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Transporte Interestadual

Justiça Federal volta a suspender linhas da Guerino Seiscento entre MS e São Paulo

Transportadora afirma que vai recorrer da decisão que restabeleceu restrições sobre 23 autorizações; rotas de Campo Grande, Três Lagoas e Brasilândia estão entre as atingidas.

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Uma nova decisão da Justiça Federal voltou a atingir linhas de ônibus que conectam Mato Grosso do Sul a São Paulo operadas pela Guerino Seiscento. O Judiciário revogou a tutela que havia permitido o restabelecimento provisório de 23 autorizações da transportadora e, com isso, recolocou em vigor as restrições determinadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Entre as autorizações alcançadas pela disputa estão ligações de Campo Grande a São Paulo, Três Lagoas a São Paulo e Brasilândia a São Paulo, além da rota entre Campo Grande e Santos. Há ainda operações envolvendo Mato Grosso do Sul com outros estados e o Distrito Federal.

A decisão foi proferida em 12 de agosto pelo juiz Renato Coelho Borelli, da 4ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal. O magistrado revogou a tutela que havia suspendido os efeitos das medidas adotadas anteriormente pela ANTT.

Na prática, voltam a produzir efeitos a Decisão Supas nº 842, de 27 de maio de 2026, e a Deliberação nº 193, de 2 de julho.

Os atos haviam determinado a suspensão cautelar dos 23 Termos de Autorização (TARs) concedidos à Guerino Seiscento enquanto são apuradas possíveis irregularidades nas operações.

Procurada pela reportagem, a Guerino Seiscento informou que está recorrendo das recentes decisões judiciais que afetaram suas operações interestaduais e que adotará as medidas processuais cabíveis nas instâncias competentes.

A empresa ressaltou que a controvérsia ainda é discutida tanto na Justiça quanto na esfera administrativa e que, até o momento, não há decisão definitiva sobre o caso.

A transportadora afirmou ainda que trabalha para conseguir a retomada das operações no menor prazo possível.

Paralelamente aos recursos judiciais, segundo a companhia, são mantidas tratativas administrativas junto à ANTT e à Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), com apresentação de requerimentos, estudos técnicos e outras medidas em busca de uma solução regulatória.

A Guerino também destacou o impacto da suspensão sobre os passageiros que utilizam as linhas para deslocamentos relacionados a trabalho, saúde, educação e compromissos familiares.

Conforme a empresa, os esforços estão concentrados na retomada dos serviços dentro das exigências legais e regulatórias.

Linhas de MS estão entre as afetadas

A medida tem impacto direto para passageiros sul-mato-grossenses porque parte relevante das autorizações discutidas no processo envolve cidades do Estado.

Quando as 23 autorizações foram restabelecidas provisoriamente no fim de julho, a relação divulgada pela ANTT incluía três Termos de Autorização para Campo Grande-São Paulo e outros três para Três Lagoas-São Paulo.

Também apareciam entre os serviços abrangidos as linhas Brasilândia-São Paulo, Campo Grande-Santos, Campo Grande-Brasília, Três Lagoas-Curitiba e Brasília-Três Lagoas, via Uberlândia.

O caso, portanto, ultrapassa uma disputa regulatória concentrada em São Paulo e alcança diretamente o transporte rodoviário interestadual disponível aos passageiros de Mato Grosso do Sul.

A situação das operações da Guerino vem mudando nos últimos meses em uma sequência de decisões administrativas e judiciais.

Em 27 de maio, a ANTT determinou cautelarmente a suspensão dos 23 Termos de Autorização concedidos à empresa em outubro de 2024. A medida deveria permanecer em vigor enquanto avançasse o processo administrativo instaurado para investigar possíveis infrações.

A transportadora contestou a decisão. Em 2 de julho, entretanto, a diretoria colegiada da ANTT manteve a suspensão.

Posteriormente, a Guerino conseguiu uma decisão judicial favorável e, em cumprimento à determinação da Justiça, a ANTT publicou, no fim de julho, a Decisão Supas nº 1.174/2026, restabelecendo provisoriamente os 23 termos.

