Cidades

SISTEMA PRISIONAL

Mais de 7 mil presos do MS usam a leitura para reduzir pena

Entre janeiro e setembro de 2025, mais de 7,3 mil internos participaram da iniciativa da Agepen, que permite a redução de pena por meio da leitura

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Mais de 7 mil pessoas privadas de liberdade em Mato Grosso do Sul estão utilizando a leitura como instrumento para diminuir o tempo de pena, por meio do programa de Remição pela Leitura, desenvolvido no sistema prisional estadual.

Levantamento da Diretoria de Assistência Penitenciária (DAP), da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), aponta que, entre janeiro e setembro de 2025, 7.358 internos participaram da iniciativa, que permite a redução de dias de pena a partir da leitura de obras literárias, elaboração de resenhas e avaliação do conteúdo.

A leitura integra o conjunto de políticas educacionais e de ressocialização adotadas pelo Estado, que também incluem cursos de capacitação, atividades culturais e o acesso à escolarização formal dentro das unidades penais.

No mesmo período, 3.751 reeducandos estavam matriculados do nível de alfabetização ao ensino superior e pós-graduação, enquanto 9.078 participaram de cursos de qualificação profissional e palestras. Além disso, 1.163 internos estiveram envolvidos em atividades culturais e esportivas, que complementam as ações educativas.

Os dados mostram que a política de ressocialização tem sido ampliada em diferentes frentes. No eixo do trabalho prisional, 35,94% da população carcerária participa de atividades laborais, o que representa mais de 6,5 mil internos trabalhando dentro e fora das unidades penais. Deste total, mais de 67% recebem remuneração, com apoio de 253 parcerias firmadas com empresas e instituições.

Na área da saúde, o sistema penitenciário realizou mais de 122,5 mil atendimentos médicos e odontológicos no período, contemplando diferentes especialidades e exames, com foco na prevenção de doenças e no acompanhamento contínuo da população privada de liberdade.

Já na promoção social, foram contabilizados cerca de 30 mil atendimentos em audiências psicossociais e 6 mil atendimentos voltados à inclusão social, além da emissão de documentos civis, acompanhamento individual e em grupo e ações específicas para mulheres, idosos e população LGBTQIA+.

Para a diretora de Assistência Penitenciária da Agepen, Maria de Lourdes Delgado Alves, a política vai além da custódia. “Cada atendimento, cada vaga de trabalho e cada oportunidade educacional representam um passo concreto no processo de ressocialização”, afirmou.

Caso Marcinho VP

Um dos exemplos recentes de utilização da remição de pena por leitura envolve Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, condenado a mais de 40 anos de prisão por crimes relacionados ao tráfico de drogas e homicídio e apontado como líder do Comando Vermelho. Preso desde 1996, ele cumpre pena atualmente em penitenciária federal localizada em Campo Grande.

Conforme processo que tramita na 5ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal de Campo Grande, a defesa homologou atestado de estudo comprovando a participação de Marcinho VP no projeto de remição por leitura, o que resultou na redução de 12 dias de sua pena, após a leitura de três obras literárias.

Os livros lidos foram: “Adriano: Meu medo maior”, biografia do ex-jogador Adriano Imperador; “Mussum Forevis, samba, mé e trapalhões”, sobre o humorista Mussum; e “O Vermelho e o Negro”, clássico da literatura francesa.

Além disso, durante o período de cárcere, Marcinho VP também escreveu um livro, intitulado “A cor da Lei”, lançado em junho deste ano, com quase 500 páginas, abordando conflitos entre justiça, poder e desigualdade social a partir de sua vivência no sistema prisional.

Apesar da remição, o preso ainda tenta na Justiça a progressão para o regime semiaberto e a liberdade definitiva a partir de dezembro de 2026, pedidos que vêm sendo negados pela Justiça Federal, pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Como funciona a remição por leitura

A remição da pena por leitura é regulamentada por resolução do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e permite que pessoas privadas de liberdade reduzam parte do tempo de prisão por meio da leitura voluntária de obras literárias disponíveis no acervo das unidades prisionais.

Para ter direito ao benefício, o preso deve retirar a obra da biblioteca da unidade, realizar a leitura no prazo de até 30 dias e, após esse período, apresentar um relatório de leitura em até dez dias, seguindo roteiro definido pelo juízo competente ou comissão avaliadora.

Cada obra lida e validada corresponde à remição de quatro dias de pena. O regulamento estabelece o limite de até 12 livros por ano, o que possibilita a redução de até 48 dias da pena anualmente.

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IPCA | IBGE

Campo Grande abre 2026 com inflação de 0,48%, acima da média nacional

Reajuste da taxa de água e esgoto a partir de 3 de janeiro na Capital foi um dos responsáveis por empurrarem subitem da Habitação em 2,56% acima em todo o País neste ano

10/02/2026 09h32

Enquanto IPCA nacional manteve-se estável entre dezembro e janeiro, índice para o primeiro mês de 2026 na Capital é 0,31 ponto porcentual acima do registrado no mesmo período

Enquanto IPCA nacional manteve-se estável entre dezembro e janeiro, índice para o primeiro mês de 2026 na Capital é 0,31 ponto porcentual acima do registrado no mesmo período Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Dados divulgados hoje (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro, mostram que Campo Grande abriu 2026 com inflação na casa de 0,48%. 

