Cidades

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iFood quer contribuição ao INSS de 5% a 11% sobre renda dos motoboys

O setor —chamado de duas rodas— não faz parte do projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso na semana passada para motoristas de aplicativos de transporte de passageiros

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O iFood defende uma tabela progressiva de contribuição ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), em um novo modelo de Previdência Social, para custear benefícios e regulamentar o trabalho de motoboys e ciclistas.

Os trabalhadores pagariam alíquotas de 5% a 11% sobre o rendimento, conforme a faixa de ganhos.

O setor —chamado de duas rodas— não faz parte do projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso na semana passada para motoristas de aplicativos de transporte de passageiros, que cria a categoria de trabalhador autônomo por plataforma, com pagamento de 7,5% ao INSS, controle de jornada e remuneração mínima.

O modelo proposto pelo iFood é semelhante ao do empregador doméstico, no qual o patrão paga 20% sobre o salário do empregado para custear benefícios previstos na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), mas parte das despesas sociais com esse profissional é subsidiada pelo governo.

"A gente deveria ter uma tabela progressiva de Previdência, por exemplo, nos moldes do que a gente tem na lei do empregador doméstico. Não estou falando que são as mesmas alíquotas, mas o mesmo racional", afirma Lucas Pittioni, vice-presidente de políticas públicas do iFood.

Segundo ele, a empresa considera o modelo de Previdência proposto pelo governo para os motoristas de passageiros inadequado para os motoboys, que têm ganhos mais baixos.

"Existe um consenso de que o modelo que o governo propôs é um modelo que não vai conseguir promover a inclusão dos trabalhadores no regime de seguridade em função das características desse setor."

A inadequação do projeto estaria ligada ao fato de que os motociclistas trabalham uma quantidade menor de horas por semana e têm rendimento menor, fazendo com que não atinjam o valor de um salário mínimo para contribuir com a Previdência.

Neste caso, seria necessário complementar a contribuição ao INSS para que o profissional estivesse amparado pelos benefícios previdenciários, a exemplo do que já ocorre hoje com outras categorias de autônomos.

Os modelos de contribuição previdenciária variam atualmente entre trabalhadores, conforme o tipo de contrato. Quem é regido pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) paga contribuição ao INSS que varia de 7,5% a 14%, em uma tabela progressiva que leva em consideração a faixa salarial. Essa regra é a mesma aplicada para empregadas domésticas.

Autônomos pagam alíquota mensal de 11% ou 20% sobre o rendimento, no plano simplificado ou normal, respectivamente.

Donas de casa de baixa renda podem contribuir com 5% sobre o salário mínimo ao mês, assim como os MEIs (microempreendedores individuais). Nos dois casos, o modelo de previdência é custeado pelos cofres públicos no momento da aposentadoria ou liberação de outros benefícios.

A nova proposta poderia colocar fim ao impasse entre empresas e entregadores, que não chegaram a consenso durante as negociações do grupo de trabalho criado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no ano passado para discutir a regulamentação do trabalho por aplicativo.

Os aplicativos concordam que o modelo de Previdência deveria ser diferente, mas ainda não bateram o martelo sobre o que seria mais adequado. Defendem o subsídio federal, mas concordam que os cofres públicos poderão sofrer um rombo, reforçando ainda mais o déficit previdenciário.

Para os trabalhadores, a questão previdenciária seria um segundo ponto a ser discutido, depois da definição do tipo de remuneração, se pela hora logada ou hora trabalhada, e o valor mínimo a ser pago.

Gilberto Almeida, o Gil, presidente do Sindmoto-SP (Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e Moto-Taxistas do Estado de São Paulo) e da Confederação Nacional dos Sindicatos dos Motoboys e Motoentregadores, diz que os trabalhadores não abrem mão de receber R$ 25 por hora, remuneração já paga hoje pelo iFood.

O valor final oferecido a eles ficou em R$ 17, abaixo dos R$ 32,10 que consta no projeto de lei dos motoristas de aplicativos de passageiros. E foi um dos motivos de discordância entre aplicativos de trabalhadores. O novo modelo de Previdência também é impasse.

