Cidades

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Iguais perante a lei

Iguais perante a lei

Redação

31/07/2010 - 16h30
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Nas últimas semanas, têm sido notórios os casos de assalto a padarias na região central de Campo Grande. Os ataques não chegam a ser novidade, embora estejam cada vez mais ousados e seguidos. Algumas delas já contrataram até seguranças armados para tentar afastar os bandidos. Pela forma de agir, os ataques mais recentes foram feitos pela mesma quadrilha. E, ao que se sabe, até ontem a polícia não dispunha de pistas que pudessem levá-la à cadeia.
            Padarias não são os únicos nem os alvos preferidos da bandidagem. Diariamente há registro de invasão de residências. E, no começo desta semana, o endereço escolhido foi a residência de um desembargador, vice-presidente do Tribunal de Justiça. Ele diz ter passado dez minutos de terror na mão dos assaltantes, que levaram dinheiro, relógios, notebook e uma pistola. Nem mesmo o fato de a casa contar com um vigilante intimidou os ladrões, que renderam e ainda agrediram-no. Pelo que se sabe até agora, tratou-se de apenas um assalto a mais na cidade e os delinquentes não tinham conhecimento de que estavam invadindo a residência de uma autoridade.
            O que não foi incomum, contudo, foi a agilidade com que a polícia desvendou o caso e prendeu um dos envolvidos, recuperando, inclusive, parte dos objetos roubados, o que evidencia que a pessoa certa foi detida, no caso um menor de idade. Menos de 40 horas depois do assalto o adolescente já estava nas mãos da polícia. Ao ser questionada sobre a agilidade, a polícia resumiu-se a afirmar que havia sido intuição de um dos investigadores, que descobriu o paradeiro dos ladrões por conta do rumo que os invasores tomaram depois que saíram da casa do desembargador, no Jardim Autonomista.
            Com esta evasiva ficou claro que a intenção era manter sob sigilo a real metodologia de investigação. A polícia realmente não tem obrigação de revelar a estratégia de seu trabalho, sob pena de prejudicar investigações futuras. O importante é que haja resultados, embora não se possa admitir que meios ilícitos sejam utilizados, pois os fins não justificam os meios. A questão, porém, é saber por que o caso envolvendo um desembargador foi tão rapidamente esclarecido (ainda falta prender o restante do bando) e outras situações são simplesmente engavetadas. Os proprietários de padarias certamente gostariam de ouvir esta explicação. E isto não só para evitar que outros estabelecimentos sejam atacados, mas também para recuperar aquilo que foi subtraído nos últimos roubos, pois empresa alguma pode se dar ao luxo de ver o faturamento  de um dia sequer indo pelos ares.
            Empenho policial semelhante verificou-se recentemente apenas no caso do assassinato da arquiteta Eliane Nogueira, e na investigação para esclarecer do assalto ao Prático do Aero Rancho, quando os bandidos roubaram até mesmo as armas de dois policiais militares. Por conta da gravidade do caso e da ousadia dos bandidos, o caso realmente merecia atenção especial, tanto que os envolvidos foram capturados um a um, inclusive o homem que teria arquitetado este e outros assaltos.
            É natural que determinadas investigações recebam prioridade sobre outras, pois tudo na vida funciona de acordo com uma escala de importância. Porém, a disparidade de tratamento dada aos casos envolvendo "cidadãos comuns" e aqueles que tiveram autoridades como vítimas é exageradamente grande. A Constituição diz que todos são iguais perante a lei.

INVESTIGAÇÃO

Avião ligado a empresário de MS é apreendido com ouro contrabandeado

Aeronave teria sido utilizada em tentativa de envio de carga avaliada em U$ 25 milhões para Dubai

27/07/2026 09h30

Aeronave de matrícula PS-ZRZ foi relacionada por autoridades bolivianas à tentativa de transporte de 189 quilos de ouro

Aeronave de matrícula PS-ZRZ foi relacionada por autoridades bolivianas à tentativa de transporte de 189 quilos de ouro DTV 8.1

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Uma aeronave registrada em nome do empresário sul-mato-grossense Valdir Zorzo, passou a ser investigada pelas autoridades bolivianas após a interceptação de uma carga com 189 kg de outro no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de La Sierra.

O material, avaliado pelas autoridades locais em aproximadamente US$ 25 milhões, teria como destino final Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O caso ocorreu na quarta-feira (22), e ganhou repercussão nacional na Bolívia diante da suspeita de participação de agentes públicos na tentativa de retirada irregular do minério do país.

Aeronave de matrícula PS-ZRZ foi relacionada por autoridades bolivianas à tentativa de transporte de 189 quilos de ouro

Segundo informações do portal Diário do Conesul, o ouro estava distribuído em quatro malas e seria transportado em um voo fretado. Um homem identificado como Ádrian Lema Roca, de 22 anos, foi apontado como responsável pela carga. 

Após passar por audiência, ele teve a prisão preventiva decretada pelo período de 150 dias e foi encaminhado ao complexo penitenciário de Palmasola, em Santa Cruz de La Sierra. A unidade prisional conta com mais de 8 mil detentos. 

Outras cinco pessoas chegaram a ser detidas durante a operação, mas foram posteriormente liberadas. Entre elas estariam três servidores públicos, incluindo representantes da Alfândega e do Serviço Nacional de Registro e Controle da Comercialização de Minerais e Metais.

