Cidades

mineração em corumbá

Investimento de R$ 1,9 bilhão em porto vai "ressuscitar" a Malha Oeste

Mineradora promete triplicar a capacidade de embarque de minérios em Porto Esperança e para isso está prevista a retomada do transporte por ferrovia

Continue lendo...

Audiência pública convocada pelo Imasul para a próxima quinta-feira (11) em Corumbá vai debater os possíveis danos ambientais causados pelo investimento de R$ 1,9 bilhão previstos na ampliação do porto Gregócio Curvo, que funciona no distrio de Porto Esperança, na margem esquerda do Rio Paraguai. 

Conforme o estudo de impacto ambiental feito pela LHG Mining, empresa de mineração controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, o terminal passará a ter capacidade para embarque anual de até 15 milhões de toneldas de minério a serem escoadas pela hidrovia do Rio Paraguai. Isso significa o triplo da capacidade atual.

Todo este material chegará ao porto por meio de ferrovia, prevê o estudo da empresa. Porém, desde o dia primeiro de dezembro do ano passado o transporte feroviário está suspenso entre o distrito de Antônio Maria Coelho e o Distrito de Porto Esperança, numa distância de 46 quilômetros.

A própria LHG Mining alegou que o custo do transporte por ferrovia estava alto demais e rompeu o cotrato que tinha com a Rumo, passando a fazer o transporte por caminhões. Levando em consideração o volume despachado do porto Gregório Curvo no ano passado, quase 5 milhões de toneladas, são necessários em torno de 300 viagens de caminhão por dia pela BR-262 e os 12 quilômetros de estrada secundária até o porto.

Agora, porém, a mineradara está deixando claro que boa parte do investimento de R$ 1,9 bilhão que pretende fazer na ampliação do porto será na construção da chamada Pera Ferroviária. 

Esta pera ferroviária é um trecho de via férrea em formato de laço ou gota (semelhante à fruta), usado para fazer composições ferroviárias mudarem de direção ou realizarem curvas de retorno contínuas sem a necessidade de desacoplar vagões ou manobras de inversão.

"O principal escopo do projeto consiste na implantação de pera ferroviária, sistema de virador de vagões, transportadores de correia, novo pátio de estocagem de produtos e píer com sistema de embarque de minério", diz trecho do estudo de imacto ambiental. 

"Os vagões carregados de minério chegarão pela Ferrovia e ingressarão na Pera Ferroviária, onde passarão pelo Virador de Vagões para descarregamento automático dos vagões", explica o documento da LHG Mining entregue ao Imasul.

Outro trecho do estudo diz que a localização do porto Gregório Curvo, que fica a 90 quilômetros ao sul de Corumbá, "é estratégica, pois permite o escoamento do minério de ferro da Mina de Santa Cruz por ferrovia, através da Malha Oeste". 

E próximo desta mina a mineradora também está prevendo a instalação de uma estrutura ferroviária semelhane para a gilizar o embarque dos minérios nos vagões sem a necessidade de manobras de desacoplagem. 

Além da pera, a empresa pretende construir uma espécie de "estrada rolante" de 12 quilômetros para transportar os minérios entre o local de extração até a margem da ferrovia. 

De acordo com o Coordenador de Mineração da Secretria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semadesc), Eduardo Pereira, a implantação da esteira de 12 quilômetro representa um avanço relevante do ponto de vista ambiental e de segurança. 

De acorco com ele, “a implantação do Transportador de Correia de Longa Distância até o Terminal Ferroviário do Menkc vai retirar das estradas sinuosas que ligam as jazidas cerca de 300 caminhões diariamente". 

A instalação da esteira para o transporte de minérios faz parte do pacote de investimentos de R$ 4,03 bilhões qua a LHG está fazendo desde o ano passado na extração de minérios. A meta é elevar a extração de 12 milhões para 25 milhões de toneladas anuais e a maior parte disso sairia pela hidrovia, para exportação.

SEM LICITAÇÃO

Mas, apesar de todos estes projetos, no final de junho deste ano acaba a concessão da Malha Oeste, que desde 2015 está nas mãos da empresa Rumo. Até agora não existe definição para realização de uma nova licitação. 
Sendo assim, o projeto de ampliação do porto fluvial reforça a possibilidade de aquele trecho da ferrovia ser assumido e reformado pela próprio grupo econônimo J&F, que controla a mineradora.

DRAGAGEM

Para a ampliação do terminal de embarque às margens do Rio Paraguai será necessário o desmatamento de 66 hectares. Todo essse terreno terá de ser aterrado e parte da terra será retirada do fundo do Rio Paraguai, já que sem isso não haverá profundidade suficiente para que as embarcações atraquem na margem do rio. 

Além da dragagem em frente ao porto, o estudo de impacto ambiental também conta com a autorização para dragagem de manutenção ao longo de toda a hidrovia, o que até agora não foi autorizado pelo Ministério do Meio Ambiente. 

E, se a ferrovia está "sem dono", algo semelhante ocorre com a hidrovia. A previsão inicial era fazer a concessão entre Corumbá e Porto Murtinho no ano passado. Depois, foi adiado para 2026 e agora a previsão é que isso ocorra no primeiro semestre de 2027. 

SERVIÇO

A audiência pública da próxima quinta-feira (11), conforme edição extra do diário oficial do governo estadual desta quarta-feira (3), vai acontecer no Centro de Convenções do Pantanal de Corumbá - Miguel Gómez - R. Domingos Sahib, número 570. 

