O número de leitos hospitalares em Campo Grande não acompanhou o crescimento populacional na última década. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a população campo-grandense saltou de 786.797, em 2013, para 897.938, em 2023, o que representa um aumento de 14,13%. Enquanto isso, os leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) foram de 1.448, em 2013, para 1.462, em 2023, de acordo com DataSUS, o que significa 0,96% de crescimento.
Atualmente, em Campo Grande, o número total de leitos hospitalares que atendem tanto pelo SUS quanto pela rede privada é de 2.499, enquanto em agosto de 2013 era de 2.317, registrando um aumento de 7,3%.
Ou seja, a maior parte da disponibilidade de leitos hospitalares na Capital se deve ao aumento de cerca de 19% dos leitos particulares, que saltaram de 869 para 1.037 na última década.
Sendo assim, para cada leito hospitalar existente na Capital há 359 pessoas, que podem precisar da vaga.
Se for considerado apenas o número de leitos públicos, a disputa é ainda maior, passando para 614 possíveis pacientes por leito. Mato Grosso do Sul disponibiliza 5.827 leitos hospitalares, sendo 3.952 com atendimento pelo SUS.
Em virtude da necessidade de novos leitos hospitalares em Campo Grande, o debate em torno do possível hospital municipal foi retomado este ano.
Na última semana, a prefeita Adriane Lopes (PP) anunciou o projeto da unidade hospitalar, que deve contar com 250 leitos hospitalares, podendo ser ampliado para 500.
Além do número de possíveis novos leitos, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou em nota que a perspectiva preliminar de implantação do complexo hospitalar e diagnóstico municipal deverá contar com 10 centros cirúrgicos, 10 unidades de tratamento intensivo (UTIs) e 25 salas de diagnóstico.
“O investimento previsto é de R$ 200 milhões. O projeto está em fase de finalização e, tão logo seja concluído, deverá ser encaminhado para apreciação do Conselho Municipal de Saúde e outros detalhes serão divulgados”, acrescentou a Sesau em nota.
A ideia é que a obra seja construída por intermédio de parceria público-privada (PPP), e a empresa responsável deve receber quando o hospital estiver em funcionamento.
A empresa deve ser selecionada por meio de edital público e, além da construção do prédio, terá de equipar o local, contratar o quadro de funcionários e administrar a unidade.
Segundo o titular da Sesau, Sandro Benites, o secretário e a prefeita estiveram em outras capitais do País, como Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador, e notaram que a parceria público-privada mostrou-se rápida e eficiente nesses casos.
O secretário ainda afirmou que o hospital será construído em 12 meses, em razão de a iniciativa ser por intermédio de parceria público-privada. “As empresas já fizeram isso nas outras capitais e deu certo em 12 meses”, comentou.
Ainda não foi divulgado o nome da empresa nem o local onde o hospital será construído, mas a Sesau informou que há três áreas possíveis para a obra, que estão em análise de viabilidade técnica. Quanto ao custeio, deverá ser um financiamento tripartite, tendo recursos do município, do Estado e da União.
O hospital é uma iniciativa que visa diminuir a superlotação em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), aumentar o número de vagas de alta complexidade e reduzir a dependência de unidades de saúde como a Santa Casa e o Hospital Regional.

DEMORA
A espera pelo hospital municipal já dura mais de 10 anos. Em 2014, a obra estava orçada em R$ 112 milhões, e o então prefeito, Alcides Bernal (PP), chegou a levar um projeto a Brasília, para tentar tirar do papel uma de suas promessas de campanha, o que não aconteceu.
O então titular da Sesau, Jamal Salem, relatou que não havia nada definido, tampouco verba para a construção da unidade.
Já em 2019, uma comissão técnica foi oficializada pela Sesau para a criação e a implantação do hospital municipal de Campo Grande. A resolução chegou a ser publicada no Diário Oficial do Município (Diogrande) e foi assinada pelo então secretário, José Mauro Pinto de Castro Filho.
Segundo o documento, a comissão deveria trabalhar por dois anos e tinha como finalidade levantar características e estruturas necessárias para subsidiar a criação do projeto arquitetônico do hospital, elaborar plano de administração hospitalar e acompanhar todas as fases de criação, execução e implantação da nova unidade. No entanto, novamente a construção não saiu do papel.
Em julho do ano passado, o tema foi retomado em audiência pública na Câmara Municipal de Campo Grande, quando foi debatida entre representantes da prefeitura e do governo do Estado, professores, vereadores e especialistas em gestão pública de saúde a necessidade de ampliação da capacidade de atendimento em saúde na Capital.
O atual titular da Sesau, Sandro Benites, informou que ainda este ano as obras começam. O secretário aponta que logo após a escolha do local será publicado o chamamento público para que as empresas interessadas se cadastrem.