Naquele momento, as autorizações voltaram a produzir efeitos sub judice, isto é, enquanto a controvérsia permanecesse sob análise judicial.

Com a decisão de 12 de agosto, porém, a tutela favorável à transportadora foi revogada e as medidas cautelares anteriores da ANTT voltaram a valer. É justamente contra esse novo cenário que a Guerino informou estar recorrendo.

Disputa começou por operações dentro de São Paulo

Embora diversas linhas afetadas tenham origem ou destino em Mato Grosso do Sul, o ponto central da controvérsia está relacionado a viagens realizadas dentro do Estado de São Paulo.

A controvérsia teve início a partir de uma denúncia apresentada pela Empresa de Transportes Andorinha à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Conforme a acusação, a Guerino Seiscento estaria utilizando autorizações concedidas para a exploração de linhas interestaduais para realizar embarques e desembarques entre municípios localizados dentro do próprio Estado de São Paulo.

Na avaliação apresentada pela Andorinha, essas viagens teriam características de transporte intermunicipal, modalidade submetida à regulação estadual e que, portanto, exigiria autorização específica do órgão competente paulista.

A Empresa de Transportes Andorinha questionou operações da Guerino sob a alegação de que a concorrente estaria utilizando autorizações concedidas para linhas interestaduais para também transportar passageiros entre municípios paulistas.

A diferença é relevante do ponto de vista regulatório. O transporte entre estados está submetido à fiscalização da ANTT, enquanto as ligações realizadas exclusivamente entre municípios paulistas estão sujeitas à regulação estadual.

A discussão envolve justamente os limites dessas autorizações e a necessidade de anuência dos órgãos responsáveis para a realização dos atendimentos.

Documentos citados no processo indicam que, entre janeiro e novembro de 2023, teriam sido comercializados 449.573 bilhetes em trechos apontados como não autorizados.

Também foi considerada no processo a ausência de comprovação de autorização da Artesp para determinadas operações intermunicipais.

A controvérsia envolve, portanto, a possibilidade de utilização das autorizações interestaduais em mercados sujeitos também à competência regulatória estadual.

Uma disputa marcada por idas e vindas

A nova decisão acrescenta mais um capítulo a uma disputa que vem alterando sucessivamente a situação das linhas da Guerino.

Primeiro, as 23 autorizações foram suspensas cautelarmente pela ANTT. Depois, a própria agência manteve as restrições ao analisar o caso.

A transportadora recorreu à Justiça e conseguiu uma tutela que permitiu o restabelecimento provisório das operações, mas essa decisão acabou posteriormente revogada.

A Guerino sustenta que ainda não existe uma definição final e afirma que continuará exercendo o direito de defesa nas instâncias competentes.

A empresa também diz buscar uma solução administrativa com ANTT e Artesp que permita uma regularização estável das operações.

Enquanto a discussão prossegue, as restrições determinadas pela ANTT voltam a alcançar as autorizações envolvidas no processo, incluindo ligações que conectam Mato Grosso do Sul a São Paulo e outros destinos.

Para os passageiros sul-mato-grossenses, a nova mudança representa mais uma reviravolta em uma disputa que, em menos de três meses, já passou pela suspensão das autorizações, pelo restabelecimento provisório dos serviços e, agora, pela retomada das restrições.

Diferença no preço chega a 81,7%

Na comparação entre as empresas, a diferença também aparece no preço das passagens. Antes da suspensão, a Guerino Seiscento comercializava o trecho em ônibus semileito por R$ 299 e no leito por R$ 349.

Já na Andorinha, a passagem na categoria leito custa R$ 633,99, uma diferença de R$ 284,99, o que significa que o bilhete da Andorinha é cerca de 81,7% mais caro que o leito oferecido pela Guerino.

A tarifa superior a R$ 800 corresponde à categoria leito-cama da Andorinha e, por se tratar de uma modalidade diferente, não entra na comparação direta.

