Cidades

ANIMAL EMBLEMÁTICO

Instituto em Corumbá usa fama de encrenqueira da onça para conscientizar pecuaristas

Parte do trabalho do Instituto Homem Pantaneiro é rodar o Pantanal em contato com proprietários de terras para mostrar como evitar o contato entre as onças e os rebanhos, além de conscientizá-los sobre esses grandes felinos

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Por sempre estar na cabeça e na imaginação do pantaneiro, a onça-pintada - bicho emblemático do Pantanal - acaba levando culpas que não são suas e, nos casos mais extremos, é abatido por vingança, sendo que todos os olhos estão a sua procura, apesar de não necessariamente ela querer dar as caras.

Um boi foi morto? Foi a onça. Sumiu bezerro? Onça. Um cachorro desapareceu? Onça. Pode ter sido uma onça-pintada? Sem dúvida. Mas nem sempre.

"Todo aquele medo e respeito em relação à onça-pintada atrai a responsabilidade de qualquer coisa que acontece. Mesmo em áreas em que tem onça-parda (Puma concolor) e pintada (Panthera onca) sempre vão falar que foi a pintada que comeu", afirma Diego Viana, coordenador do Programa Felinos Pantaneiros, do IHP (Instituto Homem Pantaneiro).

Há momentos em que a pintada leva a culpa mesmo quando um não felino é o responsável, como em ataques de cobra.

Mas não é só a fama do bichano que causa confusão. O manejo de rebanhos sem os controles devidos tem papel importante nessas histórias, afirma o presidente do IHP, Ângelo Rabelo.

Ele cita, por exemplo, o cuidado de, em época em que as vacas estão parindo, recolher o gado para locais onde haja cercas elétricas. "Historicamente, em fazendas muito grandes, o bezerro nascia no campo. O cara vai no dia seguinte, vê que nasceu um e morreu. [Acha que] É a onça", diz Rabelo.

O presidente do IHP dá o exemplo de uma fazenda que dizia ter perdido 300 cabeças de gado para a onça-pintada. "Eu falei: 'deve ter mão de ladrão aí, né?'", conta.

Manejar animais no Pantanal não necessariamente é simples. Entre complicadores estão as grandes distâncias no bioma e, dependendo do tamanho da propriedade, o número de funcionários --principalmente para fazendas menores em que trabalham, basicamente, só membros de uma família.

Além disso, Viana afirma que a origem de quem comanda a fazenda também pode ter algum impacto nessa percepção. Não é incomum, diz, que grandes propriedades do Pantanal sejam compradas, atualmente, por grupos que não originalmente da região.

"Nesse perfil de pessoas de fora é muito importante a gente apresentar esse conhecimento tradicional", diz Viana.

Isso não quer dizer, porém, que os próprios pecuaristas pantaneiros estejam preparados para esse tipo de identificação de ataques --afinal, se assim fosse, a onça-pintada não seria um bode expiatório.

"Esse é um dos nossos trabalhos. A gente chega às fazendas para capacitar ou relembrar os peões. Reforçamos esse conhecimento tradicional que o pantaneiro tem para identificar o que é um caso de onça-pintada, um caso de onça-parda ou outra causa de morte do rebanho", diz Viana.

Há formas de diferenciar quem foi o responsável pelo ataque, como as características das mordidas, as pegadas ao redor e as áreas da presa que foram consumidas.

Até o tamanho do bicho morto pode dar pistas sobre a autoria do ataque, considerando que a onça-pintada é maior e tem potencial para avançar sobre presas maiores.

Mas a situação parece estar mudando aos poucos. Segundo Rabelo, as novas gerações de pecuaristas no Pantanal estão cada vez mais rigorosos com o manejo dos rebanhos.

"E a geração que está chegando agora e comprando as áreas trabalha na ponta da caneta. Qualquer tipo de prejuízo é tratado com prioridade", diz o presidente do IHP.

Prevenção

Parte do trabalho desenvolvido no IHP é rodar o Pantanal (recentemente, o instituto ampliou a parceria com a empresa automotiva General Motors e recebeu mais uma caminhonete para executar esse serviço e mais verba) entrando em contato com proprietários de terras para mostrar como evitar o contato entre as onças e os rebanhos, além de conscientizá-los sobre esses grandes felinos.

Uma dessas formas de prevenção é a própria a cerca elétricas. O sistema funciona com o primeiro fio eletrificado ficando de 20 a 30 cm distante do chão; o segundo não é eletrificado e o terceiro fio deve receber corrente. Já há indicação para uso de um quarto fio, também não eletrificado, diz Viana.

O choque que a onça toma ao tentar atravessar a cerca não é letal, segundo Viana. O coordenador do Programa Felinos Pantaneiros teve o primeiro contato com as cercas elétricas --ele declara, inclusive, que vem tomando choques constantemente como parte do trabalho diário-- como ferramenta para mitigação de conflitos durante um intercâmbio que fez para a África do Sul, ainda na faculdade.

