Cidades

CLUBE ESPORTIVO NAVIRAIENSE

Investigação aponta irregularidades em repasse milionário à time de futebol de MS

Direção do clube resiste em apresentar documentos que comprovam finalidades legais dos recursos e MPE aponta destino de financiamento enquanto há carência na saúde e educação pública

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Conforme acompanha o Correio do Estado desde o último sábado, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPE) instaurou um inquérito para investigar repasses que o Clube Esportivo Naviraiense (CEN) recebeu desde abril de 2025 até o momento.

Segundo apuração em primeiro momento, os repasses totalizaram R$ 200 mil destinados apenas as categorias de base do time de futebol (sub-12 e sub-13). No entanto, de acordo com as investigações do MPE os repasses somam mais de R$ 1 milhão, incluindo valores que foram destinados ao time principal profissional.

A motivação da abertura do inquérito não é pelo alto valor destinado ao clube, mas sim devido à falta de transparência e indícios de má gestão quanto à aplicação de recursos financeiros que o município de Naviraí repassa à equipe esportiva.

De acordo com novas informações, a investigação deu origem após denúncias anônimas em que, apesar da entidade receber recursos financeiros com frequência, acumulava uma série de descumprimentos de obrigações básicas, como atraso no pagamento de salários de jogadores, além de inadimplência em outras despesas correntes, que chegaram à ações na Justiça do Trabalho.

Ainda conforme a investigação, a 2ª Promotoria de Justiça de Naviraí, responsável pelo caso, disse que a direção do clube demonstrou até o momento "resistência em fornecer documentos obrigatórios exigidos pelo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC)".

Instituído pela Lei nº 13.019, de 2014, o marco determina regras de mútua cooperação, transparência e eficiência em parcerias entre administração pública e OSCs (associações, fundações, ONGs).

Com foco nos termos de fomento e colaboração, que apresentem resultados, planejamento e prestação de contas, o que de acordo com o MPE não foi feito pelo C.E Naviraiense. 

Além desses apontamentos, o órgão público também destacou nas investigações que as despesas de manutenção, incluindo limpeza, contas de água e luz do Estádio Municipal "Virotão", casa do time de futebol investigado, são custeadas integralmente pela Prefeitura de Naviraí, o que significa que os valores adquiridos com bilheterias, patrocínios e anuidade de sócio-torcedor podem ter outros fins, sem ser com o Estádio.

O Ministério Público ainda justifica a abertura do inquérito como uma espécie de monitoramento se o aporte público é compatível com as necessidades reais do Clube Esportivo, uma vez que, diante do montante repassado e da não comprovação regular, há também no município carências em outras áreas, como saúde e educação pública.

A falta de transparência sobre planos de trabalho e metas compromete a legalidade das parcerias e, de acordo com o MPE, quando não justificado o uso do fomento, há possibilidade de escalonar para caso de corrupção, desperdício ou desvio de finalidade, configurando violação de regras éticas e de boa gestão.

Incluindo a responsabilização de agentes envolvidos, nesse caso, o Naviraiense e o Município de Naviraí.

A reportagem tentou contato com o Presidente do Clube Esportivo Naviraiense, mas não obteve retorno até o momento de publicação da matéria.

*Saiba

Recentemente, o Clube Esportivo Naviraiense perdeu uma ação na Justiça do Trabalho, com condenação da entidade a pagar mais de R$ 8 mil ao atleta Guilherme Júnior da Silva. Na ocasião, o jogador e a equipe possuíam um vínculo empregatício de dois meses, mas sem pagamento de salário.

Segundo as investigações, a equipe desportiva apresentou documentos de compra de passagens para o atleta como prova do vínculo que havia compromisso salarial, mas o órgão público não encarou como suficiente.

A justiça então reconheceu o Contrato Especial de Trabalho Desportivo entre o atleta e o clube de 23 de janeiro a 23 de abril de 2025, com salário de R$ 3 mil, apresentado por ambas as partes. Ao fim do processo, o juiz determinou o pagamento de R$ 8.692,27 em verbas rescisórias, além do depósito de R$ 989,28 no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

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ENCONTRO

Oposição cobra afastamento de Gonet após foto com Vorcaro em Londres

O advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro

19/09/2026 18h00

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro Divulgação: Polícia Federal

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Lideranças da oposição cobraram neste sábado, 19, o afastamento do cargo do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto em que ele aparece ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em uma degustação de charutos em Londres.

O registro foi enviado no dia 19 de junho de 2025. "PG mandou agora", disse o advogado Ciro Soares, que intermediava as conversas entre Gonet e o banqueiro, em mensagem logo em seguida A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.

Ao O Globo, a assessoria de Gonet confirmou o encontro, mas lembrou que o ministro André Medonça, do Supremo Tribunal Federal, atestou durante sessão da Corte que não encontrou ilícito envolvendo o procurador-geral. Na sessão da terça-feira, 15, Mendonça fez menção a encontros sociais apenas vinculados ao nome de Gonet.