Comparativo mostra diferença nas tarifas entre Guerino Seiscento e Andorinha no trecho entre Campo Grande e São Paulo. Crédito: Arte/Correio do Estado.

Confira a íntegra da nota da Guerino Seiscento

NOTA INSTITUCIONAL

A Guerino Seiscento Transportes informa que está recorrendo das recentes decisões judiciais que impactaram suas operações interestaduais, com a adoção de todas as medidas processuais cabíveis perante as instâncias competentes.

A companhia ressalta que permanecem em curso ações judiciais e processos administrativos relacionados à matéria, sem que haja, até o momento, decisão definitiva sobre a controvérsia.

A Guerino seguirá exercendo regularmente seu direito de defesa e buscando, perante as autoridades competentes, uma solução que permita a retomada de suas operações no menor prazo possível.

Em paralelo, a empresa mantém atuação administrativa junto à ANTT e à ARTESP, com a apresentação de requerimentos, estudos técnicos e demais providências necessárias à construção de uma solução regulatória estável e definitiva.

A Guerino tem plena consciência da relevância social dos serviços afetados e do impacto causado aos milhares de passageiros que dependem dessas ligações para deslocamentos de trabalho, saúde, educação, compromissos familiares e integração entre diferentes regiões do país.

Por isso, todos os esforços da companhia estão concentrados na retomada dos serviços com a maior brevidade possível, dentro dos marcos legais e regulatórios aplicáveis.

A empresa reafirma seu compromisso institucional com o diálogo, com a segurança jurídica, com o interesse público e, sobretudo, com os passageiros e as comunidades que há décadas confiam na Guerino para garantir sua mobilidade.

 

INTERRUPÇÃO

Ponte do Rio Paraguai volta a ficar interditada neste fim de semana

As obras de reestruturação estão na etapa de concretagem da laje, que exige interrupções temporárias do tráfego

09/09/2026 11h30

Ponte sobre o Rio Paraguai terá interdição total de 19 horas

Ponte sobre o Rio Paraguai terá interdição total de 19 horas Divulgação: Agesul

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A ponte sobre o rio Paraguai, na BR-262, será novamente interditada no próximo fim de semana, entre às 17h de sábado (12) e às 12h de domingo (13), em razão das obras de recuperação da estrutura. A interdição será realizada somente nesse período, de acordo com o Governo do Estado. 

A recomendação é que os motoristas programem suas viagens com antecedência e considerem o período de interdição ao planejarem o deslocamento pela região.

As obras envolvem a recuperação estrutural da ponte, as quais são executadas pela Agência Estadual de Empreendimentos (Agesul) por meio de termo de cooperação técnica com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), com investimento superior a R$ 11,7 milhões. 

Os trabalhos estão na etapa de concretagem da laje, que exige interrupções temporárias do tráfego para garantir a segurança dos usuários e as condições necessárias para a execução dos serviços.

O tráfego na ponte opera em meia pista, em sistema de pare e siga, desde o início das intervenções na estrutura.

MOBILIDADE URBANA

Obra de R$ 2,4 milhões começa a mudar trânsito na Euler com Tamandaré

Reordenamento prevê redução da rotatória, semaforização e alterações no fluxo de cruzamento por onde passam cerca de 12 mil veículos por dia

09/09/2026 11h15

Obras começaram nesta quarta-feira (9) no encontro das avenidas Euler de Azevedo e Tamandaré

Obras começaram nesta quarta-feira (9) no encontro das avenidas Euler de Azevedo e Tamandaré Marcelo Victor

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As obras de reordenamento viário no encontro das avenidas Euler de Azevedo e Tamandaré começaram nesta quarta-feira (9), em Campo Grande. Com investimento de R$ 2,4 milhões, a intervenção vai reduzir a atual rotatória, alterar movimentos de veículos e implantar semáforos em um dos principais corredores de ligação entre as regiões do Segredo, Imbirussu e Centro.

A ordem de serviço foi assinada nesta manhã pela prefeita Adriane Lopes, autorizando o início imediato dos trabalhos. O prazo contratual é de 12 meses, embora a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) trabalhe com a possibilidade de antecipar a conclusão conforme o avanço das obras.

