Cidades

SAÚDE

Leishmaniose mata oito vezes mais que a dengue

Leishmaniose mata oito vezes mais que a dengue

MICHELLE ROSSI

09/04/2012 - 18h50
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No primeiro ano de notificações tabuladas, as confirmações de LV em humanos somaram 25 casos, com 8 óbitos (ver tabela nesta página). Em 2007, 2008 e 2009, período em que o combate à doença foi realizado de forma bastante agressiva, com altos índices de eutanásia de cães, distribuição de coleiras para os animais sem o diagnóstico para proteção contra a picada do mosquito (com o princípio ativo de deltametrina a 4%), houve uma explosão de casos confirmados da doença em humanos no Estado: 266, e o maior número de óbitos registrados até o momento: 28 mortes.

O Centro de Controle de Zoonoses de Campo Grande, responsável por operacionalizar as ações de combate à doença na maior cidade do Estado, e também apontada como a zona geográfica com mais casos da doença, informa apenas que houve redução de casos na cidade, mas não repassa ou não tabula dados: não há números sobre o percentual de redução da doença; muito menos do número de cães diagnosticados com a doença e eutanasiados. Não há justificativa para o não repasse de informações. “O trabalho constante de todas essas medidas demonstraram que ocorreu uma redução na positividade canina”, resumiu em nota a prefeitura sobre o resultado de ações de combate à doença.

Médicos devem estar atentos aos sintomas

Os sintomas iniciais da leishmaniose visceral em humanos: febre, emagrecimento e aumento do volume abdominal, pode ser confundido com outras doenças, até mesmo com a dengue, informa a médica infectologista Anamaria Paniago. “Outras doenças que são diagnosticadas em lugar da leishmaniose são leucemia, linfoma e tuberculose. Os médicos precisam estar atentos para o diagnóstico da leishmaniose, pois quanto mais cedo o paciente iniciar o tratamento, melhor será sua resposta”, diz a médica.

O diagnóstico é comprovado por meio de dois exames – aspirado de medula óssea e teste rápido – que são realizados apenas nos hospitais de referência, ou seja, após encaminhamento do paciente por suspeita clínica ou por resultado de hemograma (anemia, queda de leucócitos e de plaquetas). “Por isso é importante o médico desconfiar da doença e fazer o encaminhamento aos hospitais de referência. Acredito que a classe médica tem evoluído nesse sentido. Hoje, os médicos desconfiam mais dessa doença e consequentemente há mais notificações dela”, diz a médica.

Em média, o Hospital Dia do HU atende 15 crianças e 8 adultos, com diagnóstico confirmado por leishmaniose visceral, por mês. “Fora a região sul, todos os outros pacientes das outras regiões do Estado são atendidos aqui”, informa a médica.

O tratamento é realizado em regime de internação e dura em média 1 mês, com aplicações de Anfotercina B (que pode ser a convencional ou a lipossomal - esta mais eficiente com menos efeitos colaterais; no entanto, mais cara e somente usada nos casos mais graves) ou Glucantime que é usado para o tratamento em crianças. Após o tratamento, os pacientes são monitorados por até seis meses até a cura. A internação é necessária pois os medicamentos utilizados provocam efeitos colaterais e afetam principalmente os rins e o fígado. “No hospital, podemos acompanhar o manejo desses medicamentos”, diz a médica.

Os casos de óbito são comumente registrados em diagnósticos tardios e pacientes com doenças associadas, como diabete, Aids, cardiopatias e pneumonia, além de idosos, de forma geral. O quadro de leishmaniose agrava-se rapidamente e se não é diagnósticado, o paciente começa a evoluir para sintomas como palidez, sangramento pelo nariz, e acentuação do emagrecimento.

Prisão

Influenciador procurado por dívida de pensão é preso no Paraguai

Conhecido como "Seu Waldemar", ex-apresentador de TV foi localizado em Pedro Juan Caballero após ação conjunta entre autoridades brasileiras e paraguaias

23/06/2026 20h15

Foto: Divulgação

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Uma operação integrada entre forças de segurança do Brasil e do Paraguai resultou, na manhã desta terça-feira (23), na prisão do influenciador digital e humorista Waldemar Neto Lobo Melo do Carmo, conhecido nas redes sociais como "Seu Waldemar".

Ele foi localizado em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia vizinha a Ponta Porã, durante ação coordenada entre a Polícia Nacional do Paraguai, Polícia Civil de Goiás, Polícia Federal e equipes da Unidade de Comando Bipartito que atuam na fronteira.

A prisão ocorreu em cumprimento a um mandado expedido pela 3ª Vara da Família de Goiânia (GO), em razão do não pagamento de pensão alimentícia. Segundo informações das autoridades, a dívida ultrapassa R$ 20 mil.

Considerado foragido da Justiça brasileira desde janeiro deste ano, Waldemar vinha sendo monitorado por equipes de inteligência que buscavam confirmar seu paradeiro no país vizinho.

