Cidades

NEGLIGÊNCIA

Incendiada pela segunda vez, escola segue funcionando sem alvará dos bombeiros

Falta de certificação contra incêndio e pânico é motivo de vários inquéritos no Ministério Público de Mato Grosso do Sul

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No início da noite de domingo (7), por volta das 19h, moradores do Bairro Jardim Itamaracá foram surpreendidos com um barulho alto, por conta da explosão na cozinha da Escola Municipal José Paniago, que causou um incêndio na unidade. A mesma escola já havia pegado fogo em 2017, e até hoje funciona sem certificado contra incêndio e pânico do Corpo de Bombeiros.

Segundo informações de trabalhadores do colégio, o fogo teria começado após o guarda-noturno ter utilizado o fogão para esquentar algo. A confirmação da causa do incêndio ainda não foi feita por parte do Corpo de Bombeiros, e o resultado da perícia, até a conclusão da matéria, não foi divulgado. 

Moradores do local prestaram os primeiros socorros ao guarda. Vizinha da escola, Divanilda Alves Ferreira ouviu um barulho alto, que parecia uma batida de carro. Acompanhada de seu filho, ela saiu correndo para ver o que era, quando viu a explosão na escola. 

“[O guarda] começou a gritar socorro, e aí, como estava eu e meu guri, nós começamos a arrebentar o portão da escola para poder socorrer ele. Ele foi fazer café e acho que nessa hora pegou fogo o fogão, na hora ele acordou com a batida no portão e veio abrir e nós conseguimos tirar ele, mas já estava queimado”, relatou a moradora. 

Divanilda comentou ainda que o fogo e a fumaça não estavam tão grandes, e que, logo após retirarem o guarda da escola, eles chamaram o Corpo de Bombeiros, que chegou e controlou a situação.

O guarda foi levado para a Santa Casa em uma viatura da Guarda Civil Metropolitana (GCM), com queimaduras por todo o corpo. O estado de saúde do trabalhador não foi informado pelo hospital, pois a família não autorizou. 

A escola municipal atende aproximadamente 1.200 alunos, da Educação Infantil ao Ensino Fundamental. De acordo com funcionários, a unidade não tem certificado de incêndio e pânico, tendo apenas extintores para emergências, e passaria por uma reforma neste ano.

A secretaria da escola estava funcionando normalmente ontem pela manhã. Trabalhadores estavam no local para atender demandas de matrícula e relataram que a perícia ainda não havia ido até o local para fazer a análise do motivo para o incêndio, mas que as funcionárias da acreditam que foi problema no gás. 

CASO ANTIGO 

Essa, no entanto, não é a primeira vez que a Escola Municipal José Paniago sofre com incêndios. Em 2017, também em um domingo, um incêndio destruiu três salas que eram de contêineres de zinco e tinham capacidade para 25 alunos. 

Na ocasião, o fogo queimou cerca de 90 metros quadrados. Além de móveis, como carteiras e cadeiras escolares, o material didático dos alunos também foi consumido pelo fogo. 

Na época, quatro viaturas do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas para apagar as chamas, e um inquérito policial foi aberto para apurar as causas, mas não há informações a respeito. 

INQUÉRITOS 

A preocupação com incêndios em escolas também é motivo de diversos inquéritos do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS). Em 2019, uma ação foi movida para investigar escolas públicas da Capital, tanto municipais quanto estaduais, que não tinham alvará de funcionamento do Corpo de Bombeiros e certificado contra incêndio e pânico. 

Na época, a 46ª Promotoria de Justiça da Capital apontou que a Secretaria de Estado de Educação (SED) tinha 51 escolas sem o projeto ou que não estavam em obras de adequação. Atualmente, segundo a assessoria de comunicação, todas as 348 unidades escolares já estão adequadas. 

“Para o funcionamento, as unidades escolares da Rede Estadual de Ensino (REE) devem contar com os alvarás necessários, tais como este supracitado (contra incêndio e pânico). Quando uma unidade da REE não possui alguma dessas autorizações, a SED realiza as orientações e os encaminhamentos necessários para obtenção ou renovação junto aos órgãos responsáveis”, esclareceu a secretaria.

Já no caso da Secretaria Municipal de Educação (Semed), o documento apontava, em 2019, que 12 escolas da Capital passaram ou ainda deveriam passar por obras de adequação, e outras 26 tinham apenas o projeto contra incêndio e pânico. 

Além do inquérito de 2019, outro procedimento foi aberto em 2022, para averiguar a regularidade documental das Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis), como alvarás de funcionamento, licenças sanitárias e alvarás do Corpo de Bombeiros. 

Também em 2022, diversos inquéritos, que seguem em andamento, foram abertos para investigar escolas municipais, para apurar as instalações das instituições escolares, a ocorrência de irregularidades na estrutura física e a manutenção das unidades. 

