Cidades

Sistema Penitenciário

Justiça manda a primeira leva de presos para casa

Justiça manda a primeira leva de presos para casa

THIAGO GOMES

19/01/2010 - 07h12
Continue lendo...

A primeira leva de internos do Presídio de Dois Irmãos do Buriti (PDIB) foi mandada ontem para casa. São 40 presos, do total de 300, do regime semiaberto de Campo Grande, que estavam em regime fechado no estabelecimento penal daquela localidade. Há uma semana a 1ª Turma Criminal o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, atendendo a requerimento da Defensoria ública, concedeu habeas corpus e determinou que os internos fossem colocados em regime domiciliar até que o Estado lhes assegure condições e cumprimento de pena dentro do regime a que têm direito – o semiaberto. O processo de liberação dos presos começou às 16h de ontem, quando eles deixaram o PDIB em um ônibus cedido pela Prefeitura de Dois Irmãos e foram escoltados por duas patrulhas de policiais militares da Ronda Ostensiva Tática do Interior (Rotai)de Aquidauana. Do estabelecimento penal, os detentos foram levados para o fórum, onde passaram pela audiência admonitória com o juiz Alysson Kneip Duque. A audiência serviu para indicação e confirmação do endereço onde ficariam domiciliados e para fixação de regras. A medida é justificada pela necessidade de se alertar os detentos para as condições do regime domiciliar, assim como viabilizar a fiscalização acerca do comportamento que deverão ter fora das unidades penais. Logo após, os 40 primeiros beneficiados embarcaram novamente no ônibus e foram trazidos para a Capital, diretamente para a Colônia Penal Agrícola (CPA), de onde cada um se dirigiria para o próprio endereço. A intenção é que eles aguardem em casa a abertura de vaga no regime semiaberto.

Meio Ambiente

Passeios para turistas da COP15 em MS vão de R$ 75 a R$ 34,5 mil

Lista de atrativos turísticos contempla atividades em Bonito, Campo Grande, Corumbá, Miranda e Aquidauana; atração com onças no Pantanal é a mais cara

13/03/2026 08h40

Expedição de três dias ao Pantanal para quatro pessoas para estudo comportamental de onças-pintadas é o passeio mais caro

Expedição de três dias ao Pantanal para quatro pessoas para estudo comportamental de onças-pintadas é o passeio mais caro Rodolfo César

Continue Lendo...

Prestes a receber cerca de três mil pessoas durante os seis dias da 15ª Conferência das Partes sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), cartilha de Mato Grosso do Sul para delegações estrangeiras oferece passeios com variação de preço de até 45.900%, com os atrativos turísticos custando entre
R$ 75 e R$ 34,5 mil.

Inclusa nas informações para participantes oferecidas pela convenção, a lista de tours abrange passeios em vários municípios sul-mato-grossenses, como Bonito, Campo Grande, Corumbá, Miranda e Aquidauana. O mais barato ofertado é a visita à maior fazenda de jacarés do mundo, localizada em Corumbá, que custa, em média, R$ 75 por pessoa.

O passeio é descrito como uma “visita educativa à Caimasul, onde você aprenderá sobre a criação sustentável de jacarés e a importância deste animal para o ecossistema do Pantanal”, com destaque para a ida às instalações de criação e as explicações técnicas sobre manejo do animal.

Outros atrativos turísticos com preços acessíveis são: passeio histórico a pé pelo centro de Corumbá, por R$ 85, e passeio de barco pelo Rio Paraguai para observar pássaros, flora e o pôr do sol do Pantanal, por R$ 100. Em todos os três passeios citados, crianças até 5 anos não pagam.

Entre os mais caros está a imersão científica de três dias em expedições privadas no Pantanal, avaliada em R$ 34,5 mil para duas a quatro pessoas, com cada pessoa adicional custando R$ 5,5 mil. A atração é um “programa contínuo de observação da vida selvagem para grupos fechados, com saídas diárias de seis horas a sete horas (manhã/tarde)”.

Ademais, o passeio tem “foco no estudo comportamental de onças-pintadas utilizando radiocolar, combinado com análise de pegadas, vocalizações e padrões territoriais. Inclui acesso aos bancos de dados científicos do projeto” e contém equipe dedicada (biólogo e guia de campo), análise in loco de dados de telemetria, rotas personalizadas com base no movimento dos animais e documentação fotográfica profissional.

Também estão na casa dos milhares de reais outras atrações turísticas, como a rotina diária de condução de gado no Pantanal, durante três dias de imersão, por R$ 2.615, e um dia inteiro dedicado à pesca esportiva no coração do Pantanal, por R$ 1.465 (R$ 1.850 para duas pessoas e R$ 2.680 para três pessoas).

