Cidades

Em 10 anos

Levantamento indica média de 190 desaparecimentos por dia no país

Só no ano passado, foram 71.796 casos de pessoas desaparecidas

G1

30/10/2017 - 08h10
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Entre 2007 e 2016, foram registrados 693.076 mil boletins de ocorrência por desaparecimento, segundo dados inéditos compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em estudo feito a pedido do Comitê internacional da Cruz Vermelha. Em média, 190 pessoas desapareceram por dia nos últimos dez anos, oito por hora. É a primeira vez que dados de desaparecimento estão presentes no anuário de violência do Fórum. Só no ano passado, 71.796 desaparecimentos foram registrados.

Em números absolutos, São Paulo lidera as estatísticas, com 211.965 registros de desaparecimentos de 2007 a 2016, seguido por Rio Grande do Sul, com 75.214, e Minas Gerais, com 52.217. Acre, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná e Roraima não passaram os dados completos de todos os últimos dez anos.

Se formos levar em conta a taxa, Distrito Federal concentra o maior número de registros: 106 por 100 mil habitantes. E a razão é bastante simples: Embora não registre um número maior de desaparecidos do que os outros estados, a unidade da federação tem um banco de informações que interliga os órgãos, como hospitais, asilos, institutos médicos legais, serviços de verificação de óbito, entre outros, considerado por especialistas um ponto-chave para se entender e combater o desaparecimento no país.

“As pessoas estão desaparecendo e não há uma preocupação em cruzar os dados. Uma pessoa registrada como desaparecida pode aparecer em outro boletim de ocorrência como morte decorrente de intervenção policial, mas esse dado não é cruzado e não se chega à conclusão de que ela foi encontrada morta, por exemplo”, diz Olaya Hanashiro, consultora sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“Ninguém estava olhando para esse fenômeno para além do período da ditadura militar. E o desaparecimento não deixou de ocorrer no cotidiano de população”, completa.

Das 1.195 mortes violentas registradas de 21 a 27 de agosto pelo monitor da violência, projeto do G1 em parceria com o Fórum e com o Núcleo de Estudos de Violência (NEV) da USP, mais de 150 não têm nome da vítima. Podem ser pessoas desaparecidas, com familiares à procura.

A coordenadora do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos de São Paulo (Plid) do Ministério Público, Eliana Vendramini, entrou com uma ação há três meses para obrigar o estado a cumprir Lei estadual de 2014 que determina a integração dos órgãos e a criação de um banco de dados de desaparecidos.

“A principal omissão do estado é a falta de integração e de diálogo entre todos que estão com a temática do desaparecimento. A Colômbia tem um banco de dados e conseguiu criá-lo, a priori, a partir da questão dos sequestros pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mas que descortinou outros problemas sociais. Nós temos uma guerra civil na periferia de São Paulo e isso é motivação suficiente para ter um banco de dados”, afirma Vendramini.

Em agosto, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) assinaram um acordo de cooperação técnica para a implantação do Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (Sinalid). Além de São Paulo e Rio de Janeiro, o Plid existe no Pará, Amazonas e Bahia e outros quatros estados manifestaram interesse em aderir.

Perfil do desaparecido

Como o desaparecimento não é considerado um crime, é feito apenas o boletim de ocorrência e não há investigação até haver uma suspeita de um crime, um homicídio ou um sequestro, por exemplo. A lei também obriga que o desaparecimento de crianças e adolescentes até 18 anos seja investigado, bem como o de pessoas com transtorno mental, mas segundo a promotora Eliana, apenas o desaparecimento de crianças até 12 anos é investigado no país.

“A pessoa precisa fazer o boletim de ocorrência por desaparecimento logo nas primeiras horas que se percebeu isso. Precisamos acabar com o mito do registro após 48 horas. A chance de encontrar uma criança logo após o desaparecimento é maior”.

Segundo dados da promotora, o principal perfil da vítima de desaparecimento em São Paulo é: adolescente, negro, e de periferia, o que coincide com o perfil da vítima de homicídio.
“A pesquisa [do MP] mostra o desaparecimento com pico aos 15 anos, cedendo aos 28 anos. A estatística está voltada para os adolescentes, mas o estado não quer investir como eles sendo vulneráveis”, diz.

Causas

O desaparecimento é considerado multicausal e pode ser:

Voluntário – quando a pessoa se afasta por vontade própria e sem avisar, que pode acontecer por diversos motivos: desentendimento, medo, aflição, choque de visões, planos de vida diferentes

Involuntário – quando a pessoa é afastada do cotidiano por um evento sobre o qual não tem controle, como um acidente, um problema de saúde, um desastre natural

Forçado – quando outras pessoas provocam o afastamento, sem a concordância da pessoa. Como em um sequestro, ou ação do próprio estado.

