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Indígenas admitem patrocínio do Cimi para invadir fazenda em Rio Brilhante

Em nota publicada nesta semana, assembleia Aty Guassu revela que órgão ligado à igreja católica bancou viagem de 80 indígenas para ocupação no interior

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Em carta assinada no dia 7 deste mês, a Assembleia Aty Guassu, coletivo guarani-kaiowa que responde pelas ocupações e pela luta dos povos destas etnias por território em Mato Grosso do Sul, admitiram que contaram com apoio do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) para a invasão da Fazenda do Inho, propriedade localizada em Rio Brilhante e pertencente à família do engenheiro agrônomo José Raul das Neves Júnior. 

A região reivindicada pelos indígenas em que se encontra a propriedade de José Raul das Neves é chamada pelos indígenas de tekoha (área de retomada) Laranjeira Nhanderu, e na carta, a Assembleia Aty Guassu respondeu as acusações de contar com o patrocínio do Cimi da seguinte forma: “laranjeira Nhanderu sofreu ataque ilegal de policiais. Pessoas daquela comunidade forma presas indevidamente e inclusive a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) foi violada por isso que pedimos ônibus para o Cimi que ajudou como sempre nos ajuda a ir a Brasília denunciar nossa situação ou até mesmo para fora do país”, afirmou a assembleia Aty Guassu em sua carta. 

No mesmo documento, a assembleia ainda diz que a viagem bancada pelo Cimi, reuniu os indígenas em uma assembleia. “Teve o Ministério Público Federal, e Defensoria (Pública) da União e do Estado também. Lá encaminhamos tudo que o Estado e a polícia fizeram contra nosso povo e pedimos ajuda para levar os feridos para o hospital”, afirmaram.

“Depois que voltamos pra casa, soubemos, como já denunciamos em outra carta, que os policias foram atrás do ônibus das empresas e assustaram os motoristas e também perseguiram algumas de nossas lideranças”, afirmou.

De fato, além do inquérito que tramita na Polícia Civil de Rio Brilhante, há uma outra investigação em curso na Polícia Federal de Dourados. A apuração federal, porém, tem o propósito oposto, que é o de apurar eventual coação às empresas que prestaram serviços ao Cimi. 

Investigação

Inquérito da Polícia Civil de Rio Brilhante tem indícios de que o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) patrocinou a invasão à Fazenda do Inho, no dia 6 de março deste ano, por indígenas da etnia guarani-kaiowá. 

O órgão, ligado à Igreja Católica Apostólica Romana, bancou o fretamento de dois ônibus para garantir a ocupação e pagou R$ 20 mil pelas viagens. A notícia foi divulgada em primeira mão pelo Correio do Estado no dia 5 de maio.  

Conforme inquérito ao qual o Correio teve acesso, as notas fiscais estão em poder da Polícia Civil de Rio Brilhante, que investiga o esbulho possessório contra o produtor rural José Raul das Neves, de 83 anos, e seu filho José Raul das Neves Júnior.

A fazenda pertence à família deles desde 1967 e nunca esteve, até então, nos documentos oficiais da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) como uma possível terra indígena, segundo José Raul Júnior, que administra a propriedade. 

No inquérito constam depoimentos dos proprietários das empresas de fretamento de ônibus e também as notas fiscais de contratação das viagens. 

O Cimi pagou R$ 10 mil por viagem. Um dos ônibus, da empresa Anjos Transportes, saiu da cidade de Amambai, levando indígenas da aldeia da cidade. O outro ônibus, da empresa SB, saiu de Dourados, levando indígenas guarani-kaiowá residentes nas cidades de Naviraí, Eldorado, Iguatemi, Amambai, Tacuru e Paranhos.

A Fazenda do Inho, invadida no dia 6 de março, continua ocupada, porém, com menos indígenas. José Raul das Neves Júnior disse ao Correio do Estado que, nas semanas seguintes à invasão, os cerca de 80 indígenas voltaram para suas aldeias de origem. Ele, porém, continua sem poder utilizar a propriedade.

“Tive apenas três dias para colher a soja que tinha plantado no local. Consegui plantar aproximadamente 70 hectares de milho safrinha, mas não consigo entrar na propriedade para me dedicar à cultura”, queixou-se. 

