Cidades

DISPUTA

"Guerra" da Capital com o Estado por R$ 4,8 milhões do HR tem nova batalha

Sete meses depois da primeira, Conselho Municipal de Saúde publicou nova nota de repúdio contra o secretário estadual de saúde, que tirou o Hospital Regional da rede de regulação

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A “guerra” entre a prefeitura de Campo Grande e o Governo do Estado pelo controle do Hospital Regional e os quase R$ 5 milhões que o SUS repassa mensalmente à instituição ganhou novo capítulo nesta quinta-feira (16). Desta vez, está em jogo também o complemento federal para o pagamento do piso nacional dos trabalhadores da saúde.

Pela segunda vez em sete meses o Conselho Municipal de Saúde publicou, hoje, nota de repúdio contra o secretário estadual de saúde, Maurício Simões Correa, que retirou o Hospital Regional do sistema de regulação municipal de saúde. 

A nota de repúblico é assinada por Cleonice Alves de Albres, Coordenadora da Mesa Diretor do Conselho Municipal de Saúde, e pela secretária municipal de saúde, Rosana Leite de Melo, que já foi diretora do Hospital Regional, trabalhou no Ministério da Saúde e agora está no comando da Sesau. Com a assinatura, deixou claro que entrou publicamente na queda-de-braço da prefeitura com o Governo do Estado. 

De acordo com Cleonice Albres, esta segunda nota de repúdio é mais um pedido de socorro para que a população de Campo Grande não seja deixada para segundo plano no que se refere aos atendimentos no hospital. 

“Da primeira vez mandamos para o Ministério Público Estadual e Federal, mas disseram que nada podem fazer. Agora vamos apelar ao Ministério da Saúde para tentar impedir essa ilegalidade”, alega Cleonice. 

Com mais de duas décadas de atuação em conselhos de saúde, Cleonice denuncia que o Governo do Estado está “sucateando o hospital para depois entregar nas nãos de uma Organização Social”, o que, segundo ela, significa privatizar o hospital. 

As secretarias municipal e estadual de saúde declararam uma espécie de “guerra” pelo controle de quase R$ 5 milhões mensais que são repassados pelo Sistema Único de Saúde ao Hospital Regional de Campo Grande. E, por trás desta disputa existe o temor de que o hospital venha a ser terceirizado.

O principal problema, segundo a conselheira, é que a saída do Regional da rede municipal de atendimento está deixando os campo-grandenses com menos opções de atendimento. As vagas hospitalares que antes eram da população local, diz ela, estão sendo destinadas a moradores do interior que deveriam ser atendidos em suas cidades de origem. 

Historicamente, o HR que foi  referência no atendimento a pacientes com problemas pulmonares e na oncologia infantil em Campo Grande, por exemplo. 

Conforme Cleonice, a Saúde em Campo Grande é municipalizada e tem gestão plena. Por isso, diz,  todo o dinheiro do SUS necessariamente deveria passar pelo Fundo Municipal de Saúde.

Contudo, no dia 6 de setembro o secretário estadual publicou uma resolução no diário oficial do Estado determinando o “retorno do teto financeiro do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, no valor mensal de R$ 4.802.141,38, para o Fundo Estadual de Saúde”. 

A justificativa do secretário estadual é que o contrato, inicialmente assinado em 2018, havia sofrido uma série de aditivos e acabou em 2 de julho, por isso, a partir daquela dada, o recurso não passaria mais pelo Fundo Municipal. Cleonice, diz que desde abril a prefeitura tentava negociar , mas não houve acordo. 

A mudança, conforme o Cleonice, deveria ter sido aprovada por unanimidade por um colegiado formado por todos os secretários municipais de saúde. E, segundo ela, mesmo com o voto contrário do secretário de Campo Grande, a medida foi colocada em prática. 

Esta segunda nota de repúdio foi publicada em resposta à resolução do Secretário de Estado de Saúde publicada no diário oficial do dia 12 de abril. Nesta resolução ele declara a “independência” definitiva do hospital e já estabelece que  os repasses do SUS devem ser repassados diretamente ao Estado. 

Esta resolução aprova “a transferência de gestão do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul - HRMS para gestão dupla, estabelecendo o cronograma de transição da gestão municipal para gestão estadual com relação a processamento da produção ambulatorial e hospitalar e a organização da regulação de acesso”. 

A resolução também “determina” que o auxílio federal para o pagamento do piso nacional para enfermeiros e atendentes deixe de ser “controlado” pelo município e passe a ser feito diretamente pela administração estadual.

CAMPO GRANDE

Igreja da "cura gay" quer sigilo sobre terreno devolvido por inadimplência

Comunidade aliançados, que devolveu terreno milionário por não levantar dinheiro suficiente para comprá-lo, reagiu a reportagem do Correio do Estado, não quer mais notícias sobre o caso e solicitou segredo de Justiça

20/05/2024 21h07

Igreja Cristã Aliançados, ao fundo, e terreno que teve de devolver à Tim S.A.