A última movimentação dessas investigações foi um certificado a respeito de resoluções municipais que preveem reparos e manutenções em diversas escolas municipais, por meio do Programa Juntos pela Educação, que estima a aplicação de R$ 40 milhões para a revitalização de 205 unidades escolares. 

Até a publicação da matéria, a Semed não respondeu à reportagem sobre quantas escolas municipais tem o certificado contra incêndio e pânico, nem repassou mais informações sobre o ocorrido na Escola Municipal José Paniago. 

O Corpo de Bombeiros informou que o quartel responsável foi acionado para realizar a vistoria na Escola Municipal José Paniago ainda essa semana. “Quanto às demais escolas, são vistoriadas ao longo do ano, de acordo com a demanda e a complexidade”, pontuou o órgão.

Em áreas com mais de 900 metros quadrados de construção, é necessário o certificado contra incêndio e pânico. As exigências variam de acordo com a área, mas podem prever a instalação de hidrantes, de alarmes de incêndios, a sinalização, entre outras formas de prevenção e combate a incêndios.

SAIBA

Entre as escolas municipais que são alvos de inquéritos em andamento estão os colégios: Maria Regina Vasconcelos Galvão, Barão do Rio Branco, Geraldo Castelo, Iracema de Souza Mendonça e Nagen Jorge Saad.

Cidades

Acidente da Voepass: Polícia Federal indicia 16 pessoas; veja lista

No voo que terminou com a queda, a tripulação comparou a aeronave a um "Fusquinha" ao comentar sobre falhas

06/08/2026 21h00

Foto: Divulgação

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A Polícia Federal divulgou nesta quinta-feira, 6, o relatório sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo, que deixou 62 pessoas mortas em 2024. Foram indiciados 16 funcionários e ex-funcionários da empresa pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. Veja a lista:

Edson Serra Martins - piloto, comandante do voo PTB 2293;

Luciano Alves de Macedo - piloto, comandante do voo PTB 2204;

Oderlino de Campos Figueiredo - despachante operacional de voo (DOV) dos voos PTB 2293 e PTB 2204;

John Major Viana - despachante operacional de voo (DOV) do voo PTB 2282;

Marcos Hiroyuki Sato - despachante operacional de voo (DOV) responsável pelo voo PTB 2283;

Alex de Souza Leandro - mecânico responsável pela liberação da aeronave; (Mecânico do pernoite responsável pelo Daily Check do PS-VPB)

William Schmidt Agatz - gerente do Centro de Controle Operacional da empresa (CCO);

Juliano Flores Pacheco - gerente do Centro de Controle de Manutenção (MCC); Gerente do MCC (Maintance Control Center)

Raphael Limongi de Figueiredo - chefe do CCO; também aparece nos depoimentos como piloto-chefe e chefe de tripulação; Chefe do CCO (centro de controle operacional)

Marcel Sarquis Moura - diretor de Operações;

Tiago Passucci Morani - gerente de Engenharia e inspetor-chefe;

Carlos Alberto Costa - diretor de Manutenção;

Eric Consoli - diretor Técnico

Rafael Gimenez Rodrigues - piloto-chefe e responsável pelo Programa de Monitoramento de Dados de Voo (FOQA)

David da Costa Faria Neto - diretor de Segurança Operacional;

José Luiz Felício Filho - Diretor Presidente da Voepass

O relatório afirma que José Luiz Felício Filho, diretor-presidente da Voepass, era quem "efetivamente" deveria agir para "interromper o cenário de omissões que a companhia aérea vivia quanto à manutenção e operação das aeronaves".

A PF também encaminhou uma cópia do relatório à Corregedoria Regional da Polícia Federal em São Paulo para fins de análise quanto a possível ocorrência do crime de prevaricação ou corrupção passiva privilegiada por parte de algum integrante da da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Antes, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira (FAB), já havia apontado falhas da Anac, que não teria aproveitado no processo de gestão de risco "condições latentes identificadas". Segundo a investigação, houve falta de supervisão sobre práticas informais na empresa.

Diálogos registrados na caixa-preta do avião da Voepass mostram que a aeronave apresentava falhas recorrentes não sinalizadas pelas tripulações. Segundo a PF, a causa do acidente foi a perda de controle em voo causada pelo acúmulo de gelo na aeronave, da inoperância do sistema pneumático de degelo do avião e da não execução tempestiva e adequada de procedimentos necessários para falha no sistema degelo, degradação de performance, condições severas de gelo e estol (perda de sustentação).

