Cidades

JUSTIÇA

Investigador da Polícia Civil é demitido um ano depois de condenado a 13,7 anos por estuprar detenta

Além da sentença, o prisioneiro foi exonerado do cargo; ele recebia em torno de R$ 10 mil mensais

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Já condenado em primeira instância a 13 anos, sete meses e 15 dias de prisão, por estuprar uma detenta de 28 anos de idade, no prédio da delegacia de Polícia Civil, em Sidrolândia, o investigador Elberson de Oliveira, de 41 anos de idade, encarcerado desde abril do ano passado, agora, perdeu o emprego. 

Consta na edição desta quarta-feira (6) do Diário Oficial de Mato Grosso do Sul, que o condenado não é mais policial. 

“O Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública [Antônio Videira], no uso de suas atribuições legais, R E S O L V E: Aplicar a pena de demissão ao servidor ELBERSON DE OLIVEIRA, Cargo de Agente de Polícia Judiciária, Função de Investigador de Polícia Judiciária”. 

Ou seja, pelo crime praticada, Oliveira, deve permanecer encarcerado e não mais receberá o salário de algo em torno de R$ 10 mil mensais. 

O CASO 

Elberson de Oliveira foi sentenciado em primeira instância, em dezembro do ano passado, por estuprar a detenta que tinha sido presa por suposto crime de tráfico de drogas. 

Os ataques sexuais ocorriam numa das salas da delegacia perto da cela que abrigava a vítima. O policial, que só foi preso depois de os próprios detentos o deduraram, terá, além de cumprir a sentença em regime fechado, de pagar uma indenização de R$ 10 mil à vítima. 

O estupro ocorreu em abril passado, no prédio da delegacia da Polícia Civil de Sidrolândia, cidade distante 73 quilômetros de Campo Grande. 

A mulher foi detida numa Van, veículo que seguia de MS para São Paulo. Havia mais passageiros na condução, que acomodava uma carga de maconha e pasta base de cocaína. A mulher negou ser a dona da droga. 

Depois de detida a suspeita foi levada para a delegacia e, desde então, ela foi assediada e estuprada pelo policial Elberson de Oliveira, segundo as investigações. 

O investigador, de acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual, ia até a cela e levava a mulher a um cômodo da delegacia conhecido como Salá Lilás. 

Essa sala existe em delegacias do interior do Estado que não contam com delegacia de Atendimento à Mulher criada com intuito de atender vítimas de violência. 

O policial estuprou a detenta por mais de uma vez. Quando não a levava para a sala Lilás, ele se aproximava da cela e tocava no corpo dela. 

Numa das investidas do então policial, a mulher, que implorava para não ser estuprada, outros detentos a viram chorando. 

Em depoimento, a vítima disse que o então policial a ameaçou dizendo-lhe que se ela o denunciasse "a buscaria até no inferno". 

A mulher contou a uma outra detenta e o caso foi revelado. Elberson de Oliveira ficou sabendo e tentou subornar os detentos presenteando-os com um celular. Não adiantou. 

Os próprios detentos pediram para conversar com a chefe da delegacia e narraram o episódio. Daí, o então investigador foi preso. 

O Ministério Público o acusou por estupro, importunação sexual e também por violência psicológica contra a vítima. 

A mulher foi tirada da delegacia e posta em liberdade por determinação judicial. Ela foi embora para uma cidade do Nordeste, onde mora com a família, incluindo filhos. 

A defesa do ex-policial ingressou com recurso e o MPE, também. Enquanto o caso segue na Justiça, o ex-policial deve permanecer na prisão. Agora, desempregado. 

 

 

Em MS

Traficante foge de abordagem da PRF, bate em árvore e morre

Carro furtado e com placas clonadas era usado para transportar mais de 445 quilos de maconha pela BR-158

26/08/2026 12h10

Foto: Divulgação/CBMMS

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abordagem da Polícia Rodoviária Federal. Durante a fuga o condutor acabou perdendo o controle e colidindo contra uma árvore. 

Na abordagem a PRF apreendeu cerca de 445,2 quilos de maconha. A ação aconteceu no quilômetro 332 da BR-158, em Brasilândia, à 364 km de Campo Grande. 

De acordo com a PRF, a equipe realizava a fiscalização da rodovia, quando deu ordem de parada a um veículo identificado como um Honda/Fit prata, o condutor ameaçou que encontraria, mas fugiu em alta velocidade por uma estrada de terra. 

A perseguição policial aconteceu por 5 quilômetros, até que o motorista perdeu o controle da direção, rompeu uma cerca de uma propriedade rural, tombou e colidiu fortemente contra uma árvore. Com o impacto, inúmeros tabletes de maconha se espalharam ao redor do automóvel.