Em nota via assessoria de imprensa, o advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro. "Não há qualquer irregularidade na foto", afirma.

Candidato do Novo ao Senado pelo Rio Grande do Sul, o deputado federal Marcel van Hattem acusa Gonet de ter mentido na sessão do Supremo Tribunal Federal realizada na última terça-feira, 15. Na ocasião, a corte analisou uma petição que trata da possibilidade de que seja aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

"(A foto) Mostra mais uma vez que eles acham que estão acima de qualquer crítica, inclusive mentindo deslavadamente na sessão do Supremo Tribunal Federal", disse Van Hattem. "Se não tinha proximidade, talvez seja só porque ele apareceu na foto do outro lado da mesa, o que obviamente é um escárnio, uma ironia. Ele precisa ser investigado também e sair da procuradoria-geral da República", afirmou.

Na sessão, Gonet afirmou que não teve proximidade com o dono do Banco Master e disse que esteve com o empresário em ocasião com outras autoridades no mês de abril de 2024.

O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, também acusou Gonet de ter mentido. "Disse que não tinha proximidade, que Vorcaro era desconhecido, que o encontro foi breve, banal, no meio de muita gente", escreveu em uma rede social. "Há 17 dias eu protocolizei no STF o pedido de afastamento de Paulo Gonet do caso Master. Ele continua no cargo e o Senado continua em silêncio", continuou.

Ex-secretário da Pesca no governo de Jair Bolsonaro (PL), o senador Jorge Seif (PL-SC) defendeu que o procurador-geral da República renuncie ao cargo. "O PGR de Lula, Gonet, também está enrolado com Master/Vorcaro. Mentiroso. Por isso na última semana protocolei o impeachment desse sujeito", disse, em postagem em uma rede social. "Não tem a menor condição de seguir à frente da PGR. Se tivesse vergonha na cara, renunciaria. Mas o que esperar dessa gente? Caras de pau", concluiu.

Para o deputado federal Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, a foto "reforça a percepção de que, no Brasil, dinheiro e influência abrem portas que permanecem fechadas ao cidadão comum".

"Enquanto milhões de brasileiros esperam anos por uma decisão judicial, personagens poderosos circulam com desenvoltura entre ministros, magistrados e as autoridades que deveriam fiscalizá-los", disse.

Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) argumentou que quem ocupa cargos públicos precisa respeitar distanciamento. "As relações são institucionais", disse. Para ele, o procurador-geral escolheu "se aproximar de investigados e dos clientes". "Como disse em sua sabatina no Senado: 'Gonet, você fracassou'", escreveu.

CAMPO GRANDE

Projeto que suspende descontos do Master na folha dos servidores é aprovado

Câmara Municipal de Campo Grande aprovou a medida que alcança servidores ativos, aposentados e pensionistas

19/09/2026 17h00

Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) aplicou dinheiro no Banco Master

Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) aplicou dinheiro no Banco Master Gerson Oliveira

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Nesta semana, a Câmara Municipal de Campo Grande aprovou o Projeto de Lei que determina a suspensão dos descontos em folha de pagamento relacionados ao Banco Master, ao CredCesta e às instituições e empresas vinculadas às operações. A medida alcança servidores municipais ativos, aposentados e pensionistas.

O projeto de lei é de autoria da vereadora Luiza Ribeiro (PT) e do vereador Jean Ferreira (PT). Com a aprovação da Casa de Leis, o projeto segue agora para sanção da Prefeitura de Campo Grande. 

A proposta foi aprovada em única discussão e votação e estabelece a suspensão do processamento dos descontos referentes a empréstimos consignados, cartões de crédito consignados, cartões de benefício consignado e outras modalidades de crédito vinculadas às instituições.

O texto também prevê a suspensão de novas averbações em folha e determina que o Município adote medidas para verificar a regularidade dos contratos e das operações. Entre as providências previstas estão: a disponibilização aos servidores de cópia integral dos contratos; demonstrativo atualizado do saldo devedor; e memória discriminada do cálculo da dívida. 

No projeto apresentado em setembro, Luiza Ribeiro voltou a questionar a regularidade das consignações e do credenciamento das instituições no sistema municipal. A justificativa cita, entre outros pontos, requisitos previstos no Decreto Municipal nº 13.870/2019 e sustenta que a utilização da folha de pagamento deve observar as regras estabelecidas pelo próprio Município.

A suspensão dos descontos não significa perdão ou extinção de eventuais dívidas. A medida interrompe o desconto automático em folha enquanto são realizadas as apurações necessárias sobre a regularidade das consignações e dos contratos.

A proposta aprovada estabelece, portanto, uma proteção imediata à folha de pagamento dos servidores municipais e cria mecanismos para que as operações vinculadas ao Banco Master e ao CredCesta sejam analisadas antes da continuidade dos descontos.

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