Distante dos holofotes e do glamour dos shows que permeiam as exposições agropecuárias por todo o país, Rafael Amancio Chaves (40) ganha a vida na lida diária com o gado. Por amor aos animais e carinho com a profissão, o trabalhador faz renúncias constantes para acompanhar o gado pelo país.
Natural de Dourados, local em que reside, Chaves deixa a 83ª Expogrande já nesta quinta-feira (20) e percorre, junto de seu ajudante, cerca de 790 km de caminhão rumo à Uberaba, em Minas Gerais.
Por lá, disputam no próximo dia 1° de maio, a competição que classificou como a “Copa do Mundo dos Nelores”, realizada na Expozebu. “Os animais são quase uma família pra gente. Passamos mais tempo com eles do que nossos próprios familiares. Trabalhamos todo dia, diretão. Não existe sábado, domingo e nem feriado”, destacou ao Correio do Estado.
Trabalhador do campo desde menino, Chaves já foi ajudante de inseminação antes de iniciar a lida com o gado cocheiro em 2005.
Há dois anos à serviço de uma fazenda de sua cidade natal, Renato Chaves frisa que gosta do que faz e que já trabalhou 16 anos em uma fazenda próxima de Caarapó, município distante 275 km distante da capital. Há dois anos, se estabeleceu no emprego atual, onde conta apenas com o companheiro de serviço para administrar a vida pessoal e tratar dos animais.
Além de Chaves e do companheiro de lida que optou por não dar entrevista, a equipe segue para Minas Gerais junto das cinco novilhas nelores que os acompanham no trecho.
Diferente da próxima parada, o evento desde ano, realizado no Parque Laucídio Coelho, conta apenas com a exposição dos animais que podem ser leiloados ou mesmo adquiridos por produtores interessados em suas características genéticas.
“Como aqui não tem competição, apenas exposição, o dono do gado só lucra em caso do animal ser vendido em leilão. Aqui tem vacas que custam R$ 9 milhões. O evento por aqui é simplesmente por melhoramento genético, para melhorar a raça do animal.
Se ele é vendido em leilão, aí sim vai para outro criador”, pontuou Chaves. Questionado sobre seus lucros em caso de venda, o trabalhador disse que o padrão de ganho gira em torno de 5% do gado vendido. “Digamos que o animal é vendido a R$ 9 milhões, lucro em cima disso”, destacou. Ou seja, caso o martelo seja “batido” neste valor, o douradense embolsa R$ 450 mil. Segundo ele, antes da pandemia chegou a participar de 16 exposições apenas dentro do Estado.
O outro lado
Com viagens ao Paraná, Mato Grosso, e Minas Gerais, o trabalhador destaca que já ganhou muitos eventos com os animais. Separado e pai de dois filhos, um de cinco e outro de 10 anos de idade, Chaves relata que apesar do gosto pela coisa, nem sempre as coisas são tão favoráveis aos trabalhadores.
“Já passamos por lugares que não tinha onde ficar. Sem lugar pra tomar banho, dormir, lidando com chuva, tendo que se virar com comida por cerca 10, 15 dias”, disse.
De acordo com o sul-mato-grossense, as condições hoje são mais favoráveis, e que apesar de possuírem um alojamento à disposição nesta edição da Expogrande, ele e seu parceiro optaram por se instalarem em outro espaço.
“Hoje mudou muito, antigamente era mais difícil. Temos comida aqui na exposição e as coisas estão melhores. Perguntado sobre o que fará após a viagem para Uberaba, Renato Chaves diz que o expediente é retornar para Dourados e esperar a próxima viagem.