“Nós temos muitas notícias de casos em que a última visão do desaparecido foi em uma abordagem policial das mais variadas. Nós temos inclusive da Guarda Civil Metropolitana (GCM) porque anda armada, mas foi prioritariamente criada para proteção do patrimônio. Tanto a Polícia Civil, especialmente a PM, supostamente envolvidas em desaparecimentos, há poucos casos com soluções”, diz a promotora.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública, por meio de sua assessoria de imprensa, diz que adotou medidas que possibilitaram maior eficiência nas investigações como que as ocorrências sejam investigadas pela 4ª Delegacia de Investigações sobre Pessoas Desaparecidas do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa) na capital paulista. A pasta informa que na Grande São Paulo as investigações são realizadas pelos setores de Homicídios das Delegacias Seccionais de Polícia e, no Interior, as apurações são de competência das Delegacias de Investigações Gerais (DIG).

Há também casos relacionados com o envolvimento do crime organizado, principalmente pelo tráfico de drogas, afirma a promotora. O tráfico de pessoas é um crime que também está atrelado aos desaparecimentos principalmente no Nordeste do país e em cidades de fronteira.

O Plid em São Paulo iniciou uma pesquisa para entender as causas dos desaparecimentos na capital paulista e concluiu que na Zona Sul, a maioria está relacionada a desentendimentos familiares. A Zona Leste registra o maior número de desaparecimentos e as causas estão atreladas à violência urbana.

“Nós temos um número muito maior na região Leste. O atendimento não é humanizado e a família não se abre no primeiro atendimento ou porque não vai haver investigação. Na Zona Sul, as causas são basicamente ditadas pelo desentendimento familiar, o álcool, as drogas, a vulnerabilidade social, a falta de lazer, etc. Se a pessoa desaparece em bairros centrais como Higienópolis e Moema, ela tem o aparato ao seu favor. E isso é muito grave porque queremos uma sociedade igual”, diz Eliana.

ibge

MS lidera ranking nacional de escolas com profissionais de apoio para alunos com deficiência

Estado também se destaca no avanço da acessibilidade das escolas das redes públicas e privadas

18/09/2026 16h00

MS se destaca em escolas com acessibilidade e profissionais de apoio a pessoas com deficiência

MS se destaca em escolas com acessibilidade e profissionais de apoio a pessoas com deficiência Foto: Divulgação

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Mato Grosso do Sul lidera o ranking de estados do Brasil com a maior proporção de escolas com profissionais de apoio para alunos com deficiência, com 51,4% das unidades escolares contando com esse suporte.

Dados fazem parte da publicação 'Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais', divulgada nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que tem como fonte o Censo Escolar 2025.

Conforme a pesquisa, a maior presença dos profissionais de apoio está na rede pública, onde 68% das escolas têm profissionais de apoio destinados aos estudantes com deficiência. Já na rede privada, esse percentual foi
de 3,9%.

Em relação às salas de recursos para atendimento aos alunos com deficiência, Mato Grosso do Sul registrou 35,7% das escolas com esse espaço, sendo a presença mais elevada também observada na rede pública, com 42,8% das unidades, enquanto na rede privada o percentual foi de 15,1%.

Acessibilidade

Mato Grosso do Sul também se destaca no avanço da acessibilidade das escolas, com 93,9% das unidades escolares com pelo menos um recurso do tipo, ocupando a terceira posição no ranking nacional.

O estado ficou atrás apenas do Distrito Federal (97,6%) e de Santa Catarina (94,4%).

Neste quesito, a rede privada tem 99% escolas com pelo menos um recurso de acessibilidade, enquanto na rede pública dão 92,1%.

Com relação aos banheiros acessíveis à pessoas com deficiência, 85,7% das escolas sul-mato-grossenses têm, o local adaptado , colocando Mato Grosso do Sul na 2ª colocação nacional, atrás somente do Distrito Federal, que registrou 93,5%.

As escolas particulares também se destacam neste item, com 95,6% das unidades com banheiros acessíveis, contra 82,3% das escolas públicas.

Conforme o IBGE, a série histórica evidencia uma evolução contínua na estrutura de acessibilidade das escolas sul-mato-grossenses.

