Cidades

Pirâmide financeira

Justiça bloqueia mais R$ 300 milhões
de 11 supostos laranjas da Minerworld

Investigados atuavam como sócios e registravam bens da empresa

RENAN NUCCI

08/05/2018 - 10h57
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O Juiz David de Oliveira Gomes Filho,  da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, determinou o bloqueio de até R$ 300 milhões em bens de mais 11 pessoas envolvidas em esquema de pirâmide financeira operado pela Minerworld, a partir da suposta mineração de bitcoins (criptomoedas). A suspeita é de que os investigados atuassem como laranjas, por meio da abertura de contas, aquisição de imóveis e veículos. 

No mês passado, logo a após a Operação Lucro Fácil, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual, com cumprimento de mandados de busca e apreensão em Campo Grande e São Paulo, o magistrado já tornado indisponíveis valores semelhantes das empresas Bit Pago e Bit Ofertas, além da própria Minerworld, bem como de mais sete pessoas, entre elas Cícero Saad, que seria um dos chefes da organização.  

Na recente decisão, a justiça entende que, segundo alegado pelo MP, tais indivíduos teriam contribuído significativamente para a formação de esquema de pirâmide. As participações foram compartimentadas nos autos do processo, com indicação dos documentos que sugerem envolvimento. 

“[Os suspeitos teriam participado] fosse atuando como fiadores, fosse atuando como sócios de fato (laranjas) da Minerworld, fosse atuando como sócio formal da empresa Bit Pago, fosse atuando como mentores do negócio, ou fosse organizando redes significativas de participantes no alegado esquema de pirâmide que deram um impulso ao projeto lesivo ao consumidor, auferindo, com isto, grandes lucros por estarem no topo da pirâmide de investidores”, consta na decisão.

Diante da forte suspeita das operações financeiras ilegais, surgiu a hipótese de que os prejuízos causados aos consumidores da base da “pirâmide” dificilmente serão ressarcidos caso não haja rápidas medidas de indisponibilidade de bens dos envolvidos. “Desta forma, acolho o pedido de emenda da inicial e defiro a extensão da liminar anteriormente analisada, de indisponibilidade de bens até o valor de R$ 300 milhões aos requeridos apresentados com a emenda da inicial”.

PIRÂMIDE

As mineradoras Minerworld e Bitpago Soluções de Pagamento, ambas com sede em Campo Grande, e BitOfertas Informática, localizada na Capital e também na cidade de São Paulo, foram Alvos da Operação Lucro Fácil, deflagrada no dia 17 de abril pelo Gaeco. pela prática de pirâmide financeira por meio da suposta mineração de bitcoins. Ao todo são mais de 50 mil vítimas no Brasil. Somente da Bit Ofertas, foram bloqueados  R$ 1.369.330,71. Também houve bloqueio de mais R$ 70 mil em mais cinco contas. Cícero, um dos chefes do esquema milionário, declarou como único bem, de forma suspeita, uma moto Honda CG 125 Fan KS preta, 2011, avaliada em R$ 4,1 mil.
 

segurança pública

PCC entra na mira da PF em meio à guerra de facções em MS

Ao todo, 24 membros do grupo foram presos, com mandados cumpridos em oito municípios do Estado

09/10/2026 08h15

Imagem de um dos mandados que foi cumprido em Corumbá

Imagem de um dos mandados que foi cumprido em Corumbá Foto: Divulgação/PF

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A Polícia Federal (PF) realizou uma ofensiva contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) ao prender mais de 20 integrantes em Mato Grosso do Sul, com mandados de prisão espalhados por oito municípios do Estado, em meio à guerra entre a facção e o Comando Vermelho (CV), que atingiu o ápice de mortes neste ano.

Ontem, foi deflagrada a Operação Kathárisma (palavra de origem grega que significa purificação), com o objetivo de desarticular uma organização criminosa ligada ao PCC, que atuava principalmente na região norte do Estado. Ao todo, foram cumpridos 24 mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão.

“As investigações identificaram uma estrutura organizada, com diferentes níveis de atuação e mecanismos próprios de comunicação, além de elementos relacionados à identificação de integrantes e à movimentação financeira do grupo. A apuração investiga a atuação dos envolvidos para integrar a facção criminosa, nos termos do art. 2º da Lei nº 12.850/2013 [Lei de Organização Criminosa]”, explica.

