Embora as autoridades municipais neguem, funcionários da escola municipal Bernardo Franco Baís garantem que o adolescente que esfaqueou a mãe de um aluno nesta quinta-feira tem antecedentes graves por violência na escola.
“Esse menino foi meu aluno no ano passado, no 9º ano. Sempre teve conduta agressiva. Teve episódio de briga (agressão física) em sala de aula e também na minha aula, chamei a orientação escolar porque ele estava com uma faca na mochila (foi encaminhado para a direção da escola e chamamos a polícia e a mãe e o padrasto também)”.
A pessoa que fez o relato acima em uma rede social também garante que o caso foi registrado em ata da escola e que esse documento teve assinatura dela e de outras pessoas.
Mesmo assim, o secretário de educação, Lucas Bitencourt, negou ontem e reafirmou na manhã desta sexta-feira que houvesse algum registro de anormalidade sobre o comportamento do ex-aluno na escola. “Nas atas levantadas não tem nada. O que estamos fazendo agora é a inteligência da Guarda Municipal levantando esse histórico”.
O secretário de segurança pública, Anderson Gonzada, foi na mesma linha. “A investigação está com a Polícia Civil. Ele foi já foi levado inclusive para a Unei. Mas aparentemente, ele nunca apresentou um comportamento anormal. Inclusive nunca teve uma alteração aqui na escola até o ano passado, já que agora ele está numa escola estadual”.
Na sequência, informou ter tomado conhecimento de que na quarta-feira, dia anterior ao do ataque, ele teria se envolvido numa ocorrência de violência nesta escola estadual, mas não revelou detalhes. O Correio do Estado procurou a assessoria da Secretaria de Estado de Educação, mas até a publicação desta reportagem não havia obtido resposta.
Os dois secretários negaram, também, que tenham conhecimento de que o agressor tivesse sido vítima de estupro no ano passado no banheiro da escola, conforme ele teria informado em seu depoimento à Polícia Civil. No depoimento, teria informado que estava em busca de vingança contra os três autores deste suposto estupro.
Sob a condição de não terem a identidade revelada, funcionários da escola acreditam que esse fato de tentarem esconder o histórico do ex-aluno seja uma espécie de temor de que a escola ou a Semed possam ser acusadas de omissão, já que o estudante continuou normalmente na escola até concluir o ensino fundamental. E, se estava em busca de vingança, os supostos autores da violência sexual também continuam normalmente na unidade de ensino.
FALTOU ÁGUA
Na quinta-feira à tarde, cerca 300 crianças e adolescentes estavam nas 11 salas da escola. Praticamente todas já estavam dentro da sala de aula e mal perceberam o ataque sofrido pela mãe de uma das crianças
As viaturas policiais e dos bombeiros chegaram ao local com as sirenes ligadas, mas logo desativaram. Mesmo assim, poucas crianças tomaram conhecimento da tentativa de invasão do prédio por um adolescente que estava com quatro facas e uma especie de marreta.
Após esfaquear a mãe de um aluno, ele foi imobilizado por um agente patrimonial e um professor. A mulher ferida, uma advogada de 46 anos, foi levada à Santa Casa, medicada e já teve alta. O agressor foi levado à Deaij e as aulas seguiram normalmente.
No meio da tarde, porém, as crianças receberam o aviso de que as aulas seriam interrompidas porque estava faltando água. Os familiares foram avisados e as crianças foram liberadas.
“Até agora meu filho, que está no primeiro ano, não sabe o que aconteceu. Os professores e a direção pouparam as crianças desse trauma. Ainda bem. Eu acompanhei pela internet e daqui do lado de fora e só pensava que algo pudesse ter acontecido com ele, mas quando fui buscar, vi que ele não sabia de nada e aí também fiquei quieta”, relatou uma mãe na manhã desta sexta-feira ao passar em frente da escola, localizada no cruzamento da Avenida Calógeras com a Rua Doutor Mário Corrêa, na Vila Glória, em Campo Grande.
Imagem mostra inseto encontrado pela consumidora no hambúrguer comprado em unidade do Jeronimo, em Campo Grande. Foto: Reprodução.