Em Aquidauana e região, as opções variam de R$ 100 a R$ 750. As duas atrações mais baratas são um dia inteiro para relaxar em meio às montanhas e uma aventura moderada entre a Serra de Maracaju e o bioma Cerrado. Já o mais caro é um voo de balão sobrevoando o Pantanal, em especial, a região do Paxixi.

Já em Bonito os destaques maiores vão para os passeios na Gruta do Lago Azul, onde há duas cavernas com formações calcárias interessantes, e o Rio Sucuri, conhecido por ser um dos rios mais cristalinos do mundo e o mais transparente do Brasil.

Em outro documento, a convenção destaca o avistamento de pássaros como uma das principais atrações em Campo Grande, mais especificamente, no Parque Estadual do Prosa, no Parque Estadual Matas do Segredo e no Parque das Nações Indígenas. Com o custo de R$ 400 por grupo (até 4 pessoas), a atividade é guiada por um biólogo.

HOSPEDAGEM

Sede do evento, Campo Grande deve receber por volta de três mil pessoas durante os seis dias de COP15. Para receber o público esperado, os principais hotéis da cidade tiveram liberdade para aplicar a tarifa que quisessem, mas sem aumentos excessivos.

Na lista enviada à convenção aparecem 11 hotéis como os recomendados aos que vão participar da conferência, os quais somam 1.334 quartos. 

O mais caro é o Novotel Campo Grande, classificado com quatro estrelas, e tem duas opções: quarto superior
(R$ 1.200 por noite) e quarto executivo (R$ 1.500 por noite).
Já o mais barato é o Hotel Brumado, localizado na Avenida Afonso Pena, com preços de R$ 230 a R$ 245, com café da manhã incluso.

“A gente sabe que a COP15 vai ter um ponto muito positivo para Campo Grande, pois vai alavancar a visibilidade de Campo Grande no mercado internacional, elevando a Capital a um destino turístico de negócio, tecnológico, ambiental e sustentável”, disse a Alexandra Martins, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Mato Grosso do Sul (Abih-MS).

COP15

Entre os dias 23 e 29, Campo Grande será palco de um dos maiores eventos ambientais do mundo deste ano, a COP15, com o tema “Conectando a Natureza para Sustentar a Vida”, que vai reunir autoridades de diversas nações e milhares de turistas à Capital.

A COP da Espécies Migratórias promove a conservação de espécies, seus habitats e rotas em escala global, abrangendo cerca de 1.189 espécies, entre aves, mamíferos, peixes, répteis e insetos. Atualmente, conta com 133 partes signatárias, sendo 132 países e o bloco da União Europeia (formado por 27 nações).

Ao todo, conforme consta no acordo, a COP15 custaráR$ 46,9 milhões aos cofres públicos, que serão custeados pelo governo federal (R$ 26,7 milhões), em conjunto com o governo de Mato Grosso do Sul (R$ 10,7 milhões) e projetos de cooperação internacional (R$ 2,5 milhões), como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), além de patrocinadores.

Diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur), o turismólogo Bruno Wendling afirmou que ainda não sabe precisar com quantos milhões a economia campo-grandense vai ser beneficiada por causa da COP15.
 

Assine o Correio do Estado

Inocência

"Passada para trás" em obra da Arauco, empresa de MS cobra milhões na Justiça

Empresa de Campo Grande pede R$ 21,1 milhões após exclusão sem justificativa de projeto habitacional de meio bilhão de reais ligado à megafábrica de celulose

13/03/2026 05h00

Lançamento da Vila da Arauco, em Inocência

Lançamento da Vila da Arauco, em Inocência Divulgação

Continue Lendo...

A EBS Gestão Patrimonial Ltda. foi à Justiça contra a Arauco, que está construindo em Inocência – cidade distante 330 quilômetros de Campo Grande – a maior planta processadora de celulose do mundo, e também contra as construtoras Coplan e Coplan MS.

A empresa alega ter sido “passada para trás” pelas construtoras em um projeto para levantar 620 casas próximas à megafábrica, no empreendimento denominado Vila Arauco, que demandará investimento de R$ 505 milhões.

Com sede em Campo Grande, a EBS alega ter feito toda a estruturação financeira para o projeto Vila Arauco, que está sendo levantado no modelo built to suit (BTS), em que o imóvel é construído sob medida para uma empresa, de acordo com suas necessidades, e depois alugado a ela por contrato de longo prazo.