O sindicalista diz que as empresas não querem contribuir com percentual maior para a Previdência e querem deixar a conta para o governo. Para os trabalhadores, no entanto, quanto menor o percentual a ser descontado de seus ganhos, melhor.

"Reconhecemos que essa é uma categoria que menos paga e que mais usa. Precisa de uma discussão que leve para a ponta do papel as contas do governo", diz.

Por ele, as empresas e os entregadores devem voltar a negociar e, como a Folha já adiantou, encaminhar a solução via Congresso Nacional, no projeto de lei dos motoristas de aplicativo de passageiros.

Pittioni diz que o iFood também quer voltar a negociar e tomou como positiva a fala do presidente Lula no evento de entrega do projeto dos motoristas, que orientou a retomada dos debates.

"A gente recebe com muito agrado esse convite do presidente Lula para dialogar porque a gente reconhece que esse diálogo vai ser crucial para criar um modelo de financiamento novo que seja adequado."

As negociações, no entanto, estão travadas, mas podem ser retomadas no final deste mês. Questões de saúde do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, ligado diretamente às conversas, impedem o avanço imediato dos debates.

Sobre questões trabalhistas, as empresas de aplicativo concordam entre si com a regulamentação já proposta no setor de passageiros. Mas os motoboys, não.

"Nós reconhecemos que o projeto de lei que o governo apresentou contém avanços significativos no campo trabalhista, no reconhecimento de uma nova forma de trabalho, com a figura do autônomo subsidiado por plataforma", diz Pittioni.

"Nossa categoria tem muitas particularidades, é uma categoria precarizada, precisa, por exemplo, de vale-alimentação", diz Gil.

Infraestrutura

Nova queda de ponte em MS acende alerta sobre manutenção e fiscalização

Em menos de uma década, estruturas desabaram ou apresentaram problemas graves; queda desta quinta reacende questionamentos sobre prevenção

13/08/2026 16h30

Ponte entre Coxim e Corumbá foi concluída em setembro de 2009

Ponte entre Coxim e Corumbá foi concluída em setembro de 2009 Reprodução

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A queda de parte da ponte João Wenceslau Leite de Barros, sobre o Rio Taquari, na região de Coxim, nesta quinta-feira (13), volta a colocar em discussão a segurança das pontes de Mato Grosso do Sul. O episódio mais recente, porém, faz parte de um histórico que inclui estruturas que desabaram poucos anos depois de serem construídas, problemas de execução apontados em perícias e até investigações envolvendo órgãos de controle.

No caso de Coxim, a ponte foi construída entre 2008 e 2009 e concluída em setembro de 2009. Segundo o Governo do Estado, parte da estrutura cedeu enquanto um caminhão passava pelo local, fazendo com que o veículo caísse no Rio Taquari. As causas ainda serão apuradas.

A ponte que caiu nesta quinta-feira

A ponte João Wenceslau Leite de Barros fica no trecho entre as rodovias MS-214 e MS-423 e tem 168 metros de extensão.

Registros publicados em 2008 apontam a Geoserv Serviços de Geotecnia e Construção Ltda. como vencedora da licitação para a construção da ponte sobre o Rio Taquari. Na época, a empresa apresentou proposta de R$ 1,84 milhão para executar a obra.

 A Seilog informou que equipes trabalham para identificar o que provocou o colapso. A apuração, portanto, precisa responder também se a estrutura apresentava sinais anteriores de comprometimento, quando ocorreu a última inspeção e quais serviços de manutenção foram realizados ao longo dos anos.

Fevereiro de 2026: ponte desaba em Rio Negro

Poucos meses antes da queda em Coxim, outra ponte desabou no Estado. Em 22 de fevereiro de 2026, uma ponte sobre o Rio do Peixe, na MS-080, em Rio Negro, caiu durante a passagem de uma carreta.

O episódio ocorreu depois de fortes chuvas e, segundo informações divulgadas na época, a estrutura já apresentava rachaduras e danos nas cabeceiras. Havia ainda restrição para veículos pesados.