A colisão contra a árvore foi tão forte que o condutor ficou preso entre as ferragens, foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros ainda com vida e encaminhado ao Hospital Auxiliadora, em Três Lagoas (MS), onde passou a noite em observação e veio a falecer na manhã desta quarta-feira, dia 26. 

A Polícia Civil realizou uma inspeção e perícia no veículo e foi constatado que o carro estava com placas clonadas e possuía registro de furto na cidade de São Paulo (SP), ocorrido em 08/08/2026. 

O veículo, a droga e os materiais apreendidos foram entregues na Delegacia de Polícia Civil de Brasilândia (MS).

INdependência financeira

Uma sala, cinco passos e novos caminhos para empreender na Capital

Espaço criado para reunir orientação e formalização traz soluções simples que transformam vidas de mulheres, algumas delas vítimas de violência

26/08/2026 12h00

Sala da Mulher Empreendedora, em Campo Grande; local ajuda a tirar mulheres do ciclo de violência

Sala da Mulher Empreendedora, em Campo Grande; local ajuda a tirar mulheres do ciclo de violência Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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Aos 127 anos, Campo Grande continua crescendo também a partir de soluções que não precisam ser grandiosas para provocar grandes mudanças. Dentro da Secretaria Executiva da Mulher (Semu), reunir orientação, capacitação e formalização no mesmo espaço tem ajudado a encurtar um caminho que, para muitas mulheres, antes parecia longo demais: transformar uma habilidade em renda e uma vontade em negócio.

A experiência da Sala da Mulher Empreendedora, primeira iniciativa do modelo no Centro-Oeste e terceira do País, já passou do campo das ideias. Somente neste ano, mais de 500 mulheres foram atendidas, segundo o Sebrae-MS. Em uma cidade marcada pelo crescimento do empreendedorismo, a estrutura mostra como concentrar serviços e informações em um mesmo endereço pode ser suficiente para destravar projetos.

O espaço oferece gratuitamente serviços como formalização de MEI, regularização, alterações e baixa de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), além de apoio para questões relacionadas ao gov.br e a atividades de capacitação.

A relevância da iniciativa aparece também no tamanho do público que pode alcançar. Dados da Receita Federal divulgados pelo Sebrae apontam que as mulheres representam 44,8% dos microempreendedores individuais de Campo Grande. Em maio de 2025, a Capital tinha 68.676 MEIs ativos, dos quais mais de 30 mil pertenciam a mulheres.

Para além dos números, a proposta busca resolver uma questão que pode separar uma ideia da sua realização: aproximar a informação de quem precisa dela.

A secretária-executiva da Mulher, Angélica Fontanari, explica que a Sala da Mulher Empreendedora faz parte de uma estrutura mais ampla de fortalecimento da autonomia econômica feminina. Antes de chegar à formalização, muitas mulheres passam por capacitações em temas como gestão financeira, técnicas de vendas, comunicação, inteligência emocional, inteligência artificial e comércio eletrônico.

Depois, a formalização pode estar a poucos passos de distância. Em um dos atendimentos relatados pela secretária-executiva, uma manicure e pedicure contou que havia voltado a trabalhar pouco tempo depois do nascimento da filha porque, sem trabalhar, não teria renda. Ao descobrir os direitos que poderia acessar caso estivesse formalizada como MEI, ela apresentou os documentos e saiu do atendimento com o negócio regularizado.

“Peguei na mão dela, andei cinco passos, porque a sala fica lá dentro da secretaria, e ela saiu de lá formalizada. Saiu de lá protegida”, relatou Angélica.

O caso ajuda a traduzir o propósito de uma estrutura que não se limita à abertura de empresas. Para a Semu, formalizar também significa ampliar a proteção profissional e criar condições para que uma mulher tenha mais segurança para construir autonomia financeira. Segundo Angélica, estudos da secretaria apontaram que 25% das mulheres que passaram pela Casa da Mulher Brasileira eram completamente dependentes financeiramente dos agressores, o que evidencia a relação entre geração de renda e a possibilidade de romper ciclos de violência.

Para Sandra Amarilha, diretora-técnica do Sebrae-MS, reunir diferentes etapas do empreendedorismo em um único lugar é justamente o que dá força à iniciativa. A Sala da Mulher Empreendedora foi criada a partir do entendimento de que empreender pode representar uma ferramenta de autonomia, especialmente para mulheres que enfrentam ou enfrentaram situações de violência.

“O empreendedorismo é uma importante ferramenta de autonomia para as mulheres”, afirmou Sandra.

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