Bolsonaristas de todo o Estado se concentram em Campo Grande neste domingo em manifestações em prol da anistia dos presos do ato de 8 de janeiro e pelo impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Estão previstos dois atos: a tradicional motociata que, segundo o organizador do evento, Capitão Contar (PRTB), deve reunir entre 800 a 1.000 motos; e um buzinaço, concentrado na Praça do Rádio Clube.
As manifestações fazem parte do movimento nacional "Reaja, Brasil", que acontece hoje (3) em grande parte das capitais do País.
"A nossa expectativa é reunir motociclistas de todos os cantos de Mato Grosso do Sul para que possamos mostrar nossa união e a nossa força", afirmou Contar. Para ele, o objetivo principal dos atos, é um "grito pela liberdade".
"A gente vê o Congresso muito tímido, os poderes sempre atuando com abuso, prendendo pessoas inocentes, calando vozes, políticos que, por seus posicionamentos, estão sendo presos, perdendo mandatos. Isso nada mais é do que uma manifestação do que está no nosso coração. Estamos há algum tempo sem ir para as ruas e a gente sabe a importância das ruas. Por isso, a gente quer que o Brasil reaja".
Contar explicou ao Correio do Estado que o itinerário da motociata é percorrer o caminho completo da avenida Afonso Pena desde o Parque das Nações até o Aeroporto Internacional de Campo Grande, retornando até a Praça do Rádio Clube, onde os movimentos espalhados pela Capital se encontrarão.
Foto: Marcelo VitorMoacir de Andrade da Silva tem 56 anos, mora em Campo Grande há 7 anos e é técnico de laboratório. Ele ficou sabendo do movimento na cidade pela internet e marcou presença na manifestação.
"O Brasil está invertido: o certo é o errado e o errado é o certo, o trabalhador está preso e o bandido está solto. O STF, ao nosso ver, não funciona e precisamos de uma solução", disse.
Simone Ferreira, de 41 anos, alegou que a direita clama por uma "justiça imparcial".
"A gente veio reivindicar nossos direitos, não dá pra continuar como está. Só um lado tem direitos, o outro não. Fica complicado desse jeito. Queremos uma justiça imparcial e não viver do jeito que estamos vivendo".
De acordo com o tenente Luiz Rogério Selasco, da Polícia Militar, em informação extraoficial ao Correio do Estado, a estimativa é que hajam 5 mil pessoas apenas no quadrilátero da Praça do Rádio Clube até agora.
Economia movimentando
A manifestação também é uma oportunidade de renda extra. Rummenigge Batista conversou com a reportagem e disse que chegou às 6h30 da manhã para vender bandeiras e que o estoque já está quase todo vendido.
"A gente investiu R$5 mil nos produtos e esperamos lucrar em média de R$10 mil. Tem bandeira do Brasil de R$50, R$75, R$150. Das 70 bandeiras dos Estados Unidos que trouxemos, já vendemos 65", conta.
Foto: Marcelo VitorJair Bolsonaro
As manifestações acontecem após o ex-presidente Jair Bolsonaro ser alvo de uma operação da Polícia Federal em 18 de julho, por ordem da Suprema Corte.
Bolsonaro passou a usar tornozeleira eletrônica e cumprir medidas cautelares como toque de recolher e proibição das redes sociais.
A medida do ministro Alexandre de Moraes se deu após pedido da Procuradoria-Geral da República devido à "concreta possibilidade de fuga" do ex-presidente.
Ele também foi proibido de manter contato com o filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL) que, desde março, se mudou para os Estados Unidos em uma tentativa de conseguir apoio do país a uma medida de anistia para o pai.
Em todo o País, são esperadas manifestações em Brasília, São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (BH), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Joinville (SC) e, pelo menos, mais dez pontos espalhados.
Não há registros de que Bolsonaro iria participar de algum dos encontros, já que uma das normas impostas pelo uso da tornozeleira é o impedimento de sair aos fins de semana.
Reprodução/Inmet