Segundo o diretor-presidente da Agetran, Ciro Ferreira, aproximadamente 12 mil veículos passam diariamente pelo trecho, que registra lentidão principalmente nos horários de pico. O fluxo e os conflitos existentes entre os diferentes movimentos no cruzamento foram considerados na elaboração do projeto.

“Fico feliz de estarmos aqui hoje dando ordem de reordenamento de uma avenida de grande importância, integrando três regiões: Centro, Segredo e Imbirussu. A Euler de Azevedo e a Tamandaré são avenidas que há muitos anos precisavam dessa transformação”, afirmou Adriane.

Uma das principais alterações será a redução do diâmetro da atual rotatória. Também estão previstas adequações nas calçadas e retornos, melhorias de acessibilidade, pavimentação, drenagem, nova sinalização horizontal e vertical e mudanças nos fluxos de veículos.

Já a semaforização será implantada na etapa final da intervenção.

“A intervenção traz uma diminuição da rotatória, o reordenamento aqui com relação a calçadas, acessibilidade, sinalização, escoamento de água e também mudança de alguns fluxos, alguns conflitos que nós temos hoje e nós vamos procurar reduzir com essas intervenções”, explicou Ciro.

A expectativa é que a nova configuração dê uma maior fluidez ao trânsito e reduza os pontos de conflito entre veículos. Durante o evento, o diretor-presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), Rudel Trindade, também destacou a situação atual do cruzamento.

“Realmente é perigoso, você tem que ter habilidade para cruzar essa rotatória, você tem que ter um cuidado”, afirmou.

Ciro informou que a região apresenta um volume considerável de acidentes, mas não apresentou números atualizados durante a coletiva. Segundo ele, também há subnotificação de ocorrências de menor gravidade, principalmente quando as colisões resultam apenas em danos materiais.

Interdições por etapas

Os primeiros trabalhos começaram com a retirada de elementos existentes na rotatória e a preparação de um retorno que permitirá avançar com as próximas etapas.

A Agetran também iniciou a sinalização dos desvios. Conforme a execução avançar, as interdições serão feitas gradualmente para reduzir os transtornos para quem utiliza o cruzamento.

“Conforme o andamento, nós vamos interditando por partes aqui a rotatória, desfazendo os desvios, para que a gente possa trazer o menor transtorno possível para o cidadão que usa essa região”, explicou Ciro.

Mapas indicando os desvios e as rotas alternativas deverão ser divulgados pela agência para orientar os motoristas.

O projeto prevê ainda intervenções para melhorar o escoamento da água no cruzamento. Questionado sobre os alagamentos registrados na Avenida Tamandaré, Ciro explicou que as medidas incluídas nesta obra serão pontuais.

“Nesse ponto aqui nós vamos fazer pequenas intervenções para reduzir isso, para trazer esse conforto para quem está transitando aqui no local”, afirmou.

Intervenções de maior porte no sistema de drenagem dependem de outros projetos da Prefeitura e não estão incluídas neste contrato.

A obra é resultado de parceria entre a Prefeitura de Campo Grande e o Governo de Mato Grosso do Sul, com participação técnica da Agetran e do Detran-MS.

Segundo Rudel Trindade, os R$ 2,4 milhões destinados ao reordenamento são provenientes da arrecadação com multas de trânsito. Ele explicou que esses recursos possuem destinação específica e são aplicados em ações relacionadas ao trânsito, como sinalização, fiscalização e educação.

Esta será a terceira intervenção em rotatórias realizada pelo Detran-MS em parceria com o Município, conforme Rudel. As anteriores ocorreram na Avenida Mato Grosso com a Via Parque e na região da Avenida Três Barras.

As melhorias devem beneficiar diretamente moradores da Vila Nasser, Vila Nossa Senhora das Graças, Santa Luzia, Vila Sobrinho e São Francisco, além de estudantes, comerciantes e motoristas que utilizam diariamente o corredor.

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