Em análise, enquanto o IPCA nacional manteve-se estável em 0,33% entre dezembro e janeiro, o índice para o primeiro mês de 2026 em Campo Grande é pelo menos 0,31 ponto porcentual acima do registrado no mesmo período. 

Nacionalmente,  o índice ficou em 4,44% nos últimos doze meses, acima dos 4,26% dos 12 meses imediatamente anteriores, com o acumulado de Campo Grande fechando em 3,60% nesse mesmo período. 

Ainda em nível de País, os setores com maiores variações em janeiro foram: Comunicação (0,82%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,70), seguida de Transportes (0,60%) que aparece inclusive como o maior impacto (0,12 p.p.) no resultado do mês.

Recorte regional

Importante frisar que, desde 1980 o IBGE calcula a inflação do País através do IPCA, em referência àquelas famílias "com rendimento monetário de 01 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte", cita o Instituto em nota. 

Sobre a variação de 0,48% em janeiro de 2026 para Campo Grande, o banco de tabelas estatísticas do Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra), o segundo grupo de maior peso na Capital, Transportes, registrou variação de 0,54% em janeiro. 

Enquanto IPCA nacional manteve-se estável entre dezembro e janeiro, índice para o primeiro mês de 2026 na Capital é 0,31 ponto porcentual acima do registrado no mesmo períodoReprodução/Sidra/IBGE

Segundo o IBGE, o terceiro maior peso do IPCA da Capital do MS, Habitação, influenciado pelo reajuste de 4,57% em Campo Grande (3,98%) da taxa de água e esgoto a partir de 3 de janeiro, foi um dos responsáveis por empurrarem esse subitem em cerca de 2,56% acima em todo o País em janeiro deste ano. 

Vale lembrar, que em pelo menos quatro dos 12 meses de 2025 Campo Grande registrou um cenário de queda na inflação, com outubro (-0,08%), quando a Cidade Morena registrou deflação pela 4ª vez no ano, já sendo o terceiro mês consecutivo de deflação.

Porém, o custo de vida voltou a subir em novembro, encerrando a "onda de deflação" na Cidade Morena após três meses de queda, tendência essa que foi mantida em dezembro mas que, cabe destacar, apesar das altas em seis dos nove grupos pesquisados, os respectivos impactos no último mês de 2025 sequer passaram de um ponto percentual, com a maior variação ficando a cargo dos Artigos de residência (0,68%). 

 

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corrupção

Fraude no Farmácia Popular em MS leva PF a descobrir desvios em 4 estados

Beneficiadas por programa do Governo Federal, esquema fraudulento utilizava 'laranjas' para venda e compra fictícia de medicamentos

10/02/2026 09h20

Divulgação

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Na manhã desta terça-feira (10), a Polícia Federal junto a Receita Federal do Brasil (RFB) e a Controladoria Geral da União (CGU) deflagrou uma operação com mandados de busca e apreensão em quatro cidades do Brasil. O início da investigação foi no interior de Mato Grosso do Sul.

De acordo com as informações, a nomeada Operação Over The Counter (OTC), iniciou com a descoberta de fraudes em farmácias beneficiadas pelo Programa Farmácia Popular, em Dourados (MS), a menos de 230 quilômetros de Campo Grande.

Na ocasião, o estabelecimento agia de forma fraudulenta em que utilizavam pessoas como 'laranjas', com a coleta de nome e CPF, com objetivo de simular venda de inúmeros medicamentos em compras fictícias, em que os remédios nunca foram adquiridos pelos donos do CPFs informados.

As apurações da investigação iniciaram após uma cliente da farmácia perceber a utilização do seu CPF em uma compra de medicamento do programa e transação sem o seu reconhecimento.

Comandada por uma organização criminosa, a ação movimentou milhões de reais e mantinha a criminalidade em diversas rede farmacêuticas pelo país.

Em Juízo Federal da 2ª Vara de Dourados, a investigação expediu mandados de busca e apreensão de provas, bens e sequestro bancário, além de veículos e imóveis nas cidades de João Pessoa (PB), Pirangi (SP), Carazinho (RS) e Lagoa Santa (MG).

O valor do montante de bens apreendidos da Operação OTC é referente ao sequestro de bens de sete pessoas jurídicas e nove pessoas físicas integrantes do esquema fraudulento, totalizando R$ 8.725.000,00.

Operação OTC - Over The Counter

Segundo informações da Receita Federal, a organização criminosa selecionava farmácias com CNPJ já cadastrado no Programa Farmácia Popular e utilizava dos CPFs de pessoas que as frequentavam e transformavam em 'laranjas'.

O esquema desviava recursos públicos em escala nacional, com fraude no sistema de auxílio do Governo Federal. Seu modos operandi consistia em registrar no sistema oficial as vendas fictícias de medicamentos, sem que os clientes recebessem o remédio.

Com isso, a farmácia informava ao programa a venda, que reembolsava o valor para a organização que articulava a fraude.

Foto: Operação OTC - Receita Federal

Devido a escala do esquema, os cofres públicos sofreram desvio de R$ 30 milhões.

*Saiba

Programa Farmácia Popular

Criado em 2004 pelo Governo Federal, o Programa Farmácia Popular complementa a oferta de medicamentos da Atenção Primária à Saúde por meio de parcerias com estabelecimentos farmacêuticos privados. O programa funciona mediante ressarcimento pelo Governo Federal após confirmação das vendas registradas no sistema oficial.

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