Igreja Cristã Aliançados, ao fundo, e terreno que teve de devolver à Tim S.A. Marcelo Victor

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A Comunidade Cristã Aliançados pediu ao juiz da 1ª Vara Cível de Campo Grande, Thiago Nagasawa Tanaka, que o processo referente à compra do terreno ao lado da mega-arena que aluga na Avenida Mato Grosso, em Campo Grande, tramite em segredo de Justiça.

O motivo da congregação evangélica pedir para tudo corra no sigilo é uma reportagem publicada no Correio do Estado neste domingo (19), que revela que a igreja - conhecida na década passada por oferecer um curso de “cura gay” a seus fiéis - chegou a um acordo com a Tim S.A. para devolver a área de 7,5 mil m², onde tinha planos de construir seu próprio templo.

A igreja devolveu a área porque não conseguiu levantar R$ 13,5 milhões para comprar o terreno da Tim.

Além disso, foi à Justiça por não ter adimplido com o contrato e pediu o desfazimento do negócio para evitar que uma das cláusulas, que poderia resultar na não devolução dos R$ 4 milhões já pagos, fosse acionada pela empresa telefônica que vendeu a área.

Embora a reportagem do Correio do Estado tenha se baseado em informações obtidas com fiéis da congregação, que pediram para não ter seus nomes revelados para evitar represálias, nos próprios autos, a Aliançados acusa a reportagem de “expor uma comoção social negativa, sensacionalista e mentirosa sobre a igreja”. No entanto, na mesma peça em que solicita que o processo tramite em segredo de Justiça, a igreja não especifica qual seria a mentira apontada na reportagem. 

O advogado da igreja, William Ramos Pereira, também argumenta ao magistrado que a ampla publicidade do caso representa “maior gravidade aos envolvidos”. A reportagem do Correio do Estado foi anexada aos autos, e ainda não há decisão.

Apesar do pedido de sigilo, o caso trata de uma transação imobiliária envolvendo documentos públicos.

O processo ainda não contém informações obtidas por meio de quebra de sigilo bancário ou telefônico, nem qualquer violação da intimidade das partes, que são pessoas jurídicas. As transações são igualmente públicas. 

Recentemente, depois que os planos da congregação foram expostos em um grupo de Whats App da comunidade, um pastor chegou a ser expulso da igreja, acusado de divulgar "fake news". Curiosamente, a devolução do terreno à Tim, informação que constava na mensagem, acabou ocorrendo. 

Entenda o Caso

A compra de uma área de 7,5 mil m² na Avenida Mato Grosso, ao lado da Aliançados Arena e próxima à seccional Mato Grosso do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS), está no centro de um imbróglio judicial. 

A Comunidade Cristã Aliançados moveu uma “ação de rescisão de contrato cumulada com devolução do valor pago” contra a Tim, e obteve uma decisão favorável do juiz Thiago Nagasawa Tanaka. A liminar impede a Tim de continuar cobrando a igreja pelo terreno, que já estava em posse da comunidade cristã.

A igreja busca a devolução dos R$ 4 milhões pagos pelo imóvel e a rescisão do contrato sem ônus. No momento da ação, a igreja ainda devia duas parcelas de R$ 1 milhão e um pagamento de R$ 6,5 milhões à Tim.

Segundo o pastor Denilson Cordeiro da Fonseca, líder da comunidade, a igreja não conseguiu financiamento bancário porque o imóvel não estava livre de embaraços, situação que não foi informada pela vendedora. Havia edificações no local, dificultando a liberação do crédito.

O terreno, uma grande área aberta com uma pequena construção e um galpão inacabado, é adjacente à Aliançados Arena. Este espaço é atualmente utilizado para cultos high-tech ministrados pelo pastor Denilson.

A cláusula 5.1.2. do contrato preocupa a igreja, pois estipula uma multa de 30% do preço do imóvel em caso de rescisão por culpa da compradora. Sem saldo para pagar o terreno, a igreja teme não receber nem mesmo o reembolso dos valores pagos.

No dia 13, a Comunidade Cristã Aliançados devolveu a posse do imóvel à Tim. O fato já foi comunicado ao juiz, que agendou uma audiência de conciliação para o próximo mês.

Histórico da Arena

O Diamond Hall foi inaugurado na década passada como a maior casa de shows de Campo Grande. Até 2017, o espaço recebeu artistas renomados.

Porém, após a pandemia de Covid-19, o local transformou-se na Aliançados Arena, uma igreja evangélica equipada com modernos sistemas de som e vídeo, incluindo telões 4K.

Polêmica da Cura Gay

Em 2019, a Aliançados Arena ganhou notoriedade por um episódio envolvendo a “cura gay”. Um denunciante informou ao Ministério Público que o pastor promovia a “cura gay” mediante pagamento, contrariando a OMS e o Código de Ética da Psicologia.