O caso chama a atenção justamente porque a estrutura já apresentava sinais de problemas antes do colapso.

Depois da queda, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul acompanhou a situação e cobrou providências emergenciais para garantir a segurança viária e o transporte de moradores e estudantes afetados pela interdição.

A reconstrução foi posteriormente contratada em caráter emergencial.

O episódio deixa uma pergunta que também se aplica ao caso de Coxim: quando uma ponte apresenta sinais de comprometimento, quais são os critérios utilizados pelo poder público para determinar a manutenção, o reforço ou a interdição da estrutura?

2018: ponte em Jardim tinha apenas quatro anos

O histórico fica ainda mais significativo quando se olha para Jardim. Em 2018, uma ponte sobre o Rio dos Velhos apresentou um colapso parcial. A estrutura havia sido inaugurada em 2014 e tinha apenas quatro anos.

Uma perícia contratada pela Agesul identificou falhas no projeto e na execução, além de problemas relacionados ao dimensionamento e às fundações. O próprio órgão informou, na época, que a estrutura não apresentava condições adequadas de segurança e estabilidade.

A construtora responsável foi acionada e assumiu a reconstrução da ponte.

Mais um caso que chama atenção por abrir um precedente ao demonstrar que a idade da estrutura, sozinha, não é suficiente para determinar sua segurança e solidez. Uma ponte relativamente nova também pode apresentar problemas graves quando há falhas de projeto ou execução. 

2016: ponte de Guia Lopes desabou com menos de quatro anos

Em janeiro de 2016, uma ponte sobre o Rio Santo Antônio, na MS-382, em Guia Lopes da Laguna, desabou após fortes chuvas.

A estrutura havia sido inaugurada em 2012. Ou seja, menos  de quatro anos de uso.

O contrato publicado no Diário Oficial identifica a Wala Engenharia Ltda. como responsável pela construção da ponte de 72 metros, pelo valor de aproximadamente R$ 1,25 milhão.

O caso foi alvo de investigação e chegou ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal. Anos depois, o Tribunal de Contas da União também analisou irregularidades relacionadas a obras de infraestrutura executadas no Estado.

Segundo decisão relatada em 2026, a área técnica do TCU havia proposto a condenação da Wala Engenharia em mais de R$ 1,3 milhão. O tribunal, entretanto, reconheceu a prescrição e não houve condenação ao ressarcimento. A decisão também registra que a análise técnica apontou um colapso progressivo relacionado ao solapamento do aterro e ao deslocamento da cortina da estrutura.

De quem é responsabilidade

O levantamento também mostra que a Geoserv aparece em diferentes contratos de construção de pontes no Estado.

Além da ponte sobre o Rio Taquari, registros oficiais mostram a empresa como contratada para outras obras de pontes em Mato Grosso do Sul.

No caso da ponte de Guia Lopes, por exemplo, a empresa identificada no contrato é a Wala Engenharia.

Quem cuida da ponte depois que a obra é entregue? A construtora entrega a obra, mas a responsabilidade pela estrutura não termina necessariamente ali.

Ao longo dos anos, pontes ficam expostas a chuvas, enchentes, erosão, movimentação do solo, impactos de veículos e aumento do fluxo de tráfego. Desgastes naturais que reforçam a necessidade e a importância das manutenções e das inspeções periódicas. 

A reportagem entrou em contato com a Agesul para esclarecer como funciona a fiscalização e a manutenção das pontes estaduais, quem é responsável pelas inspeções, qual a periodicidade das avaliações e quais empresas atuam na conservação dessas estruturas.

Até a publicação desta reportagem, a Agesul ainda não havia retornado aos questionamentos.

 

Segurança Pública

Guardas de Campo Grande terão 760 horas de treinamento, com tiro defensivo

Grade de 760 horas prevê uso de pistola em baixa luminosidade, técnicas de abordagem, defesa pessoal, inteligência e atendimento a feridos por arma de fogo.

13/08/2026 16h12

Agentes da Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande durante atuação operacional; nova formação da corporação terá 760 horas-aula e treinamento de tiro defensivo.

