Cidades

INTERIOR

Para se manter na prefeitura, Financial reduz 30% valor da coleta de lixo em Três Lagoas

Pelo menos desde 2005 o serviço na Cidade das Águas está sob responsabilidade da Financial, que têm como sócio o também responsável por administrar a Solurb em Campo Grande

Continue lendo...

Vencedora da recente licitação milionária para escolher a empresa responsável pela coleta e demais serviços em Três Lagoas, a Financial precisou reduzir em 30% o preço do certame para seguir à frente da gestão do lixo na "Cidade das Águas". 

Longe aproximadamente 326,5 quilômetros de Campo Grande, a empresa em questão está há cerca de duas décadas comandando o lixo da conhecida "Capital Mundial da Celulose", no interior de Mato Grosso do Sul.

Agora, diante dos R$28.650.700,96 previstos anualmente - que poderiam levar a um contrato de R$ 286 milhões para coleta de lixo -, a Financial saiu vencedora do certame por uma proposta de R$19.858.503,37 em meio à guerra de lances. 

Nota-se que justamente a concorrência "apertou" os cintos no certame, já que a proposta inicial da Financial era levar a licitação contra as interessadas, a Kurica Ambiental e Revita Engenharia, por R$28.620.707,26. 

Enquanto uma das proponentes ainda tentou "brigar" na disputa, baixando a proposta inicial de R$28.650.429,21 para um lance de 19.879.000,00, o valor cerca de 30 mil reais mais barato da empresa campo-grandense foi quem saiu vencedor. 

Em valores absolutos, a licitante conseguiu vencer esse certame por um lance que é 30,6% menor que o máximo previsto pelo município. 

Da composição dos custos, os itens que devem demandar maior investimento são: a coleta convencional (R$10.356.713,04) e a operação de aterro sanitário (R$7.180.061,26), conforme os valores referentes ao período de 12 meses. 

Além disso, ainda conforme o edital, a contratação prevê os seguintes serviços e as respectivas estimativas de valor máximo por 12 meses: 

  • Ampliação e manutenção do aterro sanitário - R$5.253.419,48
  • Coleta de distritos e lixeiras públicas na área rural - R$1.020.625,92
  • Coleta seletiva - R$3.867.959,76
  • Fornecimento de dispositivos para acondicionamento de resíduos sólidos domiciliares - R$ 971.921,50

Cálculos expostos na planilha orçamentária, do quantitativo de veículos exigidos para a contratação o edital aponta para a necessidade de pelo menos nove viaturas, levando em conta a quantidade de lixo a ser recolhida e as rotas a serem cumpridas. 

Isso porquê, conforme descrito em edital, por meio de uma correlação da população urbana estimada esse ano e foi estipulada uma geração per capita diária: 0,8464 kg/hab.dia. 
 
Ou seja, a quantidade total de resíduos sólidos a ser coletada pelo serviço de coleta convencional bateria 41.138,89 toneladas neste ano. 

Velha conhecida

Com a contratação em busca de empresa de serviços técnicos especializados de engenharia, para prestação dos serviços públicos de manejo e destinação final de resíduos sólidos para o município de Três Lagoas, há a possibilidade de uma prorrogação decenal (por dez anos). 

Ou seja, o contrato inicial de quase vinte milhões pode render mais R$198.585.033,70 para a Financial na próxima década, quando a empresa alcançará a marca de 30 anos sob o comando do lixo em Três Lagoas. 

Pelo menos desde 2005 a coleta de lixo na Cidade das Águas está sob responsabilidade da Financial, que chegou a reassumir o serviço após vencer uma segunda licitação em setembro de 2019. 

Em 2019, a Financial Ambiental venceu a licitação por R$8,8 milhões - após uma série de contratações emergenciais antes do fim desse processo - e conseguiu se manter à frente da coleta de lixo em Três Lagoas, em um certame que envolveu empresas de sete Estados brasileiros. 

Vale apontar que, a empresa Financial Ambiental têm como sócio-administrador Antônio Fernando de Araújo Garcia, que também aparece como o responsável por administrar a Solurb em Campo Grande. 

Escândalo do lixo

Por decisão recente de 1.ª instância, proferida pela Vara de Fazenda Pública e Registros Públicos do município, o ex-prefeito de Três Lagoas foi condenado por improbidade administrativa, como abordado pelo Correio do Estado, em contratos firmados justamente com a empresa de coleta de lixo do município. 

Em sentença assinada pela Juíza Aline Beatriz de Oliveira Lacerda, os condenados foram obrigados a devolver de forma solidária R$7,3 milhões pelos contratos considerados ilegais e superfaturados,  firmados entre 2017 e 2019. 

Para a magistrada, a emergência alegada para justificar os contratos teria sido artificialmente criada, para esconder a omissão do poder público em promover licitação regular. 

Inclusive, os valores praticados pela empresa contratada seriam superiores aos de mercado, como exposto em laudo pericial, e até mesmo maiores do que os apresentados pela própria companhia em licitações posteriores.

 

Assine o Correio do Estado

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

Continue Lendo...

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

Assine o Correio do Estado

testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

Continue Lendo...

O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).