O curso, chamado “Escola de Cura”, oferecia internação de três dias e custava R$ 970 por participante. A investigação foi arquivada pelo Ministério Público de MS.

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Exterior

Principal narcotraficante na fronteira é denunciado 15 meses após prisão em megaoperação no Brasil

Miguel Insfrán foi preso em fevereiro de 2023 em uma megaoperação de transporte internacional de cocaína no Rio de Janeiro. Ele é um dos principais executores do promotor paraguaio Marcelo Pecci, assassinado em maio de 2022 na Colômbia.

20/05/2024 18h25

Tio Rico foi preso em fevereiro de 2023 no Rio de Janeiro.

Tio Rico foi preso em fevereiro de 2023 no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução

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O principal acusado de executar o promotor de justiça Marcelo Pecci, em maio de 2022, em uma praia de Cartagena (COL), o narcotraficante Miguel Ángel Insfrán Galeano, conhecido como "Tio Rico", foi denunciado pelo Ministério Público do Paraguai 15 meses após ser preso no Rio de Janeiro (RJ) em uma megaoperação internacional de combate ao tráfico de cocaína, ocorrida em fevereiro do ano passado.

De acordo com informações policiais, o "Tio Rico" é atualmente considerado o maior narcotraficante do Paraguai e também atua na fronteira com Mato Grosso do Sul, utilizando empresas e templos religiosos para lavagem de dinheiro.

Miguel Insfran foi preso em 9 de fevereiro de 2023, quando transportava uma grande quantidade de cocaína com destino à Ásia no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro (RJ). Após a prisão, ele foi transferido para o presídio de segurança máxima em Assunción (PY).

 

Conforme dados divulgados pelo site Última Hora, os promotores de justiça paraguaios tiveram acesso a documentos que relatam que "Tio Rico" é peça-chave no esquema de envio de grandes cargas de cocaína do Paraguai para a Europa, em sociedade com o uruguaio Sebastián Marset, que segue foragido.

Ainda de acordo com a imprensa local, o promotor de justiça Deny Yoon Pak denuncia Miguel Insfran por narcotráfico, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele também solicita que o caso seja encaminhado para julgamento público.

 

Durante o julgamento, Deny Yoon Pak relatou que Miguel Ángel liderava o Clã Insfran, no qual familiares faziam parte de uma sociedade. Um dos seus irmãos, Alberto Insfran Galeano, é pastor e principal líder de uma congregação evangélica, que abrange templos, empresas e propriedades rurais na região de Paranhos (MS).

Tráfico internacional de cocaína 

Conforme informações da polícia brasileira, o "Tio Rico" estava transportando grande quantidade de cocaína para Europa, estava pensando em viajar para Ásia e assim, evitar extradição para o Paraguai.  

Na época em que foi preso no Rio de Janeiro (RJ), ele buscava alianças com o Comando Vermelho para tornar-se o principal fornecedor de cocaína do país. 

Ainda de acordo com informações sigilosas da polícia paraguaia, "Tio Rico" é o principal mandante da execução do promotor  paraguaio Marcelo Pecci. Ele foi morto em uma praia na Colômbia, durante sua viagem de lua de mel. 

Miguel iniciou sua vida no crime sendo advogado de traficantes e, com o tempo, passou a controlar a maior cadeia de produção de drogas no país. 
Com suas empresas funcionando, ele utilizava desse benefício para  lavar dinheiro do tráfico e também utiliza igrejas para o mesmo fim. Seu irmão, de acordo com as investigações, é pastor e é considerado foragido.

Com isso, ele tinha objetivos de se tornar o maior fornecedor de drogas do Rio de Janeiro e expandir seus negócios em todo país, se aliando ao Comando Vermelho. 

Depois de expandir o esquema criminoso no país, Miguel pretendia deixar o país. 

Divulgação/ Última Hora 


Suspeito de executar o promotor Marcelo Picci 

Miguel Ángel é o principal suspeito de executar o  promotor de Justiça Marcelo Pecci, ocorrido em maio de 2022 em uma praia de Cartagena (COL).  Marcelo foi morto por pistoleiros quando passava a lua de mel na Praia de Baru, em Cartagena das Índias.  

Na época, Picci era um dos coordenadores de uma força-tarefa contra o crime organizado que comandava o Paraguai. 

De acordo com o jornal ABC Color, duas pessoas se aproximaram em um jet-ski e, mesmo com a água, abriram fogo contra o promotor. Ele chegou a ser levado ao hospital, mas já chegou lá morto. 

A morte do promotor paraguaio caiu como uma bomba seja na política paraguaia e até nas forças de segurança do país vizinho, já que Marcelo Picci era um dos melhores promotores de justiça do país e trabalhou no caso de documentos falsos do Ronaldinho Gaúcho em 7 de março de 2020, quando foi preso ao entrar no Paraguai.  

Imagem de Marcelo Pecci do site do Ministério Público do Paraguai  Foto de Marcelo Picci: Reprodução/Ministério Público do Paraguai

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