Agentes da Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande durante atuação operacional; nova formação da corporação terá 760 horas-aula e treinamento de tiro defensivo. Foto: Divulgação.

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A formação dos agentes da Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande passará a incluir treinamento de tiro em movimento, atuação em ambientes de baixa luminosidade, controle de distúrbios e atendimento pré-hospitalar a vítimas de disparos. As atividades fazem parte da nova grade curricular de formação e aperfeiçoamento técnico-profissional da corporação, publicada no Diário Oficial do município desta quinta-feira (13).

Ao todo, o programa reúne 760 horas-aula, distribuídas entre disciplinas teóricas e práticas. A nova matriz substitui expressamente a grade adotada desde maio de 2022 e amplia a preparação para ocorrências que exigem emprego de arma de fogo, técnicas de abordagem, condução de veículos de emergência e uso seletivo da força.

Um dos principais pontos é a carga destinada ao treinamento com pistola semiautomática. São 100 horas-aula, das quais 35 serão teóricas e 65 práticas.

O conteúdo contempla funcionamento e manutenção do armamento, tipos de munição, fundamentos do tiro, panes, técnicas de carregamento e formas de proteção durante confrontos.

Na parte prática, os guardas serão treinados para efetuar disparos em situações consideradas mais complexas, como em baixa luminosidade, dentro de veículos, durante deslocamentos e em ambientes confinados.

A grade também prevê tiro duplo, acompanhamento de alvos e identificação de coberturas e abrigos.

O treinamento não ficará restrito ao uso da arma. Os agentes terão 64 horas de técnicas de abordagem, 30 horas de defesa pessoal, 30 horas de condicionamento físico e outras 30 horas de emprego de equipamentos menos letais.

Também estão previstas 20 horas de controle básico de distúrbios civis e seis horas sobre o uso legal e seletivo da força.

Outro eixo da formação será a resposta a situações de emergência. A matriz estabelece 60 horas para condução de veículos de emergência, 32 horas de prevenção e combate a incêndios e 30 horas de primeiros socorros.

Dentro das disciplinas relacionadas ao armamento, o programa inclui atendimento pré-hospitalar tático a pessoas feridas por arma de fogo.

Além do confronto

Apesar do peso das disciplinas operacionais, a nova formação reserva espaço para temas sociais, jurídicos e comunitários. Os servidores estudarão direitos humanos, igualdade racial, Estatuto da Criança e do Adolescente, Estatuto da Pessoa Idosa, Lei Maria da Penha, legislação antidrogas e abuso de autoridade.

O atendimento a situações de violência contra a mulher receberá 20 horas-aula específicas. A grade também prevê outras 20 horas para o estudo da violência e da insegurança pública, além de atividades sobre movimentos sociais, convivência em comunidades escolares e apropriação dos espaços públicos.

A preparação ainda aborda ética, cidadania, relações interpessoais, comunicação verbal e não verbal e guarda comunitária. O objetivo indicado pela administração municipal é manter a atualização técnica dos agentes diante das diferentes funções exercidas pela corporação.

Na área de informação, os guardas terão aulas sobre inteligência e contrainteligência de segurança pública, tecnologia da informação, gestão de dados, radiocomunicação, geoprocessamento e estatística aplicada.

Também está previsto treinamento para utilização do sistema de informação e integração da Guarda Civil Metropolitana.

Atuação ampliada

A nova grade reflete a ampliação das atribuições assumidas pelas guardas municipais nos últimos anos. Além da proteção de prédios, equipamentos e serviços públicos, a corporação participa de patrulhamento preventivo, operações de trânsito, atendimento a ocorrências e ações integradas com outras forças de segurança.

Em Campo Grande, os agentes atuam em escolas, unidades de saúde, terminais de transporte, parques, praças e demais espaços públicos. A presença da corporação também se estende a fiscalizações, operações especiais e ações preventivas em diferentes regiões da cidade.

A resolução que instituiu a nova matriz entrou em vigor com a publicação. O documento, porém, não informa quando a formação começará, quantas turmas serão abertas nem se todos os integrantes da Guarda terão de cumprir integralmente as 760 horas.

 

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