O artigo da lei – que define o crime de organização criminosa e regulamenta os meios de investigação criminal e obtenção de provas no Brasil – citada diz a respeito da proibição em “promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa”, sob pena de três a oito anos, além de pagamento de multa.

Ainda de acordo com a PF, as medidas judiciais foram cumpridas em Sonora, Pedro Gomes, Coxim, Aquidauana, Terenos, Corumbá, Anastácio e Campo Grande. Na Capital, três mandados de busca e apreensão foram cumpridos em unidades prisionais – dois na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira (PEMRFG) e um no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho (EPJFC).

GUERRA

Há um mês, o Correio do Estado reportou que a guerra entre o CV e o PCC por território em Mato Grosso do Sul atingiu o ápice de mortes neste ano, segundo o promotor de Justiça Felipe Almeida Marques, coordenador da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Desde o ano passado as duas principais facções criminosas do País estão em guerra pelo comando de novas rotas para escoar as drogas que entram no Brasil por meio das fronteiras com Paraguai e Bolívia.

Em razão da localização estratégica, que faz fronteira seca com esses dois países, Mato Grosso do Sul entrou no foco das duas facções como ponto importante das ambições de ampliação e domínio de território. Foi a partir daí que as mortes começaram.

O Estado é uma das unidades da Federação com mais membros do PCC fora de São Paulo, o que faz dele um estado com predomínio da facção. E é este cenário que o CV busca mudar.

Com atuação muito mais forte no norte do Estado, na divisa com o Mato Grosso, estado de domínio da facção carioca, o CV quer dominar as rotas que hoje são do PCC em MS. 

Essa situação começou em maio do ano passado, quando ambas as facções decidiram encerrar um acordo de paz que havia entre os seus líderes, tema noticiado na época pelo Correio do Estado.

Após esse retorno das agressões mútuas, Marques avaliou que este tem sido o ano mais sangrento da disputa.

“A guerra de facções já está aí há um tempo, e ela já fez várias vítimas aqui do Estado. A gente não tem o número exato, mas, talvez, seja o ano mais sangrento de Mato Grosso do Sul nessa guerra de facções. Mais de 100 [já morreram] só aqui”, afirmou o promotor, que listou como o principal motivo para a guerra a busca pelo domínio de território.

TERRORISTAS

No fim de maio, a Secretaria de Estado do governo dos Estados Unidos (EUA) emitiu um comunicado em que informa a designação do PCC e do CV como organizações terroristas internacionais.

O objetivo da designação pelos EUA é facilitar o congelamento de ativos do narcotráfico, a investigação e o monitoramento de membros das facções, a troca de informações de inteligência, a aplicação de sanções financeiras, o banimento de vistos e a criminalização do apoio material, com armas, dinheiro ou treinamento, entre outros.

* Saiba 

Conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), mais de 7,5 toneladas de cocaína foram apreendidas em MS este ano, de janeiro até ontem. 

Economia

AliExpress e Correios firmam acordo para acelerar entregas no Brasil

Objetivo é reduzir os prazos e melhorar a rastreabilidade

08/10/2026 23h00

Joédson Alves/Agência Brasil

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Os Correios e a plataforma de comércio eletrônico AliExpress renovaram a parceria para garantir a entrega dos pedidos feitos por consumidores brasileiros. 

As empresas também assinaram um memorando de entendimentos que prevê ações para acelerar as entregas no Brasil durante os períodos de maior volume de compras do ano, como a Black Friday e o dia 11 de novembro, quando acontece o principal festival de compras do e-commerce chinês. 

O objetivo é reduzir os prazos de entrega, aumentar a capacidade de processamento e melhorar a visibilidade no rastreamento dos pedidos. A expansão das parcerias internacionais é um dos pilares do Plano de Reestruturação dos Correios. 

Segundo o presidente dos Correios, Emmanuel Rondon, a parceria com o AliExpress demonstra o reconhecimento da capacidade operacional da empresa para atender um mercado em constante expansão. 

“Estamos preparados para o aumento do volume de encomendas previsto para o fim do ano, com uma logística robusta e integrada, que conecta o Brasil ao e-commerce global e garante mais agilidade aos consumidores”, comentou .

A assinatura aconteceu em setembro, na sede do Alibaba Group, em Hangzhou, na China.

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