Investigado num processo administrativo conduzido pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) por ter mandado soltar um traficante condenado a cumprir mais de um século de prisão, no período forte da Covid-19, em Campo Grande, o ex-presidente do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), o desembargador Divoncir Schreiner Maran, em mensagem divulgada via advogado que o defende na causa, André Borges, manifestou-se “convicto no esclarecimento dos fatos e, no final, arquivamento do procedimento”.
Divoncir foi processado pelo CNJ, três semanas atrás, por ele ter concordado, por meio de habeas corpus, com a prisão domiciliar de Gerson Palermo, 63 anos, 30 dos quais encrencados com a Justiça, sentenciado a 126 anos de cárcere por tráfico de droga e também por sequestro de um Boeing num voo sobre espaço aéreo do Paraná.
Em nota emitida pela defesa do desembargador, é dito:
“O desembargador Divoncir Maran vem informar que, apesar de lamentar o menosprezo à independência funcional da magistratura, deposita sua confiança e tranquilidade na respeitável e íntegra apuração a ser realizada pelo Conselho Nacional de Justiça”.
Acrescentou o magistrado, que chefiou a principal corte sul-mato-grossense de 2017 a 2018:
“Pelos meios apropriados será apresentada a defesa da decisão investigada – que, além de fundamentada e adequada, foi proferida com a habitual celeridade exigida na situação (habeas corpus de preso durante plantão judiciário na pandemia)”.
Assim a nota foi concluída:
“Mas desde logo, respaldado pelos mais de 42 anos de honesta e digna atuação como magistrado, externa sua convicção no esclarecimento dos fatos e no final arquivamento do procedimento”.
HISTÓRICO
Para ser beneficiado com a prisão domiciliar, Palermo sustentou em sua defesa que era doente, diabetes entre as quais. Daí, ele poderia contrair a Convid-19 na prisão, razão pela qual apelou ao TJMS. Havia, no período, determinação que favorecia réus nessas condições.
Contudo, Palermo, que deixou a prisão com tornozeleira eletrônica, sumiu do mapa oito horas depois da liberdade conquistada e, até hoje, não foi mais capturado.
No sequestro ao Boeing, ele e os comparsas forçaram o piloto do avião a mudar o trajeto e, ao aterrissar, o bando catou malotes de banco que eram transportados e fugiram com ao menos R$ 5 milhões.
MAIS CRIME
Luiz Fernando da Costa, um dos mais famosos traficante brasileiros, o Fernandinho Beira-Mar, preso há décadas, isentou a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) de participação na execução do narcotraficante Jorge Rafaat, que era líder do narcotráfico na linha de fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai e que morreu fuzilado em junho de 2016.
Assunto em questão consta em áudio inédito, captado durante banho de sol no presídio federal de Porto Velho, onde Beira-Mar cumpre pena, e divulgado semana passada pelo Uol.
Na conversa, Beira-Mar responsabiliza Gerson Palermo pelo crime. Palermo é apontado como um dos principais traficantes do país e está foragido desde 2020, desde a decisão que o permitiu a cumprir pena em regime domiciliar. (Com Glaucea Vaccari).
Acidentes envolvendo motociclistas são maioria na Capital - Foto: Felipe Machado / Correio do Estado


