Cidades

DRAMA

Justiça decide e Estado tem 30 dias para implantar balão em homem de 300 quilos

Advogado se sensibilizou com reportagem do Portal Correio do Estado

VALQUIRIA ORIQUI

11/02/2017 - 17h58
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O estado de Mato Grosso do Sul tem 30 dias para realizar a colocação do balão intragástrico em Fabiano Ferreira, de 36 anos, que pesa 300 quilos e sofre de erisipela - doença infecciosa aguda, caracterizada por uma inflamação da pele. Há pelo menos cinco anos na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar a cirurgia do estômago, consequentemente perder peso e, então, poder operar a perna afetada, o drama do confeiteiro que teve que largar o trabalho para cuidar da saúde está prestes a terminar.

A informação foi repassada pelo advogado Rafael Dauria, que se sensibilizou com o caso publicado no Portal Correio do Estado e pegou a causa gratuitamente. Ele acionou a Justiça para que o problema fosse resolvido o mais breve possível.

Na primeira quinzena de dezembro do ano passado, logo que o caso foi noticiado, além de Rafael, o médico endoscopista Thiago Alonso Domingos também leu a reportagem e se sensibilizou com Fabiano e resolveu ajudar.

A partir daí, a comoção tomou proporção maior e mais pessoas se dispuseram a acelerar o processo de “cura” do confeiteiro. “A demora foi em razão de termos que conseguir um laudo de um cirurgião atestando que o Fabiano não poderia ser operado. Depois de um tempo conseguimos um laudo do médico Francisco Gomes, cirurgião bariátrico que atua na Santa Casa junto com Thiago. Posteriormente juntamos os documentos com ajuda mútua das advogadas Letícia Medeiros e Maria Sílvia, que me auxiliaram a conversar com assessoria do juiz Alexandre Branco, que também demonstraram total sensibilidade com a situação do Fabiano e também demonstraram total receptividade diante do processo dele”, alegou o advogado.

Agora, o processo entre aquisição do material necessário e a colocação deve durar no máximo 30 dias. O balão custa em torno de R$ 10 mil a R$ 12 mil e será pago pelo poder público.

INTERNADO

Internado desde o dia 19 de dezembro na Santa Casa de Campo Grande, Fabiano só deve sair de lá com o balão intragástrico. Sendo assim, a casa onde ele morava de aluguel, no Bairro Los Angeles, em Campo Grande, teve que ser devolvida.

Durante o período de internação, exames apontaram que um dos rins de Fabiano estava parado por cinco dias e o intestino por 10 dias. Além disso, foi detectada grave anemia e ele teve que usar oito bolsas de sangue.

No dia da internação, para retirar o homem da casa e transportá-lo até a unidade hospitalar foram acionadas três viaturas do Corpo de Bombeiros e necessária ajuda de seis militares. Com a perna cada dia maior, Fabiano aguarda o equipamento que lhe fará perder perder cerca de 90 quilos e estar apto para realizar cirurgia na perna.

Ultima Ratio

PF enquadra advogado da JBS em MS por corrupção passiva

Advogado Rodrigo Pimentel, filho do desembargador Sideni Pimentel, recebeu mais de R$ 20 milhões da multinacional

20/04/2026 08h00

Foto do advogado Rodrigo Pimentel, armazenado no celular do desembargador Júlio Siqueira e anexada ao relatório da PF

Foto do advogado Rodrigo Pimentel, armazenado no celular do desembargador Júlio Siqueira e anexada ao relatório da PF Reprodução/Inquérito

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Além de chamar a atenção para o inédito indiciamento de sete desembargadores de uma só vez no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), o relatório final do inquérito da Operação Ultima Ratio também chama a atenção para um personagem importante na trama relatada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Delecor) da Polícia Federal (PF): o advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel, filho do desembargador, Sideni Soncini Pimentel.

O advogado é tido pela PF como um elo entre as pessoas que compravam serviços dos desembargadores, no caso, as vendas de decisões judiciais, também conhecidas como venda de sentença, e, ao mesmo tempo, um advogado importante para o grupo JBS, a maior empresa do mundo do segmento de proteína animal, destino de mais de R$ 20 milhões em pagamentos, conforme o delegado de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul Marcos André Araújo Damato.

Para o delegado, apesar de explicar sua relação com a JBS, Rodrigo Pimentel não conseguiu justificar o recebimento de aproximadamente R$ 20 milhões da multinacional, conforme números que a Polícia Federal conseguiu por meio de quebras de sigilo e de relatórios de inteligência financeira no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

“A respeito dos recebimentos acima [ele comenta os créditos da JBS na conta do escritório], Rodrigo Pimentel manifestou-se por escrito (...), contudo não apresenta explicações sobre sua relação com a JBS que justifique o recebimento de cerca de R$ 20 milhões, limitando-se a dizer que são serviços advocatícios”, explica o delegado.

