O secretário de Saúde de Ponta Porã, Daniel Kayatt, informou que a mãe do 1° caso suspeito de sarampo registrado no município em 2025 teve contato com uma familiar que recebeu visita de uma estudante que reside em Santa Rosa, distrito do departamento de San Pedro, primeiro local a confirmar um caso de sarampo no Paraguai.
Nem o bebê de 8 meses, nem os pai da crianças eram vacinados contra o sarampo. Não foram apresentados sintomas graves e o resultado do exame que vai confirmar ou descartar a suspeita deve sair até a próxima segunda-feira (8).
Segundo a Secretaria de Saúde do município, a brinquedoteca frequentada pela criança foi bloqueada e os pais foram vacinados. Além disso, o governo paraguaio foi alertado para que monitore a estudante que atravessou a fronteira.
Surto de sarampo
No Paraguai, o primeiro caso de 2025 foi confirmado em um menino de cinco anos não vacinado no distrito de Santa Rosa, departamento de San Pedro. Posteriormente, surgiram outros casos ligados a contatos próximos, totalizando pelo menos sete casos confirmados no país, todos em pessoas não vacinadas.
O Ministério da Saúde do Paraguai declarou alerta epidemiológico para reforçar a vacinação e buscar novos casos, destacando que o país estava livre do sarampo desde 2015, mas o surto representa uma ameaça atual à saúde pública.
Na Bolívia, a situação é mais alarmante com um surto epidêmico declarado, com mais de 220 casos confirmados e emergência nacional decretada.
A doença voltou a circular fortemente na América do Sul devido a níveis de vacinação abaixo do recomendado, com a região apresentando um aumento expressivo nos casos e mortes relacionadas ao sarampo em 2025 em comparação a 2024.
A Organização Panamericana de la Salud (OPS) alerta que 71% dos casos ocorreram em pessoas não vacinadas e reforça a recomendação de vacinação com duas doses para prevenir a doença, além de realizar campanhas em comunidades de alto risco.
O surto também levou países vizinhos, como o Brasil, a adotarem medidas preventivas, especialmente na região de fronteira, com busca ativa de casos, bloqueios vacinais e vacinação de bebês menores de um ano com a "dose zero" da vacina contra o sarampo.
A doença
O sarampo é uma doença infecciosa grave causada por vírus, com potencial de levar à morte em casos mais severos. A transmissão ocorre de forma rápida e direta, principalmente por meio de gotículas liberadas pelo doente ao tossir, falar, espirrar ou até respirar próximo de outras pessoas.
A forma mais eficaz de prevenção é vacinação, que protege contra a infecção e interrompe a disseminação.
No passado, a doença figurou entre as principais causas de mortalidade infantil, mas seu impacto foi reduzido ao longo dos anos graças a políticas consistentes de vacinação. Um marco nesse esforço foi o Plano Nacional de Eliminação do Sarampo, implementado em 1992.
Brasil livre do sarampo
Em 2024, o Brasil recebeu a recertificação de país livre do sarampo, resultado do fortalecimento da vigilância e da retomada da vacinação. Em 2016, o país já havia conquistado esse status, mas, em 2018, as baixas coberturas vacinais permitiram a reintrodução do vírus. No último ano, a cobertura da vacina tríplice viral ultrapassou a meta nacional de 95%.
Para reverter a queda nos índices, o Ministério da Saúde investiu na vacinação em áreas de fronteira e em locais de difícil acesso, além de implementar a busca ativa de casos suspeitos, realizar o Dia S de mobilização, promover oficinas de resposta rápida frente a casos suspeitos e organizar webinários sobre manejo clínico do sarampo.
Em 2025, como apoio à contenção do surto na Bolívia, o Ministério da Saúde disponibilizou 600 mil doses da vacina contra o sarampo para doação, reforçando o compromisso do país com a cooperação internacional em saúde e com o enfrentamento das doenças imunopreveníveis na região.


