Cidades

PEDIDO NEGADO

"Mais Louco" pede e Justiça nega liberação de caminhonete avaliada em R$ 500 mil

Veículo permanece registrado em nome de Valter dos Santos Prior, que o transferiu verbalmente a Luiz Carlos Honório, réu por narcotráfico internacional de drogas

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O juiz Federal Bruno Barbosa Stamm, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, negou o pedido de restituição por parte do prefeito de Ivinhema Juliano Ferro, o "Mais Louco do Brasil", que requeria a liberação da caminhonete Silverado, apreendida durante à denominada Operação Lepidosiren.

A decisão do Ministério Público Federal pelo indeferimento do pedido argumenta que não ficou comprovada a aquisição onerosa e lícita do bem, uma vez que o veículo permanece registrado em nome de Valter dos Santos Prior, que o transferiu verbalmente a Luiz Carlos Honório, réu por narcotráfico internacional de drogas.

Além disso, também destaca que o Mais Louco não comprovou documentalmente a alegada tradição ou pagamento, sendo o negócio marcado por declarações unilaterais. Por fim, o próprio Luiz Carlos Honório, em depoimento prestado à Polícia Federal, afirmou que os valores sequer foram pagos, de modo que a negociação carece de respaldo jurídico.

O prefeito sustenta ser terceiro de boa-fé, ou seja, pessoa ou entidade que adquire um direito ou assume uma obrigação sem ter conhecimento de irregularidades, e que adquiriu legitimamente o bem de Luiz Carlos Honório.

Em sua defesa, o prefeito afirma ainda que a transferência do bem móvel, mediante repasse de um veículo Troller e emissão de cheque no valor de R$ 380.000,00, se dá com a tradição, independentemente de registro junto ao órgão de trânsito, razão pela qual teria direito à restituição.

A restituição de coisa aprendida ocorre apenas quando não mais interessar ao processo penal e na certeza acerca da licitude e propriedade do bem, salvo se a parte requerente demonstrar ser proprietária do veículo, bem como pessoa de boa-fé ou lesada.

Motivos da negativa

Em primeiro lugar, o Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV) permanece em nome de Valter dos Santos Prior, sem qualquer transferência registrada em favor do requerente.

De outro lado, a alegada tradição por parte de Juliano Ferro também não foi demonstrada, limitando-se os autos a declarações unilaterais dele e de pessoas ligadas aos investigados.

O próprio depoimento de Luiz Carlos Honório (réu na ação principal) perante a Polícia Federal é revelador, ao admitir que a negociação envolveu a entrega de cheque pós-datado pelo prfeito de Ivinhema, mas que os valores sequer foram efetivamente pagos, o que afasta a comprovação de aquisição onerosa e de boa-fé.

Outro elemento é que o veículo não foi apreendido na posse de Juliano Ferro, mas sim em poder de Lucas Vinícius Silva Matos, durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão em endereço vinculado à investigação criminal.

Esse dado é significativo porque, nos termos do artigo 1.267 do Código Civil, a tradição exige a entrega efetiva do bem, circunstância incompatível com a apreensão do veículo em posse de terceiro.

Ademais, conforme o relatório, dias após prestar depoimento perante a Polícia Federal, foi identificado um vídeo publicado no Instagram pelo próprio Juliano em 11 de setembro de 2024, no qual, ao lado da caminhonete Silverado, ele afirma estar "vendendo carro" a Luan Vinícius Silva Matos.

Ainda de acordo com o relatório, esse contexto reforça a dúvida sobre a real titularidade e a efetiva posse do veículo, enfraquecendo de forma contundente a tese do prefeito.

Apreensões 

Depois de ter a casa apreendida em meio a uma operação contra o narcotráfico internacional de drogas, o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PSDB), teve sua caminhonete Silverado, avaliada em R$ 519 mil, apreendida em outubro de 2024.

A apreensão da casa ocorreu no dia 8 de agosto, na primeira fase da operação contra uma quadrilha de traficantes com base em Ivinhema e Angélilca. A caminhonete, por sua vez, foi apreendida no dia 15 de outubro, durante a operação Defray, que é um desdobramento da operação Lepidosiren.

Tanto a casa quanto a caminhonete de luxo do prefeito foram adquiridos de Luiz Carlos Honório, réu por envolvimento com o narcotráfico. A casa, oficialmente avaliada em R$ 750 mil, foi comprada em 2021, mas também não havia sido definitivamente registrada em nome do prefeito e por isso foi apreendida.

Conferência das Partes

PF age na COP15 em Campo Grande e fiscaliza segurança privada do evento

Polícia Federal tanto compõe e estrutura esquema especial de segurança, quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais

26/03/2026 09h44

Agentes estão  empregados de forma estratégica e preventiva

Agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional".  Reprodução/PF/CS.SRMS

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Até o próximo domingo (29), a Polícia Federal atua e também fiscaliza a segurança privada da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada no espaço Bosque Expo em Campo Grande. 

Nessas duas frentes, a PF tanto compõe e estrutura um esquema especial de segurança quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais. 

Durante essa semana acontecem ações de fiscalização dos vigilantes privados que atuam durante a Conferência, que basicamente garantem que toda a segurança contratada da COP15 "esteja de acordo com a legislação vigente". 

Como bem esclarece a PF, através do setor de comunicação social da superintendência regional em Mato Grosso do Sul, essa fiscalização da segurança privada é essencial em eventos de grande porte, garantindo um ambiente seguro e regulado para servidores, público e os profissionais que realizam o evento. 