Para a PF, o escritório de Rodrigo Pimentel, afirmou que a veiculação do volume financeiro recebido por ele da JBS “não foi vinculado a qualquer atividade minimamente descrita como ilícita”.

Na sequência, afirma que a publicidade dos valores recebidos por ela da JBS, macula sua imagem. “Essa situação, de forma irreparável, macula a reputação do requerente que, contratado prestou os serviços advocatícios, emitiu as notas fiscais e pagou os correspondentes tributos”, afirmou Pimentel em nota enviada à Polícia Federal.

O valor com exatidão recebido da JBS S.A. pelo escritório de advocacia de Rodrigo Pimentel, o Pimentel & Mochi Advogados Associados foi de R$ 20.857.199,71.

Na investigação, o delegado Marcos André Araújo Damato, ainda verificou um aumento patrimonial difícil de ser explicado.
Pimentel declarou um aumento significativo em seus rendimentos anuais: de R$ 52.500,00 em 2017 para R$ 3.310.068,00 em 2018 (aumento de mais de 62 vezes) e para R$ 9.226.989,95 em 2022 (aumento de mais de 174 vezes em 6 anos), o que é considerado fora da normalidade.

Em nota, a JBS informou que, “o escritório Pimentel & Mochi Advogados Associados já atuou em diversas ações da empresa relacionadas a inúmeros temas e recebeu honorários por isso, como qualquer outro escritório que atue em defesa da JBS”.

O INDICIAMENTO

Rodrigo Pimentel acabou indiciado no crime de corrupção passiva pela Polícia Federal porque, em 20 de junho de 2018, sua empresa, a Ipê Assessoria Consultoria, recebeu R$ 275 mil da advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva.
Emmanuelle é mulher do ex-juiz Aldo Ferreira da Silva Júnior, aposentado compulsoriamente em 2022 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), após investigações por suposta venda de sentenças, corrupção e lavagem de dinheiro.

Na época, Emmanuelle, também indiciada, agora pela Polícia Federal na Operação Ultima Ratio, foi ré em processos por estelionato e movimentações financeiras suspeitas.

No mesmo dia em que Emmanuelle transferiu R$ 275 mil para a empresa de Rodrigo Pimentel, segundo as provas levantadas pela PF, a advogada, mulher de Aldo (que na época ainda era juiz), recebeu mais de R$ 5 milhões decorrentes de uma guia de levantamento expedida por ordem dos magistrados Paulo Afonso e Julio Roberto Siqueira Cardoso. Os recursos seriam oriundos de uma fraude judicial contra um aposentado.

De acordo com o relatório final da Operação Ultima Ratio, as explicações de Rodrigo Pimentel para o recebimento desses 
R$ 275 mil foram consideradas falsas, e ele e outro advogado, Fabio Leandro, filho do desembargador Paschoal Carmelo Leandro, teriam intermediado a venda de decisões judiciais de Julio Cardoso e Paulo Afonso.

Para fechar o quebra-cabeça, a PF ainda demonstra no relatório, que Rodrigo Pimentel e sua esposa, Silvia Helena Oliveira Rocha Pimentel, celebraram um “Contrato Particular de Cessão de Posse e de Direitos de Bem Imóvel” com Emmanuelle Alves Ferreira da Silva em 18 de junho de 2018, referente a um terreno avaliado em R$ 1 milhão, mas negociado por R$ 400 mil.

“MÃOZINHA” DO PAI

A PF acabou encontrando indício de que o desembargador Sideni Soncini Pimentel, que se aposentou no ano passado, enquanto estava afastado por causa dos indícios de corrupção verificados na Operação Ultima Ratio, fez uso do cargo para beneficiar seu filho, Rodrigo.

Mensagens encontradas no telefone de Sideni indicam que ele teria encaminhado uma imagem de um processo judicial ao juiz Milton Zanutto. Neste processo, a empresa Meop & Phop Holding e Administração Ltda., de propriedade de Rodrigo Gonçalves Pimentel, era uma das partes, sugerindo uma tentativa de influenciar o resultado em favor de seu filho.

Além do possível conflito de interesses, há indícios de confusão patrimonial entre pai e filho. Um comprovante de TED no valor de R$ 220 mil, enviado por Rodrigo Pimentel a Sideni Pimentel, foi apontado como um elemento que reforça essa suspeita. A transação levanta questionamentos sobre a separação dos bens e rendimentos entre os dois.

A investigação também revelou que, em 2017, não foi identificada nenhuma contrapartida financeira nos dados bancários de Rodrigo Pimentel que justificasse a emissão de notas fiscais para seu pai, Sideni. Essa ausência de justificativa para as notas fiscais sugere uma possível mistura patrimonial, onde os bens e rendimentos de ambos poderiam estar sendo geridos de forma conjunta ou irregular.