No ato da assinatura do contrato com a Arauco, a EBS alega ter sido descartada pela Construtora Planalto (Coplan) e por sua subsidiária criada para participar do projeto, a Coplan MS.

Nesse negócio, a EBS alega estar deixando de faturar R$ 21,1 milhões, sendo R$ 17,6 milhões equivalentes a 3,5% do valor global da obra e outros R$ 3,3 milhões referentes ao serviço futuro de administração do empreendimento pelo período de sete anos. Além disso, a empresa também pede à Justiça uma indenização por dano moral não inferior a R$ 100 mil.

A EBS chegou a integrar um consórcio com as duas Coplans, sendo este consórcio, em meio a 17 empresas que se interessaram pela proposta da Arauco para a construção das casas, o único a levantar as unidades sob medida para alugá-las depois de prontas, no conceito de BTS.

A empresa sediada em Campo Grande fez contato com vários bancos estruturadores do projeto e com a Arauco. Em alguns casos, mesmo depois de descartada pelas duas Coplans, ainda era procurada pela multinacional chilena para esclarecer dúvidas referentes ao projeto.

A EBS acabou ficando de fora da Sociedade de Propósito Específico (SPE) criada para levantar o empreendimento, sem nenhuma justificativa, mesmo depois de ter estruturado o projeto e liderado a fase de seleção, sendo integrante de um consórcio com as Coplans. 

Os advogados da EBS apontam má-fé das duas empresas, que passaram a estruturadora do projeto para trás.

“A ruptura contratual promovida após a absorção substancial do know-how da requerente configura hipótese típica de exercício abusivo do direito de resilição, sobretudo quando evidenciado que a extinção do vínculo não decorre de legítima reorientação negocial, mas de estratégia destinada a internalizar vantagens técnicas, comerciais ou operacionais previamente transferidas no âmbito da relação jurídica”, argumentam os advogados Mansour Karmouche, Máx Lázaro Trindade Nantes, Paulo Eugênio Portes de Oliveira, Sílvio Ferreira Neto e Karolaine Princival Pires.

“Todas as empresas ora requeridas, o que inclui a Arauco, sabiam que a estruturação do negócio no modelo BTS foi desenvolvida pela requerente (EBS)”, complementam os advogados, que ainda ressaltam que as construtoras usaram a expertise da EBS para avançar no certame de seleção da Arauco e depois desprezá-la e negar a relevância técnica da estruturação do modelo BTS.

O caso tramita na 11ª Vara Cível de Campo Grande, sob a responsabilidade do juiz Renato Antônio de Liberali. O pedido de antecipação de tutela feito pela EBS, para paralisar a obra e para que o banco BTG Pactual, financiador do projeto de mais de meio bilhão de reais, deposite os valores controversos em juízo, não foi aceito pelo magistrado, que argumentou que não seria o caso de paralisar a obra e que o banco financiador do empreendimento não é parte do processo.

Coplan, Coplan MS e Arauco Celulose, contudo, terão de ser citadas e se manifestar no processo. Depois da citação, o juiz deve marcar uma audiência de conciliação entre as partes.

Investimento bilionário

A Arauco está construindo em Inocência sua primeira megafábrica no Brasil, que será a maior planta processadora de celulose em uma única linha do planeta. No local, a multinacional chilena vai industrializar celulose do tipo kraft, de fibra curta, largamente utilizada nas indústrias papeleira e de higiene e hospitalar (tissue).

Lançamento da Vila da Arauco, em InocênciaPerspectiva de como ficará a Vila da Arauco/Reprodução

O valor investido no projeto é de US$ 4,6 bilhões (R$ 23,7 bilhões na cotação de ontem).
A previsão é de que a fábrica esteja concluída antes do fim de 2027 e de, até lá, a Vila da Arauco também esteja pronta, em condições de receber seus novos moradores.

A fábrica está sendo levantada a 50 km da área urbana de Inocência, às margens do Rio Sucuriú. A Vila da Arauco, porém, está sendo erguida na área urbana.

Já durante a elaboração do Projeto Sucuriú, a prefeitura de Inocência criou uma lei municipal vetando a construção de moradias próximo à fábrica, pois temia que a Vila da Arauco pudesse virar cidade em um futuro próximo e “engolir” a sede do município.

O Correio do Estado procurou a Arauco para dar sua versão sobre o imbróglio judicial, mas, até o encerramento desta edição, não houve resposta.

No ano passado, em publicação no Diário Oficial, a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) informou que, somente pela Vila da Arauco, a multinacional chilena repassou R$ 1,7 milhão à administração estadual de compensação ambiental.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).