O percentual de unidades com pelo menos um recurso de acessibilidade passou de 74,1% em 2016 para 93,9% em 2025, enquanto a proporção de escolas com banheiro acessível aumentou de 77,0% em 2019 para 85,7% em 2025.

Trânsito

Após restrição a caminhões, protesto impede tráfego total na MS-040; veja o vídeo

Moradores, produtores rurais e transportadores bloquearam a rodovia nesta sexta-feira em Santa Rita do Pardo

18/09/2026 13h45

Reprodução/Cenário MS

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Moradores, produtores rurais e profissionais do transporte bloquearam nesta sexta-feira (18) o tráfego na MS-040, em Santa Rita do Pardo, em protesto contra a restrição à circulação de caminhões e outros veículos pesados nas pontes dos quilômetros 205 e 223. O bloqueio ocorre depois de quase duas semanas de impedimento ao trânsito de cargas e amplia os impactos provocados pelas obras realizadas no trecho.

Segundo a Polícia Militar Rodoviária (PMR), a manifestação começou nas primeiras horas da manhã, mas foi encerrada antes da chegada das equipes ao local. A concessionária responsável pela rodovia acionou o batalhão por volta das 8h, após identificar um princípio de bloqueio. Duas viaturas foram enviadas para verificar a situação, mas, quando chegaram, o protesto já havia terminado e o fluxo havia sido retomado.

Apesar do fim da manifestação, a ponte da MS-040 permanece funcionando em sistema de pare e siga, com controle da Polícia Militar Rodoviária, e a passagem segue liberada apenas para veículos de passeio. Caminhões carregados continuam impedidos de atravessar a estrutura. 

O protesto começou nas primeiras horas da manhã, no trevo de acesso ao município, com uso de tratores e outros veículos. Durante a manifestação, a passagem de carros de passeio foi limitada, enquanto ambulâncias e outros veículos de emergência tiveram trânsito liberado. Os manifestantes cobram uma solução que permita a retomada do transporte de cargas pela rodovia.

De acordo com informações do Jornal Cenário MS, entre as reivindicações está a instalação de uma ponte metálica móvel que possibilite a passagem de carretas pelas áreas onde as estruturas estão em obras. Segundo os participantes do protesto, a restrição tem dificultado o transporte de gado, a chegada de insumos às propriedades rurais e o abastecimento do comércio local.

A mobilização ocorre após a Caminhos da Celulose, concessionária responsável pelo trecho, restringir a circulação de caminhões, carretas e ônibus nas duas pontes. A empresa afirma que a medida foi adotada de forma emergencial devido a problemas estruturais identificados durante as intervenções e que o bloqueio é necessário para garantir a segurança de usuários e trabalhadores.

Em contato com a assessoria de comunicação, a concessionária informou que o bloqueio emergencial ocorre em dois pontos da MS-040, nos quilômetros 205 e 223, em razão das obras de revitalização das pontes e reforçou que as intervenções são necessárias para garantir a segurança dos usuários e das equipes envolvidas nos trabalhos. "A concessionária está trabalhando na construção da melhor solução para viabilizar a liberação, ainda que parcial, do trecho", reiterou a empresa.

Restrição

O Correio do Estado acompanha desde o início do mês os efeitos da restrição na MS-040. Em reportagem publicada na segunda-feira (14), a publicação mostrou que a rodovia entrava na segunda semana sem tráfego de caminhões no trecho entre Campo Grande e Santa Rita do Pardo. As intervenções começaram no início de setembro e mantiveram o trânsito de veículos leves no sistema de pare e siga.

Como não há uma rota alternativa próxima às pontes que comporte carretas, veículos pesados que seguem entre Campo Grande, Bataguassu e São Paulo precisam alterar o trajeto antes de chegar à MS-040. Uma das opções indicadas é seguir pela BR-163 até Nova Alvorada do Sul e, depois, acessar a BR-267.

A situação também já havia sido destacada pelo Correio no feriado de 7 de Setembro, quando a MS-040 passou a integrar uma lista de pelo menos cinco pontes de Mato Grosso do Sul com restrições de tráfego por causa de obras. Na ocasião, a reportagem apontou que a ausência de uma rota alternativa próxima fazia com que o tráfego de caminhões na MS-040 ficasse praticamente suspenso.

Além das duas pontes da MS-040, a relação inclui estruturas nas rodovias BR-163, BR-262 e MS-345. Na chamada “ponte-gangorra”, sobre o Rio Miranda, a recuperação também impôs restrições ao trânsito e teve o custo da obra elevado posteriormente para R$ 4,06 milhões.

 

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