Cidades

MERO ABORRECIMENTO

Justiça nega indenização a homem que passou mal sem beber refrigerante estragado

Ele disse que produto estava denso e estranho, mas não chegou a abrir a garrafa

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Homem que afirmou ter passado mal após comprar refrigerante com aspecto considerado estranho, mesmo sem consumir o produto, teve pedido de indenização negado pelos desembargadores da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Ação já havia sido julgada improcedente no juízo de primeiro grau, homem recorreu e teve nova negativa pela Justiça.

Conforme consta no processo, em setembro de 2016, o homem comprou refrigerante em garrafa de um litro. Ao chegar em casa, sem abrir a embalagem, ele notou que o líquido estava abaixo do nível usual e apresentava aspecto denso, além de, segundo o consumidor, ter um corpo estranho dentro do vidro, que ele não conseguiu identificar.

Consumidor alegou que a família foi exposta a um grande risco, que os familiares sentiram dores abdominais e estomacais e que, mesmo tendo feito denúncia, a empresa fabricante não a checou. Ele entrou com ação pedindo indenização, que foi negada em primeira instância, mas recorreu pedindo reforma da sentença para que a empresa o indenizasse “por ter causado tamanho descontentamento e risco à sua família”.

Relator do processo, desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva, afirmou que tudo não passou de mero aborrecimento, tendo em vista que o consumidor afirma ter sentido dores abdominais e estomacais sem nem chegar a abrir a garrafa e, consequentemente, sem beber o refrigerante.

Ainda conforme o relator, se todo e qualquer desgosto ou contrariedade for indenizável, “torna-se temerário a vida em sociedade”, o que acarretaria insegurança jurídica, sendo dever do Judiciário coibir tais atitudes.

"Não ultrapassando a situação ocorrida com o apelante o limite do mero aborrecimento a que todos estão sujeitos, por mais lamentável e condenável que tenha sido a conduta da empresa, não há como acolher a pretensão indenizatória do apelante. Posto isso, conheço do recurso e nego provimento”, concluiu.

OTIMISMO

Governo de MS ignora vida real e projeta alta na receita em 2027

Arrecadação nos primeiros meses do ano encolheu 6,5% e termos reais em MS, mas o Governo projeta crescimento de 6% na LDO do próximo ano

08/06/2026 12h55

Começou na semana passada a tramitar na Assembleia o projeto de LDO que servirá de base para a elaboração do orçamento de 2027

Começou na semana passada a tramitar na Assembleia o projeto de LDO que servirá de base para a elaboração do orçamento de 2027

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Apesar da queda de 1,3% na arrecadação de impostos nos primeiros meses do ano, o que indica desaceleração da economia em Mato Grosso do Sul, o Governo do Estado abandonou a cautela e para o próximo ano está prevendo aumento de 6% nas receitas, o dobro do crescimento estimado para 2026. 

Dados do Ministério da Fazenda revelam que nos dois primeiros meses deste ano a arrecadação de impostos em Mato Grosso do Sul foi menor que em igual período do ano passado e somou R$ 3,732 bilhões. No mesmo período do ano passado, o montante foi R$ 50 milhões maior e somou R$ 3,782 bilhões.  Se for contabilizada a inflação do período, a queda real é de quase 6,5%. 

Mesmo com estas números preocupantes, o Governo do Estado enviou na semana passada para a Assembleia Legislativa o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) com orçamento global de aproximadamente R$ 28,84 bilhões para o próximo ano. O montante representa crescimento de 6,06% em relação aos R$ 27,19 bilhões projetados para 2026.

No ano passado este mesmo projeto do Governo do Estado estimou crescimento de apenas 3% na arrecadação e gastos em 2026, índice inferior ao índice da inflação. O montante passou de uma projeção de  R$ 26,402 bilhões (em 2025),  para R$ 27,190 bilhões (em 2026). Mas, com a queda na arrecadação nos primeiros meses do ano, nem mesmo esta projeção tende a ser alcançada. 

RETRAÇÃO

Nos dois primeiros meses do ano, as duas principais fontes de receita encolheram no Estado. O ICMS, que no ano passado rendeu R$ 2,848 bilhões, caiu para R$ 2,835 milhões, o que representa recuo de quase 0,5%. Uma das explicações é a queda na importação de gás boliviano, que é da ordem de R$ 25 milhões por mês. 

Quando o assunto é IPVA, a retração é mais significativa, da ordem de 7%. No ano passado entraram R$ 673,8 milhões nos cofres estaduais. Neste ano, o valor recuou paraR$ 626,8 milhões. A explicação é a queda no número de veículos sobre os quais incide o imposto, apesar de anualmente serem emplacados em torno de 60 mil veículos no Estado. 

Porém, a tendência é de que o arrecadação na terceira, quarta e quinta parcela do IPVA tenha sido maior que nos mesmos meses do ano anterior, já que a administração estadual passou a exigir o pagamento à vista no começo de janeiro. Nos anos anteriores, o prazo para pagamento com direito a desconto se estendia até o fim de janeiro.
 

coxim

Motorista que atropelou estudante de enfermagem é solto com fiança

Servidor municipal passa a usar tornozeleira eletrônica cerca de seis meses após a morte de Letícia Camargo, de 25 anos, no interior do Mato Grosso do Sul

08/06/2026 12h25

Letícia Camargo seguia para o estágio quando foi atropelada

Letícia Camargo seguia para o estágio quando foi atropelada Reprodução/Redes Sociais

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Aproximadamente 208 dias após o atropelamento da estudante de enfermagem Letícia Camargo, de 25 anos, enquanto a jovem ia para o estágio em Coxim, o servidor municipal acusado pelo crime, Cleyton Matos Campos, foi solto diante de uma fiança de R$10 mil, conforme exposto em Diário Oficial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).  