Após a localização, agentes realizaram a abordagem em uma residência situada no bairro Guarani, onde ele estava morando nos últimos meses.

Além da questão relacionada à pensão alimentícia, o influenciador também responde a uma ação judicial por suposto abandono afetivo. Conforme alegado no processo, ele não manteria contato com o filho há mais de um ano. O menino é fruto do relacionamento com a servidora pública Sami Moura.

Durante o período em que permaneceu no Paraguai, Waldemar compartilhava frequentemente sua rotina nas redes sociais. Em diversas publicações, mostrava a vida de estudante de Medicina e relatava a adaptação à nova rotina no país vizinho.

Segundo as investigações, ele cursava Medicina em uma universidade localizada em Pedro Juan Caballero e utilizava as plataformas digitais para divulgar conteúdos relacionados à experiência acadêmica.

Em vídeos e postagens, também afirmava trabalhar com corridas por aplicativo e prestava orientações a brasileiros interessados em ingressar em instituições de ensino da região de fronteira.

Ainda de acordo com as autoridades, o influenciador chegou a anunciar a criação de grupos de orientação para futuros estudantes, além de informar que mantinha contratos para produção de conteúdo digital enquanto vivia no Paraguai.

A promotora Katia Uemura informou que Waldemar deverá ser entregue ainda nesta terça-feira às autoridades brasileiras na Linha Internacional que divide Ponta Porã e Pedro Juan Caballero. Após a transferência, ele ficará à disposição da Justiça goiana, responsável pela expedição da ordem de prisão.

O caso segue sendo acompanhado por órgãos de segurança dos dois países, dentro dos mecanismos de cooperação previstos para o cumprimento de decisões judiciais transnacionais.

Quem é "Seu Waldemar"

Conhecido em Goiás pelo personagem "Seu Waldemar", Waldemar Neto Lobo Melo do Carmo ganhou notoriedade na internet por meio de vídeos humorísticos que retratavam situações do cotidiano com linguagem popular e forte identificação regional.

O sucesso nas redes sociais o levou à televisão, onde atuou como apresentador em programas da TV Anhanguera.

Atualmente, o influenciador acumula quase 500 mil seguidores nas redes sociais, público que acompanhava tanto seus conteúdos humorísticos quanto sua rotina pessoal e acadêmica.

Nos últimos meses, suas postagens passaram a ser voltadas principalmente à vida como estudante de Medicina no Paraguai, tema que atraía seguidores interessados em cursar graduação na região de fronteira.

Internet

CNJ aprova resolução sobre influencers mirins e esclarece que alvará não autoriza publicidade

A Constituição proíbe trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz.

23/06/2026 19h00

CNJ estabele regras para crianças 'influencers'

CNJ estabele regras para crianças 'influencers' Rafa Neddermeyer

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou nesta terça-feira, 23, resolução que regulamenta a atuação de influenciadores mirins. Na semana passada, o Ministério Público do Trabalho (MPT) se posicionou contra a permissão para crianças atuarem com publicidade. O CNJ, porém, manteve a regulamentação para esta área.

A Constituição proíbe trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz. A exceção à regra vem da Convenção 138 da Organização Internacional do Trabalho, que permite a atividade artística para crianças e adolescentes. É com base nessa exceção que o CNJ regulamenta a participação de menores em plataformas digitais e é também onde reside o ponto central da controvérsia com o MPT.

Para o órgão trabalhista, a produção de conteúdo com fins de monetização, a captação de patrocínios e a veiculação de publicidade não se enquadram como atividade artística.

O MPT argumentou que o simples uso de recursos audiovisuais não converte uma atividade econômica em artística e que, portanto, alvarás para esse fim legitimariam o trabalho infantil digital.

De acordo com a conselheira Kátia Magalhães Arruda, o CNJ levou em consideração tanto a nota técnica do MPT, quanto um documento semelhante emitido pelo Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem.

"Entendemos que o alvará não é para permitir que a criança faça publicidade, porque isso não é possível pelo próprio texto da nossa Constituição", afirmou a conselheira. O alvará, segundo ela, funcionaria para monitorar a atividade artística desenvolvida pelos menores que, por ora, pode ter publicidades veiculadas.

A ministra havia entabulado divergência anteriormente e a retirou após os ajustes incorporados pelo relator, conselheiro Fábio Esteves.

Pela resolução, o juiz responsável pela concessão do alvará poderá fixar condições como tempo de exposição e formato de divulgação. O documento deverá detalhar remuneração, tipo de atuação e, no caso de publicidade, identificar intermediários e abrangência da campanha. Conteúdos erotizados, de natureza sexual ou que exponham menores a situações vexatórias e degradantes são proibidos.

A minuta também prevê a criação do Banco Nacional de Alvarás para a Participação de Crianças e Adolescentes no Ambiente Digital (BNAD), mecanismo que permitirá rastrear autorizações, produzir estatísticas e orientar políticas públicas na área.

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