Alegre.

Esta tendência de altas sem justificativa no preço da gasolina ocorre desde o fim do ano passado. Na pesquisa fechada no dia 27 de dezembro de 2025, o preço médio do combustível em Campo Grande estava em R$ 5,78. 

No começo do ano os estados elevaram em 10 centavos o ICMS sobre a gasolina. Mas, em tese, esta alta deveria ser sido anulada pela redução de 14 centavos por litro que a Petrobras anunciou dias depois. Na prática, porém, os preços subiram após o aumento do imposto estadual e não recuaram quando a Petrobras ofereceu o desconto. 


 
 

PRISÕES

Dupla é presa ao tentar recuperar cabelo humano avaliado em R$ 22 mil

Ao todo, 60 kg de cabelo humano foram furtados, com prejuízo estimado de R$ 440 mil, mas apenas 3 kg foram recuperados

21/10/2026 11h00

Carga foi roubada na cidade paraguaia Pedro Juan Caballero

Carga foi roubada na cidade paraguaia Pedro Juan Caballero Divulgação: Polícia Civil

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Dois homens foram presos ao apresentaram uma nota fiscal eletrônica falsa e tentarem a restituição de uma carga de cabelos humanos, apreendida como objeto do crime de descaminho e avaliada em R$ 22 mil. Durante a checagem do documento fiscal, os policiais verificaram que era falso, motivo pelo qual ambos os indivíduos receberam voz de prisão em flagrante.

A carga de mechas de cabelo humano foi objeto de um crime de roubo ocorrido no dia 11 de outubro, na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, fronteira com o município de Ponta Porã. O prejuízo estimado foi de em  R$ 440 mil. 

Na oportunidade do roubo, foram subtraídos aproximadamente 60kg de cabelo humano, dos quais foram recuperados pouco mais de 3kg do produto, avaliados em R$ 22 mil, na última segunda-feira (19), em Campo Grande. 

A carga foi apreendida em posse de um homem de nacionalidade paraguaia, apontado como sendo um dos suspeitos do crime cometido em território estrangeiro.

A Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (DECCO) e a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR) foram as responsáveis pela ação de recuperação dos produtos.

 

 

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