Cidades

TEMOR

Guardas municipais ensaiam protestos para exigir benefícios garantidos em lei

Eles prometem ir às ruas caso não recebam o auxílio de periculosidade, as promoções previstas no Plano de Cargos e Carreira e percam o "vale-coxinha"

Continue lendo...

Sob ameaça de perderem o chamado “vale-coxinha” e com temor de que não recebam a “promoção” que deve ser feita até o fim deste mês, os cerca de 1,2 mil guardas municipais estão dando uma espécie de ultimato para a administração municipal e já falam até ir para as ruas para exigir o pagamento dos benefícios. Os detalhes das possíveis manifestações serão definidos em assembleia convocada para o próximo dia 30.

A principal exigência é o chamado enquadramento previsto no Plano de Cargos e Carreira, aprovado em 2019. Conforme aquela lei, no próximo dia 31 de janeiro acaba o prazo para que cerca de mil guardas subam um degrau na carreira, que tem oito etapas.

Na prática, segundo Hudson Bonfim, presidente do sindicato que representa a categoria, subir um degrau na carreira significa direito a um acréscimo de 20% sobre o salário-base, que é de R$ 1,9 mil para o guarda em início de carreira. Ou seja, são pelo menos R$ 380,00 a mais por mês nos salários.

Para chegar ao topo da carreira, eles precisam subir oito degraus e a promoção prevista para acontecer até o dia 31 é apenas o terceiro. Conforme a legislação, ainda faltam outros cinco, o que só pode ocorrer em 15 anos, já que as promoções ocorrem a cada três anos. 

Quem chegar ao posto mais elevado, terá direito a um salário pouco superior a R$ 17 mil, conforme Hudson. Mas, além do critério de tempo de serviço, os servidores precisam cumprir uma série de outras exigências. O grau máximo, por exemplo, só será alcançado por alguém que tiver “ficha limpa”, curso superior e pós-graduação em segurança pública. 

Mas esta promoção não é a única batalha dos guardas. Praticamente da mesma relevância é o adicional de periculosidade, cujo pagamento já foi determinado pela Justiça e que garantiria acréscimo de 30% sobre o salário-base de todos os 1.253 guardas. 

A administração municipal recorreu e este agravo ainda aguarda decisão do Tribunal de Justiça. Diferentemente da promoção relativa ao Plano de Cargos e Carreira, que só beneficia aqueles que tem polo menos três anos serviço, o acréscimo de R$ 570,00 por mês, beneficiaria a categoria toda, inclusive os novatos. 

Segundo Hudson Bonfim. em 19 capitais brasileiras existe guarda municipal. Em 18 delas os agentes recebem o adicional, menos em Campo Grande. Além disso, das seis cidades de Mato Grosso do Sul onde existe a instituição (Dourados, Ponta Porã, Corumbá, Bonito e Ladário), somente na Capital é que a categoria não recebe o incremento salarial.

A alegação do Executivo, conforme Hudson Bonfim, é que a prefeitura está gastando com o funcionalismo acima do limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal e por isso está impedido de conceder a melhoria. 

Uma terceira preocupação dos guardas é a possível perda do direito ao auxílio alimentação, que para cerca de cem deles é de R$ 494,00. Proposta enviada no final de dezembro à Câmara prevê o corte desse benefício para todos aqueles que recebem algum tipo de auxílio de produtividade. 

Como esta medida também atinge o bolso de outras categorias, o projeto acabou sendo retirado de pauta após reação em cadeia, mas deve voltar à votação em fevereiro. “É inadmissível cortar esse tipo de benefício de trabalhadores efetivos para que sobre dinheiro para elevar o salário de comissionados”, afirma Hudson.

O sindicalista evita falar quais os tipos de manifestações que serão definidas na assembleia prevista para o dia 30. O edital de convocação dessa assembleia foi publicado no Diogrande desta quinta-feira (11). 

Mas, deixa claro que os guardas não vão aceitar passivamente um possível descumprimento da lei de cargos e carreira, que deve gerar um impacto da ordem de meio milhão de reais nos cofres da prefeitura. 

Sobreaviso

Com mais de mil denúncias Conselho Tutelar Norte suspende atendimento

Responsável por região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes fechou as portas ao público para tentar reduzir demanda acumulada por falta de servidores

24/08/2026 17h40

Conselho Tutelar região Norte

Conselho Tutelar região Norte Foto: Paulo Ribas

Continue Lendo...

Uma região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes, cinco conselheiros tutelares e, atualmente, apenas uma servidora administrativa trabalhando seis horas por dia. O resultado dessa conta é uma fila de 1.581 denúncias e relatórios ainda sem atendimento no Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande.

Diante do acúmulo, os conselheiros decidiram suspender temporariamente o atendimento ao público para concentrar esforços na demanda represada. A medida, segundo as conselheiras, foi tomada após quase dois meses de quadro administrativo incompleto e semanas de espera pela reposição de funcionários.

“Hoje nós fizemos um levantamento e vimos que temos, em média, 1.581 denúncias e relatórios que ainda não receberam atendimento por conta da falta da equipe administrativa”, afirmou a conselheira Suellen Gomes, em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A situação é considerada crítica porque as demandas recebidas pelo Conselho Tutelar passam primeiro pela equipe administrativa. São os servidores que fazem a triagem, registram as denúncias, verificam documentos e localizam os históricos das famílias antes de os casos chegarem aos conselheiros.

