Cidades

SANEAMENTO BÁSICO

Implantação de rede de esgoto chega no Aero Rancho após 35 anos de espera

Um dos bairros mais populosos de Campo Grande ainda tem moradores que precisam conviver com tratamento de fossas

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Depois de mais de três décadas de existência, um dos bairros mais populosos de Campo Grande, o Aero Rancho, está em processo de implementação da rede de esgoto. Criado em 1989, algumas ruas do bairro já estão em obras que trazem melhorias no saneamento básico para moradores.  

Neste mês de maio, a Avenida Anhembi, Rua Congonha dos Campos, Rua Pindobacu e Cajamar, no bairro Aero Rancho, estão recebendo a implementação da rede de esgoto feito pela concessionária de tratamento e abastecimento de água da Capital, a Águas Guariroba. 

As obras começaram em abril de 2024 e de lá para cá foram implantados 2.260 metros de rede de esgoto.

A reportagem do Correio do Estado esteve presente nos locais onde a execução das obras estão em andamento.

Em entrevista para o jornal, os moradores relataram que a principal mudança na região será a substituição do sistema de fossas, que é utilizado no bairro, para a utilização da rede de esgoto. 

“A chegada da rede de esgoto aqui é tardia, mas está vindo. Eu tenho duas fossas aqui na funelaria para limpar, e este processo dá trabalho”, declarou Roberto Carlos Alves, de 57 anos. 

O morador também alertou sobre a necessidade de colocarem bueiros nas ruas que já estão asfaltadas. 

“Além de fazerem a rede de esgoto, têm que colocar bueiros, porque aqui nas ruas do bairro, desce muita água suja de chuvas e já que não têm lugar para escorrer, toda a poeira fica em frente às casas”, disse Roberto Carlos.

Para o Décio Benítes, 66 anos, que mora no Aero Rancho há 16 anos, a chegada da rede de esgoto vai beneficiar os moradores da região. 

“A rede de esgoto para a gente é bem-vinda, traz uma melhoria, porque aqui utilizamos as fossas, a além da limpeza que tem que fazer, existe o mal cheiro que fica, e com a rede de esgoto teremos mais tranquilidade de mexer no quintal”, falou o morador.

Os moradores do Aero Rancho também relataram que a limpeza das fossas, que deve ser feita constantemente, não custa menos que R$ 200, podendo chegar até R$ 350.

E apesar da chegada da rede de esgoto na região, ainda existem outros problemas de infraestrutura no bairro, como a falta de pavimentação em algumas ruas, como a rua Galeão, Barão dos Cocáis, Taumaturgo e entre outras que são adjacentes às ruas que estão recebendo neste momento a rede de esgoto.

Segundo a Águas Guariroba, além do Aero Rancho, o serviço de implementação da rede de esgoto, segue neste ano nos bairros: Moreninhas, Nova Campo Grande, Jardim Centro-Oeste, Jardim Seminário, Caiobá, Samambaia, Centenário, Tiradentes, São Conrado e Homex.

CAMPO GRANDE SANEADA

A chegada da rede de esgoto no bairro entrou do planejamento da Águas Guariroba por meio do “Programa Campo Grande Saneada”, que nos primeiros cinco meses do ano, implantou 101,5 quilômetros de rede de esgoto na Capital.

Conforme o levantamento da Águas Guariroba, as obras vão permitir a ligação de mais 10,6 mil domicílios a rede de esgoto, o que representa mais de 30 mil pessoas que passarão a ter acesso a este meio de saneamento básico.

O programa já implantou 340 quilômetros de rede de esgoto na Capital, a maior ampliação do sistema dos últimos anos, e segundo a Águas Guariroba, o objetivo da empresa responsável pelo serviço em Campo Grande é implantar 200 km até o fim deste ano, alcançando assim a universalização dos serviços de saneamento.

SANEAMENTO BÁSICO

De acordo com a Prefeitura de Campo Grande, a Capital se mantém com a alta eficiência no abastecimento de água e um bom desempenho na coleta e tratamento de esgoto, embora ainda precise de melhorias para alcançar a universalização completa desses serviços.

Os investimentos recentes têm refletido em melhorias nos indicadores de saneamento, contribuindo para a melhor qualidade de vida dos seus habitantes.

Segundo dados da Águas Guariroba, são atendidos 902.368,74 habitantes. O município possui 4.470 (km) extensão da rede de água; 330.538 ligações ativas de água ; duas captações superficiais ; 149 poços tubulares e 107 reservatórios.

Os índices de Atendimento Total de Esgoto (ITE) da Capital são 86,24%, que embora esteja abaixo do ideal, dos 90%, Campo Grande está entre as capitais do Brasil com os melhores indicadores.

O indicador de Tratamento Total de Esgoto (ITR) da cidade está em 66,10%, que segundo a prefeitura, indica um crescimento de 4,36 pontos percentuais, se comparado com dados anteriores.

SAIBA

Em Campo Grande, todo o esgoto coletado pela Águas Guariroba é tratado antes de ser lançado nos córregos. A Capital conta atualmente com duas Estações de Tratamento de Esgoto, ETE Los Angeles e a ETE Imbirussu.