Esquema de segurança

Além de fiscalizar a segurança privada, o emprego das chamadas equipes especializadas do Comando de Operações Táticas (COT) estrutura um esquema especial responsável por reforçar as ações preventivas e proteger as autoridades e delegações participantes. 

Dessas medidas, por exemplo, cabe destacar que esses agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional". 

Ou seja, esses agentes do Comando de Operações Táticas (COT) trabalham a todo o tempo durante a COP15 com objetivo de identificar e de neutralizar eventuais ameaças. 

"A atuação envolve vigilância qualificada, posicionamento tático em locais estratégicos e capacidade de pronta resposta a incidentes que podem comprometer a segurança das autoridades, das delegações estrangeiras, do público e das estruturas relacionadas ao evento", complementa a PF em nota.

Além disso, como bem acompanha o Correio do Estado, até mesmo "fuzis anti drones" estão sendo usados pela Polícia Federal durante a COP15, para inclusive neutralizar eventuais voos irregulares de aeronaves remotamente pilotadas (RPAs) nas áreas sob proteção.

É importante esclarecer que há protocolos específicos para inclusive resposta imediata, por isso a PF reforça que o emprego de aeronaves remotamente pilotadas nas áreas de interesse da segurança do evento deve observar as normas vigentes e eventuais restrições temporárias de espaço aéreo estabelecidas para a COP15.
 

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Campo Grande

Prefeitura monta plano para privatizar unidades 24 horas

Proposta apresentada pela Sesau para o Conselho Municipal de Saúde foi rejeitada pela maioria; ideia seria conceder a parte administrativa dos CRSs

26/03/2026 08h35

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital Gerson Oliveira

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A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), montou um plano para privatizar duas Unidades de Saúde com atendimento 24 horas da Capital e apresentou a proposta para o Conselho Municipal de Saúde (CMS) e a Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal.

Ontem, membros da Sesau se reuniram com representantes do CMS para apresentar uma proposta de terceirização dos Centros Regionais de Saúde (CRSs) do Aero Rancho e do Tiradentes. O plano é alterar o modelo de gestão dessas unidades para Organizações Sociais de Saúde (OSSs), sem mudanças estruturais previstas inicialmente.

A ideia seria entregar a parte administrativa das unidades para a iniciativa privada, o que, segundo a Sesau em sua apresentação, daria celeridade a processos de compra de insumos, assim como ampliaria os investimentos nessas unidades.

Em nota enviada à reportagem, o CMS se posicionou contrário à intenção da Sesau de privatizar ambos os Centros de Saúde, por entender que a alteração no modelo de gestão não vai resolver os principais problemas das unidades, podendo, inclusive, piorar a situação dos gargalos que hoje elas enfrentam.

“O Conselho Municipal de Saúde não se opõe a essa proposta por mero posicionamento político circunstancial. O conselho se opõe porque compreende, à luz de sua história, de suas atribuições legais e da experiência acumulada no SUS, que a terceirização da gestão das Unidades Públicas de Saúde não enfrenta os principais problemas hoje vividos pela população de Campo Grande e ainda pode agravar fragilidades já existentes”, pontua.

“Transferir a gestão administrativa dessas unidades não cria leitos hospitalares, não reorganiza de forma automática a retaguarda assistencial e não elimina, por si só, os fatores que produzem superlotação e desassistência”, completa o CMS.

Em conversa com o Correio do Estado, o presidente do CMS, Jader Vasconcelos, disse que as duas Unidades de Saúde não recebem financiamento do Ministério da Saúde e, por isso, viraram alvo de privatização por parte da Sesau.

Durante a tarde, foi a vez dos vereadores da Comissão Permanente de Saúde receberem os representantes da Sesau para debater a proposta de terceirização. 

O vereador Lívio Viana de Oliveira Leite, o Dr. Lívio (União Brasil), que integra a comissão, disse que não esperava esta atitude do Município, além de esclarecer que é contrário ao plano.

“Fomos pegos de surpresa. Não sabíamos nada disso e fomos alertados pelo Conselho Municipal de Saúde. Hoje [quarta-feira] a reunião é um pedido da Comissão de Saúde para estes esclarecimentos. Eu, pessoalmente, sou contrário a essa terceirização”, afirma o vereador.

Cabe ressaltar que as OSSs são entidades privadas sem fins lucrativos que atuam em conjunto com o poder público no gerenciamento de Unidades de Saúde via contratos de gestão. Focadas em eficiência e agilidade, buscam maior produtividade no SUS, mas enfrentam desafios de transparência.

A conversão de administração pública para OSS já foi feita no âmbito estadual. A ideia começou em 2016, quando o secretário de Estado de Saúde era Nelson Tavares. Algumas das empresas que ingressaram naquela época, no entanto, foram retiradas posteriormente por problemas na gestão dos hospitais.

PLANO INICIAL

Em contato com a Sesau para mais informações sobre esse plano, a secretaria limitou-se a declarar que se trata de uma ideia inicial, ainda em análise, que será amplamente debatida com outros órgãos.

“Uma ideia de proposta para implementação de OSS na Remus [Rede Municipal de Saúde], que será amplamente discutida com o Conselho Municipal de Saúde, Câmara Municipal, Tribunal de Contas, entre outros”, afirma a Sesau.

A reportagem também questionou o gasto mensal da prefeitura para gerir as CRSs Aero Rancho e Tiradentes. Contudo, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

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