Cidades

Transporte Coletivo

Grupo que comprou Consórcio Guaicurus prepara plano para apresentar à Prefeitura

Grupo HP vai apresentar propostas para reestruturar o transporte coletivo, mas transferência do controle ainda depende de aval da Prefeitura e do Cade.

Continue lendo...

O Grupo HP Mobilidade, que comprou o Consórcio Guaicurus, prepara um plano de trabalho com propostas de reestruturação e melhorias para o transporte coletivo de Campo Grande. O documento será apresentado à Prefeitura e integra as etapas necessárias para a efetiva transferência do controle da concessionária.

A informação foi confirmada pelo Grupo HP, de Goiás, que se manifestou oficialmente sobre a negociação e detalhou as etapas necessárias para a conclusão da operação envolvendo a concessionária responsável pelo transporte coletivo da Capital.

Segundo o grupo, o plano deverá apresentar propostas para a reestruturação e melhoria dos serviços do Sistema de Transporte Público de Campo Grande.

As medidas, entretanto, somente poderão ser colocadas em prática caso a negociação seja concluída e o grupo assuma definitivamente o contrato de concessão.

A elaboração do documento atende a uma das principais exigências apresentadas pela Prefeitura desde que a negociação veio a público. A prefeita Adriane Lopes já havia afirmado que o município não daria anuência à transferência sem a apresentação de um projeto de transformação para o transporte coletivo.

Na ocasião, a chefe do Executivo municipal deixou claro que o simples acordo entre os atuais controladores e o grupo interessado não seria suficiente para concretizar a mudança. Como o serviço é uma concessão pública municipal, a transferência depende da anuência do poder concedente.

Compra ainda depende de autorizações

Apesar de já preparar o plano que será submetido ao município, o Grupo HP ressalta que a aquisição do Consórcio Guaicurus ainda não foi concluída.

Em nota, o grupo informou que a operação permanece em curso e que a transferência efetiva do controle está condicionada ao cumprimento de uma série de etapas administrativas, regulatórias, jurídicas e financeiras.

Uma delas é justamente a anuência prévia da Prefeitura de Campo Grande, exigida nos termos do Contrato de Concessão nº 330/2012 e da legislação aplicável.

O negócio também terá de passar pela análise e aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) antes de ser efetivado.

Além disso, o grupo condiciona a conclusão da operação ao resultado satisfatório de auditorias legal, regulatória, contábil, tributária, previdenciária, financeira, ambiental, técnica e operacional.

Outro ponto ainda precisa ser solucionado: as condições relacionadas à intervenção municipal atualmente em curso no Consórcio Guaicurus, além das discussões judiciais envolvendo a concessionária.

Intervenção antecedeu negociação

A negociação ocorre em meio à intervenção decretada pela Prefeitura no Consórcio Guaicurus em 16 de junho, inicialmente pelo período de seis meses.

A medida colocou a administração municipal diretamente no acompanhamento da operação do sistema após uma sequência de problemas financeiros e operacionais enfrentados pela concessionária.

Auditoria realizada durante o processo apontou cerca de R$ 20 milhões em dívidas, além de problemas relacionados à idade da frota, com aproximadamente 190 ônibus com mais de dez anos de utilização.

Foi nesse cenário que avançaram as negociações para a entrada do grupo ligado à HP Mobilidade no sistema de Campo Grande.

Desde que tomou conhecimento da movimentação, porém, a Prefeitura condicionou a anuência à apresentação de uma proposta que demonstre como o eventual novo controlador pretende melhorar o serviço oferecido aos passageiros.

Agora, o Grupo HP confirma que está justamente na fase de detalhamento desse plano de trabalho.

Operação continua nas mãos do Consórcio

Enquanto todas as condições não forem atendidas, não haverá mudança imediata na operação dos ônibus de Campo Grande.

O Grupo HP informou que permanecem inalteradas as estruturas operacionais, as obrigações contratuais e as responsabilidades regulatórias das empresas que atualmente integram o Consórcio Guaicurus.

Na prática, isso significa que o grupo interessado na aquisição ainda não assumiu o transporte coletivo da Capital, mesmo com a negociação em andamento.

A eventual mudança de controle dependerá da conclusão das auditorias, do aval do Cade, da anuência da Prefeitura e da solução das questões relacionadas à intervenção e às discussões judiciais.

Empresa criada para negociação tem capital de R$ 10 mil

Conforme revelou o Correio do Estado, a negociação envolveu a Maas Administração e Participações Ltda., empresa constituída em 16 de julho por integrantes ligados ao Grupo HP.

