Cidades

PENTE-FINO

Mato Grosso do Sul só usou 6% de verba federal para presídios, indica CGU

Auditoria apontou baixa execução de recursos do Fundo Penitenciário Nacional e falhas em processos de compras

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O estado de Mato Grosso do Sul aplicou apenas 6,63% dos recursos do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) que teve disponíveis para uso entre 2019 e 2023, segundo auditoria promovida pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Dos R$ 29 milhões disponíveis para que o Estado utilizasse em políticas públicas e investimentos no sistema penitenciário, aproximadamente R$ 1,7 milhão foram efetivamente executados, indica o relatório do órgão federal.

“Essa baixa taxa de execução indica uma ineficiência significativa na utilização dos recursos destinados às políticas penais”, argumentaram os técnicos da CGU.

Conforme a Controladoria-Geral da União, os critérios utilizados foram baseados em diretrizes estabelecidas em 2020 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública que exigem planejamento adequado e execução eficiente dos recursos públicos destinados ao setor penitenciário.

“Os exames realizados demonstram que a falta de planejamento e articulação entre as políticas penais e a execução dos recursos financeiros resultou em dificuldades para atender às demandas prioritárias, comprometendo a efetividade das ações planejadas”, informou a CGU.

O órgão de controle federal também registrou que a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) não apresentou justificativas para o baixo uso dos recursos federais disponíveis.

“A ausência de justificativas para a baixa execução dos recursos também levanta preocupações sobre a transparência e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos”, apontou a CGU no relatório.

No documento, a CGU alerta que a baixa execução dos recursos do Funpen pode comprometer a implementação das ações necessárias à melhoria do sistema penitenciário e à promoção da segurança pública.

A CGU entrevistou o chefe da Divisão de Compras da Agepen à época, que informou, por meio de comunicação interna, que “a baixa execução dos recursos do Funpen deve-se a toda a burocracia que permeia os processos de aquisições e contratações, considerando também o reduzido efetivo de servidores que atuam na execução dos fundos e a alta transversalidade de instituições do Estado envolvidas”.

Presídio de segurança máxima em Campo Grande, um dos maiores de Mato Grosso do SulPresídio de segurança máxima em Campo Grande, um dos maiores de Mato Grosso do Sul - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Pente-fino

A CGU também realizou um pente-fino em algumas aquisições feitas pela Agepen com recursos do Funpen e encontrou inconsistências em uma delas. Em uma adesão à ata de registro de preços para a compra de 120 radiocomunicadores, não foi comprovada a realização de cotação de preços adequada.

“Essa ausência compromete a avaliação da vantajosidade da adesão, podendo resultar em gastos excessivos e em falta de transparência na gestão dos recursos públicos”, afirmou a CGU no relatório.

Recursos federais

Embora o repasse de recursos do Funpen não seja considerado significativo para a manutenção do sistema prisional de Mato Grosso do Sul, a não execução dos valores federais enviados para esse fim contraria a narrativa adotada pelo governo estadual no fim da década passada, ainda na gestão de Reinaldo Azambuja (PL), de que seria necessária ajuda federal para financiar o sistema, sob o argumento de que ele é composto, em sua maioria, por presidiários oriundos de outros estados que foram presos por tráfico de drogas em território sul-mato-grossense.

Naquele período, o governo de Mato Grosso do Sul acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para que a União custeasse as despesas de presos residentes em outras unidades da Federação flagrados com drogas em território sul-mato-grossense, sob o argumento de que se tratava de crime federal.

A ação foi rejeitada pelo STF, sob o entendimento de que, juridicamente, o suspeito deve responder pelo crime na comarca ou no foro em que foi preso.

Para este ano, o governo de Mato Grosso do Sul prevê gastar R$ 557 milhões com a Agepen, sendo mais da metade desse valor, R$ 263 milhões, destinada ao pagamento de salários de policiais penais. Outros R$ 140 milhões estão previstos para despesas correntes. Anualmente, o Funpen destina cerca de R$ 30 milhões ao Estado.

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CAMPO GRANDE

Júri condena traficante a mais de 18 anos por assassinato na Orla Ferroviária

Crime de abril de 2025 aconteceu por disputa territorial para tráfico de drogas na região central da Capital

25/04/2026 13h00

Arquivo

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Nesta sexta-feira (24), o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPE) conseguiu a condenação de Guilherme Martins Lima, conhecido por "Alemãozinho" com a pena de 18 anos e 8 meses em regime fechado pelo assassinato de Wilver Sander de Souza com apelido de "Corumbá".

O crime aconteceu há um ano, em abril de 2025, sob motivação de disputa por território para o tráfico de drogas, que acontecia na região da Orla Ferroviária. De acordo com as informações, Guilherme Martins atirou contra Wilver Sander de surpresa, com alvo direto na cabeça da vítima e fugiu em um carro de aplicativo.

Durante o julgamento, o Promotor de Justiça João Augusto Arfeli Panucci sustentou a acusação com a intencionalidade e premeditação que o crime aconteceu.

