Uma suposta fórmula prometendo bebês "mais inteligentes, fortes e resistentes" tem circulado nas redes sociais, gerando preocupação entre especialistas.
O chamado protocolo "Super Bebê" propõe a aplicação de vitaminas e aminoácidos por via endovenosa ou intramuscular em gestantes, mas médicos alertam que a prática não tem embasamento científico e pode trazer sérios riscos à saúde.
De acordo com o pediatra Paulo Serra Baruki, chefe da Divisão Médica do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), não há qualquer evidência de que esse tipo de intervenção traga benefícios ao desenvolvimento infantil.
Pelo contrário: a administração desnecessária de suplementos injetáveis pode levar a complicações graves, como trombose, arritmias cardíacas e reações alérgicas severas, colocando em risco tanto a gestante quanto o bebê.
Riscos
Baruki ressalta que o uso indiscriminado de vitaminas, principalmente no primeiro trimestre da gravidez, pode interferir na formação do sistema nervoso central do feto, levando a possíveis malformações.
Além disso, a prática fere a ética médica, já que o Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe a divulgação de tratamentos sem comprovação científica.
Pré-natal seguro
O especialista reforça que o acompanhamento médico regular, seguindo as diretrizes da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e do Ministério da Saúde, é a forma mais segura de garantir uma gestação saudável.
Enquanto algumas gestantes podem necessitar de suplementação de ferro e ácido fólico, a decisão deve ser individualizada e, preferencialmente, feita por via oral, evitando os riscos associados a injeções desnecessárias.
"Nem toda gestante precisa de suplementação de vitaminas, cada caso deve ser avaliado individualmente pelo médico obstetra", explica Baruki.
Atenção para dietas restritivas
Gestantes que seguem dietas veganas ou vegetarianas devem ter cuidado extra com a ingestão de nutrientes como vitamina B12, ferro, cálcio e ômega-3, normalmente encontrados em alimentos de origem animal.
Nesses casos, o acompanhamento nutricional especializado é fundamental para evitar deficiências que possam afetar a saúde da mãe e do bebê.
Desinformação nas redes sociais
Baruki conclui com um alerta sobre a propagação de falsas promessas na internet.
"A boa medicina é baseada em evidências científicas e não pode ser substituída por soluções sedutoras, mas sem fundamento. Priorize a saúde da gestante e do bebê com orientação médica qualificada e baseada em evidências", aconselha o médico.
A recomendação é clara: em vez de buscar atalhos perigosos, o pré-natal bem conduzido continua sendo a melhor garantia para uma gestação segura e um bebê saudável.