Agora, o acusado pela morte da jovem deverá usar tornozeleira eletrônica e têm uma nova audiência e julgamento marcados para o dia 1° de setembro deste ano, às 15h. 

Apesar de revogada a prisão até então preventiva e estendido o monitoramento eletrônico ao agora ex-servidor público, essa decisão publicada hoje (08) rebate diversas teses da defesa que passavam desde uma suposta inépcia da denúncia e cerceamento de defesa, até a alegação de estado de inconsciência e insanidade mental de Cleyton Matos Campos

Essa decisão que acaba de soltar o acusado pela morte de Letícia, substitui a prisão preventiva de Cleyton pelas seguintes medidas cautelares:  

  1. Monitoramento eletrônico; 
  2. Suspensão do exercício da função pública
  3. Comparecimento a todos os atos do processo;
  4. Proibição de ausentar-se da comarca sem prévia autorização judicial;
  5. Prestação de fiança no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), como forma de vinculação ao processo

Ainda conforme o texto do TJMS, o monitoramento eletrônico deve durar o prazo inicial de aproximadamente quatro meses (120 dias), com a possibilidade de poder ser prorrogado caso seja necessário. Além disso, o exercício de sua função pública fica suspenso enquanto perdurar a instrução processual. 

Entenda

No julgamento, tratado como homicídio simples, da ação movida por parte do Ministério Público Estadual, foram analisados argumentos de defesa que apontavam: 

  1. Nulidade do recebimento da denúncia; 
  2. Inépcia da denúncia; 
  3. Ausência de justa causa; 
  4. Cerceamento de defesa; e 
  5. Absolvição sumária

Dos três primeiros pontos relacionados, o texto do TJ relata que, ainda que sucinta, a "decisão de recebimento consignou expressamente a presença da materialidade delitiva e indícios suficientes de autoria, bem como o preenchimento dos requisitos legais da peça acusatória". 

Entre os mais diversos pontos que justificam as razões pelas quais as alegações da defesa não prosperam, o Tribunal de Justiça reforça que a peça de acusação atende plenamente aos requisitos legais, descrevendo de forma clara e individualizada a conduta atribuída ao acusado; o contexto que os fatos ocorreram, o nexo entre a conduta e o resultado, etc. 

Para o TJMS, diferente do alegado, essa não trataria-se de uma denúncia genérica ou imprecisa. Pelo contrário, permitiria: "a perfeita compreensão da imputação e viabiliza o exercício da ampla defesa e do contraditório, atendendo ao “standard” mínimo exigido pela legislação processual penal". 

Afastadas as hipóteses inépcia da denúncia, nulidade, a alegação de ausência de justa causa, de constrangimento ilegal, de que a ação penal seria instaurada de forma temerária e de possível cerceamento da defesa, sem qualque nulidade ou irregularidade apta a macular a decisão de recebimento da denúncia, o Tribunal de Justiça reforçou que Cleyton ainda estaria preso preventivamente há quase sete meses. 

Inclusive, o TJMS reforçou que a própria defesa teria deixado transcorrer os prazos por duas vezes, para justamente depois tentar alegar nulidade e se beneficiar de sua própria demora, em uma inércia reiterada que estaria prejudicando não somente o acusado mas também à família da vítima "que espera ansiosamente por uma resposta da justiça".

Pelo entendimento da Justiça, ainda que a gravidade concreta dos fatos não possa ser desconsiderada, no atual momento a prisão cautelar teria deixado de se revelar como necessária e proporcional. 

"Observa-se que o acusado já permaneceu segregado por período considerável, circunstância que deve ser analisada sob a ótica da proporcionalidade e da excepcionalidade da prisão preventiva", cita o texto. 

Em complemento, uma vez que Cleyton possui endereço fixo e seria servidor público, portanto com vínculo no distrito em que é julgado, não haveria elementos que apontam para risco de fuga, portanto poderiam ser adequadamente mitigados por medidas cautelares, especialmente o monitoramento eletrônico e fiança

"A prisão preventiva deve ser medida extrema (ultima ratio), sendo cabível apenas quando as demais medidas se mostrarem insuficientes, o que não se verifica no presente momento. Mostra-se igualmente necessária a suspensão do exercício da função pública, nos termos do art. 319, VI, do CPP, como forma de resguardar o interesse público e a regularidade da instrução".

Relembre

Em 12 de novembro de 2025 a estudante de enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Letícia Camargo, morreu aos 25 anos após ser atropelada por um ônibus escolar em Coxim. 

Imagens de circuito de monitoramento mostram o momento em que o ônibus atinge Letícia, que chegou a ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada ao Hospital Regional Álvaro Fontoura Silva, mas não resistiu aos ferimentos.

Preso em flagrante por homicídio doloso após atropelar e matar a estudante, as apurações indicaram que o servidor da Prefeitura de Coxim, Cleyton Matos Campos dirigia um ônibus escolar com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida há mais de um ano. 

Em nota publicada à época, o câmpus de Coxim da UFMS reforçou que Letícia iria concluir sua graduação no semestre em que foi morta. 
 

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