Cidades

Violência no Campo

Levantamento mostra alta no
número de assassinatos no campo

Em 2017, foram 70 assassinatos, um aumento de 15% em relação ao número de 2016

G1

17/04/2018 - 06h30
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Um levantamento feito pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) revelou um aumento de 15% no número de assassinatos no campo; maior número desde 2003. Em 2017, foram 70 assassinatos; 21 no estado do Pará, líder do ranking.

Dos 70 assassinatos em 2017, 28 ocorreram em massacres, o que corresponde a 40% do total. Desde 1985 a 2017, foram registrados 46 massacres no país com 220 vítimas. No período, o Pará registrou 26 massacres, que vitimaram 125 pessoas.

Assassinatos e julgamentos

Entre os anos de 1985 e 2017, a CPT registrou, em todo Brasil, 1.438 casos de conflitos no campo, que geraram 1904 vítimas. Segundo o estudo, apenas 113 dos casos foram julgados, o que corresponde a 8% dos incidentes.

Nesses 32 anos, a região Norte contabiliza 658 casos com 970 vítimas. O Pará é o estado que lidera na região e no resto do país, com 466 casos e 702 vítimas. Maranhão vem em segundo lugar com 168 vítimas em 157 casos. E o estado de Rondônia em terceiro, com 147 pessoas assassinadas em 102 casos.

Entre os crimes mais recentes, o massacre de Pau D’arco, que ocorreu em maio do ano passado, ganhou repercussão nacional. Dez pessoas foram mortas com tiros na cabeça durante ação de reintegração de posse realizada por policiais civis e militares.

De acordo com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Pará, os crimes tiveram características de execução. Foi feito um relatório de 18 páginas do caso com base em depoimentos colhidos pelos parlamentares durante uma visita ao município. O estudo apontou o estado como responsável pela chacina.

O Ministério Público, em setembro de 2017, denunciou 17 policiais (13 militares e 4 civis) pela suposta prática dos crimes de homicídio qualificado, milícia privada, fraude processual e tortura. Na quarta-feira (4) deste mês, foi ouvida a última testemunha de acusação do processo. Das 16 testemunhas envolvidas na acusação, foram ouvidas 11. Os depoimentos duraram três dias.

Ataques hackers

Durante o levantamento dos dados, no segundo semestre do ano passado, a Secretaria Nacional da CPT, sofreu seguidos ataques hackers, que prejudicou o funcionamento dos servidores. Segundo a CPT isso acabou comprometendo o desempenho das tarefas diárias da Pastoral. O Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, responsável pela catalogação dos dados também foi prejudicado, atrasando o fechamento do relatório.

FEMINICÍDIO

Antes de matar esposa, homem enviou áudio se despedindo de filho

Terezinha Nantes, de 54 anos, foi morta por Joel Escócio, com quem era casada há mais de 30 anos

28/07/2026 08h00

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Momentos antes de ser encontrado morto, Joel Escócio, de 59 anos, enviou áudios em tom de despedida para o filho, como se quisesse “anunciar a tragédia”. Horas depois, o filho encontrou os corpos do pai e da mãe, assassinada pelo marido, dentro de casa, na Vila Bandeirante, em Campo Grande, um crime de feminicídio com suicídio em sequência.

O crime teria ocorrido no fim da manhã de ontem. Os corpos de Joel Escócio e Terezinha Nantes de Arruda, de 54 anos, estavam em um cômodo da residência onde moravam com marcas de arma branca. No momento da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ambos já estavam sem vida.

De acordo com a delegada Larissa Franco Serpa, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o casal estava junto há mais de 30 anos e não havia histórico de violência registrado ou medida protetiva vigente.

“É um casal que já tinha bastante tempo junto, aproximadamente mais de 30 anos junto. Não havia qualquer histórico de violência registrada em uma delegacia de polícia envolvendo o casal, nem no âmbito da violência doméstica nem fora da violência doméstica. Ou seja, não havia nenhuma medida protetiva vigente ou nada do tipo”, disse.

Após conversa com familiares, a delegada descobriu que Terezinha teria manifestado o desejo de interromper a relação há algum tempo, mas Joel teria apresentado resistência quanto à ideia de separação. Isso é uma das motivações suspeitas de terem levado o homem a tirar a vida da mulher.

Além disso, Joel enviou áudios para o filho passando instruções de coisas que teriam de ser feitas depois dele partir, mas sem precisar o que estava acontecendo. A delegada não revelou se as gravações de voz foram enviadas antes ou depois dele ter matado a esposa.

Casal foi encontrado morto na casa onde morava pelo filho - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

“O autor teria encaminhado alguns áudios para o filho, dizendo algumas informações a respeito de coisas deixadas, enfim, como se ele estivesse tentando resolver algumas coisas depois que tivesse partido. Ele não fala isso de modo expresso, mas ele anuncia de alguma forma a tragédia, mas não diz o quê”, explicou Larissa Franco Serpa.

A delegada ressalta que ainda não é possível afirmar se o crime foi premeditado, pois as investigações foram recém-iniciadas para apurar todas as circunstâncias e delimitar como foi praticado o crime, que foi registrado como feminicídio.

A forma como os corpos foram encontrados e as marcas de defesa na vítima apontam um embate e que, provavelmente, segundo a delegada, houve uma tentativa da vítima de se desvencilhar das agressões.

Não foram divulgadas informações sobre quantas facadas foram desferidas contra a vítima e quais os locais atingidos.