Após isso, Viana trocou informações com o pesquisador Rafael Hoogesteijn, membro da organização Panthera Brasil, que trabalha com uso de cercas há décadas e acompanhou o início da aplicação dessa ferramenta pelo IHP.

Apesar de ser uma ideia já existente, o IHP tenta dar escala à iniciativa no Pantanal.

Outra ação que é indicada pelo IHP são repelentes luminosos. Trata-se de um pequeno aparelho com diversos LEDs em sua superfície que piscam em cores e frequências diversas. Segundo o instituto, o estranhamento que o objeto causa na onça faz com que ela se afaste do local.

Segundo Viana, porém, esses repelentes são uma estratégia momentânea, considerando que, eventualmente, as onças se acostumam com a presença das luzes estranhas. A ideia é usar essa ferramenta somente em épocas de parição e em áreas mais vulneráveis da propriedade.

Existem, porém, condutas ainda mais simples, que já são postas em prática como parte da cultura pantaneira. Uma delas é recolher os animais do pasto ou colocá-los em locais protegidos.

Viana diz que parte do trabalho que o IHP faz é mostrar aos produtores e aos ribeirinhos que são as ações deles que facilitam ou dificultam o trabalho de predação da onça.

"Pensando em cães e porcos, você leva uma presa muito mais fácil de ser abatida do que qualquer espécie silvestre. Até uma capivara se defende mais que um cachorro ou um porco", diz Viana.

Por exemplo, considerando que os casos predominam no período noturno, colocar cachorros em locais protegidos à noite dificulta as possibilidades de emboscada de uma onça.

Proteger os animais em recintos, porém, não necessariamente é o antídoto perfeito. A reportagem esteve em uma fazenda na Nhecolândia, uma das regiões do Pantanal, que, há algum tempo, havia perdido, durante uma noite, inúmeros carneiros, criados para alimentação dentro da propriedade.

Adivinhe a culpada? Se você está pensando em uma onça-pintada, volte para o começo do texto. O algoz dos carneiros foi uma onça-parda. 

O jornalista viajou ao Pantanal a convite da GM (General Motors).

 

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Levantamento

Pais estão menos presentes na criação de filhos, aponta estudo

Brasileiro consolidou ideia de que o bom pai é o presente no dia a dia

07/08/2026 19h00

Agência Brasil

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Metade dos brasileiros acredita que os pais da atualidade estão menos presentes na criação dos filhos do que os das gerações anteriores. Em contrapartida, oito em cada dez brasileiros consideram alta ou muito alta a importância dos pais na vida dos filhos. 

A constatação é de estudo do Instituto Nexus. Foram entrevistados 2.013 pessoas de diferentes regiões do país. Um fator que ficou evidente na pesquisa foi a divergência de percepções sobre o papel do pai entre os homens e as mulheres consultadas.

Entre as mulheres, 56% acreditam que os pais participam menos do que antes, enquanto 31% acreditam que estão mais presentes. Entre os homens, a percepção é equivalente, com 44% achando que a participação é maior hoje, enquanto outros 44% afirmam que diminuiu.

Quanto à importância na paternidade, 81% dos homens a classificam como alta ou muito alta no desenvolvimento dos filhos, em comparação com 73% das mulheres. 

Ao analisar as faixas etárias, observa-se que 82% dos jovens de 16 a 24 anos de idade a consideram importante. Por outro lado, esse reconhecimento reduz-se para 62% entre as pessoas com 60 anos ou mais.

O estudo também avaliou a definição prática do que é ser um “bom pai” e aponta que 49% da população considera “ser presente no dia a dia” como a principal característica. Em seguida surge educar/orientar com limites (19%), demonstrar carinho e afeto (8%), dar exemplo (7%) e oferecer segurança financeira (3%). 

A presença diária é apontada por 53% das mulheres como o mais relevante para definir um bom pai, superando os 45% registrados entre os homens. 

A imposição de limites na educação e orientação é tida como o principal atributo por 21% do público masculino e 17% do feminino.

O convívio paterno no dia a dia é visto como mais importante entre a população de 25 a 40 anos (56%) e a de 16 a 24 anos (55%). Os mais velhos consideram a educação a caraterística mais importante. O índice é superior entre a faixa de 41 a 49 anos (24%) e de 60 anos ou mais (26%).

"O brasileiro já consolidou a ideia de que o bom pai é aquele presente no dia a dia, deixando para trás a figura do mero provedor financeiro. O desafio agora está na prática", avalia Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. 

"O fato de metade da população enxergar os pais de hoje como menos participativos do que os do passado mostra que o discurso avançou mais rápido do que a mudança real de comportamento dentro de casa”, acrescenta.

Crime Organizado

Líderes do Comando Vermelho que ordenavam homicídios em MS vão para presídio federal

Mesmo presos em Cuiabá, Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva são apontados pela Polícia Civil como mandantes de ataques em Três Lagoas; dupla foi transferida para penitenciária federal de segurança máxima em Mossoró.