A sociedade foi criada com capital social de R$ 10 mil e aparece como empresa indicada para conduzir a operação envolvendo o Consórcio Guaicurus.

A negociação é estimada por fontes ouvidas pelo Correio do Estado em aproximadamente R$ 200 milhões, embora o valor não tenha sido confirmado oficialmente pelo Grupo HP.

A diferença entre o capital social da empresa e o valor estimado da operação não significa, por si só, que a companhia disponha apenas dos R$ 10 mil para realizar a transação, uma vez que o capital social registrado não corresponde necessariamente à capacidade financeira ou às fontes de financiamento de uma aquisição.

O Grupo HP afirma que acompanha o processo de intervenção enquanto prepara o plano que será entregue ao município. Somente depois do cumprimento das condições previstas e da validação pelas autoridades competentes poderá ocorrer a transferência definitiva do controle da concessionária.

Plano de expansão nacional

O Grupo HP tem como meta se tornar o maior conglomerado de transporte urbano do Brasil até 2035, e a aquisição do Consórcio Guaicurus integra essa estratégia de expansão.

Em Goiânia, onde o grupo tem origem, a empresa adotou um modelo baseado na modernização da frota e na reestruturação das concessões, experiência que contribuiu para a transformação do sistema de transporte da capital goiana e para a conquista do prêmio internacional UITP Awards 2026.

Confira a nota do Grupo HP Mobilidade na íntegra

Com relação ao processo de aquisição do Consórcio Guaicurus, o Grupo HP informa que a operação ainda está em curso e depende do cumprimento de todas as etapas previstas, incluindo a análise e a aprovação pelos órgãos e instituições competentes, além da conclusão dos demais procedimentos legais e contratuais necessários à sua efetivação.

Em respeito ao processo em andamento e às normas que o regem, todos os esclarecimentos sobre a operação serão prestados após a conclusão de todas as etapas previstas e a validação definitiva pelas autoridades competentes.

Uma operação cuja conclusão está condicionada: 

A conclusão do negócio e a efetiva transferência do controle estão subordinadas ao cumprimento de condições precedentes usuais em operações dessa natureza, entre as quais se destacam:
    • a aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE);
    • a anuência prévia do Poder Concedente, nos termos do Contrato de Concessão nº 330/2012 e da legislação aplicável;
    • a conclusão satisfatória das auditorias legal, regulatória, contábil, tributária, previdenciária, financeira, ambiental, técnica e operacional; e
    • o equacionamento das condições relacionadas ao processo de intervenção em curso e às discussões judiciais pertinentes.

Enquanto tais condições não forem integralmente atendidas, permanecem inalteradas as estruturas operacionais, as obrigações contratuais, as responsabilidades regulatórias e a prestação dos serviços públicos atualmente desenvolvidos pelas sociedades e pelo Consórcio Guaicurus. Não há, portanto, qualquer descontinuidade ou alteração imediata na operação do transporte para a população.

O que está sendo realizado neste momento

O Grupo HP acompanha o processo de intervenção e as etapas acima mencionadas, bem como prepara o detalhamento do plano de trabalho a ser apresentado ao Poder Concedente, contendo as propostas de reestruturação e de melhoria dos serviços do Sistema de Transporte Público de Campo Grande, a serem implementadas quando da assunção definitiva do contrato de concessão.

O Grupo HP

Com mais de 50 anos de atuação no setor de mobilidade e transporte público coletivo, o Grupo HP construiu sua trajetória pautada pela ética, transparência, responsabilidade e rigoroso cumprimento da legislação. Ao longo de sua história, consolidou-se como referência nacional na gestão e operação de sistemas de transporte, participando da maior transformação já realizada na Rede Metropolitana de Transporte Coletivo de Goiânia e Região Metropolitana (RMTC), iniciativa reconhecida nacional e internacionalmente por sua inovação e excelência.

O Grupo HP reafirma seu compromisso com a legalidade, a segurança jurídica e a transparência em todas as suas operações, conduzindo seus negócios com responsabilidade e em estrita observância da legislação vigente. Tão logo o processo seja concluído e a operação validada pelas autoridades competentes, os esclarecimentos cabíveis serão prestados.