O relatório revelou que os pilotos sabiam sobre a falha no sistema de degelo. Durante o voo imediatamente anterior, entre Guarulhos e Cascavel, o alerta AIRFRAME FAULT (sinal para falhas no sistema de degelo) foi acionado oito vezes e a tripulação realizou resets do dispositivo ao menos cinco vezes.

Piloto: Ó lá o gelo, o gelo foi embora agora, finalmente, escutei um barulho aqui, foi o gelo que voou. (Comentário realizado na aproximação de Cascavel).

Copiloto: Muito bom, comandante.

Após o pouso, o piloto afirmou:

Piloto: Chegamos vivos.

Piloto: Ufa, chegamos vivos.

Para a Polícia Federal, os registros demonstram um "comportamento sistêmico de falhas", uma vez que diversas mensagem ocorreram em sequência e se repetiram em intervalos de poucos segundos.

"Quando as tripulações dos voos anteriores deixaram de registrar falhas do sistema de degelo, permitiram que discrepâncias repetitivas e críticas permanecessem ocultas, contribuindo para que o sistema de degelo pneumaticamente comandado continuasse operando com intermitências não sanadas", destacou a PF.

No voo que terminou com a queda, a tripulação comparou a aeronave a um "Fusquinha" ao comentar sobre falhas.

Piloto: É o Airframe que deu fault, pode tirar, pode tirar, pelo menos a gente já sabe que tá... [fudido]

Copiloto: Olha a situação, se bem que não tá reportado isso aí, mas pra gente não pegar gelo teria que ir no 110, né? (110 é referência ao nível de voo FL110)

Após o comentário, é emitido um sinal sonoro de detecção de gelo

Piloto: Foi só eu falar. O avião escutou. Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie lá, Herbie, filme bem antigo.

Em seguida, a tripulação comenta sobre a presença de bastante gelo e reclama sobre a aeronave.

Copiloto: Bastante gelo [ali]

Piloto: Éh

Copiloto: Ligar o airframe

Piloto: Essa bosta não tá funcionando, né?

Copiloto: É

Copiloto: Gelo

Em seguida, uma série de alertas são emitidos: Performance Degradada, Increase Speed e estol (perda de sustentação), até o último alerta sonoro, que sinaliza proximidade do solo.

Confronto Policial

Foragido da Justiça de Santa Catarina morre após confronto com policiais em MS

Homem de 39 anos era procurado pela Justiça de Santa Catarina e teria ameaçado uma advogada horas antes; ele foi baleado durante abordagem e morreu no hospital.

06/08/2026 19h39

Claudinei Borgert foi socorrido após ser baleado durante confronto com policiais e encaminhado ao Hospital Auxiliadora, onde morreu pouco depois.

Claudinei Borgert foi socorrido após ser baleado durante confronto com policiais e encaminhado ao Hospital Auxiliadora, onde morreu pouco depois. Foto: Divulgação

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Um homem de 39 anos, identificado como Claudinei Borgert, morreu na noite desta quinta-feira (6) após ser baleado durante um confronto com policiais militares no bairro Santa Júlia, na região norte de Três Lagoas. Procurado pela Justiça após ser condenado por roubo, ele chegou a ser socorrido com vida, mas não resistiu aos ferimentos.

Conforme informações preliminares, equipes da Força Tática e do Grupo Especial Tático de Motos (Getam), do 2° Batalhão da Polícia Militar, realizavam patrulhamento pela região quando localizaram Claudinei.

Contra ele havia um mandado de prisão definitiva expedido pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina. A ordem judicial estava relacionada a uma condenação pelo crime de roubo.

Antes de ser localizado pelos militares, Claudinei também teria se envolvido em uma ocorrência registrada nesta quinta-feira. A informação inicial é de que ele teria ameaçado uma advogada e, durante o episódio, afirmado fazer parte de uma facção criminosa.

Após tomarem conhecimento da situação e da existência da ordem de prisão, os policiais intensificaram as buscas e encontraram o foragido durante patrulhamento no bairro Santa Júlia.

Segundo a versão da polícia, no momento em que os militares tentaram realizar a abordagem, houve um confronto. As circunstâncias exatas da troca de tiros ainda deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação. Claudinei acabou atingido pelos disparos.

Depois de controlarem a situação, os policiais desarmaram o homem e prestaram os primeiros atendimentos. Ele foi encaminhado ainda com vida ao Hospital Auxiliadora, em Três Lagoas.

Apesar do atendimento médico, Claudinei não resistiu aos ferimentos. A morte foi confirmada pouco depois da entrada dele na unidade hospitalar.

O caso deverá ser formalmente investigado para esclarecer toda a dinâmica da ocorrência, incluindo as circunstâncias que antecederam a abordagem e o confronto. Novas informações também poderão apontar detalhes sobre a ameaça atribuída ao homem horas antes de sua morte.

 

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