* Saiba 

Um grupo de WhatsApp que Rodrigo Pimentel mantinha com vários desembargadores indiciados na mesma operação, como Vladimir Abreu, Júlio Roberto Siqueira Cardoso e o pai dele, Sideni, mostra o forte vínculo dele com os magistrados.

No grupo, Rodrigo cobrava mensalidade dos outros magistrados para a manutenção do pesqueiro.

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Cidades

Na Alemanha, Lula defende parceria com Europa na descarbonização

Presidente participou da abertura da maior feira industrial do mundo

19/04/2026 23h00

Foto: Ricardo Stuckert / PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste domingo (19) uma matriz energética limpa em parceria com a Europa e a proteção a empregos com o avanço da inteligência artificial.

Na Alemanha, Lula discursou na abertura da maior feira industrial do mundo, a Hannover Messe. Ele voltou a criticar os efeitos da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, conflito que chamou de “maluquice”. 

Lula disse que o Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir custos de energia e a descarbonizar a indústria. “Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos”, disse Lula, na Hannover Messe.

No discurso, acompanhado pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, por representantes dos governos e empresários dos dois países, Lula argumentou que é preciso combater “narrativas falsas” a respeito da sustentabilidade da agricultura brasileira. Ele foi aplaudido pelos presentes em diferentes momentos do discurso.

“Criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente, tanto do ponto de vista ambiental quanto do ponto de vista energético”. 

O presidente argumentou que, em 2026, o Brasil coloca em marcha um “robusto programa” que prioriza a economia verde e a indústria 4.0. Por outro lado, ele aproveitou para contextualizar que se trata de um momento crítico na geopolítica global, marcado por paradoxos.

“A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais”, criticou.

Defesa do trabalhador

Sobre o mercado de trabalho, Lula disse que o país tem o menor desemprego da sua história e que defende o fim da escala 6x1, com a redução da jornada de trabalho para garantir dois dias de descanso.

Em relação aos empregos, Lula fez apelo aos empresários e pesquisadores para que, no cenário da evolução das tecnologias de inteligência artificial, contabilizem os impactos para os trabalhadores no mundo.

“Se a inteligência artificial causar o bem que nós queremos, é preciso que nos lembremos que, por trás de cada invenção, tem um ser humano. Se ele não tiver mercado de trabalho, o mundo só tende a piorar”, considerou.

“Maluquice da guerra”

Ainda em seu discurso, Lula assegurou que o Brasil é um dos países menos afetados pela “maluquice da guerra feita com o Irã”. Ele afirmou que o governo tomou medidas internas para minimizar esse impacto diante de um cenário em que o país importa 30% do óleo diesel utilizado.  

O presidente aproveitou para condenar o fato de o mundo estar marcado por desigualdades, mas haver um gasto de US$ 2,7 trilhões em guerras. Em relação a isso, Lula pediu responsabilidade a membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para buscar caminhos contra essa realidade. O conselho conta com cinco membros permanentes: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. 

Efeitos sobre mais vulneráveis

Lula lembrou que, com o conflito no Oriente Médio, ocorrem flutuações no preço do petróleo que encarecem a energia e o transporte. Outra consequência é a escassez de fertilizantes, que afeta a produção agrícola e aumenta a insegurança alimentar.

“São os mais vulneráveis que pagam o preço da inflação dos alimentos. O protecionismo ressurge como resposta falaciosa para problemas econômicos e sociais complexos”. 

Diante desse cenário, Lula apontou que a “paralisia” da Organização Mundial do Comércio (OMC) torna necessário “refundar a organização”. No tema do comércio internacional, o presidente aproveitou para enfatizar a importância do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

“Daqui a menos de duas semanas, entrará em vigor o acordo que cria um mercado de quase 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares”. 

Lula voltou a ser aplaudido quando lembrou do compromisso brasileiro de, até 2030, chegar a desmatamento zero na Amazônia. “Nos últimos três anos, reduzimos em 50% o desmatamento da Amazônia e em 32% no Cerrado”.

O presidente também destacou que o Brasil prioriza a sustentabilidade no campo dos combustíveis. “Já adotamos mistura de 30% de etanol na gasolina e de 15% no biodiesel. Produzimos biocombustíveis de forma sustentável, sem comprometer o cultivo de alimentos ou derrubar florestas”, explicou.

Ele acrescentou que 90% da energia elétrica do Brasil é limpa e há potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo.  

Lula também citou a possibilidade de maior exploração de minérios críticos para colaborar com a descarbonização e a transformação digital. “Com apenas 30% do potencial mineral mapeado, nosso país já tem a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de grafita e terra rara e a terceira de níquel”.

Ele disse que não vê o país como “mero exportador” dos minerais, mas deseja parcerias internacionais com transferência de tecnologia.

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