Área técnica da ANTT propõe aumento médio de 41,63% nas nove praças da BR-163, superando o reajuste solicitado pela concessionária
A área técnica da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) recomendou, na semana passada, aumento até 3% maior que o solicitado pela Motiva Pantanal na tarifa de pedágio a ser cobrada na BR-163 a partir do dia 5 de agosto.
Enquanto a empresa pediu, no mês passado, aumento médio de 39,3%, a autarquia recomenda majoração média de 41,63%. Os maiores reajustes vão ser de 44%, em São Gabriel do Oeste, e de 43%, em Campo Grande. A tarifa média por praça de pedágio é de R$ 12.
Em algumas praças, como Campo Grande, o valor do pedágio por veículo pequeno ou por eixo de caminhão deve se aproximar dos R$ 15. A concessionária tem feito obras de ampliação, mas as queixas de usuários por causa da má qualidade do asfalto para uma rodovia pedagiada e de sinalização falha em alguns trechos se acumulam.
A nota técnica, assinada por Fernando Bezerra, superintendente de Infraestrutura Rodoviária da ANTT, no dia 2, especifica que foi feita uma análise econômico-financeira preliminar para a Primeira Revisão Ordinária e Reajuste da Tarifa Básica de Pedágio (TBP). O aumento será aplicado a partir do dia 5 de agosto.
No documento, ele ressalta que “o referido período ainda se encontra em curso e, observadas as premissas estabelecidas no termo aditivo de modernização do contrato de concessão original, a presente análise limita-se à avaliação da meta trimestral correspondente aos nove primeiros meses de concessão, definida no plano de ação, nos termos do PER, bem como ao reajuste da TBP”.
O documento explica que a primeira revisão e o reajuste da tarifa de pedágio devem ser realizados 12 meses após o início de vigência do termo, assinado em 5 de agosto de 2025.
“Dessa forma, para o cálculo do Índice de Reajustamento Tarifário (IRT), deve ser considerado o número-índice do IPCA referente ao mês de junho, ou seja, dois meses anteriores ao mês de aplicação do reajuste”, aponta o relatório.
Na definição prévia do valor do aumento, a nota técnica afirma que não será aplicado o equilíbrio econômico-financeiro, que pode resultar em aumento ou desconto na tarifa, durante o período de transição, que é de três anos, sendo assegurada neste período apenas a aplicação do degrau tarifário, que este ano é de 33,64%.
Também a Motiva Pantanal não fará jus à Reclassificação Tarifária (FRT) de 5% em todas as praças de pedágio, por conclusão das obras de implantação de contornos rodoviários previstos no contrato, nem ao aumento específico coberto por praça de pedágio, em virtude de duplicação de pista ou construção da terceira pista. Esses fatores só entram no cálculo da tarifa após o período de transição.
Porém, não descarta a aplicação de reequilíbrio com impacto sobre as receitas e as verbas da concessionária, aferido pelo Fator C (fórmula que contém uma cesta de valores).
Nesse caso, ficou estipulado que não será aplicado neste aumento, já que “está condicionada ao decurso de um ano a partir do início da cobrança da tarifa de pedágio”.
Após analisar esses pontos que constam no contrato de concessão, a nota técnica reconhece que a Motiva Pantanal faz jus a “acréscimo tarifário de 26,97%, correspondente à variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) no período, visando promover a recomposição monetária da tarifa”, bem como ao degrau tarifário de 33,64%, totalizando 41,18% de aumento.
“No que se refere à Primeira Revisão Ordinária e Reajuste em conjunto, observa-se que a média das variações porcentuais entre as tarifas de pedágio arredondadas resultou em acréscimo de 41,18%, em relação às tarifas atualmente vigentes referentes ao contrato original”, conclui a nota técnica.
Esse porcentual supera em até 3% o aumento solicitado pela Motiva Pantanal no dia 4 de maio, em carta apresentada à ANTT. No documento, a empresa pediu reajustes entre 37,8% e 41,3% no pedágio das nove praças nos 845 km da BR-163. A média do aumento foi de 39,3%.
Para a empresa, o IPCA estimado entre novembro de 2021 até junho deste ano seria de 24,7%, menor que o definido pela ANTT, de 26,97%.