Grupo HP.

campo grande

Ministério Público abre procedimento para fiscalizar segurança em corredores de ônibus

Reportagem do Correio do Estado sobre número elevado de acidentes nos locais gerou denúncia que culminou na abertura do procedimento administrativo

24/07/2026 18h15

Vários acidentes já aconteceram no corredor de ônibus da Rui Barbosa

Vários acidentes já aconteceram no corredor de ônibus da Rui Barbosa Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou procedimento administrativo para fiscalizar e acompanhar medidas adotadas pela Prefeitura de Campo Grande relacionadas à implantação de corredores de ônibus e pontos de parada localizados nas ruas Brilhante e Rui Barbosa, especialmente nas medidas tocantes à prevenção de acidentes e as para mitigação de riscos.

Inicialmente, notícia de fato foi registrada após denúncia anônima, que surgiu após reportagem Correio do Estado, de que as localizações dos pontos de ônibus no meio das ruas Brilhante e Rui Barbosa estariam causando diversos acidentes, alguns graves e com mortes, especialmente envolvendo motociclistas.

A reportagem do Correio do Estado noticiou, em agosto do ano passado, ao menos 23 acidentes relacionados às obras e que, na maioria dos casos, os acidentes são oriundos de conversão feita de maneira indevida. A matéria foi anexada nos autos de apuração do MPMS.

Na ocasião da denúncia, o Ministério Público oficiou a prefeitura para que encaminhasse informações sobre a instalação dos pontos situados nos corredores de ônibus, em funcionamento desde 2022, e sobre o estudo técnico que embasou a localização, além de eventuais medidas adotadas para mitigação de riscos de acidentes de trânsito nos locais.

Em resposta, a prefeitura encaminhou relatório técnico dos corredores de transporte coletivo urbano, da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) que apontou que as vias foram escolhidas por ser eixof de ligação entre as regiões da cidade, com expressivo número de passageiros transportados no trecho.

Ainda segundo a prefeitura, o tráfego intenso de veículos de uso individual, compartilhado com o transporte coletivo que “circula com dificuldade e de forma desordenada” deixava pontos de lentidão e o objetivo das faixas exclusivas era tornar as viagens por transporte coletivo mais rápidas.

Com relação à segurança, o estudo apontou que todas as estações ficam próximas a cruzamentos sinalizados e que há guard rails para evitar que acidente entre veículos afetem usuários que esperam o transporte nas estações.

Sobre os acidentes, a Agetran afirmou que a avaliação da eficiência operacional e funcional do corredor de transporte se assenta em critérios técnicos objetivo, “não sendo metodologicamente adequado inferir o seu desempenho a partir do número de acidentes ocorridos na via” e cita que os acidentes ocorrem, “majoritariamente do desrespeito às regras de circulação por parte dos utilizadores da infraestrutura”.

Após a resposta da prefeitura, o Ministério Público considerou que no relatório técnico antecipado não ficou claro se recomendações foram de fato implementadas, em especial relacionadas ao reforço da fiscalização, monitoramento operacional do tráfego e avaliação técnica da sinalização existente.

Em novo ofício, a prefeitura informou que adotou medidas de fiscalização quanto ao uso irregular dos corredores de ônibus e que a sinalização viária horizontal e vertical implantada no local estão em acordo com o que dispõe o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Procedimento administrativo

O MPMS considerou que estas novas informações, embora tragam justificativa e indiquem ações genéricas de fiscalização e educação no trânsito, não apresentam dados comparativos objetivos sobre a evolução dos acidentes de trânsito após a implantação dos corredores.

Assim, a notícia de fato foi transformada em procedimento administrativo. No edital de abertura do procedimento, o MPMS ressalta que a implantação dos corredores exclusivos de transporte coletivo e pontos de parada deve observar critérios técnicos de engenharia de tráfego e segurança viária, de modo a prevenir riscos à integridade física dos usuários da via.

A medida também considera a necessidade de análise dos riscos eventualmente gerados à segurança viária em razão da disposição dos pontos de parada e da dinâmica dos corredores exclusivos do transporte coletivo.

Por fim, é considerado a necessidade do acompanhamento contínuo das medidas adotadas adotadas pelo Poder Público municipal quanto à segurança viária nos locais mencionados e que incumbe ao MP a defesa da “ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.

Acidentes

Dados encaminhados pelo Batalhão de Polícia Militar de Trânsito (BPMTran) apontam que, de 2023 a 13 de março de 2023, foram registrados 623 acidentes, com 2 óbitos na Rui Barbosa e 472 e uma morte na Brilhante.

Estes números, no entanto, abrangem acidentes ocorridos ao longo de todas as faixas das vias, e não apenas nos corredores de ônibus.