Ampliação e modernização do Porto Gregócio Curvo, em Corumbá, prevê a instalação de uma pera ferroviária

Infraestrutura

MS ultrapassa os 75% na cobertura de esgoto no estado

Em alguns municípios os índices já alcançaram os 90% e se aproxima cada vez mais da universalização

17/06/2026 10h20

Sanesul

Sanesul Reprodução

Continue Lendo...

O estado de Mato Grosso do Sul avançou na iniciativa de universalizar a cobertura de  esgoto e em maio de 2026 chegou aos 77,04%, um crescimento de cerca de 4,7% com relação a agosto de 2025, quando o estado apontava 72,34%.

Os dados são com relação aos municípios atendidos pela Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul, a Sanesul.

De acordo com metas estabelecidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento, o Estado tem se antecipado quanto isso e postulando entre os estados que mais avança em saneamento básico no país. 

O Novo Marco Legal estabelece metas que precisam ser alcançadas até 2033, uma delas é que 90% da população brasileira deverá contar com a coleta e tratamento de esgoto. 

Em Mato Grosso do Sul, ao menos 30 municípios já registram mais de 90% na cobertura, em destaque para cidades como Bataguassu, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Três Lagoas, Selvíria, Ponta Porã, Laguna Carapã, Paranaíba, Inocência, Bonito, Chapadão do Sul, Amambai, Angélica e Dourados.

Sendo que alguns dos municípios já se aproximam da universalização completa. 
 

BLOQUEIO

Após intervenção, Consórcio Guaicurus tem R$ 46 milhões bloqueados

O juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, deferiu o requerimento de constrição através do Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário

17/06/2026 10h15

Ficam bloqueados os valores em dinheiro ou ativos financeiros existentes nas contas bancárias das empresas Viação Campo Grande, Viação Cidade Morena, Viação São Francisco e Jaguar Transportes Urbanos

Ficam bloqueados os valores em dinheiro ou ativos financeiros existentes nas contas bancárias das empresas Viação Campo Grande, Viação Cidade Morena, Viação São Francisco e Jaguar Transportes Urbanos Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

No mesmo dia em que a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), decreta o processo de intervenção na concessão do transporte coletivo da Capital, executado pelo Consórcio Guaicurus, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determina o bloqueio de R$ 46 milhões das empresas que compõe a concessionária.

O juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, deferiu o requerimento de constrição através do Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (SISBAJUD), ferramenta eletrônica do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que serve para conectar o Judiciário às instituições financeiras, com o objetivo de localizar, bloquear e transferir valores de devedores.

Com isso, a pedido da ação popular, interposta por Lucas Gabriel de Sousa Queiroz Batista, ficam bloqueados os valores em dinheiro ou ativos financeiros existentes nas contas bancárias das empresas Viação Campo Grande, Viação Cidade Morena, Viação São Francisco e Jaguar Transportes Urbanos, as quais compõem o Consórcio Guaicurus.

Intervenção

Na manhã de ontem (16), a Prefeitura de Campo Grande publicou, na edição do Diário Oficial (Diogrande), o decreto A intervenção na concessão do transporte coletivo de Campo Grande, executado pelo Consórcio Guaicurus, decretada nesta terça-feira (16) pela prefeita Adriane Lopes (PP) não irá trazer alterações para usuários e funcionários durante o período de 180 dias.

O interventor Aléxandre Adriano Lisandro de Oliveira explicou que o primeiro passo será fazer um diagnóstico mais aprofundado sobre a situação do Consórcio Guaicurus e a prestação do serviço, para que ao fim do prazo a prefeitura possa tomar uma decisão "correta e acertada".

Além de Aléxandro, que já ocupou o cargo de diretor de regulação e fiscalização da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cuiabá (MT), também fazem parte da equipe de intervenção o economista e consultor empresarial Rodolfo Bahiense Fernandes, como interventor administrativo-financeiro; Alexandre Souza Moreira será o interventor jurídico, ele ocupa cargo de confiança na Agetran e é chefe da Junta Administrativa de Recursos de Infrações e Transportes; e Robson Tadeu Pereira, como interventor operacional.

De acordo com Adriane, como foi proposta uma intervenção pacífica, a equipe nomeada irá atuar promovendo a troca da diretoria das empresas que formam o Consórcio para uma avaliação financeira e orçamentária e para entender se houve e quais os problemas surgiram no decorrer dos anos de concessão.

Oliveira explicou que a intervenção é um procedimento legal, previsto para contratos de concessão de serviços públicos em crise e que, no caso do Consórcio Guaicurus, foi feito um levantamento que concluiu que havia a necessidade de entrar com a intervenção para buscar informações dentro de dentro da empresa.

Ele acrescentou que a intervenção funciona como uma nova gestão, com novos diretores entrando de forma temporária. Essa equipe terá acesso a documentos e poderá avaliar todos os dados, sem restrições. 

No período, toda a gestão ficará a cargo dos interventores, que também serão responsáveis pela folha de pagamento, manutenção do sistema, diesel, dentre outros.

Ao término da intervenção, a prefeita, em vista do relatório final dos interventores e do resultado do procedimento administrativo, decidirá sobre: o encerramento da intervenção e a devolução do serviço à atual gestão do Consórcio, com ou sem condicionantes; a aplicação de sanções contratuais cabíveis; a decretação da caducidade da concessão, mediante processo administrativo específico; e a adoção de outras medidas administrativas e judiciais pertinentes.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).