Mato Grosso do Sul é destaque no cenário nacional do mercado de trabalho ao ocupar a primeira posição no ranking brasileiro de desocupação de longa duração, com apenas 5,5% da população desempregada há dois anos ou mais.
É o que mostram os dados divulgados no Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP) com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Esse indicador mede a proporção de pessoas sem trabalho por um período prolongado em relação ao total de desempregados. Isso permite avaliar a capacidade de inserção da força de trabalho no mercado formal, como aponta o CLP. Assim, um percentual mais baixo aponta maior eficiência do Estado em reinserir os trabalhadores no mercado de trabalho, reduzindo o desemprego prolongado.
No ranking, Mato Grosso do Sul supera estados como o Piauí (7,4%) e Pará (9,1%). Os estados com as maiores taxas ficaram com o Rio Grande do Norte (32,1%) e Rio de Janeiro (32,9%).
Ainda de acordo com a pesquisa, o Estado subiu três posições no indicador no último ano, saindo da 4ª posição para o topo do ranking.
Além disso, ocupa a 2ª posição nacional das maiores notas no pilar de Capital Humano da pesquisa, que mede indicadores como custo de mão de obra, produtividade do trabalho, qualificação dos trabalhadores e desocupação.
Nessa categoria, a nota geral de Mato Grosso do Sul é 89,6, atrás apenas do estado de Santa Catarina, onde, neste pilar, a nota é 100.
No ranking geral de competitividade entre os estados, Mato Grosso do Sul ocupa o 9º lugar, com nota de 54,4. Os destaques do Estado ficam para os pilares de Sustentabilidade Ambiental (9º), Capital Humano (2º) e Sustentabilidade Social (8º).
Queda de desemprego geral
O cenário favorável do Estado também é notado em outras pesquisas. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a taxa de desocupação total em Mato Grosso do Sul caiu para 2,9% no segundo trimestre de 2025, o menor patamar registrado desde o início da série histórica em 2012. Essa taxa coloca o Estado entre os quatro com menor desemprego do País.
Em número, isso significa que aproximadamente 42 mil pessoas estavam desocupadas no período enquanto a população ocupada chegava a 1,43 milhão.
A taxa de saldo de empregos em Mato Grosso do Sul fechou o ano de 2025 com um índice positivo de 19,756 postos de trabalho com carteira assinada, resultado de 419.472 admissões e 399.716 demissões ao longo do ano passado.
O número foi 61% maior que o saldo de 2024, que foi de 12.230, mas ainda está abaixo dos anos anteriores. Como divulgado pelo Correio do Estado, em 2025 foram ofertadas mais de 20 mil vagas no mercado formal e não foram preenchidas, chegando a um saldo de 40.648 empregos em 2022.
A construção puxou a geração de empregos no Estado, com 5.873 vagas formais, seguido do setor de serviços, com saldo de 4,835 empregos, indústria, com 4,536, comércio , com 3.258, e agropecuária, com saldo de 1.256 vagas.
Esse desempenho de Mato Grosso do Sul pode ser explicado por uma série de fatores, como a implantação de grandes projetos industriais e de infraestrutura, acelerando a construção civil e amplia contratações diretas e indiretas; obras públicas e privadas que acompanham esse movimento; e políticas públicas voltadas à empregabilidade no Estado, como MS Qualifica, que tem o objetivo de preparar a mão de obra, conectar oferta e demanda de vagas e ampliar a empregabilidade.
Brasil
O número de desempregados no Brasil atingiu o número mais baixo desde a série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que teve início em 2012. No último trimestre de 2025, encerrado em dezembro, a taxa de desocupação do País caiu a 5,1%.
Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE, mostram que, nos últimos três meses de 2025, cerca de 5,5 milhões de pessoas estavam desempregadas no País, enquanto 103 milhões estavam ocupadas.
No período, a taxa anual do indicador de desemprego caiu de 6,6% em 2024 para 5,6%, número mais baixo desde 2012, passando de 7,2 milhões de desocupados para 6,2 milhões.
Os maiores índices foram marcados nos anos 2020 e 2021 em razão da pandemia de Covid-19, quando a taxa chegou a 13,7% e 14,0%, com uma média de 14 milhões de desocupados.
A população empregada também foi histórica, chegando a 103 milhões de pessoas, enquanto em 2024 o número era de 101,3 milhões. Em comparação ao início da pesquisa, em 2012, eram 89,3 milhões de brasileiros trabalhando.
O número de trabalhadores brasileiros com carteira de trabalho assinada cresceu 2,8% em 2025, chegando a 38,9 milhões de pessoas, quase 1 milhão a mais que a taxa no ano de 2024.
O número de pessoas trabalhando por conta própria também cresceu, chegando a 26,1 milhões, outro recorde na série histórica. Em relação ao início da série em 2012, o crescimento da informalidade foi de 30,4%.
Presidente da OAB-MS, Bitto Pereira