Com relação ao tipo de acidente, foram:

Rua Rui Barbosa

  • Colisão transversal – 227
  • colisão lateral – 87
  • colisão traseira – 63
  • choque – 47
  • colisão (genérica) – 26
  • engavetamento – 17
  • tombamento – 12
  • atropelamento de pessoa – 8
  • queda de motocicleta – 6
  • queda de pessoa de veículo – 4
  • colisão frontal – 2
  • sinistro de trânsito (não especificado) – 124

Rua Bilhante

  • Colisão transversal – 137
  • colisão lateral – 90
  • colisão traseira – 97
  • choque – 28
  • colisão (genérica) – 5
  • engavetamento – 14
  • tombamento – 8
  • atropelamento de pessoa – 20
  • queda de motocicleta – 8
  • colisão frontal – 2
  • sinistro de trânsito (não especificado) - 63

Saúde

Campo Grande cria núcleo para investigar falhas e riscos na rede de saúde

Nova estrutura da Sesau terá 15 profissionais e ficará responsável por analisar incidentes e eventos adversos, monitorar protocolos e propor mudanças nos atendimentos

24/07/2026 17h52

Sede da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), responsável pela criação do novo Núcleo Municipal de Segurança do Paciente em Campo Grande.

Sede da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), responsável pela criação do novo Núcleo Municipal de Segurança do Paciente em Campo Grande. Foto: Divulgação

Continue Lendo...

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) criou uma nova estrutura para identificar riscos, analisar incidentes e acompanhar problemas relacionados à segurança de pacientes atendidos na rede pública de Campo Grande.

A criação do Núcleo Municipal de Segurança do Paciente (NMSP) foi oficializada nesta sexta-feira (24), por meio da Resolução Sesau nº 1.013, publicada no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande).

O núcleo terá atuação sobre todos os serviços da rede municipal de saúde e será responsável por desenvolver medidas destinadas a reduzir riscos durante a assistência prestada aos pacientes.

Entre as atribuições previstas estão a identificação, análise e avaliação de não conformidades nos processos assistenciais, além do acompanhamento de dados relacionados a incidentes e eventos adversos registrados nos serviços municipais.

Na prática, as informações deverão servir para identificar situações que possam comprometer a segurança do paciente e permitir a adoção de medidas para evitar que problemas semelhantes voltem a ocorrer.

A resolução também determina que o núcleo acompanhe alertas sanitários e comunicações de risco, promova ações de gestão de riscos e desenvolva atividades permanentes de capacitação dos profissionais da saúde.

Plano municipal terá protocolos de segurança

Uma das principais atribuições do novo núcleo será elaborar, implantar e monitorar o Plano Municipal de Segurança do Paciente (PMSP).

O documento deverá reunir estratégias destinadas à gestão de riscos e à redução de eventos adversos nos serviços de saúde. Os fluxos para monitoramento dos incidentes também serão estabelecidos pelo plano.

Além disso, caberá ao NMSP implantar e acompanhar protocolos de segurança do paciente, monitorar indicadores e propor mudanças nos processos assistenciais quando forem identificados problemas.

A resolução prevê ainda a divulgação de informações e resultados relacionados à segurança do paciente, embora o texto não estabeleça, neste momento, periodicidade ou formato para a publicação desses dados.

Grupo terá 15 profissionais

O núcleo será formado inicialmente por 15 profissionais de nível superior da área da saúde, que serão escolhidos por ato do secretário municipal de Saúde, Marcelo Luiz Brandão Vilela.

Profissionais de nível médio também poderão ser incorporados de maneira complementar. Os integrantes terão mandato de dois anos, com possibilidade de recondução.

A estrutura contará com coordenador, vice-coordenador, secretário, membros titulares e suplentes. As atividades serão desempenhadas durante a própria jornada de trabalho dos servidores, mediante liberação da chefia imediata.

O núcleo terá autonomia técnica para executar suas atribuições.

Reuniões serão realizadas todos os meses

Pelo regimento publicado juntamente com a resolução, o grupo deverá se reunir ordinariamente uma vez por mês, além da possibilidade de encontros extraordinários sempre que houver necessidade.

Entre as competências do colegiado estão monitorar indicadores, analisar eventos adversos, promover capacitações, atualizar o Plano Municipal de Segurança do Paciente e apresentar propostas para melhorar os processos assistenciais da rede.

Os integrantes também poderão emitir pareceres e propor ações. As reuniões poderão começar com quórum correspondente a um terço dos membros.

A criação do NMSP está fundamentada, entre outras normas, na RDC nº 36/2013 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que trata de ações voltadas à segurança do paciente nos serviços de saúde.

A resolução entrou em vigor com a publicação desta sexta-feira.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).