CAMINHOS

Veja como manifestar intenção de doar órgãos por meio de cartórios

Assunto ganha importância durante o Setembro Verde, em um país onde mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante

20/09/2026 08h47

Cerca de 45 mil dos que aguardam um transplante de órgão esperam por um rim

Cerca de 45 mil dos que aguardam um transplante de órgão esperam por um rim Divulgação

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Desde o lançamento da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), em 2024, mais de 32 mil brasileiros já usaram os cartórios para manifestar formalmente a intenção de doar órgãos. 

O assunto ganha importância durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos, em um país onde mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante.

Segundo o Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), o procedimento é gratuito e realizado integralmente pela internet. O interessado acessa a plataforma da Aedo, disponível no e-Notariado, preenche seus dados e escolhe um cartório de notas para realizar o procedimento.

Na sequência, participa de uma videoconferência com o tabelião para confirmar sua identidade e sua desejo de doar órgãos. O documento é assinado eletronicamente e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, que pode ser consultada pelos profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.

A pessoa pode indicar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar e revogar a autorização a qualquer momento. Todo o procedimento pode ser realizado sem necessidade de comparecimento presencial ao cartório.

Oferta e demanda

Dados dos Cartórios de Notas mostram que 32.587 solicitações de Aedo já foram realizadas no país. Foram 18.659 em 2024, 8.886 em 2025 e outras 5.042 em 2026, segundo os dados mais recentes da plataforma. Essa queda por ser atribuída a menos campanhas de divulgação da iniciativa. 

São Paulo concentra o maior número de manifestações desde a criação do serviço, com 9.399 solicitações, seguido por Paraná (3.818), Rio de Janeiro (2.930), Minas Gerais (2.172) e Rio Grande do Sul (2.012). A Aedo registra solicitações em todas as unidades da Federação.

Os números se inserem em um cenário no qual a demanda por transplantes permanece elevada no país. Dados do Ministério da Saúde divulgados este mês apontam que mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, sendo cerca de 45 mil por um rim.

Somente na fila por uma córnea estão 37.719 pessoas, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), número 15% maior que o registrado em dezembro de 2025.

Autorização familiar

Um dos principais desafios tem sido a autorização familiar. No Brasil, a retirada de órgãos após a morte depende da concordância da família, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora.

Atualmente, a taxa média de recusa familiar gira em torno de 45%, e entre os motivos apontados estão o desconhecimento sobre a vontade do potencial doador, além de dúvidas e receios relacionados ao procedimento.

É neste contexto que a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos permite que o cidadão deixe formalmente registrada sua decisão. 

“A decisão final continua sendo da família. Por isso, tão importante quanto registrar a vontade de ser doador é conversar sobre ela. A Aedo permite que essa manifestação fique formalizada e ajuda a levar esse assunto para dentro das famílias, para que elas conheçam previamente a decisão de quem deseja doar”, afirma Eduardo Calais, presidente do CNB/CF.

No próximo dia 27 de setembro, é celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos, data criada para estimular a discussão sobre o tema e incentivar as pessoas a comunicarem aos familiares sua vontade de serem doadoras.

 

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SAÚDE

Morre Paulo Roberto Teixeira, referência no combate à aids no Brasil

Médico atuou na criação de políticas de prevenção e tratamento

19/09/2026 23h00

Paulo Roberto Teixeira

Paulo Roberto Teixeira EMI SHIMMA/DIVULGAÇÃO

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Morreu neste sábado (19), aos 77 anos, o médico Paulo Roberto Teixeira, uma das referências em saúde pública no Brasil. Ele foi protagonista na criação da primeira resposta de governo à aids no Brasil, em 1983, época em que a doença era ainda pouco conhecida e marcada pelo estigma.Paulo Roberto TeixeiraPaulo Roberto Teixeira

Quando os primeiros casos da doença foram confirmados em São Paulo, Teixeira estava à frente do programa de hanseníase do estado. A experiência com uma doença que também era marcada pela exclusão, ajudou a desenhar para a aids uma política pautada no direito à saúde e ao respeito, que passava pela prevenção e assistência, incluindo o acesso aos antirretrovirais, e o trabalho em parceria com sociedade civil.

Em 2000, já à frente do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Paulo Teixeira passou a denunciar que os preços dos medicamentos eram inviáveis para a manutenção do acesso universal ao tratamento de aids pelo SUS e passou a defender a quebra de patentes dos laboratórios farmacêuticos.

Defendeu que a Lei de Patentes brasileira, aprovada em 1996, limitou o acesso à saúde e organizou um programa internacional de transferência de tecnologia entre países do Sul global para a produção de antirretrovirais genéricos.

Esse movimento foi fundamental para que em 2001, a Organização Mundial do Comércio reconhecesse que o direito à saúde está acima das regras de propriedade intelectual e fortaleceu a luta dos países pobres pelo direito de acesso ao tratamento.

A luta pelo acesso universal ao tratamento seguiu na OMS, quando Paulo Roberto Teixeira, assumiu em 2003 o Departamento de HIV/Aids da OMS e integrou a estratégia 3 by 5 que estabeleceu a meta de 3 milhões de pessoas vivendo com HIV em tratamento até o fim de 2005.

Em nota, o Ministério da Saúde manifestou pesar pela morte de Paulo Roberto Teixeira, reconhecendo que ele foi um dos "nomes fundamentais da resposta do país à epidemia" e que Paulo Teixeira "dedicou a vida à defesa da saúde como direito, dos direitos humanos e do acesso universal à prevenção e ao tratamento".

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