Sem essa estrutura, o atendimento praticamente trava.“Tudo que chega dentro do Conselho Tutelar primeiro passa pela equipe administrativa. Quando chega à mesa do conselheiro, já deveria estar tudo certo para a gente notificar a família, fazer o atendimento e aplicar as medidas de proteção”, explicou Suellen.

O número, inclusive, não para de crescer. Poucos minutos depois de concluído o levantamento das 1.581 denúncias e relatórios pendentes, uma escola chegou ao Conselho com mais 60 fichas escolares, ampliando imediatamente a demanda.

A área atendida pelo Conselho Norte é uma das maiores de Campo Grande e se estende do fim da região do Nova Lima até o José Abrão. Segundo levantamento citado pelas conselheiras, realizado pela Planurb em 2023 para a divisão das áreas dos conselhos tutelares, a região concentra cerca de 58 mil crianças e adolescentes.

Portões fechados 

A suspensão do atendimento ao público, segundo as conselheiras, não significa a interrupção completa do serviço. Casos emergenciais continuam sendo atendidos, assim como as ocorrências acionadas pelo plantão, que permanece disponível 24 horas.Conselho Tutelar região Norte

A decisão, porém, expõe um problema mais profundo: para tentar dar conta das denúncias já acumuladas, o Conselho precisou fechar temporariamente as portas para novas demandas presenciais.

Administrativamente, a unidade é vinculada à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). De acordo com o relato das conselheiras, houve solicitação para reposição dos servidores e a situação também foi levada ao Ministério Público, responsável pela fiscalização dos Conselhos Tutelares.

A expectativa era de que funcionários fossem encaminhados para a unidade, o que não ocorreu até o momento. Conforme informado durante a entrevista, a prefeitura teria indicado a possibilidade de envio de servidores, mas, até a decisão pela suspensão do atendimento, a equipe não havia sido recomposta.

Para a conselheira Eliane Diniz, a medida é extrema, mas foi considerada necessária diante da dimensão da demanda e da natureza dos casos atendidos pela unidade.

“Isso é muito ruim, tanto para nós quanto para a população. A gente atende pessoas em situação de vulnerabilidade, que às vezes não têm nem dinheiro para uma passagem de ônibus e chegam aqui com o portão fechado. Isso, para a gente, é frustrante. Não é o que queremos”, afirmou.

Ela ressalta que o acúmulo não representa apenas números ou procedimentos burocráticos, mas casos envolvendo crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. “A gente trabalha com vidas. Às vezes é preciso tomar medidas drásticas para as pessoas acordarem. Do jeito que está, precisamos de socorro”, declarou Eliane.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para questionar a falta de servidores, a previsão de reposição e quais medidas serão adotadas diante das mais de 1,5 mil denúncias e relatórios pendentes. O espaço permanece aberto para manifestação.

Acidente Fatal

Estudante de medicina de Campo Grande morre após acidente no Paraguai

Jovem de 26 anos sofreu fratura na perna e trauma no tórax e aguardava transferência para Campo Grande ou Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

24/08/2026 17h25

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero.

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero. Foto: Reprodução.

Continue Lendo...

O estudante de medicina Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu na noite deste domingo (23), após permanecer internado em estado grave em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido no sábado (22), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O jovem era de Campo Grande.

Segundo informações policiais, Lucas conduzia uma motocicleta Kenton Blitz, de cor preta, quando se envolveu em uma colisão com uma caminhonete Toyota Hilux. As circunstâncias que provocaram o acidente ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias.

Com o impacto, o estudante sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido. Ele foi encaminhado inicialmente ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde a equipe médica constatou fratura na perna direita, diversas escoriações nos membros inferiores e trauma no tórax.

Diante da gravidade do quadro clínico, Lucas foi posteriormente transferido para o Hospital Regional de Ponta Porã, já em território brasileiro. Ele permaneceu internado na unidade enquanto era articulada uma nova transferência para um centro com maior estrutura hospitalar.

Transferência não pôde ser realizada

A previsão era de que o estudante fosse levado para Campo Grande ou Dourados por meio de uma “vaga zero”, mecanismo utilizado em situações de urgência e emergência para garantir atendimento mesmo quando não há leito previamente disponível na unidade de referência.

No entanto, o estado de saúde de Lucas se agravou antes que a remoção pudesse ser realizada. Sem condições clínicas para enfrentar o deslocamento, ele permaneceu em Ponta Porã e morreu na noite de domingo.

O motorista da Toyota Hilux foi identificado como Lucas Ariel Agüero Soria, de 25 anos. Ele também precisou receber atendimento hospitalar em razão do acidente, mas teve alta médica ainda na tarde de sábado.

A motocicleta e a caminhonete envolvidas na colisão foram apreendidas. Equipes do Departamento de Criminalística realizaram levantamentos no local do acidente para reunir elementos que possam esclarecer a dinâmica da batida e as circunstâncias que levaram à colisão.

Após a confirmação da morte, o corpo de Lucas foi levado para Campo Grande. O sepultamento estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira (24).

A investigação deverá apontar, a partir das perícias e demais elementos reunidos, como ocorreu o acidente e se houve responsabilidade de algum dos envolvidos.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).