José Raul Júnior também é dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT) em Rio Brilhante e contou com o apoio de parlamentares, como o deputado estadual Zeca do PT e o deputado federal Vander Loubet, na mediação para que os indígenas desocupassem o local, mas sem sucesso. 

Atualmente, ajuizou uma ação de reintegração de posse na Justiça Federal, em Dourados, que ainda não teve decisão tomada. 

A Fazenda do Inho tem 392 hectares e é o único bem da família Neves. A área cultivável é de aproximadamente 250 hectares. Ela está localizada às margens da BR-163 e às margens do Rio Brilhante. 

A propriedade vizinha, a Fazenda Santo Antônio da Esperança, está ocupada desde 2007, segundo informou José Raul Júnior. 

Reivindicação ou “Direito de invadir”?

Na mesma carta publicada no dia 7, no site do Cimi, em que admite ser patrocinada pelo órgão da Igreja Católica, a Assembleia Aty Guassu também reafirma o seu direito de ocupar terras.

“Não há nada pior para nós do que menosprezarem nossas decisões e o direito de nossa luta por nossos Tekoha (locais considerados sagrados, e terras a serem retomadas e reivindicadas para demarcação)”, afirmam os indígenas.

Os Aty Guassu, por sua vez, afirmam que não é a Aty Guassu, nem uma organização kaiowa decide uma retomada.

“ Isso vem de cada comunidade que não aguenta mais viver massacrada enquanto espera sua demarcação e que sabe onde fica seu território que foi roubado”.

A resposta dos indígenas surgiu depois de o proprietário da Fazenda, José Raul das Neves Júnior, embasar sua defesa justamente no fato de a terra reivindicada pelos guarani-kaiowa, a Laranjeira-Nhanderu, não constar em nenhum termo de ajustamento de conduta chancelado pela Funai ou pelo Ministério Público Federal nos últimos 20 anos, ao contrários de terras localizadas nos municípios de Caarapó e Amambai, por exemplo. 

A argumentação de José Raul Júnior, que detém o título da propriedade desde 1967 (a propriedade é legalizada há mais de 100 anos) e falta de qualquer oficialização do clamor dos indígenas, até mesmo de estudos antropológicos, enfraqueceu o movimento perante a opinião pública. 

Filiado ao PT, partido que historicamente esteve ao lado das causas indígenas, José Raul conta com o apoio de dois parlamentares: Zeca do PT (deputado estadual) e Vander Loubet (deputado federal). 

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COMBUSTÍVEL

Petrobras recebe parcela de R$ 448 milhões, referente à subvenção à gasolina

Com esse pagamento, o montante acumulado recebido pela empresa no âmbito dos programas de subvenção ao óleo diesel, gasolina e GLP alcança, até o momento, R$ 9,9 bilhões

19/09/2026 21h00

Gasolina em Campo Grande ultrapassa os R$ 7 no crédito

Gasolina em Campo Grande ultrapassa os R$ 7 no crédito Gerson Oliveira

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A Petrobras informou hoje que recebeu parcela do Programa de Subvenção Econômica à comercialização de gasolina. Segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foram repassados à estatal R$ 448 milhões, referentes à comercialização de gasolina no período de 16 e 31 de julho.

"Com esse pagamento, o montante acumulado recebido pela Petrobras no âmbito dos programas de subvenção ao óleo diesel, gasolina e GLP alcança, até o momento, R$ 9,9 bilhões", diz a empresa.

Além disso, a estatal informou que seu Conselho de Administração, em reunião realizada a sexta-feira, aprovou a adesão à subvenção econômica de produtores e importadores de óleo diesel e suas correntes, instituída pela Medida Provisória nº 1.391, de 11 de setembro de 2026. Segundo a empresa, a adesão ocorre nos termos da regulamentação aplicável estabelecendo o valor unitário da subvenção em R$ 1,00 por litro de óleo diesel "A", de uso rodoviário, pelo prazo de 30 dias, podendo ser prorrogada por igual período.

"A adesão à subvenção econômica de que trata a MP nº 1.391/2026 não afasta o direito ao recebimento das subvenções econômicas já devidas ao produtor ou ao importador, tampouco revoga a adesão da companhia à subvenção autorizada pela MP nº 1.363/2026, no valor de R$ 1,12 por litro de óleo diesel "A"", disse a Petrobras. "Dessa forma, os benefícios previstos em ambos os programas são cumulativos."