07/08/2026 18h31

Presos apontados como líderes do Comando Vermelho foram transferidos para a Penitenciária Federal de Mossoró.

Presos apontados como líderes do Comando Vermelho foram transferidos para a Penitenciária Federal de Mossoró. Foto: Divulgação

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Mesmo atrás das grades na Penitenciária Central de Cuiabá, em Mato Grosso, dois presos apontados como lideranças do Comando Vermelho (CV) continuavam exercendo poder sobre integrantes da facção e ordenando ataques e homicídios em Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul. A descoberta levou à transferência dos dois para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva são apontados pela Polícia Civil como integrantes de posição de comando na estrutura da organização criminosa e suspeitos de determinar pelo menos três ataques registrados nos últimos meses em Três Lagoas, em meio à disputa territorial entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

As investigações conduzidas pela Polícia Civil de Três Lagoas indicaram que a prisão no sistema penitenciário de Mato Grosso não havia interrompido a atuação dos investigados. Mesmo custodiados, eles teriam mantido influência sobre integrantes da organização que estavam fora das unidades prisionais.

Conforme os elementos reunidos durante a investigação, os dois recebiam e transmitiam ordens, articulavam ações criminosas e continuavam coordenando homicídios qualificados.

A suspeita é de que as determinações repassadas de dentro da prisão estivessem diretamente relacionadas à recente escalada da violência provocada pela disputa entre facções em Três Lagoas.

No mês de maio em apenas três dias, a cidade registrou uma sequência de atentados, incluindo mortes, que passaram a ser investigados dentro do contexto da rivalidade entre CV e PCC.

Transferência para presídio federal

Diante dos indícios de que os presos continuavam exercendo funções de comando, o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antonio Carlos Videira, determinou a adoção de medidas para retirar os dois do sistema penitenciário estadual.

A Polícia Civil então representou à Justiça pela inclusão emergencial de Bruno Rafael e Bruno Jorge no Sistema Penitenciário Federal. O pedido recebeu parecer favorável do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e posteriormente foi deferido pela Justiça Federal.

Com a autorização, os dois foram retirados da Penitenciária Central de Cuiabá e transferidos para a Penitenciária Federal de Mossoró, unidade de segurança máxima destinada, entre outros perfis, a presos considerados de alta periculosidade e integrantes de posições estratégicas de organizações criminosas.

Na decisão, a Justiça considerou a elevada periculosidade atribuída aos investigados e os indícios de que ambos exerciam funções de comando dentro da organização criminosa.

Também foi considerado que a permanência deles no sistema penitenciário estadual não estava sendo suficiente para impedir a continuidade das atividades ilícitas.

A atuação atribuída aos dois presos também teria contribuído para a intensificação da violência registrada recentemente em Três Lagoas, justamente pela capacidade de manter contato e influência sobre integrantes da facção mesmo durante o cumprimento da pena.

Medida é inédita em Mato Grosso do Sul

A transferência representa um precedente para a segurança pública sul-mato-grossense. Conforme a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), esta é a primeira vez que uma solicitação feita por Mato Grosso do Sul resulta na transferência de presos que estavam custodiados pelo sistema penitenciário de outro Estado diretamente para uma unidade do Sistema Penitenciário Federal.

O pedido foi fundamentado nos reflexos que as ordens atribuídas aos investigados estavam provocando em território sul-mato-grossense, apesar de ambos estarem fisicamente presos em Mato Grosso.

Com o envio para Mossoró, as autoridades buscam dificultar a comunicação dos investigados com integrantes da organização criminosa e interromper a cadeia de comando responsável pela articulação dos ataques.

Estado endurece estratégia contra chefes de facções

A operação também deverá servir como modelo para situações semelhantes. Por determinação de Antonio Carlos Videira, a transferência para o sistema federal passará a integrar a estratégia das forças de segurança estaduais contra integrantes de organizações criminosas que continuarem comandando crimes com reflexos em Mato Grosso do Sul mesmo estando presos em outros Estados.

A diretriz estabelece que, quando as investigações identificarem presos ordenando homicídios, atentados ou outras ações criminosas que atinjam Mato Grosso do Sul, a Polícia Civil deverá adotar as medidas judiciais cabíveis para solicitar a inclusão dos envolvidos no Sistema Penitenciário Federal.

A estratégia busca atingir diretamente a estrutura de comando das facções e impedir que lideranças utilizem unidades prisionais estaduais para manter influência sobre integrantes em liberdade.

No caso de Três Lagoas, a medida ocorre em meio ao acirramento da disputa entre Comando Vermelho e PCC e à sequência de episódios violentos investigados pelas forças de segurança.

Agora em Mossoró, Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva ficarão submetidos às regras de uma unidade federal de segurança máxima, enquanto as investigações sobre os ataques e os demais integrantes envolvidos na disputa entre as facções continuam.

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