*Saiba

Conforme a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), neste ano, 15 feminicídios ocorreram no Estado. Com esse, agora são 16 – o terceiro crime do tipo em Campo Grande.

Colaborou Glaucea Vaccari

FISCALIZAÇÃO

Polícia Federal e fiscais de MS vão ampliar pente-fino em fronteiras

Parceria vinha sendo construída desde 2022 e foi acertada neste mês pela Superintência da PF e a Secretaria de Estado de Fazenda

28/07/2026 08h00

Rodolfo César

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Todas as cargas que entram e saem de Mato Grosso do Sul, pelas fronteiras com Paraguai e Bolívia e pelas divisas com São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Minas Gerais e Goiás, poderão ser fiscalizadas em conjunto pela Polícia Federal (PF) e por fiscais tributários da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) a partir deste mês, em uma parceria que foi firmada para durar, ao menos, cinco anos.

As duas instituições vão ter acesso direto a documentos de cargas para identificar origem e destino, ao responsável por despacho de mercadorias, ao monitoramento em tempo real de circulação de mercadorias e até a informações que identificam se os produtos trocaram de veículo no trajeto.

A Superintendência Regional da PF em Mato Grosso do Sul e a Sefaz ainda passam a compartilhar imagens que são capturadas por câmeras que existem em áreas de divisa do Estado.

O intuito de ter um acesso amplo a qualquer transporte de produtos é permitir que as fiscalizações consigam identificar riscos de irregularidades de forma mais direta, com maior possibilidade de flagrantes em casos de tráfico de drogas e de outras ilegalidades.

Esse acordo de cooperação técnica segue tratativas que passaram a ser conversadas em 2022 e evoluíram para a assinatura, no dia 9, entre o superintendente da PF no Estado, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo, e o secretário de Estado da Fazenda, Flávio César Mendes de Oliveira.

O meio para garantir esse acompanhamento de cargas será o documento conhecido como Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), que já é obrigatório em Mato Grosso do Sul desde 2017, mas que passou a ser exigido nacionalmente para transporte de cargas.

Todas as informações de uma viagem de mercadoria precisam ser reunidas no MDF-e, ou seja, os dados chamados de Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) e a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e).

Para as empresas que fazem transporte de cargas, os procedimentos legais vão continuar iguais.

O que deve mudar é que nas fiscalizações, mesmo em postos fiscais, caso haja identificação de ilegalidades, a PF terá como agir de forma mais ágil do que vinha ocorrendo em razão da burocracia e da jurisdição de atuação que existe no âmbito fiscal e criminal, bem como das instituições.

Fiscais tributários já têm conhecimento sobre toda essa documentação e policiais federais vão ter também acesso para analisar e identificar possíveis falhas. Outro detalhe nesse convênio é que os fiscais estaduais vão passar a fazer capacitações com policiais federais.

“O objeto do presente acordo é a cooperação técnica e operacional entre os partícipes, a ser executado no Estado de Mato Grosso do Sul, conforme a disponibilização, pela SR/PF/MS, de vagas em ações de capacitação para servidores da Sefaz-MS, e a concessão, pela Sefaz-MS, de acesso a dados informatizados do Serviço de Consulta de Informações Logísticas de Veículos de Cargas, a ser executado no Estado de Mato Grosso do Sul, relativas à existência de MDF-e; o compartilhamento de todas as imagens capturadas por meio das câmeras de segurança; e o intercâmbio de dados e tecnologias entre os órgãos”, detalhou o extrato do contrato.

O monitoramento da Polícia Federal, por exemplo, vai ser ampliado para que delegados e agentes tenham acesso à placa do veículo, aos itens da carga, à data, à hora e ao sentido da passagem do transporte em postos fiscais. Essas informações poderão ser cruzadas com imagens capturadas por câmeras.

Fronteira de Corumbá com a Bolívia já recebe fiscalização diária da Receita Federal e da Polícia Federal e, agora, terá fiscais da Sefaz - Foto: Rodolfo César

FISCALIZAÇÃO

A Sefaz mantém bases de fiscalização em Cassilândia, Chapadão do Sul, Paranaíba, Selvíria e Corumbá. Também tem fiscalização de mercadorias em Campo Grande, Três Lagoas e Dourados.

Desde o ano passado, houve anúncios de obras de modernização nessas unidades, incluindo não só obras estruturais, mas instalação de equipamentos tecnológicos e de sistemas de monitoramento integrado.

Em Corumbá, fronteira com a Bolívia e um dos pontos mais críticos no combate ao tráfico de drogas, o posto de fiscalização Lampião Aceso, na BR-262, estava sucateado há anos, mas passou por reforma e remodelação de sistemas informatizados. A obra começou ano passado e foi concluída este ano.

Anteriormente, o secretário da Sefaz, Flávio César Mendes de Oliveira, reconheceu que a fiscalização dependia de reestruturação.

“A atuação fiscal do Estado vai muito além do papel punitivo. A fiscalização atua como uma barreira contra práticas ilegais que desequilibram o mercado e comprometem a arrecadação, como a sonegação de impostos e o comércio de produtos sem origem declarada, muitos dos quais podem representar sérios riscos à saúde da população. Em Mato Grosso do Sul, esse compromisso tem sido reforçado por meio de ações estratégicas”, mencionou por meio da assessoria.

*SAIBA

A Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul e a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) passam a compartilhar imagens que são capturadas por câmeras que existem em áreas de divisa do Estado.

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