NOVOS VALORES
Por isso, agora, na avaliação técnica da autarquia, os reajustes são maiores, entre 40,54% e 44%, com média de 41,63%, sendo o maior reajuste na praça de pedágio localizada em São Gabriel do Oeste e o menor, em Pedro Gomes (40,54%).
Embora a concessionária tenha calculado aumento de 41,3% para o trecho que corta São Gabriel do Oeste, a autarquia o estipulou em 44%, elevando a tarifa cobrada dos carros de passeio de R$ 7,50 para R$ 10,80. A empresa havia pedido R$ 10,60.
Em seguida aparecia a tarifa cobrada em Campo Grande e em Mundo Novo, com 40% solicitados pela empresa. A ANTT considera que na Capital o aumento será de 43% e na cidade do interior, de 41,54%.
Na Capital, o valor sugerido é de R$ 14,30, contra os atuais R$ 10, já em Mundo novo o valor pode saltar de R$ 6,50 para R$ 9,20, contra R$ 14 e R$ 9,10 apresentados pela Motiva Pantanal.
Já nas praças de Itaquiraí e Caarapó, o porcentual apresentado pela concessionária foi de 39,3%, elevando o valor cobrado de R$ 8,90 para R$ 12,40. A ANTT estipulou 42,57% e 42,70%, respectivamente, fazendo com que as tarifas fiquem em R$ 12,60 e R$ 12,70.
Em Rio Verde, o aumento estimado pela Motiva Pantanal foi de 39%, dos atuais R$ 10 para R$ 13,90. Agora, foi estipulado pela autarquia em 41%, com o pedágio a R$ 14,10.
Em Rio Brilhante e Jaraguari, o pleito foi de 38,5%, passando de R$ 9,10 para R$ 12,60, no primeiro município, e de R$ 7,80 para R$ 10,80, no segundo. Já a ANTT elevou os porcentuais para 40,66% e 41,03%, com as tarifas em R$ 12,80 e R$ 11, respectivamente.
O menor reajuste solicitado pela concessionária foi para o pedágio cobrado em Pedro Gomes, com 37,8%. A tarifa nova prevista era de R$ 10,20. Hoje, é de R$ 7,40. A autarquia definiu o porcentual em 40,54%, com o valor do pedágio para carros em R$ 10,40.
Essas variações nas tarifas ocorrem, entre outros motivos, por causa da abrangência de cada praça, que tem como parâmetro de cálculo a extensão em quilômetros. Na praça de Campo Grande, o usuário paga por percorrer 111,74 km, mesmo sem utilizar todo o trecho. Em Mundo Novo, são 72,34 km.
Em média, o aumento definido pela ANTT é de 41,18%, ante os 39,3% solicitados pela empresa, o que pode elevar o pedágio a cada 100 km dos R$ 7,50 cobrados hoje para R$ 12, contra R$ 10,47 calculados pela Motiva Pantanal.
Com os porcentuais definidos pela autarquia, o motorista de um carro de passeio vai gastar R$ 107,90 para percorrer os 845 km da BR-163, o que representa R$ 31,80 a mais que os atuais R$ 76,10. Pela proposta da Motiva Pantanal, o valor ficaria em R$ 106.
Com esse relatório, a Motiva Pantanal vai ter 15 dias para informar se concorda ou não com os critérios para o aumento. Em carta encaminhada anteriormente à ANTT, no dia 29 de maio, a concessionária já havia manifestado que aceitava os critérios para a aplicação do degrau tarifário, faltando agora se manifestar sobre o porcentual de correção pelo IPCA.
No documento, afirmava que “a concessionária declara que está de acordo com a aplicação integral do degrau tarifário d1, no porcentual real de 33,64% sobre a Tarifa Básica de Pedágio do ano anterior, restando pendente a atualização pelo IRT no período”.
Só que a própria empresa ressaltou no documento em que apresentou os seus índices, no dia 4 de maio, que “os valores acima serão ajustados em função da publicação definitiva do índice IPCA de junho de 2026, o que deverá ocorrer próximo ao dia 10/7/2026”.
RESPOSTA
Em contato com a Motiva Pantanal, a concessionária se limitou a dizer que se manifestará à ANTT: “A Motiva Pantanal informa que seguirá os trâmites previstos no processo regulatório e que se manifestará à agência reguladora dentro do prazo estabelecido”.
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