De acordo com a estatal, diante do caráter facultativo e do potencial benefício, entende-se que essa adesão é compatível com o interesse da companhia. "A efetiva assinatura do termo de adesão ficará condicionada à publicação e à análise do regulamento previsto na MP nº 1.391/2026, necessário à operacionalização da subvenção econômica", informou.

Cabe destacar que a Petrobras mantém sua estratégia comercial, orientada pela participação de mercado, pela otimização de seus ativos de refino e pela busca de rentabilidade de forma sustentável, evitando o repasse imediato aos preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio, informou a estatal.

"A companhia segue comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente, preservando a flexibilidade necessária para a execução de sua estratégia comercial e para a geração de valor de longo prazo", afirmou a Petrobras.

ENCONTRO

Oposição cobra afastamento de Gonet após foto com Vorcaro em Londres

O advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro

19/09/2026 18h00

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro Divulgação: Polícia Federal

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Lideranças da oposição cobraram neste sábado, 19, o afastamento do cargo do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto em que ele aparece ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em uma degustação de charutos em Londres.

O registro foi enviado no dia 19 de junho de 2025. "PG mandou agora", disse o advogado Ciro Soares, que intermediava as conversas entre Gonet e o banqueiro, em mensagem logo em seguida A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.

Ao O Globo, a assessoria de Gonet confirmou o encontro, mas lembrou que o ministro André Medonça, do Supremo Tribunal Federal, atestou durante sessão da Corte que não encontrou ilícito envolvendo o procurador-geral. Na sessão da terça-feira, 15, Mendonça fez menção a encontros sociais apenas vinculados ao nome de Gonet.

Em nota via assessoria de imprensa, o advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro. "Não há qualquer irregularidade na foto", afirma.

Candidato do Novo ao Senado pelo Rio Grande do Sul, o deputado federal Marcel van Hattem acusa Gonet de ter mentido na sessão do Supremo Tribunal Federal realizada na última terça-feira, 15. Na ocasião, a corte analisou uma petição que trata da possibilidade de que seja aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

"(A foto) Mostra mais uma vez que eles acham que estão acima de qualquer crítica, inclusive mentindo deslavadamente na sessão do Supremo Tribunal Federal", disse Van Hattem. "Se não tinha proximidade, talvez seja só porque ele apareceu na foto do outro lado da mesa, o que obviamente é um escárnio, uma ironia. Ele precisa ser investigado também e sair da procuradoria-geral da República", afirmou.

Na sessão, Gonet afirmou que não teve proximidade com o dono do Banco Master e disse que esteve com o empresário em ocasião com outras autoridades no mês de abril de 2024.

O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, também acusou Gonet de ter mentido. "Disse que não tinha proximidade, que Vorcaro era desconhecido, que o encontro foi breve, banal, no meio de muita gente", escreveu em uma rede social. "Há 17 dias eu protocolizei no STF o pedido de afastamento de Paulo Gonet do caso Master. Ele continua no cargo e o Senado continua em silêncio", continuou.

Ex-secretário da Pesca no governo de Jair Bolsonaro (PL), o senador Jorge Seif (PL-SC) defendeu que o procurador-geral da República renuncie ao cargo. "O PGR de Lula, Gonet, também está enrolado com Master/Vorcaro. Mentiroso. Por isso na última semana protocolei o impeachment desse sujeito", disse, em postagem em uma rede social. "Não tem a menor condição de seguir à frente da PGR. Se tivesse vergonha na cara, renunciaria. Mas o que esperar dessa gente? Caras de pau", concluiu.

Para o deputado federal Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, a foto "reforça a percepção de que, no Brasil, dinheiro e influência abrem portas que permanecem fechadas ao cidadão comum".

"Enquanto milhões de brasileiros esperam anos por uma decisão judicial, personagens poderosos circulam com desenvoltura entre ministros, magistrados e as autoridades que deveriam fiscalizá-los", disse.

Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) argumentou que quem ocupa cargos públicos precisa respeitar distanciamento. "As relações são institucionais", disse. Para ele, o procurador-geral escolheu "se aproximar de investigados e dos clientes". "Como disse em sua sabatina no Senado: 'Gonet, você fracassou'", escreveu.

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