O Conselho de Sentença concordou integralmente com a acusação e apontou o motivo torpe do crime, por controle territorial de outro crime, de tráfico, além da vítima ter sido surpreendida sem chance de reação.

A sentença ainda determinou o valor fixo de R$ 10 mil para os familiares de Wilver Sander, por reparação de danos morais, além da proibição de recorrer em liberdade. Guilherme Martins estava preso desde julho de 2025.

Relembre o crime

No dia 5 de abril de 2025, Guilherme Martins Lima, ou "Alemãozinho", teria ido até a Orla Ferroviária, na região central de Campo Grande por volta das 21h40 portando uma arma de fogo.

Conforme análise da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) das imagens de câmeras de segurança instaladas nas proximidades, os disparos aconteceram na região da cabeça sem chances de Wilver Sander ter alguma reação.

O atirador então teria fugido do local para encontrar uma mulher e uma criança, em que os três embarcaram em um carro de aplicativo.

Com as investigações policiais foi identificado que Guilherme Martins era da região fronteiriça do Estado, em Amambai, e pretendia comandar o tráfico de drogas na região central. A vítima então não teria aceitado as condições e a perda de posto no local, o que motivou a execução.

Além de como ocorreu o crime, as investigações apontaram que o envolvido possuía ficha criminal por roubos cometidos em São Paulo. Com o dinheiro do tráfico ele havia adquirido duas armas, além da que usou para matar Wilver e as utilizava para roubar casas e pessoas que saiam de agências bancárias.

Armas e objetos apreendidos em abril de 2025 quando o suspeito foi preso - Foto: Divulgação

Com mandado de busca e apreensão, e prisão temporária na época, foram apreendidos na casa do então investigado dois revólveres, uma pistola, carregador para submetralhadora, munições, máscaras e luvas, além de maconha, pasta base e cocaína.

Guilherme então teria confessado o crime de homicídio, alegando que Wilver estaria "atrapalhando os negócios", e afirmou que as armas eram para se defender, pois era parte de uma facção criminosa que possuía rivais e desavenças em Mato Grosso do Sul.

Ele ainda revelou que a mulher era uma amiga, que ele teria convidado para o acompanhar após o crime como disfarce e tentativa de não chamar atenção de policiais em possível abordagem.

O homem foi preso um mês depois do crime e estava preso desde então, agora ele cumpre a pena de 18 anos e 8 meses em regime fechado.

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DECISÃO JUDICIAL

Justiça determina reestruturação de onze UBSs em Campo Grande

Inquéritos civis constataram a precariedade estrutural, insuficiência de profissionais e a ausência de equipamentos mínimos necessários ao atendimento da população nas unidades

25/04/2026 12h30

UBS Dr. Jair Garcia de Freitas (26 de Agosto)

UBS Dr. Jair Garcia de Freitas (26 de Agosto) Divulgação: Prefeitura de Campo Grande

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinou que sejam adotadas melhorias em 11 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Campo Grande.  Foram constatadas graves falhas na prestação dos serviços da atenção básica. A decisão é resultado de uma ação civil pública do Ministério Público Estadual (MPE), que tramitou na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos.

O MPE, através da 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, investigou a situação, por meio de vistorias técnicas e inquéritos civis, constatando a precariedade estrutural, a insuficiência de profissionais e a ausência de equipamentos mínimos necessários ao atendimento da população.

As irregularidades foram identificadas nas UBSs dos bairros Caiçara, Jockey Club, Coophavila II, Pioneira, Vila Popular, Aero Rancho, 26 de Agosto, Silvia Regina, Lar do Trabalhador, Dona Neta e Buriti.

As vistorias in loco, realizadas entre 2017 e 2019 por assessores técnicos do MPE, revelaram problemas recorrentes, como ambientes físicos inadequados, falta de materiais básicos, ausência de equipamentos para atendimentos de urgência de baixa complexidade e falta de profissionais, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, etc.

Ação civil pública

Diante da persistência das irregularidades, mesmo após recomendações administrativas expedidas ao Município desde 2016, o MPE ingressou com uma ação civil pública com pedido de tutela de urgência, sustentando que a omissão do poder público compromete diretamente o direito fundamental à saúde.

O órgão ministerial destacou que as irregularidades produzem consequências graves, como a superlotação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e dos Centros Regionais de Saúde (CRSs), que passam a absorver demandas de baixa complexidade que deveriam ser resolvidas nas UBSs.

Na ação, o MPE solicitou que o Município de Campo Grande fosse obrigado a regularizar o quadro de profissionais das 11 unidades no prazo de 60 dias e a providenciar todos os materiais e equipamentos básicos e de urgência no prazo de 120 dias, sob pena de multa diária.

A determinação judicial estabelece a necessidade de melhorias estruturais e operacionais nas UBSs, com o objetivo de garantir condições mínimas e adequadas de atendimento à população de Campo Grande.

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