As autoridades investigam se funcionários de órgãos bolivianos teriam contribuído para facilitar a liberação da carga e a saída do voo sem a documentação exigida.

Rota teria começado em Campo Grande

Documentos relacionados ao caso apontam que a aeronave de matrícula PS-ZRZ teria entrado na Bolívia no dia 21 de julho. O voo teria saído de Campo Grande, realizado uma escala em Corumbá e, posteriormente, seguido para o Aeroporto de Viru Viru.

O avião estaria sob o comando de Jim Clark D’Angelo Macedo, profissional ligado à Dallas Alimentos, empresa sediada em Nova Alvorada do Sul, a cerca de 120 quilômetros de Campo Grande.

Até o momento, não houve manifestação pública do piloto sobre o episódio. Tentativas de contato mencionadas nas informações iniciais não tiveram retorno.

A defesa da Dallas Alimentos apresentou uma versão diferente da divulgada pelas autoridades bolivianas. Conforme o advogado da empresa, a aeronave não teria sido apreendida e estaria em Cuiabá, onde passa por serviços de manutenção e reparos.

O representante jurídico também afirmou que o homem citado como piloto não possuiria atualmente licença para comandar aeronaves em razão da idade, embora tenha exercido a função anteriormente.

Ainda segundo a defesa, a empresa não participa de operações clandestinas e deverá realizar uma reunião no dia 27 para levantar informações sobre o caso e definir as medidas necessárias para colaborar com as autoridades.

As circunstâncias do voo, a propriedade da carga e a eventual participação dos servidores públicos continuam sob investigação. Também deverá ser esclarecida a divergência entre a versão divulgada na Bolívia, que relaciona a aeronave à operação, e a posição da empresa, que afirma que o avião permanece no Brasil.

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CORUMBÁ

Operação que busca suspeitos na execução de PM chega ao sexto morto

A Sejusp aponta que já ocorreram 75 mortes por intervenção de agentes do Estado em 2026, sendo julho o mês com maior número de vítimas (15).

27/07/2026 09h00

O suspeito portava um revólver calibre .38 quando foi atingido pelos policiais

O suspeito portava um revólver calibre .38 quando foi atingido pelos policiais Divulgação: BPMChoque

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Um homem, de 49 anos, identificado como Joilson Souza de Oliveira, conhecido pelo vulgo “Chacal”, morreu após entrar em confronto com equipes do Batalhão de Polícia Militar de Choque (BPMChoque) durante a Operação Jovem Guerreiro, em Corumbá.

Segundo informações policiais, as equipes realizavam buscas para localizar um indivíduo que havia rompido a tornozeleira eletrônica e estaria envolvido em crimes recentes.

Durante a ação, os militares localizaram o suspeito nos fundos de uma residência. Conforme o registro da ocorrência, ele estava armado e não obedeceu as ordens para deixar o revólver, permanecendo em posição de confronto.

Assim, os policiais efetuaram disparos, desaramaram o homem e, na sequência, o levaram para receber atendimento médico no Hospital de Corumbá, mas não resistiu aos ferimentos.

Com mais esta morte, são 75 óbitos por intervenção legal de agentes do Estado em 2026, sendo julho o mês com maior número de vítimas (15), de acordo com a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública.

O suspeito portava um revólver calibre .38 quando foi atingido pelos policiais

No local, foi apreendido um revólver calibre .38 municiado, além de expressivas porções de entorpecentes, embalagens e materiais relacionados ao tráfico de drogas.

Também foi localizada uma tornozeleira eletrônica rompida, mas que não era de Chacal e sim do seu filho, que também tem monitoração eletrônica.

Uma testemunha encontrada no imóvel relatou que havia ido até a residência para fazer uso de entorpecentes junto com o homem.

A Perícia Criminal realizou os levantamentos necessários, e todo o material apreendido foi encaminhado às autoridades competentes.

Chacal possuia extensa ficha criminal, com delitos entre os anos de 2007 e 2025. Entre os crimes estão:

* 3 delitos de tráfico de drogas (incluindo associação para o tráfico);
* 6 delitos de furto/furto qualificado;
* 2 delitos de receptação;
* 3 delitos de porte ilegal de arma de fogo;
* 2 delitos de disparo de arma de fogo;
* 3 delitos de tentativa de homicídio;
* 3 delitos de ameaça;
* 2 delitos de lesão corporal dolosa;
* 2 delitos de injúria;
* 2 delitos de difamação;
* 1 delito de dano;
* 2 delitos de perturbação da tranquilidade/sossego;
* 1 delito de posse irregular de arma de fogo;
* 1 delito de violação de domicílio.

Operação Jovem Guerreiro

A operação recebeu este nome após o homicídio do policial militar Marcelo Pimenta da Silva, morto com tiro de fuzil em Corumbá, enquanto perseguia bandidos na noite do dia 30 de junho. A ação tem o objetivo de combater o crime organizado na região de Corumbá e Ladário. 

Com a morte de Chacal, a operação chega a seis óbitos. Todos os suspeitos são apontados como envolvidos direta ou indiretamente com crimes e disputas na fronteira. São eles: Everton da Silva Viana, Rubens Zilio Neto, Luis David Justiniano FloresAlixberto Vasquez Corrales, o "Coiote", e Marlon de Souza Silva.

Além dos confrontos, a operação cumpriu dezenas de mandados de prisão e apreendeu armas de fogo e drogas.

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